Críticas
Se as pessoas fossem tão rápidas e capacitadas para elogiar .
Como são para criticar ..
A vida seria mais leve , mais cheia de alegria e amor !
agradeço as criticas de coração
pois seria muito triste se fossem mudos.
calar por momentos é bom
fortalece a alma
viver no silêncio é prisão
liberdade mulher !
será teu nome?
Descrentes os que criticam sua razão, incrédulos os que não entendem sua paixão. Para o ser, sua razão é universal. Apenas dê-lhe tempo. Se a razão for diferente, serás uma árvore preenchida de frutos. Se a razão for a mesma, ignóbil é sua moral.
Curioso como tantos se arvoram em criticar, quando, em sua própria trajetória, jamais lograram êxito que os qualificasse a opinar sobre a alheia.
As críticas são inevitáveis, como demonstrou Jesus. No entanto, perceba que seus críticos não seguiam seus passos. Portanto, não se deixe abater pelas críticas.
As pessoas naturalmente respondem melhor ao incentivo do que à crítica. Quanto mais você reconhecer os esforços delas — não importa o quão pequenos — mais motivados elas serão para continuar crescendo.
Conforme fui amadurecendo, as criticas não abalam. Os elogios não me iludem, os medos não me acovardam.
Por isso: Não me subestime.
Bosch e eu: entre a crítica e a ferida colonial
De todos os artistas europeus, há apenas um que ainda me atravessa: Hieronymus Bosch. Ele me coloniza — não pela forma, não pela técnica, mas pela crítica feroz que carrega. Bosch é o único colonizador que ainda habita meus delírios, talvez porque a acidez do seu olhar sobre o mundo medieval encontre eco no que eu também preciso denunciar.
Ele pintava o colapso moral da Europa — os vícios, o poder podre, a queda da alma. Eu pinto outro colapso: o da terra invadida, dos corpos silenciados, da memória arrancada pela violência da incursão portuguesa.
Se Bosch mostrava o inferno como consequência do pecado, eu mostro que o inferno chegou com as caravelas. Não há punição futura — o castigo já está aqui: na monocultura do eucalipto, na esterilização do solo, na morte do camponês brasileiro , no apagamento dos povos indígenas.
Há em nós uma fúria semelhante, mas nossos mundos são outros. Ele critica o homem que se perde da alma. Eu denuncio o sistema que rouba a alma dos povos. Bosch pinta o desejo que conduz à danação. Eu pinto a resistência que surge depois do desastre.
E, mesmo assim, ele me coloniza. Como assombro. Como espelho invertido. Às vezes penso que sua crítica me provocou antes mesmo de eu saber meu nome. Ele habita uma parte do meu gesto. Um inimigo íntimo. Uma fagulha que queima, e que às vezes me ajuda a incendiar o que precisa cair.
