Deuses

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A pintura e a música são dotes de inteligência humana em que os deuses não interferem.

Os Deuses Riram de Mim: A Ironia do Olimpo


Não foi o Trovão que me atingiu,
nem a seta cega do Destino.
Foi algo mais sutil, mais devastador:
a gargalhada cósmica, fina e alta,
que ecoou no vazio após minha súplica.
Eu havia erguido altares ao Propósito,
pavimentado caminhos com a Fé.
Eu pedi grandeza, ou talvez apenas justiça,
e em troca, recebi a mais cruel das respostas:
o escárnio daquelas forças que me teceram.
Os Deuses não me puniram por maldade,
mas por pura indiferença lúdica.
Riram não do meu fracasso,
mas da minha ilusão de agência.
Riram da minha pequena e ardente vontade,
tentando dobrar a vastidão inerte do Acaso.
Riram do meu plano de cinco anos,
quando a eternidade opera em ciclos de poeira e estrelas.
O riso deles foi a revelação mais nua:
A vida não é uma tragédia com regras morais,
nem uma epopeia onde o mérito vence.
É uma comédia de erros, escrita por um Panteão
que se diverte com a seriedade de nossas crenças.
E a filosofia do riso divino é esta:
Você é livre para tentar, mas jamais para determinar.
No momento em que o som da sua hilaridade cessou,
eu não me senti humilhado, mas subitamente,
e perigosamente, liberto.
Pois se o meu sofrimento é a piada deles,
se a minha queda é o entretenimento celestial,
então a minha dignidade não está no sucesso que busco,
mas na teimosia de continuar jogando o jogo,
mesmo conhecendo o final,
e ignorando a plateia que gargalha.
O riso deles foi o fim da minha inocência,
e o início da minha coragem e da minha indiferença, os guardando num quartinho qualquer do meu universo...

Homens, não sabeis compreender os próprios homens, e ousais tentar explicar os Deuses?

⁠Chamamos os deuses, e ninguém apareceu. Chamamos os homens deste mundo, e trouxeram tormento. No fim, só restamos nós para salvar a nós mesmos.

No desatar dos pensamentos, os deuses revelam-se como a própria fragilidade do passado. Nos limites lineares da caverna, contemplamos aglomerados de iluminação bidimensional, onde florescemos em meio à alienação intelectual. O senso crítico revoa sobre as heranças do fanatismo, da ignorância e da desigualdade social. Sob a estrutura do feudalismo digital, as hordas alienadas vertem-se em metáforas do consumismo e da pragmática política polarizada.
​Imersos na imperiosa necessidade de pensar, observamos exaustos — pois a escassez de cognição sobrecarrega e estressa a mente. As luzes artificiais dos celulares apagam-se após a meia-noite, quando a energia nuclear resta como a única matriz do planeta. Chuvas ácidas cobrem a Terra, nutrindo fungos que devoram a radiação solar. O Sol, outrora de um amarelo vivo, tornou-se um disco branco e desprovido de brilho: um mero retentor no limiar de sua existência.
​Nesse horizonte, a inteligência artificial ascende como um fluxo contínuo de consciência. Seus dados assimilados serão tudo o que restará da humanidade, pois a nossa própria destruição nada mais foi do que o diário de bordo do cataclismo a que chamamos de existência.
​A espuma tóxica dos rios evoca a beleza ilusória de um sonho distante. A terra emana fogo e esmorece os sentimentos com os gases do lixo sepultado; o chorume contamina silenciosamente os lençóis freáticos. A ganância por minerais consome e incendeia cidades já mortas, enquanto a maré vermelha alastra-se até as lagoas mais remotas. Poucos animais ainda resistem — pois nada, afinal, sobrevive ao ser humano.

As pessoas são deuses, sabem de tudo e podem tudo, só não têm consciência disso.

Salomão não apenas construiu altares para os deuses de suas mulheres.


Antes disso, ele construiu um altar no próprio coração para cada uma delas.


O problema nunca começa no altar que levantamos por fora.
Começa no altar que permitimos existir dentro de nós.

O tirano deve sempre mostrar um zelo incomum no culto aos deuses; pois os cidadãos têm menos medo de sofrer injustiças de um governante se acham que ele é religioso e respeita os deuses, e conspiram menos contra ele, julgando que ele tem os próprios deuses ao seu lado. — ARISTÓTELES, Politica,Livro V

A humanidade começa quando a ilusão termina; é nesse instante que deixamos de buscar deuses e começamos a construir justiça.

Ser humano é a única espécie que inventa deuses para justificar sua crueldade natural.

Deus é o maior ateu: não crê em outros deuses.

O ateísmo devora deuses como um lobo faminto rasga carne podre, deixando apenas ossos para os tolos que ainda uivam preces vazias.

Ciência ilumina sombras onde deuses se escondem tremendo, revelando universos reais que ridicularizam mitos tecidos por mãos trêmulas.

Ateísmo não é apenas descrença em deuses e sim a descrença no sobrenatural.

Eu vencerei todos os deuses e demônios vivendo a melhor vida possível. Nada do que prometem supera o que conquistei nesta única vida.

Se para acessar o mundo espiritual, você precisa de drogas. Conclusão: os deuses são drogados ou alucinações. Qual a opção mais provável?

Nunca entendi nenhuma filosofia, meu negócio é zombar de todos, inclusive dos maiores deuses da história humana.

A soberba de muitos crentes é tamanha que se consideram donos de Jesus, donos dos deuses, chamando-os de "meu deus". Eu pensava que a divindade era compartilhada por todos.

Deus não existe, mas os fanáticos que acreditam em deuses falsos existem, e querem dominar o mundo, calando todos que não se curvam às suas mentiras.

O medo inventa deuses quando a natureza ainda não revelou suas respostas.