Cronicas de Luiz Fernando Verissimo Pneu Furado
Mais uma semana se incia.
Uma segunda feira atípica, dentre todas as outras que já presenciei. Posso dizer que está ocorrendo uma transição na velocidade do tempo. Dias que passavam num piscar de olhos, atualmente, demoram em média cinco ou seis.
Entretanto, o sentimento de angustia e ansiedade está mais acelerado que o normal. A reflexão, sobre os tempos atuais, age de maneira contundente.
Tempos e contratempos, o que nós contradizemos contra tudo isso?
CORONAVÍRUS... UM MAL, UMA FINALIDADE
Em tempo de Coronavírus, é bom sabermos que as coisas não foram anuladas e sim postergadas. É semelhante ao grafado em Salmos 30, 5 (Porque a Sua ira dura só um momento; no Seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã).
Saibamos que a noite é um ciclo pelo qual devemos passar, mas a partir dele vem o amanhecer, quando o Sol volta a brilhar para todos.
O Coronavírus está ai. A doença, pela qual parte da humanidade deverá passar, é um ciclo, até que tenhamos os anticorpos os quais nos protegerão do vírus que ficará entre nós, por enquanto, pois tem vida própria, até conseguirmos exterminá-lo, se isto nos for permitido, pois não sabemos quais são os propósitos do Eterno à humanidade.
O vírus é um mal que se encontra entre nós e temos que aprender a conviver com ele que não nos foi enviado por acaso.
Antes de me criticarem em face da assertiva acima, vejam o que nós dizem as Escrituras Sagradas: "Eu formo a luz e crio as trevas; Eu faço a paz, e crio o mal; Eu, o Senhor teu Deus, faço todas estas coisas." Isaías 45,7.
Portanto, o mal que nos foi enviado, não veio em vão e sim, para colocar a humanidade em seu devido lugar. É uma símile do que aconteceu com Sodoma a qual, juntamente com Gomorra, sua vizinha, foi destruída por causa do vício e da homossexualidade que as tinham dominado, causas que estão presentes em nosso meio na atualudade.
Quando dizem, Deus está no ontrole,repito o mencionado acima, "Ele está colocando a humanidade em seu devido lugar."
Em face do isolamento ao qual estamos sujeitos, devemos ter em mente algo de suma importância: As amizades e as irmandades estão aí aspirando nossas presenças e não podem ser abandonadas… Devem ser cultivadas e regadas com muito Amor e Carinho. Da mesma forma, o Amor deve ser tratado com muito apreço, pois é mais firme que o medo. O Amor não tem fim, dá-nos vida e nos torna fortes.
Isto posto, vamos continuar com os espíritos positivos; Manter o nosso espírito a todo momento em elevação. Esta escuridão não vai durar eternamente. O sol virá nos brindar com seus raios energéticos. A única certeza que devemos ter em mente é esta: Deus está nos mostrando que a Sua Imagem e o Seu Nome devem ser respeitados. Dizer que Seu Filho é travesti e arrastar um boneco como se fosse a Sua Imagem, diante de carnavalesvos, dentre outras personalidades que aplaudiram tamanha aberração, foi algo que afrontou o Criador e a nós, cristãos, e deve ser cobrado para que a humanidade respeite os preceitos de Deus e aprenda a conviver harmonicamente, afinal, somos Eternos Aprendizes.
Tenhamos fé, tudo tende a melhorar; tudo isto irá passar, conforme outrora.
Em 08 JUL 2.020
VENERAÇÃO AO ETERNO
Reconheça a soberania de Deus, promova e consagra a Ele o verdadeiro culto. Persevera-te nas boas obras e seja aos teus próximos o Princípio do Reflexo. Mantenha sempre a tua alma límpida para que possas aparecer, de cabeça erguida, perante ao Criador. Não te encolerize facilmente, a ira é sinal de fraqueza. Escuta sempre a voz que soa de forma clara e límpida na tua consciência, é Deus falando contigo. Seja contrário à avareza, porque quem ama, demasiadamente, os bens e as posses materiais, nenhum fruto tirará deles no plano espiritual, nosso verdadeiro lar, formando-se assim o egocentrismo e apego ao materialismo. Na senda da perfeição e da justiça, espiritualmente falando, está a vida. O caminho extraviado conduzir-te-á à morte espiritual. Retribua o bem com o bem. Evita o mal. Previna-te dos insultos e procure sempre ter a razão do teu lado. Não te envergonhes da tua posição social e do teu passado; pensa que eles não te desonram nem te degradam; o modo como desempenhas a tua missão é que te enaltece ou te amesquinha perante aos homens e a Deus. Lê e medita; observa e imita o que for bom; reflita sobre seus Pensamentos, Pavras e Ações e trabalhe com base neles. Ocupa-te do bem estar dos teus próximos, labutando assim, trabalharás para ti. Contenta-te com tudo e com todos desde que venham da Vereda Benéfica. Não faça julgamento das ações de outrens, pois essa ação pertence a Deus, o Único que pode arbitrar a devida sentença aos transgressores das leis cósmicas. Não demonstre rudeza ou superiorioridade aos seres fracos nem seja orgulhoso, pois são sentimentos materiais e passageiros, só tendem a te arruinar. Seja humilde com os proximos a ti; Firme sem teimosia; Severo e flexível; Obediente sem servilismo; Justo e Perfeito em todas as tuas ações. Defenda os oprimidos e proteja a inocência. Não exalte jamais os auxílios prestados. Seja fiel nas tuas decisões e assista aos que necessitam, observando, unicamente, o mérito pessoal de cada um, seja qual for a classe social, raça ou grupo que pertencem. Se Deus te der um filho, agradeça-Lhe e cuida sempre do vaso a ti confiado. Seja-lhe um espelho repleto de princípios éticos; de retidão imaculada e não de infrutífera fineza. Esforça-te para que seja um ser honesto; avesso a quaisquer artimanhas. Não faça mal às pessoas, pois na vida o curso tem regresso. Estima os bons, ama os fracos, assista aos necessitados e não ofenda ninguém. Seja o amparo aos aflitos; cada lamento que a tua dureza provocar, será um anátema que cairá sobre ti. Com quem necessita, reparta o teu alimento. Aos pobres e necessitados, doe hospitalidade; Respeita o estranho e o auxilie sempre. Não bajules ninguém, isso não te ajudará na tua elevação espiritual. Se te endeusarem, receia que te querem corromper. Respeita a mulher e não abuse jamais da sua fraqueza. Defenda-lhe a fragilidade e a honra. Fala, modernamente, com os pequenos; ponderadamente com os grandes; sinceramente com os teus iguais, amigos e irmãos; docemente com os que sofrem, mas sempre de acordo com a tua consciência e princípios da sã moral. Os corações dos justos estão onde se pratica a virtude; os dos tolos, onde festejam a vaidade. Não prometas nada se não tiver condição ou intenção de cumprir; ninguém é obrigado a prometer, mas ao fazê-lo, torna-se responsável. Opto para que tuas doações, sejam sempre com satisfação e dentro das tuas possibilidades, porque mais vale uma negativa delicada do que uma esmola humilhante. Suporte tudo com tolerância e tenha sempre confiança no Todo que é Tudo e que tudo pode, tudo vê e tudo sabe. Faça do teu corpo o Templo ao Eterno; do teu coração um altar ao Todo Poderoso e do teu espírito um apóstolo do Amor, da Verdade e da Justiça.
LUIZ CARLOS VIEIRA SIMÕES .'.
O VERDADEIRO AMIGO
O verdadeiro amigo é quem espera, pacientemente, que apareça aquela luminosidade no nosso olhar e se anima quando a nota nascer; É quem tem aquela expressão contínua e conceituada quando nossos olhos se enchem de lágrimas e sabe o quanto estamos contrastando com as adversidades interpostas nos nossos caminhos. Se há alguma maneira de exterminá-las, ele irá nos auxiliar, pois jamais se absterá de nos ajudar. O verdadeiro Amigo é semelhante às estrelas; é claridade que se irradia, instantaneamente, com seus múltiplos e amenos raios que se aprofundam, amplamente, no âmago dos seres; é veracidade e razão, sonho e sentimento. O verdadeiro amigo é tudo em nossas vidas.
Obrigado por sua amizade.
REPONSABILIDADE COM O TEMPO
O quanto e como temos utilizado nosso tempo em conquistas materiais, prazerosas, mas que não levaremos à vida maior?
Havemos de reservar algum tempo e vigilância às conquistas morais, nossas e daqueles que Deus nos confiou.
Bom senso e equilíbrio a ambas as reponsabilidades e sigamos em frente.
COMPARTILHAR FELICIDADE E ÓDIO
Se compartilhar felicidade, terá a vida alongada; Se partilhar ódio, terá melancolia, pois guardar ódio e raiva, é o mesmo que pegar uma brasa incandescente para atirá-la na fonte de onde advêm esses sentimentos nefastos. Sairá lesado quem pegar a brasa para lançá-la... Ferirá seu âmago, visto que a raiva e o ódio são venenos para a alma.
Apenas voce.
Aquele dia se foi;
um belo dia iluminado.
Sonhos feitos de amor e amor feito de dor.
Soltei as amarras e vi aquele barco lindo que amo partir.
Voltei as costas para não completar o mar com minhas lágrimas.
Há sal demais lá. O doce agora viaja.
Eu sabia, o veleiro se foi.
Só a saudades restou. Só a lembrança de um tempo bom.
Até um dia!
Porque? Por que sim!
Confesso: ainda continuo minha busca, às vezes sem saber exatamente o que procuro. Não sei como estará minha saúde quando decidir que cheguei, que posso parar. Talvez parar signifique morrer — afinal, a vida é movimento.
É possível que, inconscientemente, nos movamos fugindo da morte, imaginando que a distância entre ela e nós aumenta a cada passo,sendo na verdade o contrário.
Esse medo nos acompanha desde o primeiro lampejo de vida. Choramos, gritamos, corremos... tudo talvez para nos afastarmos do inevitável.
Inércia é morte? Então ficar parado esperando por ela seria mais deplorável, mais covarde, do que lutar sem sentido.
De qualquer forma, o troféu é a vida — se bem vivida. Lamento por corrermos tanto e, tantas vezes, tropeçarmos a dois passos da linha de chegada. Ralados, frustrados, percebemos que afinal, não foi como esperávamos.
Mas competir é isso. Nem todos cruzam a linha final no mesmo milésimo. Cada derrota deve ser motivo pra bater o pó, treinar novamente, começar do princípio.
Amanhã será outro dia. Outras competições nos esperam. Sentados e chorando, não podemos esperar por nada — e nada pode ser pior que qualquer coisa, até mesmo uma derrota.
Soy Yo
Organizado gramaticalmente pela ou pelo meu amigo Copilot
Vivemos tempos de dissonância emocional e entorpecimento racional!
É absolutamente necessário — escutem com atenção! — compreender que amar de forma intensa, pulsante, ebuliente, num mundo entregue ao ceticismo corrosivo, não é apenas um ato de coragem: é um grito de resistência ontológica!
Estamos, sim, na era dos sentimentos ecléticos, dispersos, desprovidos de eixo! E mais: os pensamentos se entrelaçam, se confundem, se sobrepõem — sem um mínimo de rigor lógico ou dialético!
Vemos indivíduos entregues a crises existenciais profundas — não por uma busca legítima pelo sentido da vida, mas por aderirem a um universo volátil, sem pilares metafísicos, alicerçado em teorias subjetivistas, onde o bom senso foi destituído de valor e substituído por uma avalanche de devaneios pseudo-intelectuais!
Isto é grave! Gravíssimo!
Precisamos resgatar a razão, a ética, o pensamento estruturado!
Ou, pereceremos na ignorância emocional travestida de liberdade de pensamento!
O ser humano está adoecendo moralmente
Vivemos uma época marcada por um fenômeno alarmante: o esfriamento das relações humanas!
As pessoas já não cultivam vínculos duradouros. A memória afetiva foi trocada pela pressa, a consideração substituída pela indiferença, e o respeito? Abandonado à margem do caminho!
As pessoas, tomadas por um egoísmo corrosivo, já não enxergam o outro como alguém a ser valorizado — mas como uma ferramenta!
E quando essa ferramenta deixa de ser útil, é simplesmente descartada. Sem remorso. Sem reflexão. Sem dignidade.
Essa postura revela uma profunda falência emocional e ética.
Estamos vivendo uma era em que a utilidade vale mais que a história compartilhada, e a conveniência fala mais alto que a gratidão!
É a banalização do vínculo humano! É o triunfo da frieza sobre a empatia!
E mais: muitos acham isso normal!
Chamam de “desapego”, de “liberdade emocional” — mas na verdade, é desumanização disfarçada!
Se não reagirmos a essa tendência doentia, seremos empurrados para um mundo onde as pessoas coexistem, mas não se reconhecem. Onde estão perto fisicamente, mas isoladas em alma.
É preciso reconectar o ser humano à sua essência!
Resgatar o valor da presença, da memória, do olhar no olho, da consideração verdadeira!
Não podemos aceitar como normal o abandono da sensibilidade.
É hora de restaurar o afeto, a dignidade e o respeito nas relações!
Estamos enfrentando uma epidemia de autonegação emocional! Sim — uma crise silenciosa e sorrateira, que corrói a integridade do ser em nome de vínculos que não edificam, apenas consomem.
Não é exagero — é realidade! Pessoas estão se mutilando por dentro para caber no espaço que o outro permite. Isso não é amor — é a dissolução da identidade! Uma tragédia moderna, disfarçada de afeto, onde o 'eu' se apaga pouco a pouco para sustentar o conforto do 'nós'. Mas pense: de que adianta amar, se ao final você já não sabe mais quem é?
Relacionamentos devem ser encontros entre consciências plenas — nunca pactos de anulação mútua. Reflita! Se, ao olhar-se no espelho, tudo o que vê é um amontoado de concessões... algo está profundamente errado. Reaja! Reconstrua-se! E jamais permita que a sombra de outro obscureça a sua própria luz."
Quando se atribui santidade à guerra, profana-se o verdadeiro significado da santidade!
O meu Reino não é deste mundo. (João 18:36)
Na casa de meu Pai há muitas moradas... (João 14:2)
Estamos diante de uma inversão perversa de valores!
Enquanto homens se digladiam por ideologias, territórios e supremacias efêmeras, esquecem-se de que a existência terrena é transitória, finita, frágil!
Cristo foi categórico! O seu Reino não está nas estruturas de poder humano, mas nas alturas celestiais, no eterno, no absoluto!
Somos peregrinos! Sim, peregrinos! E toda tentativa de eternizar o que é corruptível é delírio e vaidade!
É preciso dizer com veemência:
Nada neste mundo é permanente! Nem impérios, nem ideologias, nem guerras!
A única realidade imutável é o amor de Deus — eterno, soberano, incomensurável!
Não desperdice sua alma em disputas que o tempo devora!
Viva por aquilo que a eternidade consagra!
O ECO DO SILÊNCIO
Atenção! O que muitos chamam de "primeiro sinal" de violência — NÃO É O INÍCIO DE NADA! É o RESCALDO de um processo lento, contínuo, INSIDIOSO, que começou muito antes! Não foi com o tapa que tudo começou — foi com a palavra ácida, com o olhar que despreza, com o silêncio que fere MAIS que o grito!
É PRECISO DIZER BASTA!
Cada vez que se cala diante de uma pequena agressão, não se está perdoando! Está-se ENTREGANDO! É a dignidade sendo corroída, centímetro por centímetro, dia após dia! A violência não brota do nada! Ela germina na indiferença, cresce na tolerância covarde e explode na omissão!
O AMOR PRÓPRIO EXIGE REAÇÃO!
Amor não é contrato de dor! Amor é respeito! Amor é reciprocidade! SUPORTAR o inaceitável não é virtude — é submissão disfarçada! Não se engane! O PRIMEIRO SINAL é o ALERTA! É o grito da consciência exigindo AUTODEFESA!
PORTANTO!
Valorize sua integridade! Proteja sua paz! Não aceite o inaceitável! NÃO HÁ SEGUNDA CHANCE para o que NÃO DEVERIA TER ACONTECIDO NEM UMA ÚNICA VEZ!
Passarinhar
No céu aberto voam, leves, pássaros,
De galho em galho, em dança sem razão.
Trazendo à mente alívios tão escassos,
Silenciam o ruído da tensão.
A ciência diz: faz bem contemplar
O voo calmo, o trino sem pesar.
Jesus já disse, ao mundo a escutar:
“Por que, ansiosos, vivem a penar?”
Ali, na rama, habita a paz divina,
O instante puro, o tempo que se inclina
Ao simples ser, sem ter, nem pretensão.
Se queres cura, basta te entregar:
Vai para o campo, aprende a passarinhar
—Com alma leve e livre da aflição.
Edson Luiz ELO
São Paulo, 24 de Maio de 2025
Soneto da Vida Que Prossegue
De súbito, me vi sem forma ou chão,
Soltei o corpo, e a dor ficou pra trás.
Na paz sem voz, brilhou revelação:
Sou mais que a carne — sou essência e paz.
O tempo se desfez num só instante,
E vi a vida inteira, em luz, pulsar.
Os medos se calaram, tão distantes,
E o que era vão deixou de importar.
Mas voltei. E a vida me chamou.
Com nova fé, caminho o que é terreno,
Pois cada luta mostra o que sou,
E o amor que guia tudo é sempre pleno.
A vida segue — e sigo com firmeza:
Sou chama eterna em veste de beleza.
. A beleza da morte morte
A Morte sempre soube seu papel,
Chegava para todos, um final cruel.
Mas nunca parou para sentir o ar,
Até que a Vida, radiante, a fez sonhar.
Nos olhos da Vida, um brilho sem igual,
Tão magnífica, um amor sem par.
A Morte tentou, mas não pôde tocar,
Decidiu então, apenas acompanhar.
A cada passo, um novo encanto,
A Morte fascinada, em doce espanto.
Como a Vida era bela, sem disfarce,
Crueldade seria não se entregar a esse enlace.
Foi ali que a Morte se apaixonou,
Pela Vida, um amor que a transformou.
O mais puro que podia existir,
Vindo de algo sombrio, a Morte a sorrir.
Mas o dia chegou, o inevitável,
A Morte relutou, um nó apertado.
A Vida, sábia, compreendeu a dor,
Era o momento de cumprir o amor.
Num abraço final, o destino selado,
Nascemos sabendo o fim, predestinado.
Mesmo que doa, temos que aceitar,
Que aqueles que amamos, precisam partir, e nos deixar.
À Senhora da Última Viagem
Morte, de tantos nomes e em tantos versos,
Escrevo-te hoje, sem medos ou reversos.
Não como um lamento, nem com dor a chorar,
Mas com a curiosidade de quem quer desvendar.
Vens sem aviso, ou com sinais que ignoramos,
Levando de nós os elos que tanto amamos.
Em teu silêncio, resides a grande incerteza,
Do que há depois, da eterna beleza.
Muitos te temem, a ti, o inevitável fim,
A fronteira que corta a vida de mim.
Mas vejo em ti também um grande alívio,
O ponto final para o sofrer e o calvário.
Tu não distingues idade, riqueza ou poder,
Com tua foice justa, vens para colher.
És a igualdade que a vida não oferece,
A paz derradeira que o corpo envelhece.
Ensina-nos, Morte, a valorizar cada instante,
A amar sem reservas, com um amor radiante.
Pois ao sabermos que tua visita virá,
Damos mais valor ao tempo que nos resta.
E quando chegares, com teu véu a planar,
Espero encontrar a calma para te abraçar.
Que em teus braços, a alma possa repousar,
E o que foi vivido, eternamente brilhar.
Com respeito e, sim, um pouco de fascínio,
Um Ser Humano em seu caminho.
A estrela de aquário
Lá, no infinito silencioso,
brilha uma estrela azul,
livre, etérea,
bailando a 175 anos-luz de tudo que sou.
Sua luz atravessa distâncias insondáveis,
rompe o tempo com uma paciência antiga,
e chega até aqui,
suave, mas firme,
como o amor que guardo em mim.
Somos como esse brilho:
não importa o espaço,
não importa a ausência,
há sempre um feixe de luz
que insiste em atravessar o escuro
para encontrar quem ama.
A magnitude pode parecer pequena
aos olhos apressados,
mas quem sabe olhar o céu
sabe reconhecer o milagre
de uma luz que persiste,
mesmo frágil,
mesmo longínqua.
E assim sigo,
com o coração elevado ao firmamento,
sabendo que há amores
que não se apagam,
como estrelas antigas
que continuam a iluminar
mesmo quando já partiram.
Sob a luz de Iota Aquarii,
reaprendo a beleza da espera,
o poder do silêncio,
e a certeza serena
de que o amor verdadeiro
é, sempre, uma constelação
que nunca se desfaz.
Monólogo em J
Jamais pensei que o júbilo pudesse se transformar em júbilo ferido,
em junção quebrada entre o que foi e o que nunca mais será.
Janelas se fecharam lentamente,
sem gemido, sem gesto,
apenas o jazer silencioso
do que antes era jardim.
Jazem as palavras que não disse,
jazem os abraços que não dei,
jaz, sobretudo, a alegria que um dia me justificou.
Jornada interrompida,
jamais concluída,
mas sempre revivida,
nos labirintos da memória onde só eu caminho.
Julgaria ser forte ao seguir adiante,
mas julgo ser mais sincero ao permanecer neste lugar,
onde o juízo vacila,
e só a saudade é justa.
Jardins secos se espalham por dentro,
flores que murcharam antes da primavera,
mas cujas raízes,
ainda assim,
persistem em doer.
Jogo-me, às vezes, na esperança
de que, em algum tempo além do tempo,
as janelas se abram outra vez,
e a jornada recomece,
mas sei…
já sei…
Junto ao que fomos,
resta apenas a sombra do que poderia ter sido.
Jorro lágrimas que ninguém vê,
junção líquida de um amor que jaz,
mas que, estranhamente,
jamais morreu.
A Trapezista
Tua presença sempre foi de altura,
leveza que desafia a gravidade,
um salto no vazio —
sem medo,
sem rede,
como quem nasceu para voar.
E eu, aqui embaixo,
no chão firme das palavras,
apenas te assisti:
dançar entre os arcos do ar,
girar entre os cabos invisíveis,
flutuar como quem não pertence a lugar nenhum.
Teu nome, nome de trapezista,
já anunciava a tua sina:
voar, encantar, desaparecer.
Fui plateia e fui aplauso,
fui silêncio e fui espera.
Olhei teus saltos,
teus riscos,
tua beleza suspensa,
sabendo que, um dia,
o espetáculo acabaria.
E acabou…
mas o picadeiro da memória permanece armado,
as luzes seguem acesas,
e teu vulto, tão etéreo,
ainda atravessa os meus pensamentos
num voo perfeito,
num giro interminável.
Se um dia voltares,
não precisas de rede,
nem de cordas,
basta o espaço entre meus braços
pronto,
aberto,
para te acolher no pouso
ou te lançar,
outra vez,
ao céu.
