Deuses
"O difícil não é chegar;
o dificultoso é manter", dizem
os deuses da razão. Por se tratar de algo
que, reiteradamente, nos desafia quanto
à infusão de novas energias e valores
que, somados aos já alcançados,
nos conduziram aonde
escolhemos estar!
A melhor forma de aproveitar a vida não é banquetear-se com os deuses do Olimpo, mas servir de inspiração a pobres mortais que lutam por fome e sede de justiça
As pessoas entregam sua liberdade, seu sangue e seus anos a deuses construídos por homens, morrendo em nome de uma promessa enquanto seguram as mesmas chaves que poderiam libertá-las.
O Cemitério dos Deuses: Uma Análise Científica e Filosófica do Ateísmo em Relação à Pluralidade Divina
Autor: Clayton Vasconcelos
Resumo
Este estudo científico analisa o ateísmo sob a perspectiva da pluralidade de divindades veneradas ao longo da história humana. A partir de uma abordagem filosófica e histórica, o artigo explora como a existência de milhares de deuses — muitos dos quais hoje extintos e relegados ao status de mitologia — fundamenta a posição ateísta. Para o ateu, não há significância de crença em nenhuma dessas entidades, independentemente do fervor com que foram ou são adoradas. O estudo categoriza diversas divindades e utiliza o conceito do "cemitério de deuses" para demonstrar que a descrença contemporânea é apenas a extensão lógica de uma rejeição que os próprios religiosos aplicam a divindades alheias.
1. Introdução e Definições Acadêmicas
O estudo da religião e da descrença requer definições precisas. O ateísmo, em seu sentido filosófico mais amplo, é definido como a ausência de crença na existência de divindades . Em um sentido mais estrito, é a rejeição consciente da proposição de que existe pelo menos um deus. O agnosticismo, frequentemente discutido em paralelo, é a posição epistemológica de que a existência de divindades é desconhecida ou inerentemente incognoscível .
A história humana é marcada pela criação e adoração de uma vasta gama de entidades sobrenaturais. Para o indivíduo ateu, a multiplicidade de deuses não representa um mosaico de verdades espirituais, mas sim um fenômeno antropológico e sociológico. O pensamento positivo ou a moralidade de um ateu não derivam da submissão a essas entidades, mas de construções éticas seculares e humanistas. Como argumentam diversos filósofos contemporâneos, a moralidade independe da religião .
2. A Pluralidade Divina e o "Ateísmo Local" vs. "Ateísmo Global"
Na filosofia da religião, distingue-se frequentemente entre o ateísmo local e o ateísmo global. O ateísmo local refere-se à descrença em uma divindade específica (por exemplo, a rejeição do deus cristão por um muçulmano, ou de Zeus por um cristão). O ateísmo global, por sua vez, é a rejeição de todas as divindades possíveis .
O biólogo e pensador Richard Dawkins popularizou a ideia de que todos nós somos ateus em relação à maioria dos deuses em que a humanidade já acreditou; o ateu global simplesmente vai "um deus além" . Para ilustrar essa premissa, é necessário observar a vastidão de divindades que não possuem qualquer significância de crença para o ateu.
Tabela 1: Categorização de Divindades Ativas e Históricas
Tradição / Cultura
Natureza
Principais Divindades (Exemplos)
Status Atual Predominante
Abraâmica
Monoteísta
Javé, Deus (Trindade), Alá
Culto ativo em massa
Hinduísmo
Politeísta / Panteísta
Brahma, Vishnu, Shiva, Ganesha, Kali
Culto ativo em massa
Iorubá
Politeísta
Olorum, Oxalá, Iemanjá, Ogum, Xangô
Culto ativo
Greco-Romana
Politeísta
Zeus/Júpiter, Atena/Minerva, Ares/Marte
Mitologia / Extinto
Nórdica
Politeísta
Odin, Thor, Loki, Freya
Mitologia / Neopaganismo
Egípcia
Politeísta
Rá, Osíris, Ísis, Hórus, Anúbis
Mitologia / Extinto
Mesopotâmica
Politeísta
Enlil, Anu, Enki, Ishtar, Marduk
Extinto
Pré-Colombiana
Politeísta
Quetzalcóatl, Huitzilopochtli, Inti
Extinto
Eslava
Politeísta
Perun, Veles, Belobog, Chernobog
Mitologia / Extinto
3. O "Cemitério de Deuses"
O ensaísta H.L. Mencken cunhou o conceito do "cemitério de deuses", uma reflexão sobre a transitoriedade das crenças religiosas. Mencken listou dezenas de divindades que, em suas respectivas épocas, eram consideradas absolutas, onipotentes e inquestionáveis por seus seguidores. Hoje, deuses como Marduk da Babilônia ou Huitzilopochtli dos Astecas não possuem templos, sacerdotes ou fiéis .
Para o ateu, o cemitério de deuses é a evidência empírica de que as divindades são construções culturais. A ausência de significância de crença não é um ato de rebeldia contra uma entidade real, mas o reconhecimento de que Javé, Alá ou Shiva compartilham a mesma ontologia de Zeus ou Osíris. Se a humanidade sobreviveu e prosperou após o abandono de milhares de deuses, o ateísmo postula que o abandono dos deuses remanescentes é um passo natural na evolução do pensamento humano.
4. Argumentos Filosóficos para a Descrença
A rejeição de todas as divindades listadas na Tabela 1 baseia-se em pilares filosóficos e lógicos robustos:
O Problema do Mal: Formulado inicialmente por Epicuro, questiona a compatibilidade entre a existência de um deus onisciente, onipotente e onibenevolente (como postulado pelas religiões abraâmicas) e a existência do mal e do sofrimento no mundo .
A Navalha de Ockham: O princípio de que a explicação mais simples, que requer o menor número de premissas não testáveis, é geralmente a correta. A postulação de entidades sobrenaturais para explicar a origem do universo ou a complexidade da vida adiciona uma camada desnecessária de complexidade, que a ciência moderna tem substituído por explicações naturais (como a evolução e a cosmologia física) .
O Deus das Lacunas: Historicamente, divindades foram usadas para explicar fenômenos naturais incompreendidos (raios atribuídos a Thor ou Zeus). À medida que a ciência avança, as "lacunas" no conhecimento humano diminuem, reduzindo o espaço para a atuação divina .
5. Conclusão
O ateísmo não é meramente a negação de uma divindade específica, mas uma postura epistemológica que abrange toda a história das religiões. Ao observar o vasto panteão de deuses criados pela humanidade — desde as divindades sumérias até os monoteísmos modernos —, o ateu conclui que nenhuma delas possui evidências suficientes para justificar a crença. O pensamento positivo, a ética e a moralidade do ateu são construídos sobre a realidade material e a empatia humana, sem a necessidade de recorrer a entidades que, inevitavelmente, juntam-se ao cemitério de deuses da história.
Eram homens corajosos a pendurar os alfabetos dos deuses caídos, os arquitectos das valas comuns, fingindo compreender o latim dos deuses mortos.
A humanidade começa quando a ilusão termina; é nesse instante que deixamos de buscar deuses e começamos a construir justiça.
O ateísmo devora deuses como um lobo faminto rasga carne podre, deixando apenas ossos para os tolos que ainda uivam preces vazias.
Ciência ilumina sombras onde deuses se escondem tremendo, revelando universos reais que ridicularizam mitos tecidos por mãos trêmulas.
Eu vencerei todos os deuses e demônios vivendo a melhor vida possível. Nada do que prometem supera o que conquistei nesta única vida.
Deus não existe, mas os fanáticos que acreditam em deuses falsos existem, e querem dominar o mundo, calando todos que não se curvam às suas mentiras.
Se para acessar o mundo espiritual, você precisa de drogas. Conclusão: os deuses são drogados ou alucinações. Qual a opção mais provável?
Nunca entendi nenhuma filosofia, meu negócio é zombar de todos, inclusive dos maiores deuses da história humana.
A soberba de muitos crentes é tamanha que se consideram donos de Jesus, donos dos deuses, chamando-os de "meu deus". Eu pensava que a divindade era compartilhada por todos.
Os Deuses Riram de Mim: A Ironia do Olimpo
Não foi o Trovão que me atingiu,
nem a seta cega do Destino.
Foi algo mais sutil, mais devastador:
a gargalhada cósmica, fina e alta,
que ecoou no vazio após minha súplica.
Eu havia erguido altares ao Propósito,
pavimentado caminhos com a Fé.
Eu pedi grandeza, ou talvez apenas justiça,
e em troca, recebi a mais cruel das respostas:
o escárnio daquelas forças que me teceram.
Os Deuses não me puniram por maldade,
mas por pura indiferença lúdica.
Riram não do meu fracasso,
mas da minha ilusão de agência.
Riram da minha pequena e ardente vontade,
tentando dobrar a vastidão inerte do Acaso.
Riram do meu plano de cinco anos,
quando a eternidade opera em ciclos de poeira e estrelas.
O riso deles foi a revelação mais nua:
A vida não é uma tragédia com regras morais,
nem uma epopeia onde o mérito vence.
É uma comédia de erros, escrita por um Panteão
que se diverte com a seriedade de nossas crenças.
E a filosofia do riso divino é esta:
Você é livre para tentar, mas jamais para determinar.
No momento em que o som da sua hilaridade cessou,
eu não me senti humilhado, mas subitamente,
e perigosamente, liberto.
Pois se o meu sofrimento é a piada deles,
se a minha queda é o entretenimento celestial,
então a minha dignidade não está no sucesso que busco,
mas na teimosia de continuar jogando o jogo,
mesmo conhecendo o final,
e ignorando a plateia que gargalha.
O riso deles foi o fim da minha inocência,
e o início da minha coragem e da minha indiferença, os guardando num quartinho qualquer do meu universo...
"Você só acredita em Deus, se acreditar em você.
-Vós sois deuses...
-Assim disse Jesus!"
☆Haredita Angel
