Cronicas de Luiz Fernando Verissimo Pneu Furado

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Foi nesse contexto que eu nasci.


Dois dos meus irmãos passaram a rodar a cidade de Olinda, indo de casa em casa, durante toda a vida. Eu sempre soube da existência deles, mas nunca os conheci pessoalmente, porque a minha avó não permitia que eu tivesse contato. Eu era impedido de conviver com eles.


Fui criado dentro de uma casa fechada. Não tinha acesso à rua, não tinha acesso à convivência. Era assim a cultura da época. Uma espécie de prisão. Muitas vezes eu ficava trancado dentro de um quarto escuro, principalmente por eu ser um menino muito elétrico.


Os castigos eram constantes. Começavam em casa e continuavam na escola. Muitos deles envolviam ficar de joelhos sobre caroços de feijão. Foram muitas violências físicas e emocionais, que hoje eu reconheço como torturas.


Eu só vim conhecer o que era infância perto dos meus 15 anos, quando fui para o Rio de Janeiro. Nesse período, minha própria avó já não me aguentava mais. Eu havia entrado em um processo de rebeldia que fugia completamente ao controle que ela tentava exercer sobre mim, inclusive por meio da religião.


O primeiro livro que eu li na vida, e do qual jamais vou esquecer, foi “A Verdade que Conduz à Vida Eterna”. A partir dali, comecei a me questionar profundamente. Que Deus é esse que permite que crianças sejam mantidas trancadas, sofrendo, enquanto adultos observam calados? Que Deus é esse que convive com hipocrisia e com abusos, inclusive abusos sexuais contra crianças, praticados por pessoas próximas, muitas vezes ligadas ao ambiente religioso, em quem minha avó confiava cegamente?


Nada disso se apaga. Não adianta tentar suavizar. Nada muda a dor que senti naquele momento e a dor que ainda sinto hoje. É por isso que, em muitos momentos da minha vida, eu só consegui dizer: mundo, afasta de mim esse cálice.


Dando continuidade, meu irmão Joel, o mais novo, que tinha apenas 40 dias de nascido quando ficou trancado naquela casa, foi criado pela minha avó paterna, mãe do meu pai. Eu fui criado pela minha avó materna, mãe da minha mãe. Cada um de nós seguiu um caminho separado.


Eu só fui entender, de fato, o que era família por volta dos 15 anos. Foi quando saí de Olinda e fui para o Rio de Janeiro. Lá encontrei uma estrutura familiar diferente, já formada. Foi ali que ganhei mais dois irmãos, do segundo e verdadeiro casamento da minha mãe.


Esse homem, companheiro da minha mãe até os últimos dias da vida dela, tem todo o meu respeito. Ele cuidou não apenas dos filhos dele, mas também de dois filhos que não eram biologicamente dele, mas eram filhos dela. Foi ali que eu vi, pela primeira vez, um cuidado real.


Minha mãe só voltou a ter contato com os filhos que moravam em São Paulo quando eu fui para lá, depois do período no Rio de Janeiro. Fui eu quem trouxe esses irmãos para ela reencontrar. De tão distante que tudo tinha ficado, ela já nem lembrava mais como esses meninos eram.


É desse lugar que eu falo quando falo de rejeição. Não é teoria. É história vivida.


Fernando Kabral


7 de janeiro de 2026
9:58


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Professora Jacy,


Eu queria lhe explicar com calma uma coisa que, para muita gente, parece exagero quando a pessoa fala, mas é real: o sentimento de rejeição não nasce do nada. Ele pode começar muito cedo, antes mesmo da gente entender o mundo.


Na década de 60, o mundo girava de outra forma. Existia uma cultura muito dura com as mulheres e com as crianças. Muitas famílias viviam na pobreza extrema, sem apoio, sem orientação, sem saúde emocional, sem planejamento familiar. Muita gente tinha filhos em sequência, no automático, porque era assim que se vivia. E criança, naquela época, muitas vezes não era vista como sujeito, como pessoa com necessidade de cuidado e proteção. Era só “mais uma boca”, e pronto.


Quando uma criança nasce dentro de um ambiente de briga constante, abandono, desestrutura, medo e falta de afeto, ela cresce sentindo que não tem lugar. Às vezes nem precisa alguém dizer “eu não te quero”. A rejeição se forma pelo clima: silêncio, ausência, descuido, humilhação, falta de acolhimento, falta de segurança.


No meu caso, a história familiar começou com conflitos graves entre meus pais. Ainda no ventre, eu já estava dentro de uma casa sem paz, sem estrutura emocional. Depois disso, veio um período de abandono e separação. Eu cresci com marcas dessa desorganização familiar, e isso mexe com a cabeça e com o coração de qualquer criança.


E tem outro ponto importante: quando uma criança é criada por alguém que não tem preparo emocional, ou que vê a criança mais como obrigação, ou como alguém para “servir” dentro de casa, essa criança aprende cedo que o amor é condicionado. Ela aprende que precisa ser útil para merecer presença, comida, atenção, carinho. E isso é um tipo de rejeição também. Porque a criança entende que, se ela não for “boa” ou “útil”, ela não vale nada.


Então, professora, quando eu digo “me senti rejeitado”, eu não estou falando só de um momento específico. Eu estou falando de uma construção. É como uma ferida que vai sendo alimentada com o tempo: abandono, desatenção, falta de colo, falta de escuta, falta de segurança, falta de carinho. E depois, na vida adulta, a pessoa vira alguém que tenta compensar isso do jeito que dá: trabalhando demais, buscando aprovação, se doando, se cobrando, se sentindo sempre “a menos”, mesmo quando está fazendo o melhor.


Eu quis lhe explicar isso porque eu confio na senhora e eu respeito sua sensibilidade. Eu não estou pedindo pena, nem justificando nada. Eu só estou mostrando o contexto para a senhora entender como certas dores não começam na fase adulta. Elas vêm de muito antes, lá de trás.


Obrigado por me ouvir.
Fernando Kabral




7 de janeiro de 2026


9:35

Quem deseja o sucesso precisa dominar a arte de superar os
obstáculos. Sem essa arte, a vida torna-se uma deriva emocional:
qualquer problema nos paralisa, qualquer crítica nos derruba,
qualquer dificuldade nos desvia. Mas quando compreendemos o
propósito oculto da adversidade, deixamos de vê-la como
inimiga e passamos a enxergá-la como uma aliada poderosa.

Grande parte do sofrimento não está no que acontece, mas na
história que contamos sobre o que acontece.
Quando observamos o que ocorre dentro de nós sem
identificação cega, uma enorme parte da ansiedade se dissolve.
A presença é uma forma profunda de autoconhecimento.
Não sofremos pelos eventos em si, mas pela interpretação que
damos a eles.

Inteligência emocional não é ausência de sentimentos.
É presença de consciência.


Não significa “não sentir nada”, mas não permitir que tudo o que se sente governe as decisões.


É a habilidade de lidar com as
emoções sem permitir que elas sabotem a razão, firam valores ou desviem princípios.

A minha maior saudade não é de amigos que se afastaram nem de parentes que me abandonam.
A minha maior saudade é de mim mesmo de quem eu era das coisas boas que eu era capaz de fazer, saudades de sentir a minha própria essência .
Mas Deus sabe de todas as coisas, principalmente sabe o que a de melhor em mim

R&F Perazza.'.

"Medos"


Olha só que curioso: viemos ao mundo praticamente “zerados”, como se fôssemos um celular recém-saído da caixa.
Só dois aplicativos já vêm instalados de fábrica: o medo de altura e o medo de barulhos altos.
O resto?
Ah, o resto é download humano, pacotinho de medos que a sociedade insiste em enfiar na nossa memória.
E aí entra a religião.
Não, não confunda:
_ Religião não é Deus.
Religião é aquele software cheio de pop-ups dizendo:
_ Cuidado! Pecado detectado! Maldição iminente!
Atualize sua culpa agora mesmo!
Enquanto isso, Deus, se você prestar atenção, não está distribuindo vírus nem ameaças, mas simplesmente oferecendo algo bem mais simples e revolucionário:
_ Amor.
Mas claro, amor não dá tanto controle, não é mesmo?
O medo, sim, esse é um ótimo mecanismo de dominação.
Afinal, quem precisa de correntes de ferro quando se pode acorrentar a mente com histórias de fogo eterno?
No fim das contas, nascemos livres, mas passamos a vida colecionando medos que não eram nossos.
Talvez o verdadeiro “pecado” seja justamente esse:
_ Trocar o amor pela prisão do medo.

Vida que ri também chora: queria cantar canções e apenas às que quero ouvir; a felicidade não está em conseguir tudo o que desejo, mas em apreciar tudo o que tenho!
Quando a noite chega sou um cavaleiro sobrenatural inspirado, e quando o sol aparece sou mais um natural do mundo descrente; "o meu cérebro é pensante, mas a voz do coração fala"!
Um zeloso guardador, sem riscos de irreversibilidade da decisão: "o mesmo cuidado que tem para não machucar alguém, tem para estabelecer os limites"!
O que parece um enredo improvável, vira uma sequência de impactos bem concreto: "viver a fidelidade por mim, que aplausos não me iludem e a rejeição não me fere!

"Tornado forçosamente póstumo com a partida, numa ironia da vida: é preciso mais de uma vida, para entender uma vida inteira"!
Na vida, o maior risco é não correr riscos: a importância de estar presente, é que alguém querido pode não estar sempre próximo!
Encaro o espelho, em vez de entregar meus sonhos ao medo... em todo caminho alguém deveria buscar o que é significativo, e não seguir o que é cômodo!
"Eu me perdoo, pelos erros de ontem", vejo agora, que alguém que me ouve sabe de algo que eu não sei!

Aquele que chama às vezes não é ouvido, como aquele que clama e não vê os milagres; "fiz para me proteger, ou talvez por medo"!
"Como sentar no sofá e perder o direito de pedir refresco", e foi assim que conheci uma solidão, a insegurança tem receios de ver a vida por outro ângulo, e assim perder a "segurança" de um passado conhecido!
Nem todas às lembranças antigas são eternas, e o riso despertou, e não tarde demais... "o risco mais perigoso de todos é viver uma vida sem fazer o que deseja"!
Se o mundo castiga, a vida ensina: "não acredite jamais que não é bom o suficiente, a maneira como os outros o percebe depende da sua postura!

"Ela deixou de ser periférica, e se consolidou como força": é uma fraqueza humana ao transformar as regras do jogo, e questionar os limites da convivência com a vida!
Sem o "homem complexo", preciso de liberdade para a minha paz florir, de ser feliz... desejo honrar a minha alegria todos os dias!
Não se explica aos olhos esta visão: "eu quero um sol e um imenso jardim"; a maturidade pesa mais que a idade, não é a decadência que devo esperar no meu dia a dia!
Algo que não repete o que vejo, mas me faz enxergar além confiante: "quando ainda posso tornar fértil novamente um solo exausto da realidade, e supero até o que já havia!

Você sabe que eu sei, e eu sei, o que vc sabe: não force ninguém a lhe preterir!
Um pequeno círculo e uma mente leve, são melhores do que uma multidão e um caos; o silêncio ensina sabedoria: "ouça mais do que fale"!
Como esperança em festa, vai aprender uma hora a arte de passar um tempo só, ninguém virá te salvar... seja teu salvador!
Letras que ardem o meu nome: sem luta, sem história... "um diamante não pode ter brilho sem polimento"!

O dia é dia de regar as oportunidades; escale os teus sonhos, não para que o mundo possa lhe ver, mas para que possa vê-lo!
Supor o momento perfeito pode desperdiçar o viver, pare de esperar pelo "algum dia", porque o tempo não espera por "um dia"; alguém aprende mais com seus fracassos do que com seus êxitos!
Todos enfrentarão decepções e tristezas na vida; mas "tempo é tempo"... quando dedica tempo à alguém, dá um pedaço de si que nunca retorna!
Mas do outro lado da moeda, ninguém nunca sabe quando está vendo alguém pela última vez, e pode ser tarde demais para o tempo... valorize cada momento e o tempo se preocupa com o dele!

Crer ou confiar, compartilhar ou doar, demais, é demais!
Trato alguém da maneira como me trata, o respeito deve ser mútuo, devo manter o meu olhar sempre erguido, esta confiança faz com que gente me respeite!
Um dia ruim, não significa uma vida ruim, o primeiro dia para uma mudança, é recusar-se a permanecer o mesmo!
Certifique-se de cuidar bem de si mesmo, porque o mundo seguirá em frente, se ninguém se importa... "a pior forma de chorar é aquela que não derrama nenhuma lágrima"!

É uma tarefa hercúlea, de um vício remodelar a forma indiferente dos passos; pessoas devem priorizar suas relações uns com os outros, com uma mentalidade de ganha-ganha ao invés de soma zero!
Livre-se de um mau hábito, de vitimista ou oportunista, a principal causa de um desnível de equilíbrio é a autocrítica excessiva, ou auto-rebaixamento na imperfeição!
Uma entrega é incômoda porque é uma situação nova de crescimento; afaste-se dos conselhos de outrem se muitos deles não sabem o que está fazendo: se não se empenhar em construir seu próprio caminho, o mundo o contratará e lhe dará o que ele achar viável!
"A conclusão foi devastadora para a tese da indiferença": todo dia uma desconfiança fala alguma coisa, mas acho que não é gentil um olhar tratar alguém com cortesia, quando não se olha dentro dos olhos dela!

A felicidade é simples: algo para realizar, alguém para amar e boas surpresas!
Utilize uma audição aguçada e visão binocular para surpreender uma surpresa, oportunidades são capturadas de forma oportunista... "quem escolhe a pesca de um pescador, senão ele"!
Concentrar nos resultados, nunca mudará os resultados; concentrar no variável, obterá novos resultados!
Seja dono da sua vida, ninguém virá te salvar: "fundamentar nos teus sonhos é difícil, mas reclamar da realidade é fácil!

A conclusão foi devastadora para a tese da inversão: opiniões do mundo são apenas dele, não minhas, compreender-me vale mais que entendê-lo!
Aquele vazio de que "já não é mais o que costumava ser", são nestas horas que se confunde por não reconhecer o atual eu; "se corrigir não é modificar quem é, mas abandonar o que já não é"!
Para melhorar a próxima tentativa, ser mais feliz primeiro, gente feliz quer ficar proxima de gente feliz; "quanto mais me importar com validação alheia e mais desconsiderarão"!
"Vejo um muro cercando uma luz que reluz do meu olhar"... por meio da cooperação e não do confronto, aprendo a ser forte no mundo, porque a ser inteiro a vida ensina!

Cheiro uma flor da janela com grades, e solto um grito no meu pensamento: "vejo caminhando sobre a casa o meu coração, sem grandes motivos de perdoar pedindo para ficar"!
Tornando a coexistência com a vida próxima de algo inesperado: "estava regando espinhos ao invés de flores"... a água é turva, que mata esta sede!
"O olhar é atento do amor, que cresce na rua sem dinheiro"... a vida que quero estar, é a vida que quero ser!
Uma dor não causada, que vem, se transforma em uma mágoa interior sem controle do que está acontecendo: controle como está reagindo!

"Como um vulcão expelindo calor, voz e risos que tendes infelizes, é que vos falta a alma, sem amar"!
Com o dedo na ferida de uma saudade, sem sentido fica de novo, como novo, um tempo que muitos só pensam de novo encontrar!
Em toda jornada o medo viaja também, o amor é uma porta aberta de atravessar, e quem entra e sai, se volta quer ser amada!
"Cuide bem do coração", e ele vai cuidar bem de você, o mundo é horrível, mas o bem vence no final!

Regra de ouro: "cada um deve ter o seu pé de meia para enfrentar o frio"; devia ser o que querer, não o que tem que ser!
"Nunca espere para ter"... no entanto, a principal dificuldade é, quando o objetivo é separar causa e coincidência!
Presença magnética, que traz receio e humor em igual medida: "seja você mesmo, não diga sim a tudo"!
Seja gentil consigo mesmo: "a pessoa no espelho, superou desafios, e merece teu apoio"!