Conselho para uma Pessoa Orgulhosa
Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
Nota: Techo do poema "A Passagem das Horas"
"Nada me comove que se diga, de um homem que tenho por louco ou néscio, que supera a um homem vulgar em muitos casos e conseguimentos da vida. Os epiléticos são, na crise, fortíssimos; os paranóicos raciocinam como poucos homens normais conseguem discorrer; os delirantes com mania religiosa agregam multidões de crentes como poucos se alguns) demagogos as agregam, e com uma força íntima que estes não logram dar aos seus sequazes. E isto tudo não prova senão que a loucura é loucura. Prefiro a derrota com o conhecimento da beleza das flores, que a vitória no meio dos desertos, cheia da cegueira da alma a sós com a sua nulidade separada." (Livro do desassossego)
Tornamo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de já não sabermos quem somos. Porque, de resto, nós o que somos é esfinges falsas e não sabemos o que somos realmente.
As sociedades são conduzidas por agitadores de sentimentos, não por agitadores de ideias. Nenhum filósofo fez caminho senão porque serviu, em todo ou em parte, uma religião, uma política ou outro qualquer modo social do sentimento.
Se a obra de investigação, em matéria social, é portanto socialmente inútil, salvo como arte e no que contiver de arte, mais vale empregar o que em nós haja de esforço em fazer arte, do que em fazer meia arte.
Todo o homem de hoje, em quem a estatura moral e o relevo intelectual não sejam de pigmeu ou de charro, ama, quando ama, com o amor romântico. O amor romântico é um produto extremo de séculos sobre séculos de influência cristã; e, tanto quanto à sua substância, como quanto à sequência do seu desenvolvimento, pode ser dado a conhecer a quem não o perceba comparando-o com uma veste, ou traje, que a alma ou a imaginação fabriquem para com ele vestir as criaturas, que acaso apareçam, e o espírito ache que lhes cabe. Mas todo o traje, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em quem o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir — é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.
Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção — isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos.
Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando.
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.
Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.
'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!
Aconteceu-me do Alto do Infinito
Aconteceu-me do alto do infinito
Esta vida. Através de nevoeiros,
Do meu próprio ermo ser fumos primeiros,
Vim ganhando, e través estranhos ritos
De sombra e luz ocasional, e gritos
Vagos ao longe, e assomos passageiros
De saudade incógnita, luzeiros
De divino, este ser fosco e proscrito...
Caiu chuva em passados que fui eu.
Houve planícies de céu baixo e neve
Nalguma cousa de alma do que é meu.
Narrei-me à sombra e não me achei sentido.
Hoje sei-me o deserto onde Deus teve
Outrora a sua capital de olvido...
Nada me o abismo deu ou o céu mostrou.
Só o vento volta onde estou toda e só,
E tudo dorme no confuso mundo.
O Sonho é a Pior das Cocaínas O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas. Assim se insinua nos hábitos com a facilidade que uma das outras não tem, se prova sem se querer, como um veneno dado. Não dói, não descora, não abate – mas a alma que dele usa fica incurável, porque não há maneira de se separar do seu veneno, que é ela mesma.
Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.
Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?...
Assim éramos nós obscuradamente dois, nenhum de nós sabendo bem se o outro não era ele-próprio, se o incerto outro viveria...
Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.
Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta!
Guia-me a só a razão
Guia-me a só a razão.
Não me deram mais guia.
Alumia-me em vão?
Só ela me alumia.
Tivesse quem criou
O mundo desejado
Que eu fosse outro que sou,
Ter-me-ia outro criado.
Deu-me olhos para ver.
Olho, vejo, acredito.
Como ousarei dizer:
<<Cego, fora eu bendito >> ?
Como olhar, a razão
Deus me deu, para ver
Para além da visão-
Olhar de conhecer.
Se ver é enganar-me,
Pensar um descaminho,
Não sei. Deus os quis dar-me
Por verdade e caminho.
Marrenta, poderosa, não desce do salto, mulher orgulhosa, nariz empinado, coração quebrado e não admite que tem algo errado.
Irônica, chata, egoísta, orgulhosa, grossa ? Não, querido, isso se chama auto defesa. É que depois de um certo tempo, a gente aprende, que quase ninguém merece nossos melhores sentimentos
Sim, sou chata, antissocial, às vezes egoísta e orgulhosa...
Mas, e daí? Todo mundo é assim e não admite,
vive de aparências e gostam de demonstrar o que de verdade não é.
Pois é, sou humana e imperfeita e só me ama e gosta de mim
quem realmente me aceita como eu sou e, antes de mais nada,
sabe que, mesmo eu tendo todos esses defeitos,
sabe que por trás de uma cara de parruda, marrenta e arrogante,
tem uma pessoa amiga e com o coração gigantesco.
Pois é, eu sou assim!
Os meus pedidos de desculpa
O que é que eu faço para te deixar orgulhosa?
O que é que eu tenho que fazer para acreditares que sou capaz?
O que é que eu faço se alguém vier e me deitar a baixo?
E procuro-te para me ajudares a levantar, mas tu não estás lá porque estás chateada comigo?
O que é que eu tenho de fazer para me desculpares por tudo o que tenho feito?
O que é que eu tenho de fazer para nenhuma de nós sair magoada disto tudo?
O que é que eu te posso dizer quando tudo isto acabar?
Se “desculpa” costuma ser a palavra mais difícil de se dizer....
O que é que eu digo então?
Esta vida continua....
Comecei a aprender mais e mais sobre a responsabilidade
Então reparei que muitas das coisas que eu faço afectam muitas pessoas à minha volta
Aproveito então para pedir nesta folha, desculpa por tudo o que tenho feito, coisas que ainda sou fraca e incapaz de vos dizer na cara
Sei que tenho de começar a tomar responsabilidades pelos meus actos...
Desculpe pelas coisas que a deixam em baixo, porque na maioria das vezes nem penso no que estou a fazer.
Desculpe por ter mudado a sua vida para cuidar de mim; tenta manter-se ocupada, mas os seus pensamentos são sempre os mesmos. Você cuidou da sua família e de todos à sua volta, amou e ama todos eles da mesma maneira...e nem sabe a quantidade de vezes que peço para vocês os três não me deixarem.
Desculpe por deixá-la muitas vezes sozinha.
Desculpe por ter de fazer tudo por sua conta, sem muitas vezes contar com a minha ajuda.
Desculpe se cresci muito depressa, quem me dera tê-la ouvido mais, quando mais nova, para não ser assim.
Desculpe pela sua vida ter dado uma volta de 180º.
Desculpe pelas vezes em que se zanga comigo.
Desculpe pelas vezes em que os vícios falam mais alto.
Eu entendo que todas as pessoas têm problemas, não sou assim tão cega para não ver isso.
Todos os sentimentos que tem dentro de si, transmitem-se em todas as minhas incertezas. Se ao menos eu conseguisse pedir desculpa por estar errada, e ter vergonha do que faço...não era preciso sofrerem por minha causa, mas podem sempre pôr a culpa em mim.
Desculpa se demoro a entender o teu ponto de vista, sabendo que estou errada, mas tentando inverter a situação.
Desculpa por demorar muito tempo a responder quando me chamas ou falas para mim, mas estou sempre com a cabeça noutro lado, onde ninguém me pode encontrar.
Desculpa pelas vezes em que não te falo, ou quando chego mais tarde e nem te dou explicações.
Desculpa pelas vezes em que tenho de ir e nem te ligo.
Desculpa pelas vezes em que te deixo triste.
Desculpa por todas as vezes que te falto ao respeito.
Desculpa pelas coisas erradas que faço, quando não estou contigo nos momentos em que mais precisas.
Desculpa pelo facto de não gostar de estudar, mas sei que ficas preocupada quando não o faço.
Desculpa pelas coisas que não te digo, mas não tenho coragem...mas podes sempre pôr a culpa em mim.
Vocês são a melhor coisa que eu tenho no mundo, e tenho toda a coragem e força para dizer que tenho orgulho em ser da vossa família.
