Cuidando do meu Jardim
Na madrugada silenciosa, sou único habitante do meu universo interior. O quarto se expande em paisagens oníricas que existem só em mim, cores e estrelas que brilham enquanto sonho acordado, mas desaparecem ao nascer do dia.
Às vezes, desejo sair do meu corpo e ser só sombra, livre da dor que insiste em ficar. Mas este corpo pulsa, me chama a resistir. E mesmo na escuridão, nasce uma luz pequena, promessa de que a aurora sempre pode voltar.
Ultimamente, sinto que meu combustível criativo está baixo, como um pássaro que pausa o voo para descansar. Mas sei que essa pausa é apenas um respiro, um momento necessário para renovar as forças. A inspiração talvez esteja se recolhendo, preparando-se para voltar com mais intensidade, e minha voz, mesmo silenciada por ora, ainda guarda em si o poder de ecoar novas histórias.
O mar é meu refúgio mental, onde despejo o que não cabe no peito. Admiro sua imensidão insondável, ora espelho sereno, ora abismo em fúria. Nele encontro o que me falta, silêncio que não pesa, tempestade que não julga. Sou feito de ondas também, ora brisa, ora naufrágio. Mas ali, entre sal e horizonte, sinto que posso existir inteiro.
O Amazonas é o meu rio e por ser o meu caminho ele é o meu rei.Rei manso, rei raivoso entre os remansos e os redemoinhos, galhos e espinhos, braços empossados e tarumãzinhos, segredos e mistérios do filho rio que toda Grande Mãe da Água, tem.
Tenho sorte, na verdade muita sorte.Tanto que o meu pão não cai nunca de manteiga para baixo por que nunca passei manteiga nele...sendo assim, quando cai é só cortar o pedaço, despreza lo e comer o outro.Mas como estava dizendo tenho muita sorte pois toda vez que uma pessoa mala ou mesmo "frasqueirinha" sem alça, chata, vazia, insensível, burrinha, baixo-nível, barraqueira, egoísta, interesseira, invejosa e arrogante se afasta.....no momento seguinte como um passe de mágica conheço umas 3 a 5 pessoas bonitas, sensíveis, criativas e interessantes.Por isto, eu posso falar, sou uma pessoa de sorte, muita sorte mesmo.
Trabalho com arte e por conta disto não tenho a menor possibilidade de competir com a beleza ao meu redor. Só mesmo internamente.
Nunca tive a menor pretensão de saberem de certo meu nome e muito menos a torpe vaidade de saberem quem exatamente sou, fiz e continuo a fazer. Mas tenham a pura certeza que se uma pequena semente do meu pensamento livre ficar nesta minha temporal existência terrena nestes tempos tão difíceis de fundamentais intransigências, minha vinda terá sido por completa.
Muitos me perguntam qual meu interesse mas poucos entendem que o meu verdadeiro objetivo é viver e fazer o máximo que puder em todas as direções sem ter interesse algum.
Sou um fervoroso adepto e cristão, sigo os passos de amor do meu mestre Jesus e de alguns santos gurus. Sendo assim, espelho minha vida a exemplo da vida dos grandes mestres, nunca casei pois se fosse o mais acertado tanto Jesus e os Gurus, teriam feito.
O verdadeiro homem não faz filho. Na minha educação de berço que recebi de meu pai, o verdadeiro homem cria o filho, possibilitando-o de ser um homem bem melhor do que ele. Por isto que tantos dizem por aí que o grande pai é sempre aquele que cria.
Eu hoje sei sobre alguma coisa mas meu conhecimento assim mesmo é ínfimo perante as possibilidades de perguntas que existem e das novas perguntas que são geradas pelas múltiplas derivações. Sempre diante do que não sei, de verdade, me calo e não enrolo, pois não existe coisa pior que divagar sobre o que não se conhece minimamente. Então respiro fundo e vou buscar a melhor resposta junto ao que já foi dito, o que está escrito e buscar o conhecimento de quem sabe. No verdadeiro conhecimento não são aceitas as inexatidões e as falsas virtudes.
Meu inominável Deus nunca foi antropomorfizado, Ele é vida em plenitude regendo em perfeição tudo que existe e vai existir em qualquer tempo e dimensão.
Meu Deus de justiça e misericórdia, nos livre da selvageria de todos os covardes animais transvestidos em seres humanos que por ignorância e psicopatia acreditam serem donos do mundo e proprietários das leis.
Mergulho me no meu vasto oceano de medos imaginários toda vez que me sinto amedrontado por insensatez diante uma nova diferença e uma ousada liberdade.
O Obará, como meu odu um dia me disse que para eu ter devo guardar mais o silencio e viver com observação, preciso mais dar energias e guardar minhas palavras pois mesmo que Xangô e Oxossi guiem meu destino e minhas caminhadas, com as seis conchas abertas pela natureza e dez fechadas tem mais invejosos contra ao feito que aliados ao meu favor antes que tudo se realize.
