Detalhe
Como quem protege um jardim.
Sou passo leve, atento ao detalhe escondido,
Guardo o mundo nos olhos, nada passa esquecido,
Cuido das palavras como quem protege um jardim,
E no silêncio dos gestos, revelo quem sou em mim.
Carrego a verdade como um peso sagrado,
Não sei vestir mentira, nem fingir outro lado,
Minha voz não negocia com atalhos ou ilusão,
É reta como estrada aberta no meu coração.
Prefiro o caminho difícil que me deixa em paz,
Mesmo quando o erro é fácil e o certo custa mais,
Escolho o que é justo, ainda que doa escolher,
Pois sei que é no caráter que aprendo a viver.
Mas perto dela eu perco o controle que construí,
Minha razão se desfaz no desejo que senti,
Não confio em mim mesmo quando estou ao seu redor,
Pois o querer me domina… e eu me torno algo maior.
Os meus lábios querem o seu.
Quero chegar perto, esse sou eu.
Meu corpo se expressa sem ter achado voz.
Querendo ficar tão perto que não tenha nem ar entre nós.
Coisas de Mãe, Jeito de Mulher
Helaine Machado
Mãe é detalhe que ninguém vê,
mas sustenta tudo sem aparecer.
É mão que guia, é voz que acalma,
é colo que cura rachadura da alma.
Tem cheiro de casa, gosto de cuidado,
olhar atento mesmo estando cansado.
É pressa por dentro e calma por fora,
é quem se doa inteira… toda hora.
Coisas de mãe são feitas de silêncio:
um “vai dar certo” em meio ao sofrimento,
um joelho no chão quando ninguém vê,
conversando com Deus por você.
E ainda assim, é mulher — inteira, viva,
com sua dor que quase ninguém cativa.
Guarda vontades, adia desejos,
mas nunca economiza nos abraços e beijos.
Se reinventa em cada fase da vida,
mesmo quando se sente perdida.
Porque dentro dela existe um poder
que só quem é mãe consegue entender.
É raiz profunda, é vento leve,
é quem nunca solta, mas também não prende.
É amor que ensina, corrige e acolhe…
é mãe sendo mulher,
e mulher sendo forte.
Helaine Machado
Te quero no detalhe:
no teu sorriso distraído,
no jeito que teu olhar me desarma
e faz meu coração perder o rumo sem pedir desculpa.
Insubstituível
Você chegou como quem não promete ficar, mas ficou em cada detalhe do meu dia.
No silêncio do meu quarto, no café ainda quente, no jeito que meu nome ganhou outro significado
quando saiu da sua boca.
Não foi escolha do coração —
foi reconhecimento.
Entre bilhões de rostos no mundo,
foi no seu que o meu descanso encontrou morada, como se amor fosse destino cumprido.
E se um dia me perguntarem por que você, não saberei explicar com lógica
— só direi que certas almas não se repetem.
Você não é opção, comparação ou acaso:
é aquilo que não tem cópia…
é simplesmente insubstituível.
As Algemas não seriam só um Detalhe para acariciar o Ego de uma Sociedade quase sempre Algemada?
Talvez o fascínio pelas algemas não esteja no aço frio que restringe os pulsos, mas no calor simbólico que conforta consciências inquietas.
Há algo de profundamente revelador na forma como celebramos o ato de prender — como se, ao assistir alguém ser contido, experimentássemos uma ilusória sensação de ordem, de justiça cumprida, de mundo corrigido.
Mas, e se essas Algemas, tão aplaudidas quando estão nos outros, forem apenas o reflexo de correntes mais sutis que carregamos sem perceber?
Vivemos cercados por Prisões que não fazem barulho: crenças que não ousamos questionar, narrativas que adotamos como verdades absolutas, paixões políticas que sequestram a razão.
Algemas invisíveis, porém muito mais eficazes — porque não nos provocam incômodo suficiente para desejar liberdade.
Nesse cenário, o Espetáculo da Punição cumpre um papel curioso: ele distrai.
Ao focarmos no “culpado” da vez, deixamos de encarar os mecanismos que nos aprisionam coletivamente.
A indignação seletiva vira entretenimento.
E o rigor, quando conveniente, vira virtude.
Talvez por isso as algemas — no outro — seduzam tanto.
Elas oferecem a confortável ilusão de que a liberdade é uma condição natural — e que só alguns poucos, os “outros”, precisam ser contidos.
Mas uma sociedade que se acostuma a aplaudir correntes deveria, antes de tudo, desconfiar da leveza com que movimenta as próprias mãos.
Porque o verdadeiro cárcere não é aquele que limita o corpo, mas o que Anestesia o Pensamento — e esse, quase sempre, dispensa Algemas Visíveis para cumprir seu papel.
"E eu poderia passar horas falando sobre cada detalhe seu que eu amo. Poderia passar dias só te beijando e abraçando. Ou semanas te agarrando. Poderia passar meses com você. Só com você. Te mimando, te agradando, te querendo. Mas a verdade é que eu poderia passar vidas, só te amando."
Nascemos,crescemos ,e morremos,só esquecemos de um detalhe principal,regressar nos erros,e tentar corrigir no futuro,um passado pode consruir um futuro mas nem sempre um futuro se estabelece com o passado,a regressão ao passado é uma forma de perceber erros no futuro,quem nao olha o seu passado de forma interativa,pode voltar a repetir os mesmos erros no futuro.
A necessidade de se voltar as páginas, está em deparamos-nos com um ínfimo detalhe, talvez imprescindível para o sucesso do aprendizado na vida. Sabe-se que nada deve ser desprezado até que um dia ela em nós cesse.
São minimos cada detalhe do quase nada que vivemos, mais são detalhes. Se grandes ou pequenos, pouco importa, porque o que fica guardado na lembrança, tatuado na recordação, escondido no fundo da alma, no pensamento e no coração são momentos, e momentos não podem ser medidos e menos ainda levados."
Tento achar em ti algum detalhe … uma beleza ainda não vista.
Tento ter a certeza de todo uma vida contigo.
Tento te olha ser medo e falar sem pestanejar.
Tento esconder o que sinto ou fingir que não o sinto, só para não atrapalhar a tua vida que parece ser mais vivida se mim.
Então nesas horas tento enxergar as tuas falhas só pra tentar te esquecer mais uma vez, já que me vejo sempre em você. E vou tentando, caindo, errando, escarnecendo, mas no fundo estou aprendendo que não é tão certo tentar tanto, e gostar tanto assim de você.
