Desculpa se sou um pouco Cabeca Dura
E quem não me viu
nunca teve coragem
de me descobrir por dentro
como realmente sou.
Nunca teve coragem de me olhar
para além das frases curtas dos jornais,
das ruínas levantadas,
das estampas de adesivos cruéis
que insistiam em ficar sobre mim
como se fossem parte de quem sou.
Mas não eram.
Não precisei escrever jornais,
nem inventar novas artes,
nem ferir outra poesia
para desfazer a sua pior história criada.
Eu sou o que sou.
Digno...
Merecedor de mim.
Isso nunca foi segredo.
Isso nunca foi medo.
Isso sempre foi verdade.
Caminhada.
Consciência.
Orgulho de seguir
na direção da minha melhor versão,
nascida de dentro,
sem me quebrar
pelos gritos de quem sempre veio
e ainda virá
anunciar medos comprados,
medos ganhos,
medos repartidos
em tirinhas de jornais.
Sou estrela antiga, ecoando luzes que já se foram, meu coração queimando em silêncio. Cada fagulha é memória de mundos que jamais verei, cada brilho, um suspiro perdido. No vazio do cosmos, aguardo o instante em que tudo se desfaz, me transformando em poeira estelar, um murmúrio esquecido no infinito.
O passado não me arrasta, me arma, não é peso, mas fundação, é raiz indestrutível da árvore que sou.
Sou ausência tão presente que domina o espaço e pesa no ar. Quanto mais me apago, mais insisto em permanecer, pois até no último suspiro o fogo se lembra de arder em si.
Perdi espectros do que fui; ganhei a clareza do que sou. Carrego menos bagagem, mais propósito. O amanhã já tem nome.
Venci porque quis mais do que temi, minhas decisões não esperam permissão, sou autor da minha passagem.
Já fui menor que meus erros, sou maior que minhas correções, a autoexigência agora vem com compreensão, o balanço me mantém em pé.
Cada perda foi lição que adotei, ensinar-me tornou-se tarefa de respeito, sou aluno e mestre do mesmo tempo.
Cada recomeço me fez mais inteiro, as quebras costuraram-me com nova trama, hoje sou a soma de todas as reconstituições.
Quando a sorte faltou, inventei processo, o processo substitui a sorte com hábito, hoje sou fruto dessa construção.
A fé que me move é tangível, trabalho, rima e rotina, não espero milagres sem esforço, sou artesão da própria sorte.
Sou entulho empilhado, fragmentos sem forma. Às vezes, tapo buracos, nivelando terrenos alheios. Às vezes, sou relíquia de um tempo em que servia a algo maior. Mas o outrora passou, e em mim só restam vestígios.
Sou Israel em busca da promessa, anseio a terra guardada aos que perseveram, que meu nome se firme no Livro da Vida, para estar com Abraão, Isaque e Jacó, entre os escolhidos que herdam o descanso eterno.
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