Deserto
O povo que atravessa o deserto do desespero causado pela fome e pela incerteza da pobreza que se aproxima dia após dia, encontra nos seus governantes a esperança de que tudo irá voltar ao normal em breve.
Enquanto eu atravesso esse deserto sem fim, Deus é água para mim, o louvor ao Senhor é meu descanso, me encosto na Rocha que é a sua Lei, e em paz eu durmo meditando na sua Palavra.
É no deserto que se conhece a consistência, a medida e a durabilidade de nossas escolhas e decisões.
Deserto
Nos morros esculpidos pelos ventos, nas mais altas fendas do Jalapão, a Princesa existia.
Presa em um Castelo cheio de ecos onde esquadrinhava a sua solidão.
Jamais descia.
Escondia-se com receio dos bichos que uivavam, rastejavam e se metarfoseavam junto ao capim dourado.
Do alto avistava as caravanas que contornavam as dunas à procura de sombra abaixo do chapadão alaranjado de arenito.
Ouvia os murmúrios dos preparativos do pouso, admirava a pequenas fogueiras iluminando a jalapa em chão de estrelas rastejantes.
Ao dia a savana dourada era castigada pelo vento indomável que carregava grãos de areia em constante combate.
Tinha desejo de descer, pisar naquela areia alaranjada, correr naquele silencioso esmagando o capim que choraria em seus pés estalando lamentos e rugidos.
No Castelo havia somente uma entrada.
E seus contornos e arrabaldes transpunham em curvas e corredores sem saídas obscuros para confundir estrangeiros.
Vivia ali sem nenhuma lembrança do passado somente do presente. À noite o Príncipe chegava carregado de conquistas e presentes alucinantes e ela viajava bem longe em seus verbos.
Na madrugada ele roubava seus sonhos durante o sono. Retirava seus aromas, as cores, suas noites enluaradas e o frescor de seu corpo banhado na alucinação dos rios.
Passou a Princesa a sofrer de nostalgia, de inquietude dolorosa, num choro calado debatendo-se com a sua imaginação.
Não havia superfície em sua vida, tudo era fundo e inatingível. Lembrava-se só das fogueiras estalando no lanço do isolamento das noites.
Tinha, portanto, um Castelo sem sonhos, janelas semicerradas e portas herméticas.
Passou a ficar extremamente branca, enluarada na cor onde se via seu mapa angiológico, desenhado, pulsando em suas veias.
Sua voz passou a ficar vigorosa, com ares de sufoco e repetir desejos. Diziam que a sua formosura estava pregada nas paredes da jalapa e respondia ao chamado dos curiosos.
– Princesa, onde estás? E no eco ela respondia:
– Onde estás?
Quando a caravana passava, abria suas tendas, nas sombras das noites insones, sua lenda sobressaltava junto à lua cândida.
E na placenta do imaginar ela nascia como alma de ilusão de quem deseja habitar na fantasia.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
Se hoje pelo coração faz-se o deserto, foi pelo longo tempo de indiferença.
Por mais forte que seja sua raiz, sem amor, uma hora deixa de brotar.
Amar em pleno deserto
As metrópoles estão cheias.
As florestas recheadas.
Precisa se de um grão de areia.
Alguém para chamar de amada.
Em meio de tentativas.
Investidas frustradas.
A floresta esvazia.
Uma ilusão orquestrada.
De repente se nota.
Um período longo no abrigo da solidão.
Toda tentativa corresponde a contramão.
A sorte fecha a porta.
Realmente não dá certo.
Não há flor no deserto.
Onde habita meu coração.
Solitário.
Inquieto.
Sou aquele grão de areia.
Perdido na poeira da imensidão.
Triste.
Acanhado.
Envergonhado.
Decepção.
Não oportuna uma vida sonhada.
Com ausência da amada.
Parece que sou predileto.
De um desdenho correto.
Um mundo me arremessa.
Para viver em um deserto.
Giovane Silva Santos
O homem sem conhecimento é como uma folha seca no deserto,onde o vento sopra pra onde quer,na hora que quer.
"A decisão livre de oposição eterna do demônio a Deus é comprovada na tentação do deserto.Jesus ciente disto, não mais o convida ao ARREPENDIMENTO e Conversão, mas simplesmente ordena: AFASTA-TE SATANÁS"
Toque de recolher
Olho de minha janela e vejo o deserto das ruas. Onde até ontem pessoas circulavam com passos frenéticos sem trocar um único olhar, agora posso ver até os buracos das calçadas do alto de minha sacada do décimo andar. Pois não há ninguém para bloquear minha visão. Inacreditável, se alguém me contasse que isso se daria não acreditaria, mas é verdade, está bem debaixo de meus olhos que buscam por uma imagem que se mexa e nada vê.
O mundo parou, silenciou diante de uma criatura que nem ao menos podemos ver, um ser invisível aos olhos, mas nocivo a própria vida.
De uma hora para outra tivemos que mudar a rotina, nos trancafiar em casa em quarentena e refazer nossos hábitos, reinventar a vida. A vida que não tinha tempo para ser vivida e agora está tendo que aprender o que fazer com ele.
De repente a vida chega e diz: pendura a correria ali no cabide e vamos escrever um capitulo novo, uma nova forma.
Mas e depois que a quarentena passar? Será que voltaremos correndo para mesma vida de antes, ou vamos gostar tanto desse novo ritmo que ficara difícil retornar? Um risco que teremos que correr.
O mundo parou e curiosamente as pessoas em seus afastamentos parecem se unir muito mais do que quando as mãos podiam se dar e não sabiam o verdadeiro valor da aproximação.
As sensibilidades afloram, a tolerância parece rever seus limites e as prioridades mudam. A vida vira seu foco para a busca do sobreviver. Os interesses se unificam entre ricos e pobres, religiões, raças, gêneros e orientações sexuais. Todos estão unidos por um único objetivo, o de acordar na manhã que será anunciada que vencemos esse inimigo invisível e que as portas do viver livremente serão reabertas.
Enquanto essa manhã não chega vai se vivendo tentando ferozmente acordar a cada dia identificando as alterações nos valores que vão surgindo como brotos de uma nova arvore.
Descobrimos habilidades até então desconhecidas do mundo da correria e da falta de tempo. Lembramos de pessoas com quem não falávamos há tempos e de repente simplesmente queremos saber se elas estão bem. O afastamento compulsório causa aproximações inesperadas e surpreendentes tão ou mais que as mudanças de hábitos e de prioridades.
Talvez o mundo tenha parado para poder voltar a girar, talvez fosse necessário nos afogarmos no medo para voltarmos a respirar na esperança, talvez tivéssemos que morrer para poder viver. Mas isso é só e simplesmente talvez, o mesmo talvez que estamos vivendo a cada dia sem ter a certeza de nada a não ser de que nunca mais seremos os mesmos e que estamos vivendo um momento histórico da humanidade.
Satanás pensou no pior estando no céu, Jesus pensou com esperança e amor no deserto e na crucificação. Não é o lugar ou as circunstâncias que nos definem, viva por fé!
Traga a me memória somente o que te trás a esperança.
Estar no seu deserto é estar em comunhão consigo mesmo, mas o pior deserto é o que você está só e sem você.
No final do mundo talvez tudo de certo, mas o nosso final pode esta em um deserto.
Passamos a vida nos perguntando oque acontece no final mas isso nunca poderá ser dito, pelo menos não por nós.
A vida é repleta de incertezas e isso que a traz beleza!
Durante a noite, no deserto, as vidas surgem para alimentar-se e para renovar a aridez das terras. No silêncio, lagartos, escorpiões, raposas, cobras e corujas, surgem como mágica. Parece emergir da areia, das frestas e dos rochedos dando vida à nova terra ou dando vida nova à terra. No sol escaldante do dia, só as criaturas do dia aparecem e sobrevivem ao dia. É muito difícil o encontro das criaturas do dia com as da noite. As criaturas do dia não possuem olhos regulados para ver nas trevas e as criaturas da noite não possuem olhos regulados para ver na luz. Apesar da dificuldade do encontro das criaturas do dia com as da noite, uma para sobreviver, depende da outra.
DESERTO É A PROVA de que DEUS ESTÁ AGINDO.
Não há cristianismo sem ''DESERTO'', nem deserto sem tribulações."DEUS não examina ''VC'' procurando medalhas, certificados ou diplomas, mas sim ''CICATRIZES''.
As MARCAS do DESERTO, são de fato os SINAIS de uma vida que peregrinou sob a CONFIANÇA do SENHOR.
O DESERTO machuca, mas ''ENRIQUECE''. ''QUEIMA'' a pele, mas ''TEMPERA'' o caráter.
No deserto não há supermercados, nem despensas, mas há a DISPENSÃÇÃO da GRAÇA de DEUS suprindo as necessidades de cada dia.
Sempre que DEUS pretender ''USAR ALGUÉM, Ele o conduz ào DESERTO para exercitá-lo nos limites da DEPENDÊNCIA.
Diante dos PERCALSOS da vida, o SENHOR nos promete SUPERAÇÃO!
ELE não deixará que NADA, atrapalhe a nossa TRAJETÓRIA!
Nada e ninguém podem nos impedir de alcançarmos AQUILO que é, por direito, NOSSO!
Ainda que o inferno se levante, Ainda que pareça difícil,Ainda que tudo diga que VC não vai conseguir,DEUS,diz: Ninguém,vai poder parar VC. Porque a obra que Deus começou vai terminar.
