Conselho para uma Pessoa Orgulhosa
Ter fé é entender que o tempo é uma linha, mas o coração é um ponto de encontro. Enquanto os olhos estão presos à cronologia do "ainda não", a alma já habita a realidade do "já é". A fé não é um pedido enviado ao universo; é o recibo de entrega de algo que já foi despachado no plano espiritual.
Há em mim uma intensidade que, por vezes, me transborda e, em outras, me aprisiona. Sinto tudo em excesso: o silêncio, a ausência, os desejos, os medos e as esperanças. Enquanto o mundo segue seu curso, muitas vezes permaneço parada, vivendo mais dentro de mim do que fora de mim.
É estranho desejar tanto voar e, ao mesmo tempo, sentir as asas pesadas. Querer alcançar horizontes, mas não conseguir sair do lugar. Como se algo em mim chamasse pela vida, enquanto outra parte ainda se recolhe, cansada das próprias batalhas.
Carrego uma alma funda, dessas que não sabem sentir pouco nem viver pela metade. E talvez por isso tudo em mim seja tão vasto: quando dói, dói inteiro; quando sonha, sonha longe; quando ama, ama sem margens.
Mas começo a entender que não nasci para ser cárcere de mim mesma. Que toda essa profundidade não veio para me afundar, e sim para me ensinar a nadar em águas que muitos temem.
Talvez eu esteja em tempo de reconstruir minhas asas com paciência. De fazer paz com meus silêncios. De sair, aos poucos, desse mundo interno que me consome e tocar a vida com mãos mais leves.
Porque ainda há muito em mim que quer florescer. E mesmo cansada, ainda existe uma parte minha que acredita no voo.
É difícil precisar o exato momento que uma história começa. Aquela hora em que pessoas deixam de ser pessoas e viram heróis, vilões e donzelas. Ou aquele instante súbito, repentino em que um fato deixa de ser um fato e se transforma em uma história.
Quem precisa invalidar uma causa para defender outra, pode acreditar em qualquer coisa, menos que tenha uma causa legítima para acreditar.
Porque causas verdadeiras não precisam nascer da demolição das demais.
Elas se sustentam pela própria densidade moral que carregam, pela coerência entre aquilo que dizem defender e aquilo que estão dispostas a preservar no mundo.
Quando alguém sente a necessidade de ridicularizar, desumanizar ou apagar a dor alheia para que a sua bandeira pareça maior, talvez não esteja defendendo uma causa — esteja apenas disputando território no mercado das indignações.
A legitimidade de uma luta não se mede pelo volume com que ela silencia as outras, mas pela capacidade que tem de existir sem negar a dignidade de quem também luta.
Afinal, o sofrimento humano não é um campeonato, e a justiça não deveria depender de quem consegue gritar mais alto ou cancelar mais rápido.
Há quem transforme causas em trincheiras identitárias, onde o objetivo deixa de ser reparar injustiças e passa a ser vencer adversários imaginários.
Nesse terreno infértil e inóspito, qualquer argumento serve, qualquer distorção vira estratégia, e qualquer verdade inconveniente é descartada como traição.
A causa vira instrumento — e instrumentos, nas mãos erradas, raramente constroem algo que mereça ser chamado de justo.
Talvez a maturidade de uma sociedade comece quando entendermos que defender algo não exige destruir tudo o que não seja idêntico a nós.
Pelo contrário: as causas mais nobres costumam caminhar lado a lado, porque reconhecem na dor do outro um espelho possível da própria dor.
No fim das contas, quem precisa diminuir o mundo para botá-lo dentro da própria causa, talvez nunca tenha lutado por justiça — apenas por pertencimento.
E pertencimento, quando substitui a verdade, aceita qualquer narrativa que preserve o grupo… mesmo que sacrifique a honestidade da caminhada.
Podemos encontrar uma justificação para tudo, ou também podemos não encontrar nenhuma.
A Literatura não é, como tantos supõem, um passatempo. É uma nutrição.
Leia o mesmo livro mais de uma vez; você perceberá detalhes antes não notado.
sfj,a arte de escrever(sfj)
A vida não te dá presentes, se você quer uma vida, você precisa aprender a roubá-la, disse o Provocador.
Uma vida passiva e inativa é a imagem da morte, e o abandono da vida; é antecipar o nada antes que ele chegue.
sfj,reflexões
T.Edison nunca aperfeiçoou uma invenção sem pensar em como ela beneficiaria os outros.
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Michelangelo, aos 98 anos escreve uma carta ao sobrinho. Mas nada perdeu da lucidez e da energia.
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