Defendo meus Amigos
Prece do dia:
Senhor, abençoa cada instante, ilumina meus passos e fortalece minha fé. Que eu saiba agradecer, amar e semear o bem. Que hoje haja paz no coração, esperança no olhar e gratidão na alma.
Ao longo dos meus quase 35 anos de vida — sendo quase 20 deles dedicados à militância na Esquerda — já tive inúmeros embates com colegas da Direita. São pessoas inteligentes, que defendem seus ideais, posicionam-se contra a criminalidade e também lutam pelo bem social do povo, principalmente do mais pobre.
Entretanto, há cerca de 10 anos surgiu uma nova direita que parece pensar apenas em si mesma. Muitos de seus representantes passaram a apoiar pautas que beneficiam investigados e condenados, e recentemente articulam a aprovação de uma chamada “Anistia Ampla e Irrestrita”.
Além disso, defendem a chamada “PEC da Blindagem”, que, na prática, funcionaria como um escudo jurídico para proteger políticos de responsabilização por seus atos. Trata-se de uma proposta altamente questionável e que ameaça os princípios constitucionais de igualdade e responsabilidade perante a lei. Importante destacar que apenas uma parcela minoritária da esquerda votou a favor dessa medida, o que demonstra divisão mesmo dentro do campo progressista.
Se essa proposta avançar no Senado, o resultado poderá ser o fortalecimento de esquemas criminosos já infiltrados na política, enfraquecendo ainda mais a confiança da sociedade nas instituições democráticas.
É preciso também notar que, entre setores da Direita, existem diferentes perfis: alguns buscam aprofundar o debate político com base em estudo e conhecimento, enquanto outros preferem recorrer à desinformação e à manipulação de fatos. Esses últimos representam um risco ainda maior, pois conhecem a realidade, mas escolhem distorcê-la para proteger determinados interesses.
Nosso país sempre viveu em meio à polarização política. Contudo, a atual conjuntura é especialmente perigosa: há parlamentares que tentam aprovar medidas claramente inconstitucionais para privilegiar grupos e indivíduos que deveriam ser responsabilizados por seus atos. Esse tipo de movimento coloca em xeque não apenas a democracia, mas também a própria noção de justiça e cidadania no Brasil.
A liberdade de cometer meus próprios erros é o que eu sempre quis.
Menses - Game of Thrones
Por que o caos não é poço, é uma escada.
Escada ao qual, descer me olha, e olhando, cada vez eu desço, um dia a mais, que dias são esses?
Os que não conseguir subir, o tempo passa, deteriora, reconstruí-lo, me apavora.
Informação nenhuma eu tenho, sobre o caos, a escada, feita cal, do que é feito? Já não lembro, dito e feito, quem a fez? Eu não sei, só desci, se me lembro não subir.
Não é queda, não é prática, ela é rápida e costumeira, levantar-se nem que eu queira.
Frente a frente tenho medo, já contei, nenhum segredo.
Absurdamente assustadora, já é noite? ou é dia? Me cintila de agonia. São luzes, são cores, são feixes luminosos, é o cansaço que me bate, é a pancada que me arrasta.
Minha direção é caos, claro, não quero ficar, mas, também não tenho forças para voltar.
Senta, pensa, se refaz, gaste o tempo que gastar. O poço existe é fato, é real, espaço, a tempos que ele é visto, há tempos não bem quisto. E o que importa, é grito.
Mais ainda há tempo, querer sair. Mas, se ainda é tempo, da pra fugir. Mas, se não der tempo eu fico aqui.
O caos é laço, é cais, é porto, não se refaz, de longe olho, vem tempestade, coragem ausenta, meu ser imprensa, não posso mais.
Quero armadura, coragem pura, se é bondade, se é voraz, se é fraqueza, ainda mais.
Mas, tem um jeito, por ele almejo, no tempo certo, na minha maneira, e do meu método, caminhos, carreira.
Vai se montando, vai por vielas, minha alma salta, chorei por ela, então eu vejo, longisco e fosco uma aquarela.
Meu rosto brilha, meu eu, devora, pensar me gasta e que demora, são erros, pague, são seus, não rasgue. Avista a luz, formas e gestos, sou eu num encontro com a bela fera, criei temores, passei por guerras, que eu criei, bela novela.
De vez ou outra, meu ser revela, subindo escada, desci por ela, aprisiono um eu de antes, agora olho, ser ofegante, não mais estou, sair da cela.
Marcio Ribeiro
O dia da terapia
Hoje eu vivi mais um dos meus dias, apenas deixei as horas passar, mas, também foi dia de terapia.
Pela primeira vez eu tremi durante aquela uma hora, eu cheguei a ter momentos de choro, quanto mais eu falava era pior. Os olhos da minha psicóloga concentrados em mim eram desafiadores. Eu senti medo, angústia, dor, questionamentos, parecia estar numa redoma, preso em mim.
Sai da terapia e ainda tremendo voltei pra casa, aqui estou agora, sem quase nada, sem fazer nada, apenas pensativo no quão inútil me tornei, por não achar solução para tudo que me apavora, para o caos que me aprisiona.
Vem a noite e tomarei meus medicamentos, os quais vão me “apagar” por algumas horas enquanto espero pelo novo dia, não sei o que tem lá, talvez eu nem queira estar lá.
P.S Lembrando agora, hoje não “comi nada,” uma laranja e alguns copos d’água.
Difícil conviver com esses demônios, monstros que as pessoas criaram e eu deixei que colocassem na minha vida.
Utopia ou Distopia?
Em meus devaneios abstratos, sondei um mundo diferente:
Onde borboletas e pássaros nadavam no oceano acima das montanhas,
e os peixes voavam nas nuvens sob nossos pés.
Onde o Sol coruscava, frígido,
e o lume tórrido da Lua evaporava o mel das abelhas.
Onde a dor era conforto,
e o choro ditava alegria.
Onde os ricos eram paupérrimos,
e o dinheiro somava à miséria.
Onde a fome era lenda,
e a fartura brindava com equidade.
Onde a corrupção era mito,
e a honestidade se via em cada esquina.
Onde a cor não definia padrões,
e o preconceito rastejava na lama.
Onde a guerra era ficção,
e a paz adejava como poesia.
Onde a morte, desempregada,
implorava por esmola à porta da vida.
Teus cabelos ondulam nas noites de meus sonhos,
onde os Orixás sussurram que devo tomar cuidado
para não me perder em teus encantos de sereia.
Mas eu não dou ouvidos às advertências
e sigo enfeitiçado por teu olhar,
sedento por teus lábios,
desejando ardentemente
mergulhar nos prazeres do teu corpo.
És Filha de Iebá,
dona de mistério e magia
que fascina todos os homens,
e os atrai como imã
para que te sirvam
e façam tudo o que você quer.
Alguns terão a delícia dos teus beijos,
outros viverão apenas a suspirar por ti.
Mas eu confio nos desígnios de Iemanjá
que atou nossos destinos
para que esta sede que me toma
seja saciada entre tuas coxas
onde hei de me encontrar
para te proporcionar o mais intenso ardor
em marés infinitas de prazer.
Botei a cara e vou nesse mundão
Humildade e disciplina com meus pés no chão
Quem duvidava hoje come na palma da mão
Com o passar dos anos e com a chegada dos meus 37 anos, a maturidade trouxe consigo uma compreensão mais profunda sobre minhas próprias necessidades e limites. Passei a identificar, de forma cada vez mais clara, a importância de preservar minha paz espiritual e, por esse motivo, tenho me abstido de prazeres momentâneos e superficiais. Estou em busca de conexões verdadeiras e profundas, que contribuam para a minha evolução pessoal.
Diante disso, optei por permanecer solteira até encontrar alguém cuja visão de mundo se alinhe à minha e que ressoe com a perspectiva de vida que venho construindo. Não estou em busca ativa, pois alcancei a plenitude em estar só e em apreciar minha própria companhia. Tenho escolhido não me envolver carnalmente com outras pessoas, pois acredito fielmente em valores que considero cada vez mais raros, como fidelidade, reciprocidade e integridade.
Somente me permitirei envolver novamente com alguém que desperte meu interesse de forma genuína e que respeite integralmente minha maneira de ser, agir e pensar. Almejo uma relação com alguém disposto a assumir-me e a assumir, de maneira consciente, todas as responsabilidades afetivas que esse compromisso exige. Portanto, só me envolverei novamente com alguém que deseje, comigo, construir uma família.
“Falo do que não vivo”
✍️ Valter Martins / Santo da Favela, o Poeta da Rua
Em meus poemas,
falo de cigarros que nunca acendi,
mas sinto a fumaça deles
entrando na alma.
Falo de bebidas que não bebo,
mas conheço o gosto amargo
de quem tenta afogar o que sente
no fundo de um copo imaginário.
Falo de lágrimas que não caem,
porque já chorei demais por dentro —
lá onde ninguém enxerga,
mas tudo dói.
Falo de amor,
mesmo sem saber amar,
porque o amor é isso:
tentar entender o fogo
sem nunca ter tocado a chama.
Escrevo pra não morrer calado,
pra dar nome ao vazio,
pra fazer das palavras
o abrigo que o mundo me negou.
E talvez seja isso o que me salva —
mentir em versos
pra dizer a mais pura verdade.
Marcadores de sensação
Meus marcadores de sensação
não se prendem à imagem crua,
vão onde a vista não alcança,
onde a alma se insinua.
São pulsares no silêncio,
ecos de um sentir sem cor,
onde o olhar é só passagem
para o rastro do amor.
Eles vivem no arrepio,
no som que dança no ar,
no cheiro que conta histórias
que ninguém pode escutar.
Atravessam o olhar
como a luz atravessa o vidro:
sem pedir licença,
sem deixar o sentido perdido.
Meus marcadores são tempo,
memória viva a vibrar,
para além do que se enxerga,
onde só o sentir pode tocar.
Dizer eu "te amo" em palavras tão frias, é muito pouco para quem tomou meus pensamentos, sentimentos, meu corpo e já habita a minha alma!
Verinha Fagundes
Dos meus surtos, despertar pra ser feliz foi a que mais me alucinou, aliciou e inebriou. Pois, ser feliz é uma das melhores overdoses que se pode ter. Porque insanidade é não correr atrás e nem ao lado da felicidade. Insanidade é não ser feliz; é deixá-la pra trás!
