De Repente Nao mais que Derepente

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Outro bem não me faria tão feliz. Ela é minha companheira, minha melhor amiga. Minha irmã, minha confidente, minha mulher. Ela é mais que amor, ela é meu colo no pranto, minha pequena criança assustada. Ela tem brilho, tem escuridão, tem contradição. Ela se perde em mim, assim como eu me perco nela. Minha cúmplice em sentimentos, em segredos, na dor, o sofrimento é compartilhado. Não há nada em você que não more na minha memória. Ela é a minha menina complicada que resolve e me envolve em vários problemas. Criança que me chama, me busca e me solta. Ela me fez viver em meses o que eu não vivi em anos. Ela me descobriu, me expôs, me iluminou e nunca mais saiu do meu lado.

Ela não é pura, ela não é má, ela vai além da minha compreensão e de qualquer outro ser. Chora quando não estou, sente minha falta, mas sua natureza não a deixa estar só comigo. Ela me quer para o infinito, mas ela sabe que não pode se prender a isso. Ou será que pode? Eu a amo, de todo o meu coração, alma e corpo.

Não devemos nos questionar porque algumas coisas nos acontecem e sim o que podemos fazer com o tempo que nos é dado.

O Senhor dos Anéis

Nota: Adaptação livre de trechos de O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel (2001)

"Vamos, não adianta nada chorar assim!" — disse Alice a si mesma, num tom áspero. "eu a aconselho a parar já" — em geral dava conselhos muito bons a si mesma (embora raramente os seguisse), repreendendo-se de vez em quando tão severamente que ficava com lágrimas nos olhos...

Alice no país das maravilhas Lewis Carroll
CARROLL, L., Alice no País das Maravilhas, 1865

Não sou capim para estar na boca de Vaca e muito menos ração para estar na boca de cadela.

Em mim, não vejo começo nem fim

Se o que eu digo. Não faz sentido. Não faz sentido, ficar ouvindo.

AMOR QUE NÃO COBRA

O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas quase silencioso. Não é menor em extensão.
É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.

O amor maduro somente aceita viver os problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.

O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco.
Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e a sua incompletude, por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
O amor maduro não disputa, não cobra, pouco pergunta, menos quer saber. Teme, sim. Porém, não faz do temor, argumento.
Basta-se com a própria existência.
Alimenta-se do instante presente valorizado e importante porque redentor de todos os equívocos do passado.
O amor maduro é a regeneração de cada erro.
Ele é filho da capacidade de crer e continuar, é o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme.

O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe.
Não exige, dá. Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.

Sempre haverá um alguém

Se por acaso você
não conseguir caminhar,
se seus pés enfraquecerem,
se a estrada se alongar,
Sempre haverá um alguém
capaz de lhe carregar.

Se por acaso você
sentir a alma sangrar,
e se a alma ferida
fizer seu corpo chorar,
Sempre haverá um alguém
capaz de lhe consolar.

Se por acaso você
sentir o mundo escapar,
se tudo for só silêncio,
se a solidão maltratar,
Sempre haverá um alguém
capaz de lhe abraçar.

Se por acaso você
não conseguir se enxergar,
perdido dentro de si,
vendo tudo se apagar,
Sempre haverá um alguém
capaz de lhe encontrar.

Se por acaso você
sentir a vida açoitar,
e na hora da agonia
você se desesperar,
Sempre haverá um alguém
capaz de lhe acalmar.

Se por acaso você
vir tudo se apressar,
se todo mundo correr,
se o tempo acelerar,
Sempre haverá um alguém
capaz de lhe esperar.

Se por acaso você
deixar de acreditar,
se a própria humanidade
decidir lhe enganar,
Sempre haverá um alguém
capaz de lhe inspirar.

Se por acaso você
sentir medo de amar,
se achar que não é mais
possível se apaixonar,
Sempre haverá um alguém
capaz de lhe conquistar.

Sempre haverá amor,
sempre haverá o bem,
numa via de mão dupla
com a força de um trem.
Alguém ajuda você
e você ajuda alguém.

Já que sempre haverá
alguém pra lhe entender,
lhe carregar, acalmar,
abraçar quando doer,
alguém pra lhe confortar
quando o mundo lhe bater.

Já que sempre haverá
alguém pra lhe socorrer,
só é preciso ser justo
e grato pra perceber
que sempre haverá alguém
precisando de você.

Bráulio Bessa
Um carinho na alma. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.

Você está olhando para apenas uma árvore, e não para floresta toda.

Pain - Nagato

Nota: Naruto Shippuden, Ep. 164

A impressão que tenho é que nunca vai passar… Que a cicatriz não fecha… Que só de esbarrar, sangra.

Quando já não há pelo que lutar, não há nada a fazer a não ser desistir.
Quando as decepções são tão fortes, já não se consegue acreditar.
Quando lembranças atormentam, não há como fugir.
Quando não se chega aonde se deseja, não há como não desanimar.
Fingir alegria é fácil, mas só à noite em seu quarto você sabe porquê chora.
Você pode fazer mil esforços para ser compreendido, mas no fundo só você consegue se entender exatamente.
Só você conhece os seus traumas e os seus medos.
Só você sabe pelo que já passou.
Mas a solidão é inerente ao ser humano, por mais que muitos a neguem.
O problema maior é quando você não consegue saber se Deus ainda te ouve.
É quando sorrir se torna apenas o caminho mais fácil para não precisar explicar a ninguém o que nem você entende.
É quando o ânimo já se perdeu e o futuro parece distante demais.
É quando você já não sabe se acredita em você.

E a gente (pode) DEVE ser maior. Basta que a gente queira. E querer não é poder, como as pessoas dizem por aí. QUERER É FAZER. E fazer não é nada fácil. Existem momentos na vida em que a gente precisa ser mais forte do que acha que pode, mais inteligente do que acha que é e mais nobre do que acha que consegue. E como é que a gente consegue? Querendo. E quando a gente quer demais uma coisa, a gente é capaz de feitos que a nossa mente nem consegue conceber. A gente mata um leão por dia. A gente acaba esquecendo das poças d’água, canalizando toda a nossa força para o embate inevitável com os predadores que a vida coloca na nossa frente. E são muitos.

Eu amo desorganizado, desenvergonhado. Tenho um amor que não é fácil de compreender porque é confuso. Não controlo, não planejo, não guardo para o mês seguinte. A confusão é quase uma solidão adicional. Uma solidão emprestada. Sou daqueles que pedirá desculpa por algo que o outro nem chegou a entender, que mandará nova carta para redimir uma mágoa inventada, que estará se cobrando antes de dizer. Basta alguém me odiar que me solidarizo ao ódio. Quisera resistir mais. Mas eu faço comigo a minha pior vingança. Amar demais é o mesmo que não amar. A sobra é o mesmo que a falta. Desejava encontrar no mundo um amor igual ao meu. Se não suporto o meu próprio amor, como exigir isso?
Um dia li uma frase em Hegel: "nada de grande se faz sem paixão". Mas nada de pequeno se faz sem amor. A paixão testa, o amor prova. A paixão acelera, o amor retarda. A paixão repete o corpo, o amor cria o corpo. A paixão incrimina, o amor perdoa. A paixão convence, o amor dissuade. A paixão é desejo da vaidade, o amor é a vaidade do desejo. A paixão não pensa, o amor pesa. A paixão vasculha o que o amor descobre. A paixão não aceita testemunhas, o amor é testemunha. A paixão facilita o encontro, o amor dificulta. A paixão não se prepara, o amor demora para falar. A paixão começa rápido, o amor não termina.
Não me dou paz sequer um segundo. Medo imenso de perder as amizades, de apertar demais as palavras e estragar o suco, de ser violento com a respiração e virar asma. Até a minha insegurança é amor. O pente nos meus cabelos é faca enquanto é garfo para os demais. Sofro incompetência natural para medir a linguagem das laranjas, acredito desde pequeno que tudo o que cabe na mão me pertence. Minha lareira não dura uma noite, esqueço da reposição das achas, do envolvimento da lenha no jornal, de assoprar o fundo. Brigo com o bom senso. Ou sinto calor demais ou sinto frio demais. Uma ânsia de ser feliz maior do que a coordenação dos braços. Um arroubo de abraçar e de se repartir, de se fazer conhecer, que assusta. Parece agressivo, mas é exagerado. Conto tragédias de forma engraçada, falo de coisas engraçadas como uma tragédia. Nunca o riso ou o choro acontece quando quero. Cumprimento como se fosse uma despedida. Desço a escada de casa ao trabalho com resignação, mas subo na volta pulando os degraus. Esse sou eu: que vai pela esperança da volta.

Não tenho tudo, mas amo tudo que tenho!

Não é preciso me iludir pra eu ser iludida. Eu sei criar labirintos sozinha e ainda me perco com dignidade.

Mesmo assim eu não esquecia dele. Em parte porque seria impossível esquecê-lo, em parte também, principalmente, porque não desejava isso. É verdade, eu o amava.

Recomeçar é preciso...


Não sei dizer se a vida nos cansa ou se nós é que nos sentimos fadigados às vezes da existência. Nos repetimos sempre. Ou quase. E nos lamentamos desse dia-a-dia onde nos levantamos, trabalhamos, regressamos e descansamos para no dia seguinte recomeçarmos.
Mas é essa a vida e muitos não aceitariam mudança nenhuma se a oportunidade lhes fosse oferta. Ter que recomeçar alguma coisa abala muita gente, pois mesmo a vida corriqueira e imutável causa segurança. Conhece-se os caminhos, os atalhos, os desvios, as curvas a serem evitadas.
A consciência de ter que recomeçar é que nos faz sofrer, duvidar, temer. Medimos nossa capacidade e com bastante freqüência... nossa incapacidade! Se não medirmos nada, avançaremos como as crianças avançam nos primeiros passos, titubeantes, mas orgulhosos.
A mente humana é um poderoso instrumento. Ela condiciona, impõe, impede, impele, comanda... mas nem sempre no bom sentido. Ela sente, ressente, guarda as impressões e as marcas que a vida vai fazendo ao longo dos anos. E se pensamos em recomeçar alguma coisa, ela acende a luz vermelha em sinal de atenção. Assim é que muitos paralisam-se e não fazem nada. Acomodam-se.
Porém, a vida nos impõe recomeços a cada instante e os seguimos com
naturalidade, fazemos nossa parte. Somos condicionados e nem nos questionamos.
Me pergunto então por que não nos condicionamos a viver coisas novas, experimentar nem que seja por uma vez ousar. Se é nossa mente que nos comanda e que somos donos de nós, por que não pegarmos as rédeas, o comando?
A vida desabrocha por todos os cantos e precisamos vivê-la. Mas bem vivê-la. Deus nos criou para sermos felizes, não para passarmos os dias perdidos em lamentos sem tomar atitudes.
Avança!
Recomeçar é preciso quando o que temos já não nos satisfaz. E recomeçar é sempre possível quando colocamos de lado as dúvidas, pois perdedor na vida não é quem tentou e não conseguiu, mas sim aquele que abandonou a coragem e perdeu a fé.

Não gosto de ficar de mãos dadas, eu gosto de abraços.

O futuro se faz agora
E cada erro é uma vitória
Pois a derrota não existe
Não há conquista sem labuta
A vida é uma infinita luta
Onde só perde quem desiste.

Agradeço meus limites. Não me suportaria infinito. Os limites são vantagens.