Críticas
Você percebe que está evoluindo quando param de fingir elogios e começam a bombardear com críticas.
As críticas construtivas mostram onde estou errando, todas as outras denunciam quem o meu sucesso está incomodando
Tendemos a reproduzir os defeitos das pessoas a quem criticamos, pelo simples fato da nossa mente absorver e assimilar esses aspectos. Sem perceber nos tornamos aquilo ao qual não suportávamos.
Está seguro de que sabe o que quer? Então vá em frente e não dê ouvidos às críticas. Melhor errar pelo que acredita correto do que ser guiado para trincheiras não legitimadas por suas próprias crenças.
Críticas são indispensáveis ao crescimento de qualquer pessoa. Mas quando utilizadas como batalhas campais de acesso público, presencial ou virtual, transformam-se em mero exercício de vaidade em competição de conhecimentos. Além de desrespeito a esse público, coloca-o em trincheiras que não escolheu ocupar. O duelo mais nobre, então, faz-se quando os adversários escolhem suas armas e decidem suas divergências em espaço reservado e acordado com seus juízes, para não transformar suas contendas em puro exibicionismo de cenas bizarras ou, no mínimo, incômodas.
Não façam farofa de Machado... pois sua genialidade está justamente na linguagem e na sua crítica sagaz! Deixem o Machado de Assis em paz!
Há pessoas que não suportam uma dose de sabedoria, já se embriagam de uma amarga revolta e crítica, desprezando o conhecimento e tentando diminuir aquele que o profere.
Bosch e eu: entre a crítica e a ferida colonial
De todos os artistas europeus, há apenas um que ainda me atravessa: Hieronymus Bosch. Ele me coloniza — não pela forma, não pela técnica, mas pela crítica feroz que carrega. Bosch é o único colonizador que ainda habita meus delírios, talvez porque a acidez do seu olhar sobre o mundo medieval encontre eco no que eu também preciso denunciar.
Ele pintava o colapso moral da Europa — os vícios, o poder podre, a queda da alma. Eu pinto outro colapso: o da terra invadida, dos corpos silenciados, da memória arrancada pela violência da incursão portuguesa.
Se Bosch mostrava o inferno como consequência do pecado, eu mostro que o inferno chegou com as caravelas. Não há punição futura — o castigo já está aqui: na monocultura do eucalipto, na esterilização do solo, na morte do camponês brasileiro , no apagamento dos povos indígenas.
Há em nós uma fúria semelhante, mas nossos mundos são outros. Ele critica o homem que se perde da alma. Eu denuncio o sistema que rouba a alma dos povos. Bosch pinta o desejo que conduz à danação. Eu pinto a resistência que surge depois do desastre.
E, mesmo assim, ele me coloniza. Como assombro. Como espelho invertido. Às vezes penso que sua crítica me provocou antes mesmo de eu saber meu nome. Ele habita uma parte do meu gesto. Um inimigo íntimo. Uma fagulha que queima, e que às vezes me ajuda a incendiar o que precisa cair.
As dores vividas na vida de quem critica a tua nobreza, não tem momentos de paz nem tem amor próprio para viver a felicidade.
Você tem a defesa de criticar acusar julgar condenar o fulano por desviar o teu desejo, um desejo que não tem não é arruinado por não ser teu.
Julgar o problema do próximo criticar suas ações não é um ato agradável, o fardo que ele carrega não está em teus ombros.
A crítica é uma afronta, se alguém zombar do teu fracasso peça o mesmo para te ensinar o melhor observa o mesmo.
