Criança Doce
Doce contentamento partilhado
de apreciar na tua companhia
o primeiro ceibo desabrochado.
Pôr os nossos corações afinados
no ritmo do Candombe uruguaio,
e ajustar serenamente os passos.
Por fim, cruzar a Rua dos Suspiros
cumprindo a jura e o rito silencioso,
para durar o que há de mais amoroso.
[Não será preciso mais nada na vida,
para nos cobrir com fé, amor e poesia.]
Doce existência
e possante ritmo
que brincam comigo,
acendendo o desejo
como acendem
as luzes de uma cidade inteira
diante da vista romântica
de numa lagoa serena.
Cheiro de Maçã
Do paladar da tua boca
minh'alma abocanha o
cheiro suave e doce
das manhãs.
Para deixá-la pronta
afago meu vício na tua arte,
pra te deixar só minha.
Do livro, O Rio e a Criança.
Louca o suficiente para mudar o mundo
Uma menina sonhadora como ela não há;
O seu doce jeito de lidar com a vida a encantar.
Todos sabem que a “Garota de Ipanema” é ela;
Risadas e as mais amorosas palavras, ela é a mais bela.
Nas letras e os números ela se encontra;
Fica ainda mais encantadora em meio aos livros e sobremesa.
As obras de arte esplêndidas se ofuscam em seu brilho;
A sua inocência é tudo que falta neste mundo.
Praia, filmes, música, dias e noites, chuva e sol.
Todas as flores, mas em meio as rosas ela é um girassol.
Nostalgia,
Uma magia.
Pensamentos em excesso,
Imaginação ao extremo.
Fotografias e aquarela;
A pessoa certa para conversas profundas.
Amizade verdadeira;
Uma pessoa leal em meio a falsidades excessivas.
Uma pausa para dormir;
A mente enfim pode descansar.
O tempo sem parar, está a agir;
Mas ela continua a sonhar.
Viajar, mas vai te proteger;
Sem te julgar, ela não liga se você tem uma religião diferente.
Ela mesma ela vai ser;
Fazer o bem vem em sua mente.
Ela não liga em ser uma exceção;
O que realmente importa está em seu coração.
“Ela é só uma leitora”;
“Ela só está a escrever”;
“Ela só gosta das equações resolver”;
“Ela só gosta de estudar”;
Ela só gosta… mas olha onde ela chegou.
Fazendo jus ao que tanto amou.
Ignorando todos que a negou.
Ela é uma jovem poeta que ainda irá conquistar e mudar o mundo.
Sim, ela é louca o suficiente para ir mais a fundo.
Estou cercada por você,
Sob o teu jugo doce,
Estou por ti dominada,
Porque as tuas curvas,
Feitas de montanhas,
Repletas de histórias,
De revoluções e glórias,
Não esmoreceu, sempre lutou;
Até o veludo entrou em revolução
Para cumprir o destino, e fazer de ti
República Eslovaca uma NAÇÃO!
Essa sedução que arrebata, Doce alucinação, O destino nos trará um dia algo bem mais intenso do que uma simples paixão...
Rodeio Erguida
A semana em Rodeio
madruga chuvosa
nesta cidade amorosa,
doce e acolhedora.
Rodeio erguida não
teme o mau tempo,
ela é encantamento
e cidade recanto.
A semana em Rodeio
seguindo adiante,
do Médio Vale do Itajaí
é valoroso brilhante.
Rodeio verdejante
as tuas montanhas
sempre hei de louvar,
foram elas que fizeram
escolher aqui para morar.
Fazer um Kutiá
para encontrar
o doce nos teus
amorosos beijos,
Essa será a maior
glória dos desejos:
Celebrar juntos por
ser apaixonados.
Não tive nada a ver com o 11 de setembro… apenas carrego comigo a doce certeza de que até em dias sombrios Deus acende luzes.
Quando a descuidada Vale do Rio Doce conseguiu tornar imbebível as águas de um rio, do qual quem bebeu jamais esqueceu, eu já suspeitei que ela era muito mal seletiva.
Mas quando ela fingiu indenizar uma parte da população valadarense, fingindo não ter aniquilado o Doce do Rio que também era da outra parte, ela aniquilou também a suspeição.
Há indignações que não nascem apenas do que vemos, mas daquilo que sentimos ser arrancado de todos nós.
Quando a lama tornou imbebível as águas de um rio cuja doçura acompanhou gerações, não foi só o sabor que se perdeu — foi a memória líquida de um povo, sua identidade, sua história escrita em correnteza.
Naquele instante, já não era preciso grande esforço para desconfiar da seletividade de quem, por dever, deveria zelar e reparar.
Mas o espanto maior veio depois, quando o teatro das indenizações começou a escolher rostos e CPFs, a dividir dores, a parcelar perdas como se um rio pudesse ser fatiado em zonas de sofrimento e leiloado por migalhas.
E ali, naquele gesto que soou mais como cálculo do que como cuidado, não foi apenas o Rio Doce que se viu diminuído — foi a própria confiança que secou…
Que foi para a lama.
Porque quando uma parte é acolhida apenas para que a outra seja silenciada, deixa de existir dúvida: o que se aniquila não é só o rio, mas o respeito que deveria correr com e como ele.
No fim, a indignação que sobra é também a que educa.
Ela nos obriga a olhar para além da superfície barrenta e perguntar: que tipo de sociedade permitimos construir?
E que tipo de humanidade ainda queremos salvar do fundo dessa lama contaminada que insiste em não decantar?
Tão Execrável quanto a Política do Espetáculo, só a Doce Inocência dos Espectadores Apaixonados.
Há algo de perigosamente confortável em assistir à política como quem acompanha uma série: torce-se, vibra-se, odeia-se o vilão e idolatra-se o herói.
O enredo muda conforme o roteiro das conveniências, mas a plateia permanece fiel à emoção do momento.
Poucos percebem que, enquanto se escolhe um lado para aplaudir, quase ninguém se dedica a entender o palco, os bastidores ou os interesses que ditam as falas.
A Política do Espetáculo vive da reação imediata — do aplauso fácil, da indignação instantânea e da memória curta.
Ela não exige reflexão; basta paixão.
Quanto mais apaixonado o espectador, menos ele pergunta.
E quanto menos pergunta, mais o espetáculo se aperfeiçoa.
O mais curioso é que essa doce inocência que costuma morar nas cabeças alugadas tem a estranha mania de se imaginar a mais bela das virtudes.
E o espectador acredita que sua devoção é consciência cívica, quando muitas vezes é apenas fidelidade emocional.
Confunde engajamento com torcida, convicção com pertencimento e crítica com traição.
Assim, o espetáculo prospera: líderes viram personagens, discursos viram cenas e crises viram temporadas.
E a plateia, tomada por suas certezas inflamadas, raramente percebe que a maior vitória do espetáculo não é convencer — é entreter o suficiente para que ninguém queira desligar o palco e reacender as luzes da razão.
Talvez o verdadeiro gesto político de nosso tempo não seja gritar mais alto que o adversário, mas resistir ao encanto da encenação.
Porque enquanto houver plateia apaixonada demais para desconfiar do roteiro, sempre haverá quem transforme o Destino Coletivo em um show demasiadamente lucrativo de ilusões.
Que outubro seja leve, doce e tranquilo. E me traga todos os sorrisos que setembro me levou. Que esse mês venha com muita paz e cheio de amor.
- E quantas mãos você tocou?
Depois de um doce vem sempre um copo d’agua
E o sal grita para ser devorado.
E quantas bocas você beijou?
Depois do arroto vem sempre uma desculpa
E um sorriso pior que o outro
E um novo gosto de amargura.
E quantas noites você dormiu?
Depois das vidas longas
Vem sempre as mortes curtas
E uma saudade imensa de tocar mãos.
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