Depoimentos de agradecimento

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Quem não namora, tirou férias não remuneradas de si mesmo.

A vida é uma calamidade a prestações.

Oswald de Andrade

Nota: citação encontrada em Duailibi das Citações, de Roberto Duailibi, Editora Arx, 2003

Olhavam-se numa espécie de jogo do siso, com certo ar de majestades rivais e tranquilas, sem arrogância, nem baixeza, como se o mendigo dissesse ao céu:
– Afinal, não me hás de cair em cima.
E o céu:
– Nem tu me hás de escalar.

Machado de Assis
Quincas Borba (1891).

Depois, cantou “se mil vezes você me deixar e voltar, eu aceito”.

Nem a ciência, nem as artes, nem mesmo o dinheiro, nem o amor, poderiam ja dar um gosto interno e real as nossas almas saciadas. Todo o prazer que extraía de criar, estava esgotado. Só restava, agora, o divino prazer de destruir.

De tudo ao meu amor serei atento.

Vinicius de Moraes
Antologia Poética. Rio de Janeiro, 1960.

Nota: Trecho de "Soneto de Fidelidade".

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O sonho é uma fresta do espírito.

Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Typografia. Nacional, 1881.

Nota: Trecho condensado do original.

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Podemos ser instruídos com o conhecimento de outro, mas não podemos ser sábios com a sabedoria de outro.

É preciso que nos habituemos a arrancar regularmente os baobás.

O avesso do meu amor é esperança.
Assim como o avesso do amor divino é orfandade.

Digo-lhe que faz mal, que é melhor, muito melhor contentar-se com a realidade; se ela não é brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir.

Machado de Assis
A mão e a luva

Nota: Trecho de Link

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ACORDAR VIVER

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

É ela! É ela! É ela! É ela!

É ela! é ela! — murmurei tremendo,
e o eco ao longe murmurou — é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura —
a minha lavadeira na janela.

Dessas águas furtadas onde eu moro
eu a vejo estendendo no telhado
os vestidos de chita, as saias brancas;
eu a vejo e suspiro enamorado!

Esta noite eu ousei mais atrevido,
nas telhas que estalavam nos meus passos,
ir espiar seu venturoso sono,
vê-la mais bela de Morfeu nos braços!

Como dormia! que profundo sono!...
Tinha na mão o ferro do engomado...
Como roncava maviosa e pura!...
Quase caí na rua desmaiado!

Afastei a janela, entrei medroso...
Palpitava-lhe o seio adormecido...
Fui beijá-la... roubei do seio dela
um bilhete que estava ali metido...

Oh! decerto... (pensei) é doce página
onde a alma derramou gentis amores;
são versos dela... que amanhã decerto
ela me enviará cheios de flores...

Tremi de febre! Venturosa folha!
Quem pousasse contigo neste seio!
Como Otelo beijando a sua esposa,
eu beijei-a a tremer de devaneio...

É ela! é ela! — repeti tremendo;
mas cantou nesse instante uma coruja...
Abri cioso a página secreta...
Oh! meu Deus! era um rol de roupa suja!

Mas se Werther morreu por ver Carlota
Dando pão com manteiga às criancinhas,
Se achou-a assim tão bela... eu mais te adoro
Sonhando-te a lavar as camisinhas!

É ela! é ela, meu amor, minh'alma,
A Laura, a Beatriz que o céu revela...
É ela! é ela! — murmurei tremendo,
E o eco ao longe suspirou — é ela!

Há em cada adolescente um mundo encoberto, um almirante e um sol de outubro.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

Pergunte pro seu Orixá, amor só é bom se doer.

Caminhando só pra frente a gente não vai muito longe

Que os segredos, amiga minha, também são gente; nascem, vivem e morrem.

Machado de Assis
Esaú e Jacó (1904).

O maior impasse da humanidade: Não fazer o BEM que gostaria e fazer o MAL que não quer!

Paulo de Tarso

Nota: Adaptação de Romanos 7:19.

Ninguém tachou de má a caixa de Pandora por lhe ter ficado a esperança no fundo. Em algum lugar há de ela ficar.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

Nota: Trecho adaptado do original.

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Amor

Humor

Oswald de Andrade
Andrade, O. Primeiro Caderno, 1927