Desculpas aos Pais
Nascemos ou escolhemos este país para viver. Ser contra o voto feminino no país que 5º lugar no ranking mundial dos países que mais matam mulheres é ser inimiga(o) de todas as mulheres independentemente de quem quer que sejamos.
Não tenho medo de me expressar sob as regras da Liberdade de Expressão do meu país, mas evito falar tudo o que penso porque estou cansada de gente chata, imatura e fanática política.
"Pais, avós, bisavós, trisavós, tetravós, etc, todos CLTs, agora eu que tenho que herdar a responsabilidade de ser um empresário rico?"
Tenho orgulho de ser Brasileiro e poder presenciar governantes, pais e mães preparando seus filhos para serem engenheiros, astronautas, desenvolvedores de software e criadores de hardware, embaixadores, etc...que orgulho de ver essas crianças usando o celular para estudar, para aprender vários idiomas, crianças educadas, que respeitam os outros, disciplinadas, nossa que orgulho, dá até para prever o futuro desse país, essas crianças serão conhecidas no mundo pelos seus feitos e descobertas. Andam bem vestidas que até são exemplos para designer de moda. Que orgulho. Nasci no país certo e Deus tem orgulho da sua criação.
"Quando nasci, meus pais não me avisaram que eu enfrentaria um mundo onde as pessoas já estavam anos-luz à minha frente, mas aceitei o desafio porque o objetivo não é alcançá-las, mas sim criar outros caminhos."
"Recusamos a condição de meras espectadoras do nosso país. Quando a mulher negra se coloca como sujeito da sua própria história, a estrutura inteira precisa se mover."
"Sobreviver num país dividido não é o nosso objetivo final — o nosso propósito é derrubar os muros da desigualdade e reescrever as regras do jogo com as nossas próprias mãos."
"O trabalho da mulher negra sustentou o passado deste país; a consciência e a ação da mulher negra é o que vai emancipar o seu futuro."
Nós mulheres negras sempre formos á sub-representação feminina num país tão desigual. Também não é para as pessoas negras, para @s indígenas em geral e para a classe que vive do seu trabalho.
Nós, mulheres negras, trabalhadora, vivemos a participação no dia a dia sobrevivendo dentro de um pais desigual em oportunidades e direitos a política não é o único braço mas um veículo importante na luta de resistência de um pais dividido em dois mundo. Nós negras e negros que a muito tempo decidimos ser sujeitos de nossas próprias vidas e não queremos entregar nosso destino na mão de representantes.
Por isso, nos organizamos em movimentos sociais e lutamos por direitos pois do pão que entra em nossa boca ao chão que pisamos, queremos ou não são decisões políticas. Sendo assim o poder político se realiza sob influência do poder econômico capitalista, da supremacia racial e patriarcal. Tanto o patriarcado quanto o racismo configuram-se por relações de poder e as consequências desses sistemas opressores estão imbricadas na forma como se acessa - ou não - e se exerce poder. Pois se você se priva a exerce-lo alguém o fará por você.
Por isso fiquem ligadas pretas e negras que e uma questão de sobrevivência á não democracia
Toda a polarização política é declaração expressa da falência do sistema político de um país. Um país rico em democracia requer uma terceira via e quantas forem necessárias.
Pais, cuidar com amor também é não transferir aos filhos os medos que nasceram das experiências negativas que vivemos. Eles não são os autores da nossa história, nem serão iguais às pessoas que nos feriram. Cada filho tem sua própria história, suas próprias escolhas e merece a oportunidade de construir sua caminhada sem carregar os pesos do passado dos pais.
Poupar um filho da vida é condená-lo a viver sem si mesmo. Toda dificuldade que os pais sequestram da infância reaparece na vida adulta com juros de caráter: transforma limites em ofensa, responsabilidade em opressão, frustração em revolta e amor em chantagem. Quem protege do peso da existência não fortalece os ombros; atrofia a consciência. No fim, não cria filhos — fabrica adultos incapazes de carregar a própria história, sempre à procura de alguém que suporte o peso que nunca aprenderam a sustentar.
Pais que fazem dos filhos o centro da própria vida acabam fazendo da própria vida o centro dos filhos. E quem nunca aprendeu que o mundo lhe deve nada cresce acreditando que todos lhe devem tudo. A superproteção não cria herdeiros; cria credores da existência.
Há pais que passam a vida inteira chamando de amor aquilo que, na verdade, é a mais refinada forma de sabotagem. Blindam os filhos contra a dor, contra a disciplina, contra o “não”, contra as consequências… e depois se espantam ao descobrir que criaram adultos incapazes de enfrentar a própria existência. Quem elimina todos os obstáculos do caminho do filho não facilita a caminhada; elimina o caminhante. No lugar de consciência, instala dependência. No lugar de caráter, conveniência. No lugar de responsabilidade, vitimismo. E, quando os pais já não conseguem sustentar o peso que criaram, a vida apresenta uma conta que nem dinheiro, nem patrimônio, nem herança conseguem pagar. Porque a pior pobreza não é faltar recursos; é faltar estrutura para existir sem alguém que continue sustentando aquilo que a educação nunca construiu.
Pais que resolvem todos os problemas dos filhos acabam se tornando o maior problema dos filhos. Quem impede uma criança de conhecer as consequências prepara um adulto que viverá convencido de que o mundo inteiro existe para poupá-lo da realidade.
Há pais que não criam filhos; criam dependentes e chamam isso de amor. Alimentam cada capricho, negociam cada limite, compram cada silêncio, removem cada consequência e, no fim, aplaudem uma obediência que nunca foi virtude, mas conveniência. O que chamam de proteção é, muitas vezes, medo de frustrar; o que chamam de cuidado é incapacidade de educar; o que chamam de amor é apenas a recusa em suportar o desconforto de dizer “não”. Cada responsabilidade assumida no lugar do filho é um pedaço de caráter que deixa de ser construído. Cada dificuldade evitada é uma força que deixa de nascer. Pais que fazem da própria vida um escudo permanente não estão preparando os filhos para o mundo; estão preparando o mundo para carregar filhos que eles mesmos decidiram não formar. A tragédia não começa quando os pais morrem. Ela começa no exato instante em que deixam de educar e passam a servir. Porque o pior abandono não é deixar um filho sozinho; é entregá-lo à vida sem consciência, sem disciplina e sem a capacidade de existir sem depender de alguém.
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