Despedida de Amiga
Ninguém nos avisa quando uma despedida comum na porta de casa é, na verdade, um adeus permanente que ficará na mente assim que a ficha cair.
“Existem versões de nós que desaparecem sem despedida; um dia percebemos que estamos procurando por alguém que fomos.”
Na décima despedida, não chorei mais como na primeira. A dor não diminuiu. Eu é que aprendi a carregá-la.
Nos caminhos da vida
Nos caminhos da vida...
eu sigo sem nenhuma despedida,
minha mochila é levinha, levinha,
não me pre-ocupo,
não tenho problemas,
do medo, arranquei as algemas.
Pelo mundo afora,
sem preocupação,
estou sempre no aqui e agora
pra bem viver é essa a solução...
ou não...
Talvez, vou pensar, quem sabe, pode ser...
não fazem parte do meu dia a dia
sim ou não - eis a solução:
sou sempre adepta ao 'sorria, sorria'.
Sou pura consistência, inocência...
paciência...
ou não.
Não tenho tempo pra esperar,
o mundo sempre a rodar,
o vento a mudar
e eu vou me calar?
Comigo... é tudo agora.
Pra depois? Já fui embora.
Então: sim ou não...
não demore pra decidir,
neste momento já estou pronta pra partir...
minha vida seguir.
Poema de Despedida
A última vez que meu coração bateu por nós
Hoje eu não escrevo para pedir outra chance.
Também não escrevo para convencer você de que eu mudei.
Escrevo porque cansei de lutar sozinha.
Cansei de bater na porta de um coração que nunca mais abriu para mim.
Eu pedi perdão pelas minhas falhas.
Reconheci meus erros.
Engoli o orgulho, deixei as lágrimas falarem por mim.
Implorei por um recomeço, acreditando que o amor pudesse vencer a dor.
Mas o amor não sobrevive quando apenas uma pessoa insiste.
Enquanto eu segurava nossa história com todas as forças...
Você soltava minhas mãos em silêncio.
Doeu.
Doeu perceber que minhas palavras já não encontravam abrigo em você.
Doeu entender que meu arrependimento não era suficiente para mudar o que seu coração já havia decidido.
Hoje eu vou embora.
Não porque deixei de amar.
Mas porque aprendi que amar alguém nunca deveria significar abandonar a si mesma.
Levo comigo as lembranças dos dias felizes, dos abraços que pareciam eternos, das promessas que um dia acreditamos.
Também levo as cicatrizes.
Elas vão me lembrar que o amor precisa de dois corações caminhando na mesma direção.
Talvez um dia você sinta minha falta.
Talvez procure minha mensagem e encontre apenas o silêncio.
Talvez perceba que ninguém mais vai lutar por você como eu lutei.
E, quando esse dia chegar, eu espero já ter aprendido a sorrir sem olhar para trás.
Porque esperei por você até onde meu coração conseguiu.
Agora ele precisa aprender a viver sem você.
Esta é minha despedida.
Não existe raiva.
Não existe vingança.
Existe apenas uma mulher cansada de implorar por um lugar onde nunca mais foi escolhida.
Adeus.
Que a vida cuide de você como eu sonhei cuidar.
E que, quando lembrar de mim, você saiba...
Eu realmente tentei.
Tentei até a última lágrima.
Até a última esperança.
Até o último pedaço do meu coração.
Cyntia Karla De Liz
Não é uma despedida, é só uma hipótese — dessas que a gente pensa baixinho quando o peito lembra que é finito.
Se um dia eu fo, aliás, quando eu for, quero ir sem inventar desculpas. Já pedi perdão demais por ser intenso, por sentir demais, por não caber nos silêncios que esperavam de mim. Cansei de negociar minha essência pra parecer leve.
Não quero ser lembrado por “ter sido bom”, quero ser lembrado por ter sido real. Por ter misturado ternura com acidez, fé com ceticismo, coragem com medo, e mesmo assim, ter seguido. Quero que alguém, em algum momento, perceba que viveu com um pouco mais de coragem depois de cruzar comigo. Isso já me basta. Não deixo herança: deixo faísca. Se ela acender em alguém, sigo vivo.
E se perguntarem o que aprendi, direi: aprendi a me atravessar sem mapa. A perder com dignidade. A me refazer sem plateia. E a amar sem manual — porque o amor, no fim, é o último idioma antes do silêncio.
(Douglas Duarte de Almeida)
Carta de despedida: Nosso mundo encantado
Querida,
Hoje, ao ver uma foto sua,
um álbum inteiro se abriu diante de mim —
não de imagens, mas de memórias inventadas,
histórias que criei e roteiros que escrevi
acreditando que seriam nossos.
Projetei um enredo,
acreditei no roteiro que escrevi sozinho.
E quando o silêncio chegou,
percebi que o eco não era ausência tua —
era excesso meu.
Nesse excesso, construí um mundo só nosso,
mas apenas eu tinha acesso.
Olho com carinho para tudo que senti.
Não acabou.
É apenas o primeiro dia fora do nosso mundo encantado.
Um mundo criado por mim,
mas que, em essência, pertencia a nós dois.
O que doeu não foi perder alguém —
foi perder o personagem que inventei,
aquele que você talvez nunca tenha conhecido.
Descobri que o amor idealizado
tem o brilho exato do pôr do sol:
belo, mas breve, e feito de despedida.
Me vejo como um belo arquiteto,
mas um péssimo projetista.
Criei estruturas lindas,
dignas de um conto de fadas.
E hoje, de fora,
observo o “nosso mundo perfeito”,
sem saber se você o acharia perfeito também.
Entendi que a decepção
é só a luz acendendo no cinema,
revelando que o filme era projeção.
E no escuro que fica depois,
a vida me convida a assistir de novo —
dessa vez, com os olhos abertos.
Das cenas que mais gosto são os créditos.
Porque, mesmo sendo o único colaborador físico dessa criação,
todas as cores e formas vieram de você.
Lhe agradeço por ter sido inspiração,
mesmo sem saber.
Nunca haverá mágoas
em um mundo onde só um coração pulsava.
E mesmo que esse mundo tenha sido só meu,
ele foi feito com amor —
e por isso, ele sempre será bonito.
Com carinho,
Luis
O adeus pode ditar o fim da nossa presença física, mas o nosso amor é eterno e nenhuma despedida tem o poder de apagar a história que escrevemos. O que existe entre nós transcende a distância, os caminhos tortuosos e o próprio relógio. Nosso vínculo foi moldado com a matéria mais pura do universo: um carinho que acolhe, um respeito que sustenta e uma admiração profunda que faz meu olhar brilhar toda vez que penso em você.O tempo pode passar, os anos podem transformar o mundo ao nosso redor, mas nada separa o que nasceu para ser eterno. Você é e sempre será o meu capítulo mais bonito, a melodia inesquecível que meu coração escolheu para sempre cantar. Carrego em mim o toque do seu cuidado, a doçura do seu sorriso e a certeza de que o que vivemos foi único.Se você estivesse aqui comigo hoje, o lugar não importaria absolutamente nada. O luxo do mundo inteiro não compete com a riqueza do seu abraço. Apenas a sua presença física e a sua companhia já valeriam mais do que tudo. Com você ao meu lado, um simples passeio pelo parque, vendo o fim de tarde ou caminhando sem rumo, se transformaria no cenário mais perfeito e inesquecível da terra. O comum vira poesia quando estou contigo.Por isso, meu amor, deixo aqui as minhas juras mais solenes:Prometo honrar cada memória que construímos, guardando nosso amor no lugar mais seguro e sagrado do meu peito.Juro amar você além do tempo, pois um sentimento com essa força não conhece prazos de validade nem barreiras.Acredito no nosso laço, sabendo que o destino pode nos levar por rumos diferentes, mas a nossa essência permanecerá entrelaçada para sempre.O mundo pode seguir o seu fluxo, mas o nosso amor está eternizado. O adeus é apenas uma palavra perto da imensidão do que somos. Meu respeito e minha admiração por você são inabaláveis, e o meu carinho, simplesmente infinito.
A pior parte de quando alguém se apega é a despedida, quando vai embora deixa um vazio que, mesmo tentando, nunca vai ser preenchido, porque mesmo sendo ela a ir embora, você sente que está traindo tanto ela quanto seu coração.
Habituar-se demais ao que já é seu é escrever, sem perceber, uma carta de despedida, uma letra por dia.
“Nem toda despedida acontece quando alguém vai embora; às vezes, acontece quando a confiança morre.”
Nunca teremos tempo suficiente para uma despedida adequada; portanto, aproveite ao máximo os encontros imperfeitos.
Os sonhos irão ficando e a gente chegando para despedida, não deixe que seus desejos morram antes de você.
Toda paixão verdadeira carrega em si uma despedida, um adeus escondido entre beijos, porque só o que é intensoousa ser eterno.
A vida nos ensina, com delicada brutalidade, que toda permanência é apenas uma despedida cuja data ainda desconhecemos.
ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (A DESPEDIDA)
Após conseguir minha habilitação, muitas viagens realizei nesta vida, mas existe uma que chamo de despedida. Não havia entregas, e a 1313 na garagem permanecia. Era um dia, como tantos outros, de idas e vindas.
A família reunida com os amigos que nos visitavam todos os dias. Era sagrado esse encontro em todas as vindas. Meu pai, Zé Volante, contando as viagens de um jeito que só ele sabia, não perdia um detalhe, pelo contrário, acrescentava e sorria.
À tardinha, seu cochilo era certo, e todos já sabiam que horas depois ele voltaria. A gente ficava aguardando pra saber que nova história Zé Volante contaria. Fiquei desconfiado do aceno do meu pai naquele dia, sentindo no fundo do coração um sentimento de despedida.
Muitas horas se passaram, e Zé Volante não aparecia. Alguns já perguntava se ele ainda dormia. Minha mãe foi procurar saber o que acontecia. Houve gritos e muito desespero, e eu nada entendia. Minha mãe pediu chorando: “Acorde Zé Volante!” Mas, por mais que eu suplicasse, ele não acordaria.
Ele fez a viagem que todos nós faremos um dia. Naquele aceno, meu pai de mim se despedia. Os olhos mostram o que o coração sentiria. Caminhando lento, ele, pela última vez, me ensinou que nessa viagem não tem correria. O destino tá traçado, e a encomenda é a nossa vida.
TÁ NA SALA
Tá na sala o povo chegando,
Pra última despedida,
Uns trazendo no silêncio
As lembranças desta vida.
Eu, deitado, observo tudo,
Sem poder dar mais um pulo,
Pois já terminou minha lida.
Tem gente que fica calada,
Relembrando o que passou,
Revendo antigas histórias,
Tudo aquilo que viveu.
Outros dão boas gargalhadas
Das minhas velhas presepadas,
Das peripécias que aprontou.
Um lamenta a minha perda,
Diz que eu era bom amigo,
Outro fala: “É muito triste,
Nunca pensei nesse perigo.”
E entre um suspiro e outro,
Vão lembrando do meu rosto
E do tempo que esteve comigo.
Tem conversa sobre o presente,
Sobre a vida e a situação,
Enquanto alguém, bem baixinho,
Puxa outra recordação.
“Ele fez isso certa vez...”
E começa outra história
No meio da reunião.
Uns contam contos do falecido,
Que eu jamais pude imaginar;
Cada qual tem sua lembrança,
Cada qual tem seu contar.
E eu escuto em silêncio,
Percebendo que, no tempo,
Já não posso mais falar.
Chegam amigos e parentes,
Para os meus confortar,
Dão abraços apertados,
Tentando amenizar.
Mas, olhando aquela cena,
Descubro, sem mais problema,
Que não posso mais voltar.
Observo todos na sala,
Cada gesto, cada olhar,
E começo a compreender
O que é enfim descansar.
A conversa continua,
Mas minha voz ficou na rua,
Não tenho mais como falar.
Foi então que eu percebi
Que a vida tinha passado;
Eu estava ali presente,
Mas já não era mais lembrado
Como alguém que estava vivo.
Eu era apenas o motivo
De todos terem chegado.
Tá na sala a despedida,
Tá no rosto a emoção,
Tá no canto de um amigo,
Tá no abraço de um irmão.
E entre lágrimas e risadas,
Vão fechando as minhas estradas
Sem nenhuma explicação.
Quando o talude se fecha,
E termina a derradeira passagem,
Pela porta saio sozinho,
Sem bagagem, sem viagem.
Não levo ouro nem dinheiro,
Nem relógio, nem roteiro:
Só aquilo que fui na passagem.
A última porta se fecha,
E o silêncio toma o lugar.
Deixo a sala, deixo a casa,
Deixo o mundo e seu falar.
E sigo, sem mais demora,
Meu destino vida afora,
Para onde ninguém pode voltar.
Tá na sala!
Foi assim que eu compreendi:
Enquanto vocês se despediam,
Eu também me despedia de mim.
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