Criação e inspiração

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No lugar onde fui criado
Os corações eram neve
Era esta
a maneira que encontravam
Pra criarem gente forte
de sorte, que não havia
Abraços ou sorrisos
Brinquedos, imaginação, sutileza
Nem palavras imprecisas
A gente precisava só crescer
e ser homem de verdade
Qualquer demonstração de carinho
era sempre sinal de fraqueza
No lugar onde eu nasci
Ninguém sorria
Era um lugar onde não havia
Lugar para poesia
E ninguém podia chorar
Nem por medo
e nem de fome
Aquele lugar e aquele tempo
Realmente fizeram de mim
Um Homem
Cujos sentimentos e aflições
Aprendeu a dominar
Tem dias até que parece
Que eles simplesmente
nem existem
E hoje eu transformo
Muito daquilo em versos
Se alegres ou tristes
Não sei
Não aprendi expressar sentimentos
Mas todo dia reservo, mesmo assim
Alguns momentos
E permito que meus dedos
Em movimentos lentos
e uma suavidade, que não é
e nunca foi minha
Escrevam palavras
e depois as transformem em versos
Pois foi esse o jeito que eu encontrei
Pra externar
Aquelas lágrimas do passado
Que deixei tanto tempo de lado
Pois eu, realmente
Nunca as chorei.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente era criança
E a vida era simplesmente
Um lance um tanto mágico
Praticamente um Circo
Semi-monossilábico
Um circo onde havia até dança
Aquela dança
Que a gente não se cansa
Nunca...jamais; de se recordar
A Pá já se levantava
Com aquele sorriso a mais
E quando ela vinha pra sala
Trazia as duas outras atrás
A Pá corria pra lá
A Sí sentava-se aqui
Eu dava um pãozinho pra cada
Mas a mais malandra
Sempre foi a Sandra
Acordava emburrada
Não falava nada
Tomava o seu café
e depois dava no pé
As outras duas
A Pá e a Sí
Ficavam brincando por ali
Achando que eram princesas
Uma olhava e a outra ria
Minha mãe chegava e mandava
A Sì limpar toda a mesa
Enquanto a Pá lavava
A louça que estava na pia
Lá da sala, a Sandra ria
E assim começava o dia
Num tempo
Hoje tão distante
Que causa saudade cortante
Nesse pobre coração
Daquele, outrora sempre presente
Irmão de sangue, de alma
e de saudade

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

O Sentido da Vida

Certa vez, quando era criança
Eu pisei na areia
E ao perceber
a marca dos meus pés
Primeiramente pensei
Que elas não estariam mais ali
No dia seguinte
Mas logo em seguida eu pensei
Que antes que o dia terminasse
Poderia ocorrer
um desenlace qualquer
E eu também não estar mais aqui
Antes que sumissem
As marcas dos meus pés
Em pouco tempo
Não restaria nada de mim
E foi assim, desse jeito
Que ao invés de sentir-me triste
ou com medo
Percebi o quanto era feliz
Pois eu havia acabado
de desvendar um segredo:
Eu fazia parte de um todo
Eu era um grão de areia
deixando marcas da areia
Fincando as estacas
Que se tornariam os alicerces
do meu próprio entendimento
Pois, aquele momento
Foi quando eu me senti
Muito próximo Daquela Inteligência
Que Exerce, por Excelência
Todo o Poder de movimentar
Este Universo
Meus passos
Eram iguais a todos os passos
Se deixamos marcas ou não
Essas, tem que estar no coração
daqueles que vão estar aqui
depois de nós
Pois
No dia em que partirmos
Permaneceremos
de alguma forma
Na areia, que marca o tempo
No vento que carrega a areia
Na luz do Sol
Que nos entrega a vida
E a energia que alimenta esta Terra
Pois a vida é uma bela história
Que não faz nenhum sentido
Quando nascemos
É preciso que a gente
Pise antes na areia
Pra dar um sentido à vida
Pois ela terá o sentido
Que a gente der à ela

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Se me perguntassem
Qual o melhor destino
A Humanidade deveria seguir
Eu não saberia responder
Pois não o há como saber
E eu jamais fui muito bom
Em dirigir nem mesmo a minha vida
Mas eu creio que o melhor rumo
Pra conduzir os caminhos do Mundo
Não seja este
Há quem diga que a melhor espada
Passa pelo malho do martelo,
Pela bigorna e pelo fogo
E que toda semente
Precisa morrer para germinar
Eu sei dizer somente
Que as pessoas que vivem neste mundo
Não são espada e nem semente
Depois de tanto errar na vida
Muita coisa foi aprendida
E hoje eu vejo as coisas
Muito mais claramente
E sei que o mundo precisa
de cada um de nós
Porém eu não tenho voz
Que possa gritar tão alto
E sei também
Que ninguém me perguntou
Infelizmente

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Deus deu asas aos pássaros
E deu a imaginação aos homens
Pra que homens
Como pássaros se vissem
E voassem mais alto
Que qualquer ave jamais imaginou
Deus deu olhos de ver
Às Águias e aos linces
E deu a inteligência aos homens
Pra que assim a gente olhasse
Com olhos da mente
Aquilo que não se vê
E enxergasse claramente
O que Deus pretendia de nós
Deus deu a intuição
Pra que todos os bichos
Soubessem onde é seu lugar
E perfeitamente adaptados
Aos seus nichos
Deixassem aos homens o mundo
Cada um
Segundo seus preceitos
Seguindo perfeitamente
Cada qual o seu destino
Conforme a vontade de Deus
E voando mais alto
E enxergando mais longe
Pensando, ao invés de intuir
Todos juntos
e sempre sozinhos
Somente o homem se perdeu
Não percebeu
nem jamais descobriu
Qual deveria ser
O seu caminho

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Sejais sempre humildes
Em tudo que fizerdes
E procureis fazer
Em tudo o vosso melhor
Mesmo que após a conclusão
Percebais que talvez
Seja aquilo realmente
Melhor
Que tudo que foi feito antes
Pra que assim
A vida não vos deserde
E o mundo não se afaste
Desejeis deste mundo
Somente aquilo que vos baste
Porém
Planteis sempre nele
Sementes sem conta e sem fim
deixando assim à vossa posteridade
Um mundo melhor
do que aquele que encontrastes
E nunca, jamais
Digais isso a ninguém
Este mundo é por demais limitado
Repleto de pessoas
Que quando tiveram
Um grande mestre a seu comando
Trataram-no
Como se fosse puramente
Um mero subordinado
Sejais, pois
Humildes em tudo que fizerdes
Sem aguardar recompensa
Tenhais sempre em mente
Que nem sempre
O conhecimento traz riqueza
E estejais conscientes
Que as riquezas deste mundo
O ladrão rouba
e a traça corrói
E todo o brilho desta terra
é sempre por demais efêmero
Portando
Desejareis somente
Aquilo de que
Necessitardes realmente
E saibais
Que nem todo mundo sabe
Que esta é
A única razão
de a gente ter nascido gente


Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Imagine-se
Como se você pudesse
Fazer tudo que quiser
E pense como seria
Se acaso
Quando algo doesse
ou machucasse
A gente esquecesse em um dia
Tudo aquilo
Que só depois de anos
a gente esquece
Tente imaginar-se
Como sendo
Aquele prosaico inseto
Vivendo sua vida, quieto
Pousando de flor em flor
Buscando o seu pólem predileto
E, na sua simplicidade
Poder ser, aos Olhos de Deus
O ser mais completo que existe
Pense em quão bom seria
Poder levar
Um pouco de alegria
Ou talvez
A própria felicidade
A quem você visse triste
Liste, mesmo que mentalmente
Tudo que você faria
ou desfaria
E em quantos desejos secretos
Com o tempo, se esqueceu
E em tudo de concreto
Que a vida permitiu que você vivesse
E tenha sempre uma certeza
Que em qualquer dia desses
Você pode realizar
Todos os seus desejos
Transformar numa luz que brilha
Aqueles simples lampejos
Virar a mesa
Tudo isso sem precisar
Gritar nada disso ao mundo
Pense agora somente
Que tudo isso não está lá fora
Mas contido e escondido
No seu peito e na sua mente
Lembre-se sempre
No quanto é correto o viver
daquele inseto
Que você insiste em não ser
deixe-se invadir
Pela mera simplicidade
e espera
Que com o tempo
Teus olhos te mostrem a coisa certa
Ali se esconde toda a verdade
Pois
Só conhecendo a verdade
Você se liberta.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Luzes.

A melhor qualidade da alma
Se esconde na faculdade
dela não poder ser vista
Pois é isso que intensifica
Essa luz que determina
A nossa maneira de lêr
O mundo que nos rodeia
Pois de todas as janelas
Que nele existem
As paisagens sempre haverão
de mostrarem-se diferentes
Olhando por elas se aprende
A enxergar a verdade que vai
Separada do todo que fica
Uma certa sensibilidade
No tato mais apurado
Distingüir de lama
A água cristalina
Sem jamais esquecer
Que do lodo a colheita germina
Pois assim se aprende
Que não nos é dado o direito
A prescindir de nada
As causas da vida são muitas
E a corrente do rio
As vai tornando diferentes
Quando juntas
Eternamente separadas
Apesar de aparentar pequenas
Apenas acontecem
Pra que a gente entenda
Que em todas as dimensões
Um olhar mais acurado
Não desvenda o segredo da vida
Mas indica a direção
Que de certa forma nos aproxima
Ao Sublime conhecimento
Da existência de algumas normas
Unindo a luz, cá de dentro
À luz que vem lá de cima
Em cada Universo um poema
E em cada verso uma rima.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Não fico triste
Por não voar como os pássaros
E nem nadar como peixe
Penso
Imagino-me voando
Pertinho das estrelas
Deixo-me tornar todas elas
Em estrelas-do-mar
No mais profundo oceano
E vou lá
Pois os pássaros e os peixes
Não querem ser quem eu sou
Compreendo
Que as pessoas
Encontram-se perdidas
Pois estão
Mas, em segredo
Resta a mim
Meu medo
Pássaros e peixes
Não tem noção
Do ar e nem do mar
Tampouco sua finitude
Minha atitude perante a vida
É prosseguir vivendo
Sendo a mim mesmo sempre
Enquanto as pessoas
Não aceitaram ainda
A condenação
Nem mesmo
De vez em quando
Serem somente a si mesmas.
E são pássaros sem penas
Peixes sem olhos
Gente sem nada
Olhando a vida lá do alto
Sentadas em brancas estrelas
De onde caem toda manhã
E dão com a cara no asfalto
Assim que amanhece o dia
Enquanto isso
Eu dormia.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Lindas flores
de papel colorido
Mas a gente lhes dá
O aroma que melhor nos aprouver
E coloca um Céu ao fundo
E põe olhos no Céu
Olhando pro mundo
E depois a gente vive.
Quando alguém discordar
Me perdoe
É que tem horas que não me contenho
E hoje é uma dessas horas
Portanto, eu não me contive
Pois ainda há flores de verdade
E dias que passam de dois em dois
Tenho lembranças de muitos
Como céus refletidos no mar
Onde se vê vários Sóis
Em um oceano de papel
Uma lua apagadinha, ali do lado
Ruas pelas quais
Nunca mais nós passamos
Palavras que não dizemos
São pedras que submergiram
E os desenhos
Que criamos em linhas curvas
Enquanto uma cor se turva
Outra dor sempre vinha
Nada mais do que panos de fundo
E fazíamos planos
Ganhamos o mundo
Desenhando a vida
Antes que o fogo do Sol
Lhes traga o calor, que as apaga
Toda cor haverá
de desbotar-se completamente
O que fica é a lembrança
Que haverá ser lembrada
Depois do apagar do Sol
E esse dia, na eternidade
Terá pra gente
A qualidade de ser
O todo que existe
Mesmo que tristemente
Pra gente não tiver mais nada
Além de outro dia vivido
Onde alguém vai plantar de novo
Lindas flores
de papel colorido.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Mas, por que é que será
Que há sempre regras a seguir
Desde criança
Eu tinha hora de querer ou não
E me mandaram descer da árvore
E jamais subir no muro
Gostar da dança em que não via graça
E tinha hora de dormir
No quarto escuro
Tela em branco
A vertente de estrela
Era o fogo do Sol
O fato é que Atlas
Mais forte que eu
Obedecia
E sempre havia
Uma vela apagada
Capela
Uma destreza felina
No inferno, onde há caça
É triste
Mas de fato existe
Um prazo pra folha cair
A nuvem tapa o Sol
Mas a luz não se vai
Nem antecede a hora marcada
E em cada recinto que pisei
Alguém queria sempre ser o rei
Em cada lugar
Tinha veneno
Que vinha de bicho ou de folha
...Mas tinha e tanto mal fazia
A cada qual
Conforme a imprópria natureza
Era o mal sentado à mesa
Muitas vezes no lugar ao lado
Conforme gira o mundo
Há uma vaga ideia de que o mundo gira
São coisas que a gente ouve
Não escuta
E pensa que entendeu
Mas é esperto o suficiente pra mudar
E parar o tempo e fazer melhor
Pois podia voar triunfante
E ir mais adiante que qualquer condor
Não há nada que se achegue perto disso
E tinha uma vontade
Bem maior que a correnteza
Não havia espera e nem tempo
A fera no fundo do rio
Não pensa
E eu pensei
Que pensava melhor do que ela
Até que numa bela tarde...a folha cai
E o veneno destilado, do lugar ao lado
Faz a gente olhar a vida
de maneira diferente.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"Eu quis fazer a seleção
dos meus melhores "quases"
Mas a minha sucessão
de quases foi tão imensa
Que penso ter sido, talvez
A unica vez na vida
Que quase não tive dúvida
Eu quis fazer e não fiz
E eu quase fiquei feliz
...mas não deu!"

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"A melhor maneira de evitar desentendimentos com gente que só nos aceita quando a gente concorda em tudo com elas é considerá-las mortas. Mas isso deve durar somente até o dia em que a gente morrer"

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente era criança
Existia uma lenda
Sobre um pote de ouro escondido
E que nem todo mundo o encontra
Havia um segredo
Eram coisas que se queria
Sem saber bem ao certo o que era
E talvez estivessem por perto
Quando o certo
Era antes responder pra si
Que, se a gente conquistasse
Todo o ouro que existe no mundo
Pra que será que ele servia?
A vida, uma estrada bem larga
Felicidade, uma senda
Enquanto isso
A gente ia sentado
Nas janelas do trem da vida
Pesquisando em mapas e fotografias
E perdia as mais belas paisagens
O tempo apressado, pediu pra passar
E eu deixei
O tesouro não era um pote
Nem bau, nem nada assim
O segredo da vida, é a vida
Que se encontra espalhada
No caminho a ser percorrido
Pra poder ser vivida
Um pouquinho a cada dia
E todo dia ela muda
O tesouro da vida é um sorriso
Um resto de melodia
É saudade que gruda
Então, se é possível sorrir, ainda
Faça isso em cada dificuldade
O pote de ouro da vida
Não era uma lenda
A mentira escondida, era sobre o valor
Das coisas que o dinheiro compra
Há tesouros diferentes
De vida pra vida
E se tornam semelhantes
Na medida em que você percebe
Que os tesouros de maior valor na vida
Vem de graça, na graça da vida
E eles não estão à venda.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Uma criança me perguntou
Que será se a Lua tem alma
Eu respondi que creio que sim
Pois, enfim, não há de ser à toa
Que quase toda noite ela se aninha lá no Céu
Serena e calma
Pois eu creio que a Lua deve ter milhões de almas
Assim, como cá na Terra
Quase todos que eu conheço
Quase todos tem uma
Algumas almas tem preço
Muitas não valem vintém
Outras nem isso
Alguns tem a alma do avesso
Tem gente que só parece
Mas quase todos as tem
Assim, creia que a Lua a tenha também
Porque, se não tiver nenhuma
Ela sempre vai ter a minha
Sempre que brilhar
Bem na linha da minha janela
Pelo menos por alguns instantes
A minha alma estará lá com ela
Pois a Lua possui uma identidade
A Lua tem um caráter
Tem gênio, temperamento, tem personalidade
e até natureza
Coisas que lhe conferem uma alma
...e, no caso da Lua, também uma grande beleza
Então a criança me perguntou
Quantos anos que a Lua tinha
Então eu olhei pra Lua
A sua cara hoje, estava meio apagadinha
Quase tanto que nem a minha
Creio que tal pergunta, só queria me pôr à prova
Então eu olhei pra criança
E só respondi que a Lua era Nova.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Tristeza
É o nome de um lugar
Que não tem chão
Um lugar que foi criado
Pra semear-se ilusões
É um lugarejo tão distante
Que só vejo uma razão
Pra se estar lá
É ter plantado uma planta
Chamada falsa esperança
Que é algo que quem semeia
Palmilha com a planta dos pés
Planta espinhenta e tão falsa
Que se planteia descalça
E fere as palmas das mãos
Para tirá-las
Quem perdeu-se lá
Perdida a alma
Saída não tem
Se cala e fica lá
Mas não fala pra ninguém.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Sobe
lá no alto
Da melhor lembrança
Que tiver da vida
Mira-te
No mais claro e cristalino espelho
Busca calmamente
E responde a justa verdade
Pra teu coração somente
Enquanto a verdade é ainda oculta
Busca
Como no acalmar da lua
Quando a lua
Encara o mar sereno
Com o seu mais puro e pleno olhar
Se acaso desencontrar
Sobe mais no alto ainda
Relembra como era linda
A esperança
De uma hora poder ir até lá
No alto da melhor lembrança
E encontrar somente
Espelhos claros
Pra teu coração poder se olhar
Num difícil e mero olhar sincero
As flores partem junto à primavera
Impossível é negar-te eternamente
Pois a vida não é como o mundo a vê
O mundo é como a vida o vê
E nenhum dos dois é dono da razão
Diferente é a busca
Então
Se em algum momento
Não consegues mais admirar-te
E se vir somente
Olhos vermelhos de um tristonho olhar
Desça
Retome o caminho
E o refaça
Enquanto existe em ti
Ainda um traço de esperança
De modo a não guardar apenas
A lembrança de jardins distantes
Pequenas flores que sequer colheste
Percebe agora que viveste
Porém
Sem a graça da vida
Constantemente oculta
Dentro de você
Que nenhum caminho te mostrou
Há uma semente seca e morta
Escondida no mirar
O olhar que teu olhar não olha
Uma flor que teu chover não molha
O nome dela é alegria
E que apesar de morta
Morre e morre novamente
Todo dia.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente era criança
E brincava de se esconder
E subia lá no alto, ia só de brincadeira...e ria
Ria, de incauto que era
E pulava de lá, por prazer
Pelo puro prazer de poder ouvir o ar que zunia
Uma vez fui encontrar lá em cima
Um pássaro que tinha desistido de voar
Daqueles, que quando dói, nunca se lastima
Não chora, não pede ajuda
Se recolhe no seu lamento. Finge morto, finge mudo
Se tinge de esquecimento
Enfim, nada escolhe na vida
E mesmo assim
Teve a escolha de sofrer calado
Eu conto essa passagem
Num poema bobo e sem rima
Porque desde pequeno
Eu também não podia chorar, nunca tive coragem
E jamais me ensinaram o jeito certo de falar com Deus
Pra dizer-me arrependido e nem pedir perdão
Nunca aprendi pedir nada pra Deus
Mas o certo era que o pobre pássaro
Pode ser que ele só fosse igual a esse que eu sou agora
Daqueles que quando chora...é só por dentro
Num lamento mudo
O pássaro caiu lá de cima
E nem me deve ter ouvido pedir perdão
Quedou-se no chão
Num tombo quase tão breve quanto uma vida
E ele também deve ter sentido
O ruido leve que zuni no ouvido
Que só ouve quem cai
Mas naquele momento
Como quase que tudo na vida
Não deu tempo pra nada
O pássaro mudo, morreu sem chorar, não deu tempo
Pode ser que eu, depois daquele dia, o tenha tido
Mas eu não chorei, nem naquele dia e nem nunca mais
Ajuntei todas as lágrimas que tinha pra chorar na vida
E quando vi que o pássaro ia subir pra Deus
Eu pedi pra ele levar.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Ser mulher
É como andar na corda bamba
Sem cair e nem perder a pose
Ser mulher é ser melhor
Mas ser melhor sem o saber
Ser porque é
Sonha com lindos sapatos
Mas a sua alma anda descalça
Com a calma de quem valsa ao som de um samba
Mulher é descolada, nem dá bola
Tira retrato distraída e sai bonita
Quer, mas não quer para ela
Ela é mulher, é bela sem ter nada disso
Tem viço de mulher
Basta-lhe um laço de fita
Um olhar de ternura e um abraço.
É pensar em fazer uma coisa
E na tarefa de pensar...ela faz doze
...e nem se estressa
Ser mulher é já nascer
Cumprindo um monte de promessas que não fez
E depois dela nascida, ainda faz mais algumas
É cumprir todas em paz
Às vezes, mais de uma...e ela faz todas de uma vez
Ah...se for mulher, ela faz
Ela consegue aparecer
Sem parecer aparecida
Assim, no seu dia-a-dia
A mulher saber ser Maria
Ser Margarida, ser Rose e ser Cida
Ser irmã, ser mãe, ser amiga
E além de trazer a paz
Ainda separa algumas brigas
É ser eterna, ser terna, ser linda
e depois ser mais linda ainda...e nem ligar
Mulher de verdade nem liga
Escreve seu nome na eternidade
E vive sonhando em ter para si
Um dia pra ser mulher
Sendo mulher todo dia.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"Quando a vida convida a chorar
Não rejeite o convite...e chore
Pode ser que melhore
E depois de melhor, então ria
Veja que talvez
Amanhã seja outro dia"

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva