Descartável
Hoje as pessoas estão muito descartáveis ... Não sei se ainda acredito num sentimento verdadeiro... Fala-se muito... Mas colocar em pratica todo esse blá blá blá ta difícil... Só peço a Deus que ilumine esses corações frios... Para que a essência do amor não entre em extinção ....
Não temos mais fotografias, só imagens descartáveis digitais. As fotos que antes eram pra recordar momentos, hoje são momentâneas. Excluímos, formatamos, resetamos, puf sumiu, só existe em nossa memoria, essa memoria que nos prega peça, nos faz esquecer de momentos, momentos esses que seriam lembrados em fotografias.
Nesta era dos descartáveis, tudo virou coisas momentâneas, nada mais é a longo prazo: amizades, empregos, religião, amores, quase tudo é superficial, quase nada é profundo.
No momento em que nos vemos como objetos descartáveis passamos a distinguir uns aos outros como desiguais, sendo assim, quanto mais “adesivos de rótulos” tiverem em mim, sou um produto melhor pelo o que apresento exteriormente. Certamente, uma futilidade coletiva.
Você não é quadrado por gostar do clássico. Em um mundo de amores descartáveis e filmes sem alma, ser um 'coroa' que valoriza o romance à moda antiga é o seu maior superpoder.
Ser 'quadrado' em um mundo de amores descartáveis é um elogio. Prefiro a nostalgia de uma música internacional que faz chorar do que a pressa de um funk que não me faz sentir nada.
Percebo a dependência de muitas mães em cima dos filhos. Pais não são descartáveis, pais não são laranjas que você come o sumo e joga o bagaço, mas chega um momento para os filhos que eles precisam mais deles mesmos que dos pais. Eles se sentem pressionados por si mesmo a andar com as próprias pernas, a adquirir liberdade financeira, a se desprender de quem os gerou, a criar asas e voar. O amor não acaba, o carinho, o respeito, não acabam, apenas o ciclo muda seu rumo, a gente vai ao encontro do que nos espera. A gente fica livre para ser quem somos, para tombar, cair, levantar, cambalear, tropeçar e acertar. Às vezes a gente dá dois passos para frente e um pra trás. Outras vezes andamos na contramão do politicamente correto pelos pais. Os pais precisam aprender a respeitar nossas escolhas, nossas mancadas, nossos erros. Precisamos cair e levantar, precisamos fortalecer os ossos, o corpo, o espírito. Precisamos deixar de ser bichos primitivos. Não falo só de pais não, falo de amores, de cônjuge, de pessoas envolvidas de amor, mas que inconscientes cerceiam a liberdade de mim mesma.
Estamos nos configurando cada vez mais frenéticos, imediatistas e descartáveis, nos esquecendo que a felicidade está no aqui e no agora, habita dentro de nós e não precisa de tanto para reconhecer o quanto “temos”, mas que pouco usufruímos.
Nesse mundo de loucuras
Me perco entre tantas figuras
Fantasiadas, descartadas, descartáveis
Mas isso só não me sustenta
Estudo os teus sinais
Sedenta desfrutando dessa
Insana liberdade
Amores descartáveis como um copo
que depois de usado é jogado no lixo.
Sem ser possível sequer criar um laço
De afeto.
Estão por ai espalhados aos quatro cantos.
Mas parece que só eu tenho a má sorte de encontra-los
Em cada esquina que eu cruzo.
