Conselho para uma Pessoa Orgulhosa
A paz não é uma conquista futura é uma presença que se revela quando a consciência aprende a habitar plenamente o agora.
Faz bem lembrar: embora o mundo tenha sido criado sem maldade, o pecado fez da perversidade uma marca universal da experiência humana em todos os tempos, como revela Gênesis 6:5:
"O Senhor viu quão grande era a maldade do ser humano na terra e que toda inclinação dos pensamentos do seu coração era para o mal o tempo todo."
O caderno de receitas de antigamente
Na cozinha de antigamente,
existia uma gaveta
( ou melhor, um relicário )
onde preciosas receitas
eram guardadas cuidadosamente.
Ali repousavam cadernos de capas gastas,
amarelados pelo tempo
e perfumados por lembranças.
Suas páginas carregavam mais do que ingredientes; guardavam histórias,
afetos, segredos de família
e um modo de amar
que se expressava através das receitas.
Havia anotações apressadas nas margens,
manchas de açúcar, gotas de óleo,
marcas de dedos enfarinhados
e letras que denunciavam diferentes gerações.
Cada rabisco
era uma presença.
Cada receita,
um reencontro.
Aquele bolo de fubá da avó,
o pudim das festas de domingo,
os biscoitos preparados nas tardes chuvosas,
o doce servido em celebrações e despedidas.
Tudo estava ali,
costurado entre linhas e letras
e medidas nem sempre exatas.
Porque as cozinheiras de antigamente
sabiam receitas que não cabiam no papel,
mas viviam na memória.
Escreviam
"uma pitada",
"o suficiente",
"até dar o ponto",
como quem dizia que a experiência,
a intuição e o afeto
também eram ingredientes indispensáveis.
Hoje,
em tempos de receitas digitais,
vídeos instantâneos e telas iluminadas,
ainda há algo de sagrado
naqueles velhos cadernos
com páginas amareladas pelo tempo
e besuntadas pela experiência.
Ao abri-los, não encontramos
apenas instruções culinárias,
encontramos vozes,
ouvimos risos que já se calaram,
sentimos abraços que o tempo levou,
e vemos, entre uma página e outra,
a delicada herança daquelas
que nos alimentaram o corpo,
a memória e a alma.
Pois o verdadeiro ingrediente secreto
nunca esteve escrito.
Era o amor
que passava de geração em geração,
temperando a vida
muito antes de temperar a comida.
✍ @MiriamDaCosta
Eu sou um verso
do mistério da vida
no poema do universo.
Eu sou uma poesia
que não se mede,
não se ajoelha
e nem se deita
em linhas e estrofes.
Eu sou um poema
escrito sem espaço
nem tempo,
na memória do tempo
atemporal.
Eu sou um ponto de interrogação
exclamando as reticências
de um ponto final,
perdido entre o início
e o fim.
✍@MiriamDaCosta
Era uma vez um cristão que chegou ao paraíso. Bastaram cinco minutos admirando a beleza do lugar para ter um pensamento impuro e ser expulso. Moral da história: o paraíso é bonito demais para ser habitado.
Refutação do panteísmo de Espinosa:
1. Se o universo é uma criação divina, então deus deve possuir uma consciência, pois criar é sempre um ato consciente.
2. No panteísmo de Espinosa deus é definido como não tendo uma consciência, sendo apenas uma substância.
3. Se deus não tem consciência, então o universo não pode ser considerado uma criação consciente.
4. Nós existimos, então ou fomos criados por um ser consciente, ou deus não existe, pois não é racional chamar a natureza morta de divindade.
5. Conclusão: O conceito de divindade está inevitavelmente ligado à consciência, isto é, "deus inconsciente" é uma contradição nos termos, como
acreditar na existência duma esfera quadrada. Ao negar a existência da consciência divina o panteísmo contradiz o conceito de criação. Se a divindade não tem consciência o universo não deveria existir, mas ele existe. Logo, o panteísmo de Espinosa está refutado como explicação para existência do universo.
A vida é um algoritmo autocanalizado pela história, onde interações estocásticas refinam uma direção emergente.
Nunca tive uma experiência espiritual; talvez a magia só funcione com idiotas e desocupados; eu sempre estive ocupado demais tentando sentir menos dor.
Minha velha mãe, uma vez, se virou e, de surpresa, disse: "Quem irá destruir as religiões não será o ateísmo, mas a verdadeira espiritualidade."
Eu amo a religião, mas duma forma invertida: amo refutá-la, pois essa é uma das formas mais eficientes de reduzir a entropia social.
A trindade cristã é uma metáfora mal compreendida: o diabo é o caos inevitável, o pai é a tentativa falha de ordem, e o filho é só um instante raro de simetria.
O verdadeiro amor só existe na diversidade, onde as diferenças se entrelaçam e revelam uma conexão profunda além dos códigos genéticos
O diabo mora dentro dum buraco negro. Singularidades são uma das invenções mais absurdas já criadas pela mente humana
A verdadeira liberdade filosófica é odiar o destino que uma divindade imaginária nos impôs e, mesmo assim, dançar no caos sem pedir permissão.
O fanático chama o diabo de primeiro ateu e vê em cada ateu moderno uma desculpa para ampliar sua intolerância e sua cegueira intelectual.
Se pensar obsessivamente em deus é uma forma de espiritualidade, então os grandes ateus: "Freud, Nietzsche e Marx" são profetas que anunciaram verdades divinas, estando acima de todos os líderes religiosos vivos atualmente!
