Desperdício
Muitas vezes deixamos a felicidade passar por deixar de vivenciar o amor sem desperdício. Doando amor ,estamos doando paz.
O amor faz entender que devemos ser prudentes e não egoístas.
Doe amor.
Doe esperança a quem não tem.
Ame incondicionalmente, e a felicidade virá ao seu encontro.
Horizonte
Demétrio Sena - Magé
É um desperdício de vida, quando alguém realiza sonhos, obtém conquistas, forma uma linda família e depois vive amago, porque os admiradores esperados não "curtem". Não enaltecem. Não "seguem" na web. Aí a pessoa acusa meio mundo de inveja, "olho gordo" e "torcida contra", como se ela fosse uma estrela "flopada"; um deus (ou deusa) cancelado por "internautas" que ela também não curte, não enaltece, não segue nem diz "que lindo!", "você é demais!". Será que o que buscamos é justamente a inveja coletiva, o "olho gordo" corporativo, e tudo só faz sentido se for assim? Será que um dia filmaremos até os nossos momentos mais íntimos, para mostrarmos no "Insta" ou no "Feice", como somos bem resolvidos, não sendo?
Cuidado: podemos desenvolver uma inveja real e irresistível de quem consegue nos olhar de forma horizontal; com igualdade... a tal ponto que "torce" e fica feliz por nós em silêncio, acreditando que somos realmente felizes pelo que somos, e por nossas conquistas, independente de aplausos. Quando queremos a todo custo, que a nossa vida seja um reality show de sucesso absoluto e ininterrupto, estamos bem próximos de uma camisa-de-força, para contenção da nossa inveja de quem consegue não ter inveja, principalmente de nós. É algo primordial, conseguirmos conceber uma sociedade na qual ninguém olhe de baixo nem de cima para ninguém. A horizontalidade na forma de nos olharmos é o que pode salvar o mundo.
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Respeite autorias. É lei
Ciclo de Desperdício
Se o sopro do vento da vida se esvair,
Se a chama do desejo se extinguir,
Se o contorno da tua alma se dissolver,
Se até a lembrança de ti morrer —
Nada do que foi voltará a ser.
Como as ondas, condenadas a morrer na praia,
Num ciclo silencioso que alimenta outros seres,
Como as tartarugas que, do fim daquelas, fazem nascer possibilidades.
Mas isto não é sobre “uma porta que se fecha e outra que se abre”.
Essa frase é pequena demais para o que fere.
Isto é sobre o fim do que não deveria findar,
Sobre o que, injustamente, a força maior encerra.
Há começos que sequer respiram:
Morrem ainda na intenção.
A natureza cumpre seu rito —
Cruel, insensata, soberana —
E recorda que não há vontade acima da sua,
Onipotente em sua alma selvagem.
Não reclamo de sua franqueza.
Mas como ensinar um coração que nasceu para amar
A aceitar que, nesse decreto imperativo,
Reside também o impulso para sobreviver
Neste ambiente hostil
Que pune, substitui e não hesita?
Ainda assim, há uma misericórdia escondida na tragédia:
A dor do fracasso se dissolve com o próprio sujeito,
Que se torna apenas mais um elo da regra biológica,
E, ao desaparecer, abre espaço —
Como as ondas, como a vida —
Para que outro ser comece.
DRAL
Não há desperdício de tempo mais bobo que tentar explicar algo para os que já escolheram em que acreditar.
Porque, no fundo, não se trata de falta de informação — trata-se de decisão.
E decisões, escolhas, quer coincidam com as nossas ou não, devem ser religiosamente respeitadas.
Há quem não busque a verdade, mas apenas argumentos que sustentem o que já foi escolhido antes mesmo da reflexão começar.
E contra decisões disfarçadas de convicção, a lógica se torna quase inútil, como chuva fina tentando atravessar vidro fechado.
Explicar exige abertura.
Não só de quem fala, mas principalmente de quem ouve.
Exige um espaço interno onde a dúvida ainda tenha permissão para existir, onde o desconforto de estar errado não seja imediatamente rejeitado como uma ameaça pessoal.
Mas quando alguém transforma sua crença em identidade, qualquer questionamento deixa de ser diálogo e passa a ser ataque.
E então nascem conversas que não caminham.
Palavras que não encontram abrigo.
Ideias que morrem no ar antes mesmo de serem compreendidas.
Não por falta de clareza, mas por falta de disposição.
Talvez a maturidade esteja em reconhecer esses limites.
Em entender que nem toda verdade precisa ser defendida a todo custo, nem toda discussão precisa ser vencida, nem toda explicação precisa ser dada.
Há um tipo de sabedoria muito silenciosa em saber quando parar de falar…
Porque, às vezes, insistir em explicar não é um ato de generosidade — é apenas um apego nosso à necessidade de sermos compreendidos.
E isso também pode ser um desperdício.
Não há desperdício maior que falar de civilidade para os apaixonados pelos que usam o nome de Deus e da igreja para se esconder, aparecer e se promover.
A civilidade exige algo que a idolatria jamais consegue oferecer: senso crítico.
Quando uma pessoa se apaixona por figuras, líderes ou discursos a ponto de abdicar da própria capacidade de questionar, a verdade deixa de ser um valor e passa a ser apenas um detalhe, e muito inconveniente.
Ao longo da história, muitos aprenderam que símbolos religiosos possuem um enorme poder de mobilização.
Por isso, não são raros aqueles que transformam a fé em palco, a devoção em marketing e a espiritualidade em instrumento de autopromoção.
Escondem interesses pessoais atrás de discursos piedosos, vestem a aparência da virtude e utilizam o respeito que as pessoas têm pelo sagrado como uma espécie de escudo contra críticas e questionamentos.
O problema se agrava quando admiradores confundem reverência com submissão intelectual.
Nesse momento, qualquer análise equilibrada passa a ser interpretada como perseguição, qualquer crítica se torna blasfêmia e qualquer evidência contrária é descartada em nome da lealdade ao personagem admirado.
A civilidade, que pressupõe diálogo, responsabilidade e coerência, perde espaço para a paixão acrítica.
A fé autêntica não deveria temer perguntas…
Pelo contrário, deveria acolhê-las.
Quem confia na verdade não precisa esconder-se atrás de slogans, nem transformar líderes em figuras intocáveis.
A maturidade espiritual se revela justamente na capacidade de separar a mensagem do mensageiro, os princípios das conveniências e a devoção sincera dos interesses disfarçados de santidade.
Talvez uma das maiores tragédias de qualquer sociedade seja quando a aparência de religiosidade passa a valer mais do que a prática dos valores que ela proclama.
Nesse cenário, a compaixão cede lugar ao fanatismo, a humildade dá lugar ao exibicionismo e a busca pela verdade é substituída pela defesa incondicional de pessoas e grupos.
A civilidade floresce onde existe honestidade intelectual.
E a honestidade intelectual começa quando alguém encontra coragem para admitir que nem todo aquele que fala em nome de Deus está a serviço dos valores que afirma defender.
Afinal, o sagrado não se mede pelo volume dos discursos, pela quantidade de seguidores ou pela visibilidade dos púlpitos, mas pela coerência entre aquilo que se prega e aquilo que se vive.
Desperdício de energia todas as vezes que olha para onde o outro está em vez de procurar o que te faz vibrar
A maledicência é o desperdício do dom da fala; use as palavras para construir pontes e elevar consciências.
É desperdício de força abrir um sorriso forçado, ele nuca terá a graça nem a beleza que tem um espontâneo.
"Não é um tremendo desperdício de vida que algumas pessoas ainda insistam em confundir o ser uma pessoa séria com o não ter o menor senso de humor?"
