De Repente Nao mais que Derepente
Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números ! Gostaria de ter começado esta história à moda dos contos de fada.
[O Pequeno Principe cáp. IV]
Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem.
Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.
Tudo é expressão.
Neste momento, não importa o que eu te diga
Voa de mim como uma incontenção de alma ou como um afago.
Minhas tristezas, minhas alegrias
Meus desejos são teus, toma, leva-os contigo!
És branca, muito branca
E eu sou quase eterno para o teu carinho.
Não quero dizer nem que te adoro
Nem que tanto me esqueço de ti
Quero dizer-te em outras palavras todos os votos de amor jamais sonhados
Alóvena, ebaente
Puríssima, feita para morrer...
Cada um chama de bárbaro o que não é de seu uso, como, em verdade, não parece que tenhamos outro padrão de verdade e de razão que o exemplo e a idéia das opiniões e usanças do país de onde somos. Lá esta sempre a religião perfeita, o emprego perfeito e acabado de todas as coisas.
Já me não entendo com essa gente dos comboios suburbanos; esses homens que homens se julgam e que, no entanto, como as formigas, estão reduzidos, por uma pressão que não sentem, aos hábitos que lhes criam.
Que hei-de eu fazer dessas alforrecas que não têm ossos nem forma? Vomito-os e restituo-os às suas nebulosas: vinde ver-me quando estiverdes construídos.
As glórias de empréstimo, se não valem tanto como as de plena propriedade, merecem sempre algumas mostras de simpatia.
Não seria propriamente um efeito da arte, concordo, e sim da natureza; mas que é a natureza senão uma arte anterior?
CÂNTICO
Não, tu não és um sonho, és a existência
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela
Sem nome, és a morada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorada!
Tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendiga
Do triste verso meu. Ah, fosses nunca
Minha, fosses a idéia, o sentimento
Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora
Ausente, amiga, eu não te perderia!
Amada! onde te deixas, onde vagas
Entre as vagas flores? e por que dormes
Entre os vagos rumores do mar? Tu
Primeira, última, trágica, esquecida
De mim! És linda, és alta! és sorridente
És como o verde do trigal maduro
Teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde - são teus olhos!
Teu passo arrasta a doce poesia
Do amor! prende o poema em forma e cor
No espaço; para o astro do poente
És o levante, és o Sol! eu sou o gira
O gira, o girassol. És a soberba
Também, a jovem rosa purpurina
És rápida também, como a andorinha!
Doçura! lisa e murmurante... a água
Que corre no chão morno da montanha
És tu; tens muitas emoções; o pássaro
Do trópico inventou teu meigo nome
Duas vezes, de súbito encantado!
Dona do meu amor! sede constante
Do meu corpo de homem! melodia
Da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?
Por que me ensinas a morrer? teu sonho
Me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou teu irmão, és minha irmã; padeço
De ti, sou teu cantor humilde e terno
Teu silêncio, teu trêmulo sossego
Triste, onde se arrastam nostalgias
Melancólicas, ah, tão melancólicas...
Amiga, entra de súbito, pergunta
Por mim, se eu continuo a amar-te; ri
Esse riso que é tosse de ternura
Carrega-me em teu seio, louca! sinto
A infância em teu amor! cresçamos juntos
Como se fora agora, e sempre; demos
Nomes graves às coisas impossíveis
Recriemos a mágica do sonho
Lânguida! ah, que o destino nada pode
Contra esse teu langor; és o penúltimo
Lirismo! encosta a tua face fresca
Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo
Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma
É o último suspiro da poesia
O mar é nosso, a rosa tem seu nome
E recende mais pura ao seu chamado.
Julieta! Carlota! Beatriz!
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
De repente, não mais que de repente,
Escolhi em não mais lhe ter
Uma dor pior que a picada de uma serpente
É a dor de te perder.
De repente, não mais que de repente,
Tive que te esquecer
Não existe mais “a gente”
Estou sozinho, a sofrer.
De repente, não mais que de repente,
Sinto que não fiz o certo
Pois tudo que sinto, é o desejo de ter você por perto.
De repente, não mais que de repente,
Afastamo-nos para amadurecermos.
E se for pra ser, um dia junto viveremos.
Não mais que de repente
De repente, sem menos esperar você chega e arranca o meu olhar
Numa fração de segundos pensei: eu quero te beijar
De repente a vida nos juntou e o tão esperado beijo tratou de se realizar
Como num passe de mágica nossos momentos juntos parecem se apressar,
E quando menos espero o tempo não está mais lá
Para além disso, o que realmente importa são os momentos ao teu lado vivido,
Porque para mim, mais importa a qualidade do que se vive
E a certeza de ter vivido.
"Sei lá mais de repente percebo que tudo o que eu fiz foi em vão, mas quem não aproveita enquanto a tempo, se lamenta quando perde ".
2020, o ano do "de repente"
E de repente o grande jogador de futebol não teve mais tanta importância.
E de repente a pessoa que faz a limpeza da sua cidade começou a ser respeitada.
E de repente alguns profissionais que não eram valorizados começaram a ser aplaudidos.
E de repente as pessoas ficaram mais solidárias.
E de repente houve questionamentos sobre as pessoas que não têm casa.
E de repente todos começaram a se preocupar com os idosos.
E de repente não se escuta mais falar em guerras.
E de repente as olimpíadas não são mais a prioridade.
E de repente a televisão começou a priorizar a vida.
E de repente a mídia começou a fazer campanhas para reforçar que primeiro vem a saúde e depois a economia.
E de repente os governantes se uniram, criando estratégias para cuidar da população.
E de repente apareceu dinheiro para o governo ajudar as pessoas que mais precisam.
E de repente os estados e municípios conseguiram reformar e construir novos hospitais.
E de repente os acidentes de trânsito diminuíram.
E de repente o planeta ficou menos poluído.
E ao redor do mundo, todos começaram a rezar para que, de repente, a ciência encontre a cura de uma doença que, ironicamente, mostrou que a sociedade pode ser menos doente.
Crasso Santiago
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