Crônicas de Arnaldo Jabor

Cerca de 52 crônicas de Arnaldo Jabor

Brincar é legal. Entendeu? esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteiras, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras

Arnaldo Jabor
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Se você busca o homem perfeito, pode continuar vendo novela das seis. Eles não existem nesse conceito que você imagina. Os homens perfeitos de hoje são aqueles bem desenvolvidos profissionalmente, que traem esporadicamente (uma vez a cada dois meses, por exemplo), mas que respeitam a mulher, ou seja, não gastam o dinheiro da família com amantes, não constituem outra família, não traem muitas vezes, não mantêm relações várias vezes com a mesma mulher (para não criar vínculos) e, sobretudo, são muuuuuito discretos: não deixam a esposa e nem ninguém da sua relação, como amigas, familiares saberem.

Arnaldo Jabor
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A náusea

11 de dezembro de 2012

O Estado de S.Paulo

O grande Cole Porter tem uma letra de música que diz: "Conflicting questions rise around my brain/ Should I order cyanide or order champagne?" ("Questões conflitantes rondam minha cabeça/ devo pedir cianureto ou champanha?")

Sinto-me assim, como articulista. Para que escrever? Nada adianta, nada. E como meu trabalho é ver o mal do mundo, um dia a depressão bate. A náusea - não a do Sartre, mas a minha. Não aguento mais ver a cara do Lula, o homem que não sabe de nada, talvez nem conheça a Rosemary, não aguento mais ver o Sarney mandando no País, transformando-nos num grande "Maranhão", com o PT no bolso do jaquetão de teflon, enquanto comunistas e fascistas discutem para ver quem é mais de "esquerda" ou de "direita", com o Estado loteado por pelegos sem emprego, não suporto a dúvida impotente dos tucanos sem projeto; não dá mais para ouvir quantos campos de futebol foram destruídos por mês nas queimadas da Amazônia, enquanto ecochatos correm nus na Europa, fazendo ridículos protestos contra o efeito estufa; não aguento mais contar quantos foram assassinados por dia, com secretários de segurança falando em "forças-tarefas" diante de presídios que nem conseguem bloquear celulares, não suporto a polêmica nacionalismo-pelego x liberalismo tucano, tenho enjoo de vagabundos inúteis falando em "utopias", bispos dizendo bobagens sobre economia, acadêmicos decepcionados com os 'cumpanheiros' sindicalistas, mas secretamente fiéis à velha esquerda, que só pensa em acabar com a mídia livre, tremo ao ver a República tratada no passado, nostalgias masoquistas de tortura, indenizações para moleques, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhuma reforma no Estado paralítico e patrimonialista, não tolero mais a falta de imaginação ideológica dos homens de bem, comparada com a imaginação dos canalhas, o que nos leva à retórica de impossibilidades como nosso destino fatal e vejo que a única coisa que acontece é que não acontece nada, apesar dos bilhões em propaganda para acharmos que algo acontece. Odeio a dúvida de Dilma, querendo fazer uma política modernizante, mas batendo cabeça para o PT, esse partido peronista de direita.

Não aturo a dúvida ridícula que assola a reflexão política: paralisia x voluntarismo, processo x solução, continuidade x ruptura; deprimo quando vejo a militância dos ignorantes, a burrice com fome de sentido, balas perdidas sempre acertando em crianças, imagens do Rio São Francisco com obras paradas e secas sem fim, o trem-bala de bilhões atropelando escolas e hospitais falidos, filas de doentes no SUS, caixas de banco abertas à dinamite, declarações de pobres conformados com sua desgraça na TV; tenho engulhos ao ver a mísera liberdade como produto de mercado, êxtases volúveis de 'descolados' dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, bundas ambiciosas querendo subir na vida, bundas com vida própria, mais importantes que suas donas, odeio recordes sexuais, próteses de silicone, pênis voadores, sucesso sem trabalho, a troca do mérito pela fama, não suporto mais anúncio de cerveja com louras burras, abomino mulheres divididas entre a 'piranhagem' e a 'peruice', repugnam-me os sorrisos luminosos de celebridades bregas, passos de ganso de manequim, notícias sobre quem come quem, horroriza-me sermos um bando de patetas de consumo, rebolando em shoppings assaltados, enquanto os homens-bomba explodem no Oriente e Ocidente, desovando cadáveres na Palestina e em Ramos, ônibus em fogo no Jacarezinho e Heliópolis, a cara dos boçais do Hamas querendo jogar Israel no mar e o repulsivo Bibi invadindo a Cisjordânia, o assassino pescoçudo Assad eliminando o próprio povo, enquanto formigueiros de fiéis bárbaros no Islã recitam o Alcorão com os rabos para cima, xiitas sangrando, sunitas chorando, tudo no tão mal começado século 21, século 8.º para eles ainda, não aguento ver que a pior violência é nosso convívio cético com a violência, o mal banalizado e o bem como um charme burguês, não quero mais ouvir falar de "globalização", enquanto meninos miseráveis fazem malabarismo nos sinais de trânsito, cariocas de porre falam de política e paulistas de porre falam de mercado, museus pós-modernos em forma de retorcidos bombardeios em vez da leveza perdida de Niemeyer, espaços culturais sem arte nenhuma para botar dentro, a não ser sinistras instalações com sangue de porco ou latinhas de cocô de picaretas vestidos de "contemporâneos", não aguento chuvas em São Paulo e desabamentos no Rio, enquanto a Igreja Universal constrói templos de mármore com dinheiro arrancado dos ignorantes sem pagar Imposto de Renda, festas de celebridades com cascata de camarão, matéria paga com casais em bodas de prata, políticos se defendendo de roubalheira falando em "honra ilibada", conselhos de ética formado por ladrões, suplentes cabeludos e suplentes carecas ocultando os crimes, anúncios de celulares que fazem de tudo, até "boquete"; dá-me repulsa ver mulheres-bomba tirando foto com os filhinhos antes de explodir e subir aos céus dos imbecis, odeio o prazer suicida com que falamos sem agir sobre o derretimento das calotas polares, polêmicas sobre casamento gay, racismo pedindo leis contra o racismo, odeio a pedofilia perdoada na Igreja, vomito ao ver aquele rato do Irã falando que não houve Holocausto, cercados pelas caras barbudas da boçal sabedoria de aiatolás, repugnam-me as bochechas da Cristina Kirchner destruindo a Argentina, a barriga fascista do Chávez, Maluf negando nossa existência, eternamente impune, confrange-me o papa rezando contra a violência com seus olhinhos violentos, não suporto Cúpulas do G20 lamentando a miséria para nada, tenho medo de tudo, inclusive da minha renitente depressão, estou de saco cheio de mim mesmo, desta minha esperançazinha démodé e iluminista de articulista do "bem", impotente diante do cinismo vencedor de criminosos políticos.

Daí, faço minha a dúvida de Cole Porter: devo pedir ao garçom uma pílula de cianureto ou uma "flute" de champagne rosé?

Arnaldo Jabor
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Conheço dois grandes feministas... Um deles é Arnaldo Jabor, e esta ai o grande motivo de apreciar as suas crônicas e pensamentos alem da qualidade em escrita e outros segmentos que ele escreve... Outro grande feminista é um grande amigo, melhor amigo e anônimo... Confesso que nunca consegui questiona-los e tão menos discutir a respeito por mais que eu estivesse chateado com alguma mulher...
As mulheres vieram sim para nos completar, pois somos incompletos e somente algo naturalmente completo para realizar tal... Vejam a habilidade em lidar com a familia, vejam a qualidade em praticar os sentimentos, imaginem as situações complexas sem uma mulher... Elas são naturais em sua essência e esta ai o motivo que alguns machistas dizem as mulheres serem menos inteligentes que os homens... Elas são mais inteligentes que os homens, mas elas possuem sentimentos prioritarios a inteligencia, por isso muitas vezes agem por sentimentos e não pela razão... O mundo seria preto e branco, seria um mundo binario se existisse somente a razão... Não existe nada mais gostoso que um agnostico, apreciador de Hume, Kant, admitir o sentimento à razão... Seria um mundo matematico, calculado e sem novidades, inanimado, sem surpresas.. O prazer da vida esta na novidade, nas surpressas... Também não preciso comentar sobre os detalhes.. No perfume, no toque, no carinho, no olhar, no falar... A suavidade do olhar pedinte a um beijo, a desculpas, somente em olhar... Na suavidade de um toque de carinho, dizendo implicitamente para relaxar que ela confia em ti e que tu resolvera os problemas... Um ser incompleto não poderá entende-las, mas concerteza elas são superiores e completas aos homens.. Não tenho vergonha ou medo em dizer... Aquele homem que nunca usou a SUPER razão lógica para entender isso, concerteza é menos que isso, pois além dos sentimentos, faltou lhe também inteligencia...
Afirmo sem duvidas que Schopenhauer era um grande feminista... Entendam a sua historia e analisem suas ultimas escritas e pensamentos e concluirão o que afirmo... Em toda vida, dedicou-se ao inverso, relutante em aceitar o que ele concluiu em seu inicio de racionalidade e reflexão... Invertam em sua totalidade as escritas dele e terão então realmente o que ele pensava a respeito das mulheres..

Adriano Guedes
Inserida por adrianoguedes

Tempos difíceis
Arnaldo Jabor

Estamos vivendo tempos bicudos, tempos de muita estupidez.

De um lado, o desespero mórbido de uns e do outro a letargia crônica de muitos. No meio, a crença que só um milagre nos salvará e nas extremidades o ódio transbordando e nos afastando de um consenso ou de um pacto em torno do qual, poderíamos reagir a tudo isto.

Estamos divididos, confusos e ao mesmo tempo, cheios de verdades absolutas e nesta confusão toda, nesta divisão toda, com todas as nossas verdades e razões, estamos sendo enganados por um grupo de maus brasileiros, instalados em todas as instâncias do poder, que estão agindo a mando de forças que têm interesse em destruir tudo de melhor que a nossa história já produziu. Inúmeros projetos tramitam hoje no congresso brasileiro, bancados pelas forças que arquitetaram a chegada de Temer ao poder e que lá o sustentam, para ele realizar os seus intentos.

A terceirização de todas as atividades das empresas e as reformas, trabalhista e da previdência, mexem em direitos sagrados da classe trabalhadora e acabarão com a CLT e a aposentadoria dos brasileiros. Há um conjunto de malefícios bem grandes para serem despejados nas costas dos trabalhadores brasileiros, dentre os quais o fim do décimo terceiro salario e o aumento da jornada de trabalho que nos fará regredir cem anos no tempo, em relação às conquistas destes direitos. Está em curso também, a destruição do estado Brasileiro.

Estes senhores que colocaram Temer no poder e que o deixaram assim cheio de marra, não querem estado mínimo, eles querem estado ausente, longe das ações que regulam a relação entre capitalistas e trabalhadores, especialmente aquelas ações afirmativas, que num país injusto como o nosso, promovem justiça social. Sempre defendi a tese, de que o estado não tem que ser mínimo e nem máximo e sim, ter o tamanho necessário para regular as ações, que o mercado não regula, para não deixar a corda arrebentar sempre do lado mais fraco, o lado da classe trabalhadora. Querem destruir um conjunto de leis que garantem direitos trabalhistas e previdenciários sem um amplo debate nacional, uma conversa séria com a população que será prejudicada por estas reformas e o pior, estes senhores e seu preposto, o boneco de ventríloquo Temer, não têm legitimidade, credibilidade e nem popularidade, para executarem estes tipos de reformas e o povo brasileiro sabe disto.

Por isto, nosso povo e a sociedade organizada, irão parar o Brasil até Temer sair, para mostrar o poder de organização e mobilização do povo brasileiro, para mostrarmos a esses senhores, agentes da maldade, que eles não irão conseguir seu intento com facilidade. Eles não irão enfiar goela abaixo do povo suas maldades e o povo ficar feito mané besta, só aceitando sem reagir.

O povo está revoltado contra este desgoverno que está aí e dependendo de como o governo reagir. O povo brasileiro dará ao seu modo, um basta nesta situação. "Vamos lá rapaziada.Tá na hora da virada, vamos dar o troco"!

Arnaldo Jabor
Inserida por caminheiros

A ignorância quer aprender. A burrice acha que já sabe. A burrice, antes de tudo, é uma couraça. A burrice é um mecanismo de defesa. O burro detesta a dúvida e se fecha.

O ignorante se abre e o burro esperto aproveita. A ignorância do povo brasileiro foi planejada desde a Colônia. Até o século 19, era proibido publicar livros sem licença da Igreja ou do governo. A burrice tem avançado muito; a burrice ganhou status de sabedoria, porque, com o mundo muito complexo, os burros anseiam por um simplismo salvador. Os grandes burros têm uma confiança em si que os ignorantes não têm. Os ignorantes, coitados, são trêmulos, nervosos, humildemente obedecem a ordens, porque pensam que são burros, mas não são; se bem que os burros de carteirinha estimulam esse complexo de inferioridade.

Arnaldo Jabor
Inserida por EmOutrasPalavras

Como é o "design" da burrice? A burrice é o bloqueio de qualquer dúvida de fora para dentro, é uma escuridão interna desejada, é o ódio a qualquer diferença, à qualquer luz que possa clarear a deliciosa sombra onde vivem. O burro é sempre igual a si mesmo, a burrice é eterna como a pedra da Gávea (Nelson Rodrigues). De certa forma, eu invejo os burros. Como é seu mundo? Seu mundo é doce e uno, é uma coisa só. O burro sofre menos, encastela-se numa só ideia e fica ali, no conforto, feliz com suas certezas. O burro é mais feliz.

A burrice não é democrática, porque a democracia tem vozes divergentes, instila dúvidas e o burro não tem ouvidos. O verdadeiro burro é surdo. E autoritário: quer enfiar burrices à força na cabeça dos ignorantes. O sujeito pode ser culto e burro. Quantos filósofos sabem tudo de Hegel ou Espinoza e são bestas quadradas? Seu mundo tem três ou quatro verdades que ele chupa como picolés. O burro dorme bem e não tem inveja do inteligente, porque ele "é" o inteligente.

Arnaldo Jabor
Inserida por EmOutrasPalavras

A ignorância é muito lucrativa para os burros poderosos. Os burros são potentes, militantes, têm fé em si mesmos e têm a ousadia que os inteligentes não têm. Na porcentagem de cérebros, eles têm uma grande parcela na liderança do país. No caso da política, a ignorância forma um contingente imenso de eleitores, e sua ignorância é cultivada como flores preciosas pelos donos do poder. Quanto mais ignorantes melhor. Já pensaram se a ignorância diminuísse, se os ignorantes fossem educados? Que fariam os senhores feudais do Nordeste em cidades tomadas como Muricy ou o município rebatizado de Cidade Edson Lobão, antiga Ribeirinha? A ignorância do povo é um tesouro; lá, são recrutados os utilíssimos "laranjas" para a boa circulação das verbas tiradas dos fundos de pensão e empresas públicas.

Arnaldo Jabor
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Não há mais “todo”; só partes. O verdadeiro amor total está ficando impossível, como as narrativas romanescas. Não se chega a lugar nenhum porque não há onde chegar[…] Usamos uma máscara sorridente, um disfarce para no proteger desse abismo. Mas esse abismo é também nossa salvação. A aceitação do incompleto é um chamado à vida.

Arnaldo Jabor
Inserida por SabrinaNiehues

Felicidade é uma lista de negações. Não ter câncer, não ler jornal, não sofrer pelas desgraças, não olhar os meninos malabaristas no sinal, não ter coração. O mundo está tão sujo e terrível que a proposta que se esconde sob a ideia de felicidade é ser um clone de si mesmo, um androide sem sentimentos.

Arnaldo Jabor
Inserida por SabrinaNiehues

Nosso grande crítico literário Agripino Grieco tinha frases perfeitas sobre os burros. "A burrice é contagiosa; o talento, não" ou "Para os burros, o 'etc' é uma comodidade..." ou "Ele não tem ouvidos, tem orelhas e dava a impressão de tornar inteligente todos os que se avizinhavam dele", "Passou a vida correndo atrás de uma ideia, mas não conseguiu alcançá-la", "Ele é mais mentiroso que elogio de epitáfio", "No dia em que ele tiver uma ideia, morrerá de apoplexia fulminante".

Arnaldo Jabor
Inserida por EmOutrasPalavras

‎"(...) O que me faz sofrer é sentir que o que encheria qualquer mulher de felicidade, ou seja, ter o teu maravilhoso amor de homem e as coisas lindas que você me diz, tudo isto me causa ansiedade e me leva ao desespero. Quanto mais eu penso em me entregar a você novamente, tanto mais terror eu tenho do que seria de mim se teu amor ainda ardente se apagasse..."

Eu sei que vou te amar - Arnaldo Jabor
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