Cotidiano
O Ator do Cotidiano
William Contraponto
Veste o papel sem perceber,
repete gestos da rotina,
crê-se destino no dever,
mas vive cena clandestina.
Sorri o rosto que não é,
fala o que o hábito ordena,
o ser se perde no que vê,
num ato vão de fé pequena.
O mundo aplaude o disfarçar,
confunde vida e personagem,
ninguém recorda o perguntar
que rompe a trama da engrenagem.
No reflexo resta um breve olhar,
vazio entre o script e o ser,
onde o silêncio quer lembrar
aquilo que não quis nascer.
E ao fim, cortina e solidão,
cumpre o papel sem cor nem voz,
talvez a falta, em ilusão,
seja o autor de todos nós.
Gosto quando,
com cheiro de grama cortada
perto do fim do domingo,
o Cotidiano me presenteia
com pequena pausa e leveza.
A verdade não se anuncia: sussurra entre as fissuras do cotidiano, onde olhos apressados jamais ousam olhar. E quem tenta agarrá-la, seguro de si, descobre que tudo o que se prende escapa, deixando apenas o eco do que nunca pôde ser dito.
A vida e a paz não estão apenas nos grandes momentos, mas nos detalhes do cotidiano.
No gesto de cuidado, no silêncio que acolhe, no olhar atento, no vento leve…
A vida floresce quando percebemos os detalhes, e a paz se instala quando aprendemos a habitá-los em meio ao nosso caos.
Busque um estímulo cotidiano para te sustentar de pé, pois as adversidades da vida te apresentarão obstáculos contínuos que precisam ser contornados diariamente para que possas continuar a sua trajetória.
Depois que o cheiro de pólvora passou a fazer parte do cotidiano natural das pessoas, e o barulho se tornou musical, um breve silêncio e uma brisa fresca tornou-se prenúncio de mal agouro...
Em nosso cotidiano, estamos imersos em uma teia de convenções sociais que, muitas vezes, governam nossas ações e moldam nosso pensamento. Essas convenções, em sua essência, surgem como instrumentos de organização e convivência, mas frequentemente se revelam como cárceres invisíveis que limitam nossa liberdade de expressão e de ação autêntica.
O poeta na verdade, faz uma leitura do cotidiano e recheia "sua releitura" com alguns sons do coração.
O povo precisa de um roteiro para a felicidade —
um método cotidiano que desperte o ser para o simples,
que encontre alegria em um olhar,
em um sorriso acolhedor,
em um gesto que celebra o diferente.Que cada dia nasça com uma programação de amor,
onde a rotina se teça com fios de gratidão,
e o coração aprenda a enxergar a beleza
nas pequenas coisas que constroem o todo. Assim, a felicidade deixará de ser um destino distante
para se tornar um hábito vivido a cada amanhecer.
É no cotidiano, tanto nos momentos de alegria
quanto nos de dificuldade,
que a gente realmente
descobre quem fica ao nosso lado.
E isso ajuda a decidir com quem vamos seguir depois que o deserto passar!
As tempestades podem até fazer parte do nosso cotidiano, mas não são elas que vão definir o nosso futuro, sabem por quê? Porque é Deus quem escreve nossa historia e somente Ele pode decidir o final desse enredo. Portanto quando vierem as mais sombrias tempestades, lembre-se que quem cuida de você e te protege, não dorme e esta sempre atento. (Priscilla Rodighiero)
Desfruta cada pedacinho do cotidiano que Deus lhe oferece, porque ainda, muitas coisas boas vão rolar por esse oceano d'água doce do teu olhar, o sal da lágrima esquece, joga no mar.
O Amor de Vitrine (Reflexão)
Celebra-se o amor em calendários, mas nega-se o afeto no cotidiano. O que vemos hoje é o amor estático: um amontoado de palavras sem movimento, um sentimento sem entrega, uma promessa que não sobrevive ao primeiro defeito ou à primeira tempestade. É o amor sem ação, uma escultura de gelo que derrete ao sol da realidade.
Dizer "amar ao próximo como a si mesmo" tornou-se uma divagação poética, enquanto, na prática, o amor nasce e morre no espelho. O afeto esfriou. Criamos uma barreira onde a dor alheia não nos pertence; se não me dói a carne, por que haveria de me doer o espírito? Sob o império do egoísmo e da arrogância, o que resta é o eco de pessoas vazias.
Vazias de fé. Órfãs de Deus.
Até os templos, que deveriam ser refúgios de cura, tornaram-se praças de conveniência. Busca-se o status, o compromisso social de "estar presente" e o selo de "boa pessoa" através de trabalhos externos. Mas o coração permanece fechado para o compartilhamento real.
A verdadeira Igreja — aquela feita de carne, osso e espírito — está desbotada, sem vida e coberta pela poeira da indiferença. Há muito sacrifício ritual, mas pouco entendimento espiritual. No fim, o povo padece, pois prefere o conforto da ignorância ao peso transformador do verdadeiro amor.
Texto: Islene Souza
