Corpo

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A morte assusta menos pelo fim do corpo e mais pelo colapso das ilusões de importância.

Dizem que o corpo humano é uma máquina perfeita, mas parece que alguns grupos insistem em deixar o processador desligado de fábrica.

Se o corpo humano é perfeito, então por que existe tanta gente que não usa o cérebro? Como, por exemplo, os crentes, os direitistas e os terraplanistas.

Se cada átomo do seu corpo está morto, então o que você chama de vida é apenas uma ilusão emergente

O teu corpo tem o poder do transe perfeito, Lábios que me rendem, Olhos que me seduzem e mãos que me prendem.

⁠É sexta-feira

⁠É sexta-feira
o corpo está
aqui e a alma
está em baile.

⁠A poesia é a alma
do poema,
o poema é o corpo
que tudo pode
e quem escolhe é você.

O poema pode ser
escrito ou pode ser
tudo aquilo que você quiser,
ou simplesmente não quiser.

Poesia é subjetivismo,
e sem subjetivismo até
o poema não faz sentido.

A poesia só existe
se você ler e entender,
e sem os teus olhos
a poesia nunca irá existir.

(Poesia e poema têm
o compromisso de coincidir).

⁠Versos Brancos


Para o teu corpo remar
no meu rio não precisa
ter só uma cor e nem rima,
Precisam ser somente
de todo o cor(ação),
Os versos brancos
explicam a magia
que existe entre
nós dois e a poesia.

Amaranto das Américas
em grãos ou em flor,
Para alimentar com
amor o corpo ou alma
com toda a poesia
que por esta terra há
existirá e não passará,
para você assim sou,
Porque criei raízes,
e de ti jamais eu vou.

Meu corpo flor de Paineira-Rosa,
o assumo travessa e amorosa,
Toda intrépida capaz de trazer
o teu pleno de maneira venturosa.

Ele era uma figura misteriosa,
um mulato de beleza única,
com um corpo musculoso,
olhos verdes andando,
fala aveludada e respeitoso.


Com o seu cavalo bem cuidado,
ele um autêntico peão brasileiro,
o nome dele era Dario,
que mantinha o orgulho elevado
do ofício desempenhado,
e rezava com fervor inigualável
o Santo Rosário em dedicação
à Nossa Senhora de Aparecida.


Eu ainda bem menina dava
um trabalho danado
junto com as crianças da vizinhança,
a nossa infância era além
muito do pé no barro,
mas os cabelos também por nossa
própria obra era alcançado.


E assim pela estrada a gente fugia,
ele sempre muito paciente
depois de tudo o quê fazia,
e se fosse preciso párava tudo,
para acompanhar as Mães
em busca intrépida de cada
um por toda a estrada vazia.


Não tem como eu me
esquecer destas inúmeras
vezes quando na porta
de casa ele um por um trazia,
ou quando ele passava
sem montado com o seu Baio
e me via pela estrada,
e prontamente dizia:

- Já para casa, menina!


...


Nota da Poetisa sobre a palavra "mulato":


​"O termo 'mulato' utilizado para descrever Dario neste poema é uma escolha deliberada e histórica, fiel à linguagem da época e da região das minhas memórias de infância. Naquele contexto, a palavra era o descritivo de sua ascendência mista e da sua beleza singular. Longe de qualquer intenção de depreciação, a figura de Dario é celebrada aqui em toda a sua dignidade e força. O uso é uma homenagem à sua pessoa, e não uma adesão ao peso pejorativo e racista que o termo carrega historicamente."

Teu corpo, que cobiço,


e que ainda não tenho,


põe um doce suplício


no ritmo de Kaseko,


em agitação máxima,


alucinante e contagiante,


diante do Rio Suriname.






Capaz de fazer o desejo


virar orgulho e assunto


na primeira página em Paramaribo,


por fina ironia do destino.






Sob uma palmeira-real,


fazemos juras de amor


neste continente austral;


nunca conheci alguém


capaz de fazer algo igual.

Em tempo de céu fechado,
o Camboatá-vermelho
esplende sob o céu sisudo.
O corpo sente muito,
mas a alma forte resiste
e os lábios se entretêm
com a poesia que insiste.


Há um sentimento seguindo
o seu curso que não tem
nada a ver com o inverno;
embora envolto de mistério,
com um querer profundo
que tem crescido resoluto.


Tenho me preparado
para receber com o coração
o sentimento impoluto,
a embaladora convicção
de que não há mais viver
correndo do amor e da paixão.

Teus olhos experientes
são capazes de ler
até mesmo o meu subtexto;
a alma, o corpo e o pensamento
ficam o tempo inteiro
em ritmo de Compas,
em anseio de se tornarem
o seu porto de paz.


Com o balanço da Palma-real
ao vento, por um
instante eu me distraio
vendo o luar esplender;
não nego que por ti
mais do que uma asa arrasto,
porque desejo bem mais
do que um simples afago.


Pensar o tempo todo
na possibilidade de vir a ser tua
tem sido todo o meu dia:
como o Rio Artibonite
flui ao encontro do mar do Caribe,
desejo muito que o céu
não seja nenhum limite
e que a distância não nos alcance;
estou pronta para viver
contigo o nosso doce romance.

Cercar-me de monjas blancas,
ao meu redor para receber
de corpo e alma o teu amor,
embriagar-me no teu fragor
e derreter-me do teu andor.


Desfiar os raios de sol e da lua
para tecer um huipil com
a imagem da tua alma de colibri:
assim tem sido com devoção
desde o dia que te descobri.


Deixar-te livre para que revele
o que sei que também sente,
para que me entregue o melhor,
e eu retribua com o que há de maior;
para que se confirme que é amor.

Alma de Cristo


"Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que eu me separe de Vós.
Do inimigo maligno defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
Mandai-me ir para Vós,
Para que Vos louve com os Vossos Santos
Pelos séculos dos séculos."


Ámen!

O Lírico Amar


"Não me importa agora
Quem acaricia teus cabelos e
Se desfruta do corpo quente,
Vibrante, que também é vida,


Pois o que a mim fora prometido
Já não mora mais em ti,
Mas a mim pertence e
Comigo está.


Nesta resignação, diante do fato,
Simplesmente lustro-lhe
A lembrança que de minha mente,
Trancafiada nos jardins desta,
Em meio às lindas rosas brancas e vermelhas
Vives harmoniosa para sempre."


Jorge B Silva


"O Lírico Amar" é um mergulho poético na sutil arte da
resignação. Diante do fim e da ausência física, o eu
lírico não escolhe o rancor, mas o acolhimento da
memória. O amor que já não habita o outro éresgatado
e eternizado em um jardim particular da mente, onde
o que foi vivido permanece intocado, belo e harmonioso
para sempre. Um relato delicado e potente sobre o desapego
e a imortalidade dos sentimentos - isto é vida, amor e poesia. Jorge B Silva

Homem Lírico


"Quem passar por um romântico
terá corpo, mente e alma marcados
por um coração imperfeito,
mas; quente, intenso e acelerado —
jamais o esquecerá."


Mário Sérgio

Minimalismos da Manhã


Água fria acorda o corpo,
Água quente motiva.
Banho e café:
Singelezas,
Rituais de
uma vida
palpável.

DO CORPO DELA
EU QUERIA FAZER ARTE..
POIS DE AMOR
É ESTA FRASE.