Deserto
Descalçar-se na areia da praia, é prazer,
na areia escaldante do deserto, sacrifício.
Poema é isso:
Escrever com os pés descalços.
Acredito que não há diferença do coração ingrato para o deserto... Ambos sorvem... Assim como o deserto, a água da chuva, e nada é capaz de produzir, o coração que com o espírito ludibriador suga as atenções e os favores.
Ela era Vagalume em meio ao deserto, ninguém via seu brilho, mas nem por isso ela deixava de brilhar!
MEIO PELO MEIO
Se no meio do deserto, desando
... Eu arredondo, arredondo
os grãos de areias com meus pés.
Se em meio ao desespero
fico, sem oásis
tudo longe, tudo incerto...
Me seguro aos desejos
os quais, desconhecem a despedida.
Não estenda as mãos, ao adeus
nem duvide do futuro da vida.
Antonio Montes
Isolado no deserto do meu eu, por vezes elevado ao alto de uma montanha, ou mergulhado no vazio do acaso.
Se não existisse a miragem, o velho viajante perdido no deserto, nunca iria ter a devida esperança e persistência para continuar seguindo em frente e achar o caminho de sua salvação.
O velho viajante estava perdido no deserto já fazia semanas... Toda a sua comida já tinha se esgotado dias atrás e seu cantil tinha derramado a última gota de água.
Ele tinha certeza de que não iria sobreviver por muito tempo, sem comida e sem água.
Com o passar do tempo ele avistava um ou outro oásis. Mas sempre que se aproximava, o então oásis se revelava ser uma miragem. Gastava então energia à toa, encontrando somente a ilusão...
Ele já estava fraco, magro e desidratado, quando avistou um outro oásis. Porém indignou-se com a sua própria vida e disse para sí mesmo que não gastaria suas últimas forças para encontrar uma outra miragem.
Mas então ele ouviu uma voz que lhe dizia: -Vá até o oásis, ele é a sua salvação!
O viajante relutou com a voz: -Não vou mais a lugar nenhum, sei que é mais uma outra miragem. Lembre-me que nesta parte do deserto não existem oásis, foi duro crer nisso, até tentei encontra-lo mas somente me iludi... Prefiro morrer com orgulho nestas areias a morrer sofrendo em meio à ilusão.
Porém a voz voltou somente a insistir: -Vá até o oásis, ele é a sua salvação!
Mesmo indignado e sem esperança, o viajante resolveu seguir o conselho da voz. Mesmo assim tinha a certeza de que morreria ao chegar lá e não encontrar nada...
Gastou suas últimas forças e ao chegar realmente não encontrou o oásis, mas encontrou uma caravana que o ajudou e salvou a sua vida!
Muitas vezes tentamos achar o caminho de nossa salvação,o caminho do sucesso, de nossas conquistas... Mas quando chegamos ao fim dele e não encontramos o que queríamos, achamos que a vida é injusta com nós. Isso porque não sabemos que o caminho não termina ali, mas sim nos interliga com o verdadeiro caminho de nossas conquistas. Deixamos de ouvir a voz da esperança e nos conformamos com o fim. Sendo de que o fim não é onde está escrito que é o fim, mas sim até onde cada um acha que pode chegar.
Que toda saudade vire estrela no deserto do esquecimento e que de lá faça brotar o novo. Traga-me de volta para o novo! Todo passado carrega sua marca, mas é no presente que o sol tem que aquecer o brilho forte da mudança de um novo querer. E eu quero!
Percorremos a vida como se caminhássemos num deserto, sequiosos, e muitos acabam por morrer sem saciar a sua sede, cegaram e não viram a fonte.
