Do lado de dentro
Passei doze anos batendo na mesma porta,
achando que insistência era amor.
Do lado de dentro, só frio, grito, mentira.
Do lado de fora, eu, esperando o milagre
que durava uma semana e morria no mês.
Um dia percebi: eu regava sozinha
um jardim que já era pedra.
E cada “vai melhorar” que eu me dizia
era só eu me pedindo socorro.
Hoje eu moro em mim.
Minhas janelas abrem pra calma.
Meus filhos riem na sala e Deus senta à mesa.
Ninguém me explica dor que não viveu,
e tudo bem. Eu não preciso de plateia pra ser inteira.
Não é vitimismo, é cicatriz.
Não é fraqueza, é limite.
Eu não saí do casamento.
Eu voltei pra minha paz.
Às vezes dentro de mim
De um lado pra outro ando
E vai vê que é assim
Que encontro meu comando.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
13/08/2026
O sujeito da mesa ao lado bebia como quem carregava um funeral dentro do peito.
Não havia enterro algum.
Só um ego grande demais para caber na cadeira.
Batia o copo no balcão com força suficiente para avisar ao mundo que sofria. Achava que o silêncio do bar era respeito.
Não era.
Era apenas gente ocupada demais tentando sobreviver para desperdiçar atenção com a tragédia particular de um desconhecido.
Pedi outro uísque.
A garçonete nem olhou para mim.
Nem para ele.
Estava cansada.
Os pés doíam.
O aluguel venceria na segunda-feira.
Mas aquele sujeito sairia dali convencido de que a indiferença dela era mais um capítulo da sua epopeia sentimental.
As pessoas têm um talento extraordinário para transformar o universo em um espelho.
Se chove, é contra elas.
Se alguém vai embora, é por causa delas.
Se um estranho não sorri, já imaginam um julgamento.
Se a mulher demora a responder, escrevem um romance inteiro antes do café esfriar.
Nunca lhes ocorre a hipótese mais ofensiva de todas:
Talvez ninguém esteja pensando nelas.
É engraçado.
Ele acreditava ser o protagonista.
Mal conseguia um papel de figurante.
Olhei para as mãos dele.
Tremiam um pouco.
Não pelo álcool.
Pelo medo.
O medo de descobrir que sua dor era comum.
Nenhuma dor gosta de ser chamada de comum.
A cidade inteira estava cheia de homens iguais.
Sentados em bares diferentes, convencidos de que eram a obra-prima da própria desgraça.
O mundo, porém, nunca teve vocação para plateia.
Continuou girando com a indiferença impecável de quem jamais prometeu assistir ao espetáculo.
Sorri.
Não dele.
De mim.
Porque, anos antes, eu também fazia discursos silenciosos para um copo de uísque, esperando que o teto, a fumaça ou qualquer divindade escondida no mofo do bar confirmasse que o universo tinha uma implicância particular comigo.
Demorei muito para descobrir a verdade.
O universo nunca soube meu nome.
E isso, estranhamente, foi um alívio.
O pior é que aquele homem nem podia ser culpado por completo.
Nem eu.
Você não escolhe nascer.
Não escolhe quem lhe ensina o medo.
Não escolhe a primeira humilhação.
Não escolhe o cérebro que insiste em acordá-lo às três da manhã para reabrir feridas antigas.
Nem escolhe o corpo que, um dia, começa a enferrujar sem pedir licença.
Recebemos tudo isso como quem herda uma casa velha.
Telhado furado.
Canos estourados.
Paredes rachadas.
E uma conta que nunca fecha.
Depois batizamos a herança de "eu".
Como se tivesse sido construída pelas nossas próprias mãos.
Que piada.
Boa parte do que chamamos personalidade é apenas a cicatriz tentando convencer a pele de que nasceu desenho.
O homem terminou a bebida.
Vestiu o casaco.
Foi embora acreditando que aquela noite havia sido escrita especialmente para ele.
A noite não percebeu sua partida.
Nem o bar.
Nem a lua.
Nem os carros.
Apenas a cadeira vazia permaneceu onde sempre esteve, esperando outro infeliz disposto a acreditar que o mundo acompanha seus pensamentos.
Acendi um cigarro.
O gosto era horrível.
Como sempre.
Continuei fumando.
Algumas coisas não melhoram.
Você apenas se acostuma.
Foi então que compreendi por que envelhecer cansa tanto.
Não é o peso dos anos.
É o esforço ridículo de sustentar um personagem chamado "eu", quando a vida inteira está ocupada demais para aplaudir a atuação.
Ainda assim, amanhã eu acordaria.
Pagaria contas.
Escreveria alguma coisa.
Talvez amasse alguém.
Talvez errasse de novo.
Porque a única maneira decente de atravessar este desastre é cuidar da própria vida como se tudo dependesse de nós...
...e aceitar, entre um gole e outro, que quase nada depende.
a minha vida é muito dificil caminhar ao lado do amor, pois não tenho nada dentro da minha carcaça enferrujada que me mantenha vivo, mais o meu dia começou melhor , pois ao acordar pensei em você
O lado escuro
E as vezes chega o momento
Em que se olha pra dentro e se pensa para trás
Duvidas até mesmo do que te satisfaz
A vida se torna dias cinzas infinitos
A dor se torna agonizante no seu íntimo
O que fazer se torna como posso viver
E o infinito de palavras se torna um deserto de silêncio
E a multidão se transforma em solidão
Os dias são escuros e as noites em claro
Pois hoje jogam fora o que um dia foi caro
E o útil vira lixo nesse bordel de ingratos
Estar em Cristo é como estar na arca. O mundo pode estar acabando do lado de fora, mas de dentro: o salvo tem abundância de paz.
A ajuda que você tanto espera do lado de fora já foi plantada aí dentro. Reaja, lute e corra atrás! 🌿💪
"Alguns amores não permanecem ao nosso lado, mas permanecem para sempre dentro de nós, convertendo a própria saudade em uma forma superior de beleza."
Há amigo que não apenas caminha ao lado,
mas faz morada dentro do coração.
Sua presença é como bálsamo suave,
seu abraço, um refúgio em meio à aflição.
Não é amizade de superfície,
é raiz plantada pelo próprio Deus,
que floresce em risos e lágrimas,
e aponta sempre para os céus.
O que realmente importa não está do lado de fora, mas dentro da gente. O que somos de verdade está nas coisas que os olhos não veem: no coração que bate, no sangue que corre, na cabeça que pensa, nas partes do corpo que se refazem e na respiração que não para. É essa força da vida que nos segura, que nos faz andar e que diz quem nós somos.
O que a gente vê por fora – a cara que a gente faz ou o que os outros enxergam – é passageiro, é como uma sombra que um dia some.
O corpo, com seu formato e sua cara, é só uma roupa por um tempo. Ele fica velho, cansado e um dia acaba. Mas o que a gente é de verdade – a vida, o espírito – vai além disso. No fim, a gente deixa o corpo, mas o nosso verdadeiro eu não morre nunca.
Por isso, tudo que a gente busca lá fora, tudo que a gente tenta ganhar ou mostrar para os outros, não pode dizer quem a gente é de verdade. O que somos, o que nos faz seguir em frente, o que dá valor à nossa vida, mora aqui dentro. E é esse mundo dentro da gente que manda na nossa vida, muito mais do que as aparências e as coisas que um dia vão embora.
A alegria não está no que se tem ao lado de alguém senão dentro de Si. A felicidade de ser quem é. "Eu sou de Cristo." Portanto sou feliz.
A Mestra do Tempo e da Alma
O caos do mundo ruge do lado de fora,
Mas dentro da sala, o seu império é a paz.
Diante da dúvida e do barulho que vigora,
Ela ensina o que o silêncio sábio faz.
Não molda o vento, pois sabe o que é o destino.
Molda a vela do barco que ruma ao saber.
Com paciência, acolhe o jovem e o menino,
E foca apenas naquilo que pode fazer.
Seus dias guardam a força da virtude clara,
Não busca aplausos, honraria ou vaidade.
Na mente firme, nenhuma tormenta para,
Sua maior lição é a própria integridade.
Mestra de si, das palavras e do instante,
Semeia o bem sem cobrar o que vai colher.
Caminha firme, serena e constante,
Mostrando ao mundo o que é vencer
Essa saudade que mora aqui dentro
Tão certa como o fim
Tão velha como o tempo
Saudade do lado de dentro
Que mora em mim
Intensa como a chuva
Tão forte como o vento
(...)E quando chega alguém que além de estar ao seu lado está dentro de você sua vida muda. Tem pessoas que passam anos pensando que amou alguém até aparecer o mar da sua vida. Pra algumas ele chega logo, pra outras somente anos depois. É maravilhoso quando alguém te completa, te cria, te faz, te transborda e te ama de verdade.
