Dizer Adeus com Vontade de Ficar

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As pessoas compram cartões de felicitações, porque não conseguem dizer como se sentem ou tem medo de dizer.

Ter tentando viver tem me feito esconder a vontade de querer desaparecer...

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o AMOR existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena!

Adriana Britto

Nota: Trecho de um poema muitas vezes atribuído, de forma errônea, a Mário Quintana.

Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te.

Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia na rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Não te preocupa. O que acontece é sempre natural - se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. Penso em você principalmente como minha possibilidade de paz - a única que pintou até agora, “nesta minha vida de retinas fatigadas”. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito.

Caio Fernando Abreu
ABREU, C., O essencial da década de 1970, Nova Fronteira

Eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas.

Caio Fernando Abreu

Nota: Trecho do conto "Para uma Avenca Partindo" (O ovo apunhalado, 1975).

Como dizer as coisas certas



Há alguns meses eu estava almoçando no México, e uma amiga – Cristina Belloni – fez um comentário:

- “Acho que Deus não me escuta mais, porque vivo enchendo a paciência dele”.

Todos os que estavam na mesa, riram. De minha parte, acho que Deus escuta sempre, não importa quantas vezes pedimos alguma coisa. Entretanto, o comentário de Cristina me fez lembrar uma história, narrada pelo jesuíta Anthony de Mello em seu livro “O Enigma do Iluminado”:

A história dos dois videntes

Pressentindo que seu país em breve iria mergulhar numa guerra civil, o sultão chamou um dos seus melhores videntes, e perguntou-lhe quanto tempo ainda lhe restava viver.
- “Meu adorado mestre, o senhor viverá o bastante para ver todos os seus filhos mortos”.

Num acesso de fúria, o sultão mandou imediatamente enforcar aquele que proferira palavras tão aterradoras. Então, a guerra civil era realmente uma ameaça! Desesperado, chamou um segundo vidente.

- “Quanto tempo viverei”? – perguntou, procurando saber se ainda seria capaz de controlar uma situação potencialmente explosiva.

- “Senhor, Deus lhe concedeu uma vida tão longa, que ultrapassará a geração dos seus filhos, e chegará a geração dos seus netos”.

Agradecido, o sultão mandou recompensá-lo com ouro e prata. Ao sair do palácio, um conselheiro comentou com o vidente:

- Você disse a mesma coisa que o adivinho anterior. Entretanto, o primeiro foi executado, e você recebeu recompensas. Por quê?

- Porque o segredo não está no que você diz, mas na maneira como diz. Sempre que precisar disparar a flecha da verdade, não esqueça de antes molhar sua ponta num vaso de mel.

Quero te dizer.
É mais dificil que complicado
Como vou te falar...
Vou dizer o que sinto.
Dizer que ultimamente ando pensando muito em você.
Que você não sai da minha cabrça.
Que sonho com você quase todos os dias.
Que acordo e pergunto a Deus porque penso tanto em você.
E que nunca acho respostas para essas perguntas...
Sei que parece meio estranho uma pessoa que você nem conhece vir aqui te dizer essas coisas
Mas você nao sei da minha cabeça
E Deus. Como você é linda.
E esses teus olhos sao as coisas mais lindas que eu ja vi
Tudo o que eu disse deve ser estranho.
Mas...
Quando uma coisa que nunca aconteceu, acontece
Você nao quer saber o que é?
Sei que você tem alguém
Se o que sinto é certo? Eu não sei
Tudo o que sei e quero saber
É se posso ficar com você

Eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Pois isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando numa porção de coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis que precisam ser ditas, não faça essa cara de espanto, elas são realmente terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, se você teria, não sei, disponibilidade suficiente para ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouví-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

Não abra a boca se o que tens a dizer não for mais belo que o silêncio.

Dizer aos outros que o tempo é o remédio para os amores impossíveis parece fácil. Assim como dizer que broto de goiaba fervido ajuda na dor de barriga. Esses dois são conselhos de minha avó, e que com certeza já sabia o que dizia em tempos remotos... O triste é fazer criança tomar o chá amargo do broto de goiaba e um ser apaixonado entender que o tempo lhe trará a resposta para o amor. Parece fácil, mas só eu sei e posso dar testemunho de que as duas coisas são verdadeiras... O chá amargo de minha avó realmente funciona com a dor de barriga e o tempo traz a calma para o amor impossível. Já experimentei os dois... O chá foi mais fácil de tomar, pois passei a velhinha pra traz, e assim que ela virou as costas adicionei açúcar... Já o tempo não... Tive de engolir dia a dia, como gotas amargas de fel... Sofrer cada dia, descer cada degrau da escada da ilusão sozinha... Provar do amargo, sem direito a acrescentar açúcar quando as pessoas viravam as costas. Os amigos tentaram ajudar, mas infelizmente em se tratando de amor, temos de caminhar sozinhos. Seguirmos á sós o caminho do regresso que outrora pisamos acompanhados. Mas hoje, eu posso afirmar com a maior certeza do mundo: O tempo pode não curar um grande amor, mas com certeza pode amenizar a dor de termos visto-o partir; ou então nos dará a chance de vivermos este amor novamente, porém mais maduros, um amor sólido, sem as euforias da adolescência e as dúvidas da juventude. Embora o amor seja constituído de dúvidas, pois amar é se entregar sem nenhuma garantia. Ou então o tempo nos dá a chance de consertar um coração quebrado, e ajeitá-lo para viver um novo amor...

Sei que é difícil se acreditar nestas possibilidades quando o coração está estraçalhado, em frangalhos, por um grande amor... Mas acredite... Somente o tempo dirá o valor que esse amor tinha e se realmente ele era o grande amor da sua vida. Por enquanto o melhor a se fazer é tomar o chá amargo do tempo e esperar que ele faça efeito sobre as dores da alma... Infelizmente ainda não tem remédio em farmácia melhor pra dor de barriga que broto de goiaba e para os amores impossíveis que o tempo...

Eu sei do que estou falando... Pode acreditar!

Eu tinha — e tenho — um monte de coisas pra te dizer, aquelas coisas que a gente cala quando está perto porque acha que as vibrações do corpo bastam, ou por medo, não sei.

Ser o meu melhor amigo não te dá o direito de me dizer quem eu posso amar.

As coisas mais importantes são as mais difíceis de dizer

Quem diz que o leão é um jumentinho,
que vá pôr o cabresto nele.

...é tanto o que temos para dizer quando nos calamos...
(O homem duplicado)

Poema Desabafo

Odeio...
Despedidas e também pontos finais.
Odeio...
Vê-lo partir com reticências, tendo a certeza do nunca mais.

Odeio...
Não poder obriga-lo a ficar.
Odeio...
O fato de comigo nunca conversar.

Odeio...
Por não querer nem mesmo minha amizade.
Odeio...
O que estou sentindo, a dor da soledad.

Odeio...
Me sentir impotente diante do mundo.
Odeio...
Me sentir tão pequena tenho sentimentos tão profundos.

Odeio...
Ter chorado durante a despedida.
Odeio...
Ter presenciado com dor a partida.

Odeio...
Estas dúvidas que vão continuar sendo dúvidas até lembrança o tempo apagar.
Odeio...
Porque não se importa. Mas, sabe o motivo do meu pesar.

Odeio...
Odeio mesmo ter de ter dizer adeus.
Odeio...
Ter chorado e te dito “vai com Deus!”.

Quando eu partir, não se lamente.
Pode chorar, mas não desperdice muitas lágrimas.
Guarde nossos sorrisos.
Guarde nossos abraços.
Os momentos que pareceram eternos.
Tente lembrar de algumas brigas.
Mas só daquelas em que nos reconciliamos.
Lembre-se do "eu te amo".
E esqueça do "eu te odeio" dito impensadamente.
Sorria das piadas que fiz.
E esqueça dos palavrões que falei.
Deseje novamente meus carinhos.
Mas esqueça das feridas que abri em você.
Lembre-se dos sorrisos espontâneos.
Mas esqueça dos dias em que me pegou de mau-humor.
Lembre-se que fui humano.
Amei humanamente o quanto pude.
Vivi humanamente enquanto pude.
E errei mais do que gostaria.
Mesmo assim, esse momento não me é doloroso.
Tenho que ir.
Tenho mesmo que ir.
Mas levarei pedaços de você comigo.
Deixarei pedaços meus com você.
E quando quiser me encontrar, olhe pro céu.
Procure Deus entre as nuvens.
Procure-me entre Deus.
Você não O verá.
Mas eu te verei.
O simples fato de você procurar por Ele, fará minh'alma mais feliz.
E se em algum momento uma chuva fina banhar teu semblante, saiba que será Deus atendendo um pedido meu, derramando em você todo o amor de meu coração para sussurrar discretamente:
- Estarei sempre contigo.

Momento despedida

Saudades sentirei
De todos as conversas e risadas jogadas ao vento,
De tudo o que vivemos e passamos.
Neste tão curto tempo
Mas o bastante, para mudar conceitos já pré-estabelecidos
E consolidar uma amizade.
Dividimos não só uma sala, mas sim sorrisos, lágrimas e expectativas futuras.
Pode ser que nos separemos e que talvez nem nos reconheçamos daqui a alguns longos anos.
Mas valeu a experiência de termos compartilhado momentos que ficarão para a vida toda.
Obrigada pela sua amizade.

PARTIDA

E meu trem partiu.
Foi naquele momento,
exatamente,
que ele partiu.

Tremeu, apitou
e, gemendo,
sumiu entre névoa
que ficou na noite,
ao redor de tudo.
Partiu sozinho
como eu,
num trilho infinito,
tremendo, aflito,
já bem longe, deixando
apenas a névoa.
Contornos imprecisos
de uma cor acinzentada,
lentamente se apagando.

Na estação,
dentro da noite,
não ficaram acenos,
nem lágrimas;
talvez uma recordação,
talvez nem isso.
Mas, submisso,
preso ao trilho
de seu destino,
foi que meu trem partiu.
Ninguém viu
nem compreendeu
que ele partia
definitivamente.