Corpo
Para mim, antes de você enxergar com os olhos do corpo, te enxerguei com os olhos da alma.
Deve ser por isso que seja difícil aceitar, pois sua alma se entendeu com a minha e elas tiveram intimidade as quais desconhecemos. São uma espécie de antídoto para as feridas causadas por outros que nos viram com os olhos do corpo enquanto as almas não se consideraram.
Você me faz sentir como uma borboleta que saiu do casulo. É o fogo que aquece meu corpo, a chama da minha cama.
Teu corpo é um labirinto onde me encontrei e me perdi,
Deslizei meus dedos, tua pele com ternura percorri,
Cada sinal, cada traço, até o sinal na orelha direita,
Cada olhar, cada gesto, teus lábios tremem quando palavras estão presas na garganta e não querem ser ditas,
Teu sorriso solto se revela quando verdades são ditas por outros,
E quando discordas de algo, inicias tua frase com um "ô...",
Sim, memorizei cada detalhe de ti,
No silêncio das tuas palavras, soa o choro de uma guitarra,
Em cada acorde uma dor calada, um eco de sombra e luz,
Em cada pausa, um suspiro, nas entrelinhas que não vemos,
Nas paredes da sala, a assinatura dos teus gritos, infelizmente, em mim,
Tu enxergaste a carne, enquanto eu vi a tua alma,
Houve uma trava, um código errado, acesso negado,
Mas tuas digitais permanecem em mim, incrustadas.
Desejos
(Marcel Sena)
De repente acontece: sentimento em chamas o corpo transcende
De repente enlouquece: Imagens visualidades de momentos improváveis
Vontade descabida esvaindo pelas veias, vontade absurdas novas ou obsoletas
Futuro imaginário eloquente, apropriado.
Avivado a realidade o destrona.
Viver é um pesadelo, marcado por inúmeros defeitos
Meu coração é um rio seco, alimentado por álcool, trabalho e desprezo
Mas sonho com a pureza, amar a melhor maneira
Desmontar o bordel na minha alma e lhe entregar como uma criança inocente.
Palavras bem ditas, uma mente perfeita, maça do Éden um forte desejo.
Ca do paraíso por ti eu me perco, não culpe a serpente, um ser inocente
Desejo louco e efervescente toma-me por inteiro e da razão eu me perco
A noite olhando as estrela, preso a esse desejo.
Quero tomar-te em meu ser e satisfazer esse desejo.
Acredito que
o corpo pode funcionar
como algum disfarce da alma,
mas o que chega em um, eventualmente transparece no outro.
Já que não posso mais
beber do seu santo corpo,
Só me resta agora, o copo...
Vou de bar em bar, vou beber cachaça;
quem sabe assim
essa dor passa.
Sonhei beijar teu corpo,
lamber seus lábios
ir muito mais alem
beber do teu copo, todo dia.
Em qualquer lugar de Belém.
Ironia é
o corpo ter um
órgão chamado saudade
e não ter no supermercado
comida disponível para alimentá-lo.
