Disputar uma Pessoa
Há um empate metafísico quanto à realidade do passado. Assumir sua realidade é uma convenção prática inevitável, não um conhecimento. Qualquer tentativa de elevar essa convenção a verdade epistêmica é ilegítima.
O universo não é um projeto de arbítrio, mas a tradução inevitável de uma Equação Mestra. Outros mundos são apenas sombras lógicas; a realidade é o único cálculo que se tornou matéria.
Se existe uma divindade, ela é o Cérebro de Boltzmann perfeito: uma consciência feita de matéria imortal, regida pela mesma lógica que sustenta os átomos. Ele não criou as leis; ele é a manifestação suprema delas.
A possibilidade não possui estatuto ontológico: é apenas uma abstração conceitual. A existência pertence exclusivamente à única estrutura matemática efetivamente instanciada que chamamos de realidade. Tudo o que é real é material, e tudo o que é material é a própria matemática em ato.
Deus existe apenas como uma informação registrada nos neurônios humanos; no mundo físico, sua existência ontológica jamais foi confirmada.
Por definição, aquilo que não deixa rastros é inexistente ou, no mínimo, uma inexistência prática. A maioria da humanidade nunca presenciou um milagre; logo, na prática, deus não existe para a maioria.
O maior milagre que o Brasil poderia presenciar não seria a cura de um cego, mas a cura de uma democracia contaminada pelo teocentrismo parlamentar.
Se deus existe, nada o impede de dar espírito a uma cadeira ou a uma máquina com inteligência artificial.
Se existe uma divindade, então ela é a única consciência real e todas as outras são apenas simulações menores, como se sente sabendo que você não é real?
O ateísmo, em relação a todas as religiões, não requer um milímetro de fé: trata-se de uma posição baseada em fatos e evidências científicas, portanto dotada de sólida justificação epistemológica.
Mesmo que existisse uma divindade, não segue logicamente que ela precise criar um paraíso; essa ideia é apenas um desejo humano egoísta de autopreservação.
Uma entidade superior te oferece a verdade absoluta sobre o universo. O custo: o amor da sua vida e toda a humanidade morrem diante de você. O que vale mais: a verdade ou o amor?
A maioria dos humanos tem uma consciência tão vazia que caberia num pendrive velho. E ainda assim acham que merecem o paraíso. Ninguém faz backup de lixo.
Paradoxo do livre-arbítrio: o que deus faria diante de uma alma que não é nem boa nem má? Não pode condená-la sem injustiça, nem salvá-la sem mérito.
Gostar de segurar o grosso duma arma é uma demonstração de extrema fragilidade. Em geral, isso funciona como uma tentativa de compensar inseguranças, como um membro pequeno e flácido, a falta de força física ou outras carências pessoais.
Se você é religioso desde criança, isso não é uma escolha, mas resultado de doutrinação cultural. Apenas o ateísmo ou o agnosticismo podem ser considerados escolhas reais, pois exigem o abandono da religião!
