Consciência
Ser estranho é uma forma sofisticada de lucidez. Uma consciência em carne viva que sente o mundo com excesso de precisão. Não é excentricidade, é viver em descompasso com o consenso, ouvir o ruído no meio da música, perceber o vazio por trás das certezas.
A dor vem da dissonância entre o que se vê e o que se finge não ver. Enquanto a maioria se protege com ignorância conveniente, o estranho sofre de clareza. Nietzsche chamaria de “doença do espírito elevado”.
E ainda assim, amar. Amar o humano mesmo quando o entende demais.
Ser estranho é viver tonto de liberdade, duvidar até da própria dúvida. Os outros chamam de “confusão”, mas é só alma demais.O estranho é o herege das convenções, o que “rompe tratados e trai os ritos”.
Há delícia também: ser inclassificável, ver poesia no que escapa ao óbvio, rir de si mesmo enquanto o mundo desaba. Perceber o padrão invisível que Jung chamaria de sincronicidade.
O estranho sente o tempo de outro modo: lento por dentro, rápido por fora. Sente o amor como místico, o tédio como luto. Nada é raso, tudo fere, tudo ilumina. E quando o chamam de “intenso”, ele sorri — intensidade é só estar vivo demais num tempo de gente anestesiada.
Ser estranho é viver num exílio fértil, criar, refletir, desobedecer. Estranheza é antecipação do que o mundo ainda não está pronto pra entender. Ser estranho é ser o rascunho do que ainda não tem nome e sorrir, discretamente, sabendo que a habilidade de lidar com o desconforto é um puro sinal de autenticidade e um atestado de maturidade.
(Douglas Duarte de Almeida)
“Há tantas possibilidades para emagrecer, uma delas, é evitar informação que engorda a consciência.”
"A liberdade está na consciência e não nas asas."
Há pássaros que não tem gaiolas, mas vivem presos em rotinas.
Para de procurar Deus fora.
Olha para dentro.
Desperta a tua consciência.
Tu és aquilo que procuras.
Sou apenas uma consciência individual tentando se entender enquanto observa uma humanidade que ainda não se entendeu.
A nossa velhice é um tribunal, nosso passado um júri, nossa consciência
o juiz e os dias que nos restam,
a sentença.
Toda tropa possui uma elite, não definida pela força bruta, mas pela consciência.
Uma nação cujo povo não busca excelência — no conhecimento, no exercício da cidadania e na defesa de seus direitos — torna-se vulnerável.
Um povo que não luta por ideais é facilmente moldado, conduzido e dominado, como ocorre na guerra quando o inimigo subjuga mentes antes de conquistar territórios.
Onde não há elite de consciência, há servidão disfarçada de ordem.
A consciência plena é fácil de se alcançar, basta não fugir dela. A consciência plena é aqui, agora.
Nós somos intérpretes da realidade. Não podemos vê-la, apenas podemos ter consciência da nossa interpretação.
“O corpo guarda aquilo que a consciência não consegue sustentar.”
O Ser Humano como Sistema Integrado
Nina Lee Magalhães de Sá
A nossa liberdade está em nossa consciência, já que, por si sós, somos apenas matéria como qualquer outro objeto. Embora feitos de matéria, entendemos as nossas limitações e através do conhecimento, conseguimos trabalhá-las, modificando, até certo ponto, os sinais de pontuação que a vida impõe em nossas histórias. Não criamos as regras do jogo, mas aprendemos a usá-las a nosso favor; afinal, a mesma água que nos afoga é a que nos mantém vivos e o mesmo fogo que aquece é o que queima.
Isso nos leva a questionar a própria origem de nossas ferramentas. O termo "natural" é definido por boa parte dos dicionários como "aquilo que pertence ou é regido pelas leis da natureza". Por sua vez, a natureza é descrita como "o mundo material, especialmente aquele em que vive o ser humano e que existe independentemente das atividades humanas". Ocorre que, de certa forma, o ser humano, em sua essência, é algo que provém da natureza. Inclusive o cérebro, responsável por criar tudo o que é classificado como artificial, foi criado de maneira natural e é regido pelas mesmas leis.
Embora o cérebro tenha a capacidade de idealizar, tudo aquilo que é materializado deve seguir as leis da física; portanto, da mesma forma que tais leis regem o cérebro humano, regem também suas criações e manipulações. Onde surgiu, então, a diferenciação do que é natural? Se as leis da natureza são as mesmas que regem os seres humanos e suas criações ditas "artificiais", o conceito de natural seria ele próprio artificial?
Além do mais, o cérebro humano se enquadra nas características de "natural", visto que ele seria independente da atividade humana? A menos que ele materialize — ou melhor, que seja o princípio da atividade humana, o que é razoável supor. Pode-se dizer que o ser humano é fruto da reprodução de outros dois seres humanos, o que encerraria a questão biológica imediata; todavia, nem sempre foi assim. Sabemos que nem sempre existimos e que não somos eternos. Em algum momento, algo não humano originou o ser humano. Esse "algo", por definição, faria parte da natureza? Se sim, a consciência que nos dá liberdade é, no fim das contas, a própria natureza manifestando-se contra suas próprias limitações ?
“A consciência é apenas a superfície — o sujeito é muito mais profundo.”
O Ser Humano como Sistema Integrado
Nina Lee Magalhães de Sá
Ser bom é ajudar com consciência e limites; ser idiota é permitir que os outros tirem proveito da sua bondade como se fosse fraqueza.
