Cores
Uma imagem serena
nas pétalas de pequenas flores
de cores vivas, de agradável essência,
uma amostra de vida
como um toque de gentileza.
Iluminada entre as flores
com sua presença marcante
de uma essência viva
com intensas cores,
sendo bastante atrevida
como uma rainha da noite
que exige que suas vontades
sejam atendidas.
Uma arte sincera
de lindos traços de simplicidade avivados com cores intensas
de sentimentos e verdades,
onde o amor se expressa
em cada detalhe.
Jardim da vida
A vida é um jardim de escolhas e cores,
há quem regue espinhos, há quem plante flores.
Cada ato é semente, cada gesto, raiz,
o que você cultiva, é o que o solo diz.
Pode deixar o mato tomar seu lugar,
ou com carinho o bem fazer brotar.
A dor também cresce, se você permitir,
mas o amor floresce, se fizer por vir.
No fim, o jardim é o que você fizer:
mato descuido, flor é o que se quer.
SimoneCruvinel
Alguns dias parecem pesados
Em dias assim, de chumbo e calmaria tensa,
O mundo grita em cores que a alma não pensa.
O coração, outrora canção leve e solta,
Bate exausto, na engrenagem que nos volta.
O peso interno, fardo invisível e constante,
Não se revela em números, mas em instante
De respiração curta, em nó na garganta,
Em sombra alongada que a alegria espanta.
Esmaga lento, como a gota que fura a pedra,
Cada suspiro um passo em direção à treva.
A força se esvai, a vontade se dobra,
Sob o jugo silente que a alma absorve.
Mas lembre-se, em meio à pressão que aperta,
Que a noite mais densa precede a alvorada liberta.
Ainda há espaço para um respiro profundo,
Para encontrar em si um novo mundo.
O Jardim Que Deixei
Ó caminho sem fim,
dias pálidos, sem cores.
Ficou para trás o jardim,
onde eu não conheci as flores.
Levo só sonhos calados,
nos passos, um peso antigo.
Ecoam meus próprios fados
sem voz, sem abrigo.
As flores chamavam meu nome,
mas temi suas doces canções.
Neguei o sol que consome
e guardei silêncio nas mãos.
Não soube que era vida o momento,
nem soube tocar seu calor.
Caminho agora em puro lamento,
por não saber apreciar sua cor.
Tantas coisas podiam ter acontecido...
Agora é só o pensamento
do que fui, ou do que poderia ter sido.
Nesses dias sem cores,
chega o suspiro que afasta as dores.
Fecho os olhos, e, enfim,
para trás ficou o jardim.
(26/06/2025)
"Sei que a minha alma tem todas as cores
E de tanto dançar e girar, minha alma fica branca.
Sei que minha alma é criança, é menina, é mulher!
Sei que minha alma é viajante, que vai ao encontro da lua
Sei que a minha alma é fogo, é terra, é água, é ar.
... ... Sei que tenho uma alma...
E esta alma é cigana!"
Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Capítulo XVIII
A Liturgia das Cores Que Nunca Ascenderam.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
No âmago subterrâneo onde o mundo superior se desfaz em murmúrios irrelevantes, o porão respira como uma entidade antiga que lembra, em sua própria penumbra, a negligência de todos os que caminham sobre suas vigas sem jamais perceber o âmago que pulsa sob seus pés. Ali, onde as cores secas se acumulam como lágrimas petrificadas, onde o cinza parece ser a única língua capaz de traduzir a dor, ergue-se a presença de Camille Monfort.
Camille não entra. Camille emerge de todos os lugares e anseios. Sua existência não lisa o chão, o transforma como antes o contempla. Há nela um teor etéreo, quase translúcido, como se sua alma tivesse sido tecida com os fios mais delgados da noite. Sua figura é mística, não por ostentar mistérios e questões , mas por ser, ela própria, um mistério que se dobra sobre si mesma. Sua respiração lembra um pergaminho sendo aberto devagar. Seus olhos são clarões antigos, portais onde a memória se dói no que não busca, mas sempre vem em espirais. Camille caminha como quem revisita um mundo que nunca a compreendeu.
O porão a reconhece. A madeira parece suspirar. As sombras fazem menção de saudá-la, como se cada lasca de poeira soubesse que ela não veio apenas observar, mas decifrar a verdade que o mundo de cima insistiu em ignorar do seu tão íntimo cerne de mente, lembranças e rejeição. Camille, com suas mãos longas e gestos sacerdotais, colhe do ar as lamentações que ali habitam. Ela sabe que toda escuridão possui uma biografia estranhamente destinada só aos eleitos que não se reconhecem ainda e que o porão é uma biblioteca sombria das almas que vão se elevando, repleta de histórias que jamais encontraram ouvidos.
Há uma dimensão antropológica em seu olhar. Camille percebe no abandono das tábuas e na displicência que escorre das vigas um retrato fiel das estruturas humanas. A sociedade que ignora seus subterrâneos repete a cegueira com que ignora seus próprios desamparos. O porão é mais que um espaço. É um espelho. Ali se desenha a angústia coletiva, a incapacidade de acolher o que é frágil, o que não vibra com as luzes artificiais, o que não convém ao discurso das superfícies.
As paredes do porão carregam o tom sociológico tão perdido de uma comunidade invisível. O pó que se acumula é memória de passos que nunca desceram. O frio constante é a prova de que ninguém aquece o que não vê. Cada cor desbotada é um grito mudo de algo que almejava existir e foi silenciado pela pressa de quem vive acima. Ali, Camille percebe, reside a verdadeira crônica do desamparo humano.
Ela inclina o rosto. As lágrimas cinzentas que se condensam nas beiradas da escuridão em notas de cores apagadas, começam a cintilar como se o porão tentasse finalmente falar. Camille recolhe essas lágrimas com uma devoção quase litúrgica. Sabe que elas não pertencem apenas ao espaço, mas às consciências que o esqueceram. O porão não é apenas um lugar. É um estado psicológico já em cuidados. É a parte do espírito que o homem teme tocar.
Camille, porém, não teme. Ela se aprofunda. Seus pensamentos se tornam copiosos, derramando-se como rios noturnos que buscam o mar do entendimento. Ela observa o modo como a escuridão se organiza por entre um mundo que se move , como se contivesse uma inteligência própria. Ali, na densidade muda e severa, Camille descobre que o porão guarda não apenas dores, mas também uma forma secreta de esperança. Uma esperança bruta, áspera, ainda sem nome, que pulsa como uma brasa escondida sob o pó dos que a tudo ignoram.
Ela se aproxima desse pulso. A claridade sutil que emana de seus gestos começa a se misturar com o negrume gélido do ambiente. É como se a própria noite, cansada de ser noite, buscasse nela um renascimento. Camille Monfort , sabe que não é possível iluminar totalmente o que é feito de sombra, mas é possível administrar homeopática mente à escuridão uma compreensão mais profunda de si mesma. O porão treme, quase imperceptivelmente, como se respirasse pela primeira vez.
E então, pela primeira vez, a cor cinza parece estremecer. Um brilho tênue, tímido, quase inexistente, tenta se soltar das camadas de poeira. Camille o observa com delicadeza. Não o força, não o arranca, apenas o acolhe. É um lampejo incipiente de um quase anjo , mas é cor. Não é arco íris. Ainda não. Mas é um gesto. Um prenúncio. Uma mínima revolução no silêncio dos gritos.
E assim, no cerne de sua introspecção, Camille compreende. O porão não quer tornar-se claro. Ele quer ser ouvido. Ele não suplica por luz, mas por reconhecimento e mesmo que seja o silêncio de quem o ouça. E é nisso, nesse instante em que o espaço e o espírito se entreolham, que Camille Monfort quase se liberta. Quase. Pois sua libertação depende da redenção do porão, e a redenção do porão depende do entendimento daqueles que vivem acima.
Camille respira lentamente. O porão, pela primeira vez, respira com ela. E algo, no fundo profundo e arcaico, que começa quase sobre um fio enfim a mudar.
Escrevo muito simples, nada rebuscado, às vezes inspirado, às vezes não; em mim tem cores que transfiguram, às vezes cinzentas, às vezes turvas, mas eu sei que logo vem o meu preferido azul, colorindo a minha existência; nunca busquei uma vaga numa cadeira Acadêmica, isto parece não me importar, meus escritos são bregas demais, porque escrevo com sentimentos e paixão, neles há verdades e não filosofia, pode até parecer mas não são. Busco rascunhar a vida como ela é na sua essência, sei que muitos se identificam comigo com narrativas poéticas, às vezes uma dura realidade, às vezes me pareço triste, mas não sou, a gratidão e a alegria não significam estar sorrindo o tempo todo, mas ser grato por tudo que eu até aqui recebi. Amo meus leitores e meus amigos, que abrem seus corações identificando com minhas explanações sobre a vida e o nosso existir. Porque meus textos não são mecânicos e sim reais.
Vontade de ir a uma ilha
Onde haja flores sem nomes,
De cores inexistentes
E de cheiros desconhecidos,
À qual nunca foi sugada
E que nunca foi apreciada.
Vê-las florescer
Com olhos de primeira vez
E, nesse momento,
Estar em paz
E nunca mais voltar.
“Amo as cores. Elas são vibrantes e me deixam ler você, mas tenho medo da cor cinza; ela é sombria e me torna gélida.”
Esboços, pincéis e tintas!
Amo as cores e adoro quando elas ganham vida brincando em uma tela em branco. Acho fascinante e divertido ver os esboços, pincéis e tintas coloridas interagindo, em brincadeiras de faz de conta criando cenas imaginárias e trazendo nuances e conexões únicas. Essas criações são observadas por olhares variados, alguns atentos e conhecedores, outros apenas curiosos.
No final, tudo se transforma em belas obras: quadros finalizados, telas magníficas. Mas meus olhos são diferentes; eles são atraídos pelos quadros inacabados. O inacabado, afinal, possui dois polos opostos e igualmente intrigantes.
❝... Hoje trago lhe flores... De todas as cores,
para perfumar nossa amizade pura e sincera.
Trago lhe flores para iluminar o sorriso de seu
rosto, e que estas flores lhe traga Paz, aconchego,
e harmonia...❞
Eliana Angel Wolf
