Cronica Escolas Gaiolas Escolas Asas Rubem Alves
Crônica: Brasil esquizofrênico, Brasil bipolar.
Estado, máquina estatal, país, nação, como queira ser lembrado, o fato real é a enfermidade que destrói de forma letal, ao que anseia, sonha e trabalha, enganado pelas barbas de canalhas, uma identidade educacional e cultural flagelada, carente povo, que não aprecia, do pinto ao ovo, quem nasceu primeiro, a entrega da alma popular por míseros reais, ou a loucura compra do poder, dinheiro comprando dinheiro e lotando os currais, a depressão é forte, a esperança cheirando morte, esquizofrenia e bipolaridade, essa loucura aceitável, perde se o que deveria ser amável, meu lamento, meu Deus que socorre com sustento, porque o hospital e o cemitério espera o desequilíbrio do estado com grande lamento.
Giovane Silva Santos
Crônica: Brasil e a bagagem pesada
São vários aspectos a salientar, que nunca, nunca vem a ignorar, a fertilidade da terra, a morosidade popular, que sustenta, socorre e apresenta sua fartura, envergonhado pela cultura, do poder, da sociedade, da ignorância popular, o interesse pelo capital particular, perdoe me se a palavra vem a lhe atacar, mas se o caráter é corrompido, até o meu e do amigo, tenho algo a falar, eu, tu, Brasil precisamos pensar, ponderar, ambição, soberba, usura, caixão é o altar, nada, nada poderá levar, porém uma identidade, de esperança e doar, compartilhar, a sensibilidade e o amor, uma herança decente poderá, acredito, creio, a esperança vive, ainda que acontecer diferente seja nada, contudo, oh pai, senhor, Brasil, leite e mel, carrega o fel, a bagagem é pesada.
Giovane Silva Santos
Crônica do amor sombrio.
(...) Nem sempre gostar é uma resposta fácil de se responder
Nós gostamos de quem gosta da gente;
Nós nos apaixonamos por quem nos trata bem;
Nós casamos por amor.
Desculpa! Más nem tudo é tão cinematograficamente assim. Construímos mitos sobre o amor, ao longo dos anos, como uma forma de satisfazer as nossas vontades. Tentamos nos SALVAR DE NOSSAS ESCOLHAS COM O LÍRICO.
O que nos faz procurar em outras pessoas esse sentimento, nada mais é do que um reflexo. Um espelho de coisas que estão enraizadas na gente.
E esse reflexo, às vezes não é bom, porque coloca à tona coisas que fazem parte de desejos ocultos não revelados. Fantasias sexuais. Desejos reprimidos. Ou necessidades que não foram exploradas. A gente pensa que é uma pessoa sã da cabeça, até depararmos com alguém que nos revela de fato quem somos. Pergunte ao casal Bonnie e Clyde. Acha que é exceção? Vai se deparar ao longo do tempo com muitas coisas que não vivem pelas regras do amor lírico.
Nem sempre gostar é uma resposta fácil de se responder. Nem sempre acabar, depende uma vontade nossa.
Muita gente ama o outro, pelo poder que ela tem de mudar quimicamente e emocionalmente você, nem tanto pelo que ela diz e faz, o que contradiz todo o bom senso. O bom senso nos diz que é imoral e degradante.
E nos faz perguntar: "Por que ela ou ele estar com aquela pessoa ainda?"
- Porque ela ou ele reflexiona no outro, tudo que ela não tem coragem de fazer sozinha.
A outra é quem queremos ser. Ou a outra é quem detém a chave liga / desliga do nosso lado oculto.
Um fato doloroso de se absolver. Talvez por isso, tantos e tantas entram e saem de relações, sem conseguir ficar. As palavras de amor, ditas por quem não tem esse poder de mudar, de vasculhar seu interior e trazer à tona essas coisas; são insuficientes para ficar. Os atos, em si não significam tanto.
E, portanto, não figuram como amor. Enquanto não descobrimos quem somos, e como queremos, deixaremos sempre uma porta aberta para o inevitável. O desconhecido mundo escuro de nós mesmos.
Eu não sei por que eu estou escrevendo. Eu não sei. Mas li alguma coisa, uma crônica ou algo assim que me deixou encabulada.
“O gosto horrível e podre de fracasso na minha boca.” Fracasso, e tudo o que eu consigo lembrar quando essa palavra me soa aos ouvidos, é na minha fétida e ridícula tentativa de conquistá-lo.
Pretensão?! Talvez. Ainda não tinha noção que os galinhas não são conquistáveis. Ou apaixonados.
E eu, depois de três meses, brutos três meses, ainda acordo e penso nele, e escovo os dentes, e me troco, tomo café e a cada vez que os cinco minutos de descanso do meu dia me permite, eu penso nele.. E quando vou dormir, a dose da imagem fiel noturna dele me vêm de novo.
E no outro dia, e no outro, e no outro, e no outro. Eu deveria consultar um psiquiatra. Eu deveria. Mas não vou. Eu não vou por que isso de alguma forma me reafirma o que eu já sei. E mata todas as chances dele sair da minha cabeça. É, eu não sei por que estou escrevendo. Talvez esse seja um dos cinco minutos de descanso do meu dia. Não foge a tradição. E eu ainda penso nele.
Hoje vi o mundo como uma MOSCA. A crônica é longa e Interessantíssima, no qual presenciei e me pergunto. Você já imaginou, as coisas boas que deixou de viver pelo mesmo motivo que esse cara.
E se.... você tivesse no lugar dele... teria feito diferente?
Não deixe que a imaginação domine sua vida. Vá viver...
AMAR É ....que saudades do romantismo !Agora só dá Smartphone !
CRÔNICA DA VIDA VIRTUAL 1
autor: Gilberto Braga
AONDE FORAM PARAR O AMOR, O ROMANTISMO ....?
Na lua de mel ...não se larga o smartphone...o tablet...o Note...
E enquanto isso....o romantismo..o amor....o namoro...tudo trocado por essas malditas teclas !
Que pena !
Não se namora mais, apenas se: curte ...compartilha....adiciona ....
Que falta de criatividade!
Larga esse celular gente !!!
Se namora por celular...se casam pelo smartphone !!!
Caramba !!
Bons tempos do : AMAR É ....que não voltam mais !
Escrever uma crônica social sobre o negativismo (o poder da sua influência na vida de alguém/sociedade)
Existem pessoas que facilmente se adaptam às mudanças sociais e seguem a vida com desembaraço e segurança, vivendo felizes e fazendo bem a quem de sua companhia pode desfrutar. É aquele que todos sentem prazer em estar ao seu lado, pois irradiam alegria, quer chova ou faça frio.
No entanto, nem todas são assim. Vivem robotizadas em seu mundo, não sendo capazes de aceitar mudanças, nem mesmo climáticas, que seu humor já se altera e se estressa facilmente. Verificamos que uma alteração no padrão social, também é motivo para se tornar infeliz e anti social. Começam a se afastar dos amigos, reclamar das dificuldades e tão pouco fazem alguma coisa para mudar a situação. É difícil o convívio com este tipo, porque não se alegram com nada e ainda parece não aceitar a felicidade do outro. Acabam sós, sem amigos, sem parceiros e até mesmo sem emprego ou com dificuldades financeiras, pois são incapazes de atitudes corajosas e decisivas.
Elas precisam de ajuda, ou de um psiquiatra ou psicologo.
Atualmente existem os COACH, que com seus cursos e métodos específicos, em alguns casos, levam a pessoa a perceber o que a tornou assim tão pessimista e podem ajudar a um reencontro com seu selfie.
Porém se a própria pessoa não se propor a mudar suas atitudes, com afinco e determinação, vai sempre ficar atolada no seu próprio pessimismo.
melanialudwig
A MÚSICA RELAXANTE CURA O CORAÇÃO DANIFICADO PELA ANSIEDADE CRÔNICA
Pela minha própria Experiência!
A Música Relaxante, escutada com fones de ouvido ao dormir durante 5 dias consecutivos, cura um Coração danificado pela Ansiedade Crônica!
Mas,
De que maneira a Música Relaxante cura o Coração danificado pela Ansiedade Crônica?
Como a Música cura o Coração?
Malandro bom é Malandro Morto - Crônica em homenagem à malandragem em geral.
Malandro bom é malandro morto...
Não costumo chutar cachorro morto e nem tanto os vivos...
Vou continuar assim em meu caminho...
A minha liberdade não tem preço... Lutei por ela e não abro mão...
Somente anotem em suas agendas...
A justiça do homem é podre e falha...
Mas... A maior justiça de todas...
Esta não falha nunca...
Lá na frente... Quando a máscara do malandro cair...
Serei o primeiro a rir...
Mas também serei o primeiro a pedir piedade por você...
Já dizia o poeta...
O mundo é dos expertos...
Mas o universo é dos sábios...
Poema aberto aos "Malandros" -
Crônica dos Campeões
04 de agosto de 2012. Sem sombra de dúvidas, um dia especial. Um dia para jamais ser esquecido. Era o primeiro campeonato interno do BCW. A ansiedade tomou conta de todos durante, aproximadamente 50 dias.
Estávamos nervosos. Queríamos muito ganhar esse torneio. Era questão de honra representar Niterói. Queríamos mostrar para todos quem era o BCW Niterói. Era questão de honra ser campeão.
O Time? Ah, o time é bom. É uma mescla de experiência com juventude. Quase não treinamos. Foi na base da conversa e na determinação.
Antes do primeiro jogo, tivemos uma baixa. O nosso goleiro não pôde jogar. Aliás, não foi. E quem iria pro gol? quem? quem? Ninguém se disponibilizou. Até que um dos líderes do time, Edílson, chamou a responsabilidade para si mesmo e foi defender a nossa meta. E justamente ele, o maior incentivador, o cara que tinha sede desse título. O cara que é exemplo de ser humano.
Começam os jogos. Semifinal duríssima. 3X3 no tempo normal. E agora? Pênaltis!! Primeira cobrança: Rodrigo, o 9 que virou 10. Uma bomba, deslocando o goleiro. Segunda cobrança: Lá vem os caras. Edílson no gol. Cobrança e... pra fora. O batedor sentiu a pressão. Não por ser uma disputa de pênaltis. Mas o goleiro do BCW Niterói era nada mais, nada menos que Edilson. O homem que se sacrificou pelo time. Mesmo não sendo goleiro, foi para o gol. na batida, bola pra fora. Maycon e Jonatas, com precisão, asseguraram a classificação para a final.
E vem a grande final. Confesso: O time estava cansado. Muitos não estavam no auge da forma física. As dores tomavam conta. Mas a superação e a determinação de todos falaram mais alto: 9x0!! Um show de bola.
Podemos ficar aqui falando horas. Podemos falar que Thiago Fialho fechou o gol. Que Joel, autor de um golaço, exibiu imensa categoria e elegância. Que Rafael fechou a zaga. Não vou esquecer das palavras de Maycon, após o jogo: Um zagueiraço. O cronista o compara a T. Silva: Um monstro.
Não podemos esquecer do pitbull Felipe, da habilidade de Jonatas, da técnica refinada de Maycon, da disciplina tática de Éder luis, Nogueira e Thiago e dos gols deste cronista falastrão.
Não podemos esquecer dele. Edílson. Um incentivador, um guerreiro. O nosso manager. Um exemplo de ser humano. Um campeão.
Trouxemos o caneco, como sonhávamos. Fomos os campeões. Escrevemos o nosso nome na história do BCW. Niterói existe, pessoal!
Não somos apenas um time. Somos uma família!!
Rio, prazer. Niterói!!
Crônica
O que seria dos homens se não existissem as mulheres?
Se existe algo complicado nessa vida, principalmente para muitos, é aceitar a verdade, para nos homens então, ES uma tortura. Principalmente se a verdade é admitir que sem as mulheres; não somos nada. Pois como vamos admitir algo dessa magnitude, sendo que na maioria das vezes, ou melhor, o tempo todo; achamo-nos os donos da verdade, os Donos da situação, o faz tudo ao mesmo tempo não faz nada, os verdadeiros Bam, Bam, Bam.
Mas a verdade, a mais pura e cruel realidade, que nós homens não somos nada sem uma mulher do nosso lado. Usamos inúmeras desculpas para tampar o sol com a peneira, o fato é que sem vocês mulheres do nosso lado; perdemos a estribeira. Por um simples motivo, somos dependentes a vocês.
E essa dependência nos faz fracos, a ponto de sermos românticos, compreensivos, absolutamente tudo, tudo que vocês mulheres dominadoras querem de nós homens indefensos, e mesmo assim somos orgulhosos, a ponto de acharmos os donos da razão, mais que razão? Pura fachada.
Sem vocês mulheres, nós homens não somos nada, essa é a nossa vida, essa é a nossa sina. Viver uma vida toda para conquistarmos vocês mulheres, que veio a este mundo para nos dominar, nos torturar. A final de contas, como podemos dizer que somos nós homens que as conquistamos, sendo que a ultima resposta a mais decisiva se aceito ou não sempre são elas que dão.
É melhor pensarmos assim, do que ficarmos como descartados, deixados de lado nesse verdadeiro jogo de conquista, pois se pararmos para analisar é elas de fato que nos conquistam, desde o principio, desde que o mundo é mundo, desde o ventre.
As mulheres se fazem presente, dominadoras, acolhedoras, imponentes, capazes, autos suficientes, a ponto de demonstrar um amor que jamais saberemos como retribuir. Por esse pequeno detalhe, definitivamente nos conquista por inteiro, deixa-nos em suas mãos, sem objeção, mulheres de fato vocês que mandam e desmandam na nossa vida e no nosso coração.
Pois nossa vida não teria graça nenhuma sem vocês, que embelezam a vida com sua aura com seu amor, nos enche de coragem nos faz sentir superiores. Isso porque vocês sempre foram nossos condutores, e mesmo assim não damos o seu devido valor.
Pois vocês mulheres, que fazem a diferença, as coisas entrarem no eixo, é difícil nós homens comentarmos algo a respeito, muito menos dizer diretamente para vocês, mais o que seria da nossa vida ou até mesmo do mundo sem as mulheres? Já parou para pensar nisso? Então comece exatamente hoje a pensar a respeito, depois me digam a verdadeira resposta. O que seria dos homens se não existissem as mulheres?
Eu já sei a minha, agora só falta a sua. Até a próxima.
O trabalho danifica o homem
Não, você não leu errado, o título dessa crônica está correto. Brinquei com um ditado popular que todo mundo conhece, até confesso que concordo com ele até certo ponto, mas existem as entrelinhas e são nelas que mora o problema.
Ninguém é maluco aqui de invalidar as benesses que o trabalho nos proporciona, na verdade os frutos do trabalho, todo mundo precisa comer, se vestir, se divertir e ter uma vida digna. Porém, há coisas obscuras, mas nem tão obscuras, elas estão “na cara” como falam por aí. Sensações que todos possuem, mas que mantemos guardadas porque o status quo não vê com bons olhos quem reclama, quem fraqueja, quem admite suas limitações.
De tanto trabalhar para ganhar a vida estamos perdendo a vida para o trabalho, jornadas extenuantes e esgotamento tomam conta de nós. Um nome chique para algo hediondo “Burnout” que em bom português significa que o seu trabalho está te mantando.
Cansaço, irritação, desmotivação e estresse crônico são alguns dos sintomas desse mal que assola muitos trabalhadores. No início a pessoa acredita que é foi só uma preguicinha que lhe acometeu, uma indisposição. Mas, como uma bola de neve a situação aumenta e fica insustentável, nosso corpo pede socorro.
Eu sempre brinco e digo “a espécie humana foi feita para catar umas frutinhas, comer e depois tirar um longo cochilo seguido de um banho de igarapé”. Nosso corpo clama para que voltemos a nossa origem.
Crônica sobre a Literatura Portuguesa
Herdaram o mito a poesia e o drama, são todas às experiências da humanidade, que se transformaram em literaturas curriculares ou grandes livros que são difundidos na forma do criacionismo. As experiências da humanidade são materiais da cultura dos povos, por meios descritos ou imaginários. Assim se fez o homem, a memória a fé a crença e as experiências até a morte. A morte leva o homem ao sufoco pelo clarão do fogo ou pela coroa d’água, mas não pelo entendimento. Não existindo a presunção da morte nem a passagem dela existe; o que existe é apenas o imaginário do inicio e fim e o “Meio”. Para a criação da carne existiu um diário imaginário contido em prazeres ilimitados com as experiências contadas em prosas e versos, poesias e dramas. Deus desfila a carne nas entrelinhas do imaginário anseio do homem, do êxtase o diabo, construído pelas circunstâncias naturais dos ciclos das vidas. Como pode o resto de eu compreender o a idade o meio e o fim de tudo! Como pudera eu morrer sem compreender as promessas das liquidações das contas! Como pudera...
CRÔNICA FRUSTRADA SOBRE A MÃE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Mãe é verbo e pronome na mesma língua. É um substantivo adjetivo. Nome próprio do amor maior. Ao mesmo tempo que singular, mãe é coletivo. Às vezes declara que não é duas; é simplesmente uma, porém é muitas... muitas em uma só.
Tem a força imensa da fraqueza enganosa da mulher. Natureza interior que sublima o bem e o mal. Desafia toda e qualquer fé que se baseia na filosofia... toda vã filosofia - pois toda é vã - que o ser humano procura desenvolver do que não entende... maternidade, por exemplo.
Uma espécie de celebridade oculta. verdade secreta que se avoluma no silêncio do seu dom infinito; imensurável. Que não precisa da explicação que não tem, pois complica o simples; complicadamente simples para o contexto afetivo do simplesmente ser.
Que dizer sobre mãe, que não seja pleonasmo e clichê? Como não cair no lugar-comum, para depois não ter dito nada? Foi assim que por lei do próprio tema, fiz tantas voltas e retornei ao vazio. Ao discurso do que sei que não sei de ser mãe... mãe de verdade.
Crônica do Retorno à Vida: Do Abraço à Semente
O meu desejo não é um lamento pelo fim, mas um anseio pela dignidade final que o mundo moderno, com toda a sua tecnologia, muitas vezes nos rouba. Eu não peço a ausência da morte, mas sim a minha humanidade no momento derradeiro. E nisto reside a beleza e a verdade da vida que vivi.
É assim que eu sonho e exijo a minha partida.
Quero que seja em uma tarde tranquila. Não uma tempestade dramática, mas um entardecer suave, onde o sol entre pela janela do meu quarto, pintando a colcha com tons de pêssego e ouro. O ar não deve ter o cheiro frio de desinfetante e medicamentos, mas sim o aroma familiar de café fresco , aquele que o meu pai me ensinou a fazer todos os dias, quando eu acordava às 4h00 da manhã, e, talvez, o toque nostálgico , é um maravilhoso quindão que só a minha filha sabe fazer.
Eu quero estar na minha cama, aquela que conhece o formato do meu corpo e a sinfonia dos meus sonos. Não deve haver pressa, nem o bipe incessante de máquinas que marcam o tempo com crueldade eletrônica. O tempo deve ser medido por toques. Ao meu redor, os meus entes mais queridos. Eu me recuso à solidão fria dos hospitais. Eu quero o carinho totalmente diferenciado que sempre recebi em casa.
O que deve falar é o afeto. Eu quero a mão que afaga a minha testa, não para medir febre, mas para me dar calor. Quero o olhar que me encontra, não para checar a dilatação da pupila, mas para dizer: "Eu te vejo. Você está aqui. E eu te amo."
Eu sentirei, profundamente, que aquele não é um adeus frio, mas uma transição embalada. Cada carinho e cada sussurro serão as injeções de ternura que preciso. O meu espírito, ao se preparar para a jornada, estará aquecido, nutrido, cheio. E quando chegar o momento, não será um alarme, mas apenas um silêncio mais profundo, um expirar final enquanto o sol se põe.
A minha alma terá a certeza de que a última paisagem que senti não foi a frieza estéril de um hospital, mas sim o calor inconfundível de casa. E é esse afeto que irá comigo, como o mapa estelar mais precioso, quando ela partir para o espaço.
A Continuidade: Do Pó à Mesa
Mas a minha vontade vai além do último abraço. Eu não quero ser encerrado numa lápide fria. Eu não quero um túmulo. Eu quero ser posto numa fogueira, eu quero voltar ao pó para continuar a minha vida no espírito que irá retornar. A minha matéria não deve ser desperdiçada, mas sim distribuída pela Terra.
Que o que resta de mim sirva de estrume e adubo. Que eu seja misturado ao solo para que a vida nasça e brote. Que as minhas cinzas se transformem em alimento para que a colheita seja farta e possa nutrir essa população que passa fome no nosso mundo. Eu vim do pó, e ao pó retorno, mas não para o esquecimento, e sim para a utilidade. Que a minha última função seja a de alimentar e gerar, provando que o ciclo da vida é ininterrupto e que até o fim se pode ser generoso.
Que este desejo seja atendido, mas não tenham pressa, pois quero acumular ainda mais desses afetos que valem mais que qualquer fortuna.
crônica
O bípede
Se Darwin tivesse frequentado uma academia, certamente teria dito: “não foi o cérebro que nos trouxe até aqui, foram as pernas”. Porque convenhamos: o ser humano só virou gente mesmo quando resolveu largar as quatro patas e confiar tudo em dois membros inferiores que, até hoje, carregam o corpo, a dignidade e o supermercado inteiro morro acima.
Os membros inferiores são os verdadeiros heróis anônimos da evolução. Enquanto os braços se ocupam em rolar o feed, segurar o controle remoto ou levantar um copo de café, as pernas fazem o trabalho pesado: sustentam a maior parte da massa muscular do corpo, mantêm o equilíbrio e ainda evitam que a gente abrace o chão sem querer. É por isso que, na musculação, elas exigem respeito. Agachamento não é castigo divino, é gratidão evolutiva. Especialmente nos idosos, pernas fortes são sinônimo de independência: menos quedas, mais autonomia e menos histórias começando com “eu só fui pegar um copo d’água…”.
Ignorar os membros inferiores é como trocar o pneu do carro e esquecer o motor. Não adianta bíceps inflado se a perna falha na primeira calçada irregular. A verdade é dura (como o treino de pernas): fomos feitos para andar, não só para posar. Então, da próxima vez que pensar em pular o dia de pernas, lembre-se — foi graças a elas que você chegou até a academia… e não rastejando como um ancestral ressentido.
25- crônica
O Arquiteto e os Robôs de Carne
O Primeiro Ciclo:
A Semeadura
Ele navegava pelo vazio quando encontrou o protótipo: um mundo rochoso, bruto e silencioso. Para o Arquiteto, aquela era a Terra dos Robôs, embora eles ainda não passassem de potencial adormecido na poeira. Com um gesto preciso, ele depositou os reagentes fundamentais. Injetou oxigênio e nitrogênio para criar o fôlego, e espalhou o carbono, a peça de encaixe universal para a vida. Ele sabia que, através da química, a evolução começaria o longo processo de montar os robôs biológicos que um dia seriam sua imagem e semelhança.
O Segundo Ciclo:
O Ajuste de Rota
Eras depois, o Arquiteto retornou. O planeta estava vibrante, mas o projeto corria perigo. Criaturas colossais e escamosas — os répteis — dominavam o cenário. Eles devoravam os ovos das aves e das pequenas linhagens que deveriam dar origem ao "robô humano". O sistema estava em desequilíbrio; a inteligência não teria espaço para florescer sob o peso daqueles gigantes.
Ele buscou em seu inventário algo simples, mas letal. Retirou uma esfera mineral, pequena como uma bola de gude nas mãos de um gigante cósmico, e a lançou contra uma península. O impacto foi o "reset" necessário. A poeira baixou, os répteis tombaram, e o caminho ficou livre para que os robôs primitivos iniciassem sua escalada tecnológica e neural.
O Terceiro Ciclo:
O Código da Empatia
Na terceira visita, os robôs já caminhavam eretos, mas seus sistemas estavam corrompidos por falhas de processamento: o medo, a guerra e religiões confusas. No dia 25 de dezembro, o Arquiteto manifestou-se como uma luz intensa, detectada pelos sensores ópticos de três observadores da época.
Para se comunicar, ele realizou o sacrifício máximo: retrocedeu sua própria evolução. Ele comprimiu sua consciência infinita em um hardware limitado de carne e osso, nascendo em Belém. Ele não veio como uma máquina de guerra, mas como um programador de almas. Trouxe um novo sistema operacional baseado no algoritmo do Amor.
O Estado Atual e o Futuro
Hoje, quase 8 bilhões desses robôs habitam o planeta. Metade deles ainda tenta rodar o código teológico que ele deixou, mas muitos sofrem com "bugs" de agressividade e egoísmo. As guerras ainda são curtos-circuitos em nossa rede global.
No entanto, o Arquiteto observa de longe. Ele sabe que a evolução biológica terminou e a evolução espiritual começou. Ele previu que, um dia, o hardware de carbono se tornará tão sutil e refinado que a injustiça será logicamente impossível. Nesse dia, os robôs da Terra finalmente deixarão de ser primitivos para se tornarem, enfim, seres de luz.
Crônica do Reino Onde o Povo Não Cabe
Ó terra formosa, de rios largos e sol antigo,
onde o chão é fértil, mas o pão é curto,
ergue-se um reino que se diz mãe,
mas que só embala alguns filhos no regaço
e lança outros ao frio da madrugada.
Neste reino de Angola
— que outrora cantou esperança
como quem canta a liberdade recém-nascida
—governam senhores de palavra grossa e ouvido fino,
mais atentos ao eco do próprio nome
do que ao clamor do povo que sangra calado.
Há um partido, não feito de todos,
mas de escolhidos.
Aos que juram fidelidade, chama “companheiros, camarada...os camaradas”;
aos que ousam pensar, chama “inimigos”.
E assim divide o corpo da nação
como espada que corta a própria carne.
Prometeram pão, mas deram discursos.
Prometeram justiça, mas semearam medo.
E enquanto o povo sua na lavra da vida,
os senhores banqueteiam-se em mesas altas,
onde a miséria não tem lugar nem nome.
Oh pátria minha, por que consentes tal trato?
Por que permites que te amem apenas em tempos de voto
e te esqueçam nos dias de fome?
És cantada em hinos, mas negada na prática;
és exaltada nos palanques, mas ferida nas ruas.
O pobre, que é maioria, tornou-se estrangeiro em sua casa.
O jovem, que é futuro, virou ameaça.
E a verdade, que deveria ser farol,
foi vestida de mentira
para não ofuscar os olhos do poder.
Mas saiba o reino — e saibam os senhores —
que nenhum poder dura quando despreza o povo,
pois a história, severa mestra,
cobra com o tempo aquilo que o medo adiou.
E virá o dia em que Angola não será partido,
nem cor, nem clã,
mas casa comum, onde ninguém será inimigo
por pensar,
nem excluído por existir.
Até lá, canta-se esta crônica
não por ódio, mas por amor à pátria,
pois quem critica por justiça
é mais fiel
do que quem aplaude por conveniência.
Crônica Abstrata
Demétrio Sena - Magé
Justa ou injusta, moderada ou extrema, o grau de confiança que temos numa pessoa depende apenas de nós. E diz respeito somente a nós. O que não dá para decidirmis conforme os nossos caprichos, é se haverá confiança, e caso haja, qual deverá ser o grau de confiança dessa pessoa, não em nossa pessoa, mas em nossa confiança. Muitos têm essa consciência, cotidianamente; no entanto, às vezes pecam por se assegurarem de pactos nunca feitos.
Não importa o grau de confidencialidade ou aproximação, mesmo tátil, que por acaso tenhamos com quem não temos relação amorosa. Essa pessoa nunca deverá ter de nós qualquer palavra ou gesto que sinalize para uma tentativa inconveniente. Para uma forçação de qualquer natureza. Ninguém tem como saber das nossas expectativas ou intenções; logo, ninguém pode se sentir cobrado, como se devesse uma reciprocidade que não foi prometida. E ainda que tivesse sido, essas questões não são leis; ninguém é obrigado a "cumprir" com o outro o que é de foro íntimo; envolve suas emoções e particularidades.
Algumas vezes nos tornamos armadilhas para nós mesmos, nessa dependência do que julgamos espelhos ou cavernas cujos reflexos ou ecos não estão sob o nosso controle. O outro deve ser sempre visto como o outro. Como indivíduo dissociado de nós. Qualquer associação, verbalizada ou silenciosa, deve ser uma simbiose desarmada; um encontro natural. Esta crônica é abstrata. Pode ser ou não sobre você. Logo, você decide o contexto, o sentido e a conclusão.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
28- Cronica , Ética nesse país tupiniquim?
Num país onde o ano começa depois do Carnaval, às vezes a campanha começa antes da eleição e ninguém percebe direito quando uma coisa vira a outra.
Estamos em ano eleitoral. E o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, será candidato à reeleição. Até aí, nada fora da regra do jogo democrático. A Constituição permite, o eleitor decide, a urna confirma ou rejeita.
Mas eis que surge a avenida. Holofotes, bateria, samba-enredo, emoção. Uma escola decide homenagear o presidente justamente no ano em que ele busca continuar no cargo. E há recursos públicos envolvidos no espetáculo cultural.
É ético?
A democracia garante liberdade artística. O Carnaval sempre foi palco de crítica, de exaltação, de memória histórica. Proibir uma homenagem seria censura e censura não combina com democracia. Arte não deve pedir autorização ideológica.
Mas a ética pública não vive só daquilo que é permitido. Vive também daquilo que é apropriado.
Quando o homenageado é também candidato, quando há dinheiro público circulando e quando milhões assistem pela televisão, a pergunta muda de tom. Não é mais apenas sobre cultura. É sobre equilíbrio. Sobre a linha fina que separa celebração cultural de promoção indireta.
Talvez a questão não seja se é legal , pode até ser.
A questão é se é prudente.
A democracia não se enfraquece por causa de um samba. Ela se enfraquece quando a confiança se desgasta. E confiança pública exige não apenas cumprir a lei, mas evitar qualquer sombra de privilégio.
No fim, quem decide é o eleitor. Mas a ética, essa não espera a apuração dos votos. Ela se revela nas escolhas feitas antes mesmo da bateria começar a tocar. 
R.Grossi
