Consciência
As favelas representam a ferida aberta de um Brasil que proclama crescimento enquanto despreza sua própria gente, relegando vidas à margem em um cenário onde o descaso estatal se traduz em uma sentença cotidiana de exclusão e resistência forçada.
Um pedaço de mim
Como explicar a saudade de quem nunca existiu e nunca existirá?!
O que resta é aceitar que nunca sentirei o toque da tua alma no topo dos teus cabelos.
Ou que meu seio nunca será teu pedestal sagrado de amor, muito menos o cálice que te serve a vida.
Como morrer em paz sem ter vivido a opulência do meu corpo abrigar dois corações?!
Tampouco, ter tido a honra de ver a luz no brilhar do teu primeiro sorriso.
E é em dias como esse, em que acordar após sonhar contigo, percebo a dimensão do vazio em meu ventre, um vazio que jamais será preenchido.
Contudo, entenda que embora haja dor em minhas palavras, também há consciência em meus atos. Pois eu sei, e você também sabe, que nesta vida não ousei arriscar em lidar com um pedaço de mim.
Para amar a Deus é preciso amar o próximo
Levando marcas e dor,
Não deixaram de lutar.
Os negros todos unidos,
Conquistaram o seu lugar.
Há muitos que não entendem,
Por que tanta discriminação?
O problema é do homem
Que já não tem mais coração.
Do seu próximo já se esqueceu,
E o mandamento não obedeceu.
Negros, brancos, pobres ou ricos...
Se não amas quem está perto,
Como poderás amar a Deus?
Siga a paz com todos e a santificação,
Se não podes amar a ti mesmo,
Tampouco amarás a teu irmão.
Sejam negros, brancos, pobres ou ricos...
Contra o preconceito, diga não.
Thiago Chaves Sousa
Coragem de Raízes Negras
Na dança da vida, com passos firmes,
Caminha uma alma de luz infinita,
Carrega a história em seu peito,
De lutas e sonhos, de amor e de grito.
Coragem é força que brota da terra,
Do suor dos ancestrais que nunca se erra,
Nas veias corre a chama da resistência,
Do passado, um legado, uma imensa presença.
Olha pra frente, erguendo a cabeça,
A beleza da pele, a força da certeza,
Em cada olhar, um mundo a brilhar,
Em cada sorriso, um novo despertar.
Desafios surgem, mas não vão derrubar,
Quem sabe da dor e do poder de amar,
Cada queda ensina, cada tropeço é arte,
Na luta diária, a coragem é parte.
Vem, irmão e irmã, juntos a cantar,
A canção da vida, a força de lutar,
Por um futuro onde todos são iguais,
Na diversidade, a beleza que traz paz.
Coragem é ser, é viver sem temor,
É erguer a voz, é reivindicar amor,
É ser a tempestade, a calma e o sol,
É saber que somos, afinal, um só rol.
Com coragem nas veias e amor no olhar,
Seguimos em frente, prontos pra brilhar,
Porque na jornada, somos a mudança,
E a coragem é nossa, a eterna esperança.
Que vinte de novembro sempre possa raiar a consciência branca que somos
iguais, jamais relés, vil e que nunca
mais, "nunca mais", seremos tratados como animais...
Uma luta ancestral pela dignidade da pessoa humana, independente da cor e origem, um respeito e valorização da vida, um direito de existir, um lugar de fala!
“20 de Novembro, frutos…”
A resistência das folhagens e frutos de modo geral, sempre nos apontam a simplicidade, ou mesmo a facilidade do seu surgimento, no entanto gostaria de deixar uma visão além, nessa metáfora, onde as flores negras, com sua elegância ímpar, e os frutos de alma escura, como a jabuticaba e a amora silvestre, são símbolos de uma beleza que não se contenta em florescer nas “sombras”. Essas expressões naturais nos convidam a mergulhar nas profundezas da história e a refletir sobre a resistência, a ancestralidade e a luta incessante do povo negro no Brasil. Em um dia como o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, estas comparações se tornam ainda mais pertinentes, revelando um legado que transcende o tempo.
As flores negras, com sua delicadeza paradoxal, evidenciam a força que se revela na adversidade, são flores que brotam em meio às dificuldades e que, mesmo em solos áridos, encontram formas de se expressar e de colorir a paisagem. A jabuticaba, com seu sabor agridoce, assim como a amora selvagem, que cresce de maneira quase silvestre, são frutos que trazem em sua essência a história de um povo que, em constante luta, celebra sua identidade e busca reconhecimento. Esses frutos, que nascem em árvores resistentes, são a metáfora perfeita da luta do povo negro contra as amarras da opressão e do racismo.
O Dia da Consciência Negra é mais do que uma data simbólica; é uma convocação à reflexão e à ação. Como diria Marcus Garvey, um dos mais importantes líderes sobre a luta pela liberdade, “Um povo sem o conhecimento de sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes.”
Este apelo à interconexão nos faz lembrar que a emancipação não se dá apenas no campo do indivíduo, mas como um ato coletivo. As flores e os frutos negros servem como metáfora dessa unidade: cada um traz uma parte de suas histórias para a formação de um mosaico cultural vibrante, fruto da resistência e da luta.
A mente não repreende o seu pensamento nem impõe limite ao seu sonho, você determina onde quer chegar. A consciência te permite escolher, escolha a fé, ela é um dom de Deus, abandone a casualidade, nela está a perdição dos homens.
Como formigas em um formigueiro artificial, vivemos sem enxergar o que existe além. Muitos aceitam isso sem questionar, mas alguns sentem que há mais do que podemos compreender.
Conselhos são bons, não temos dúvidas! O seu amor próprio pode te aconselhar, o seu consciente pode te aconselhar. Você só precisa saber que o amor próprio costuma ser um péssimo conselheiro, ele tem o hábito de nos aconselhar mal, a sua consciência faz está tarefa bem melhor. Ouça o que a sua consciência tem a dizer.
Você passou a vida ouvindo milhões de vozes, inclusive a sua. Mas nunca a única que realmente importa—silenciosa, mas sempre presente: a voz da sua consciência.
Dizer “foi mal” ou pedir desculpas depois de agir ou agredir alguém com gestos, palavras e atitudes, não te exime da responsabilidade e consequência do seu mal comportamento, muito menos do seu compromisso social de buscar agir de forma com que não torne a dizer isso repetidas vezes.
A História, a Cultura e o Destino
Há quem diga que a História não importa,
Que o que passou passou,
Que a fome é agora,
Que os dias correm sem tempo para pensar.
Mas o rio não nasce no mar,
O vento não sopra sem ter por onde veio,
E eu não sou só este momento,
Sou também o que fui antes de mim.
A terra que piso tem pegadas,
As palavras que digo têm ecos,
E se o mundo é estreito
É porque alguém antes de mim aceitou que fosse.
A História não me dá pão,
Mas mostra-me quem colheu antes de mim.
A Cultura não me veste,
Mas ensina-me a olhar para além do muro.
A Filosofia não me salva da morte,
Mas diz-me que estar vivo não é só respirar.
Quem diz que não tem tempo para pensar,
Não vê que há quem pense por ele.
Quem não quer saber do que veio antes,
Caminha por um trilho traçado sem saber por quem.
Mas há um instante –
Sempre há um instante –
Em que o homem para e se pergunta:
E se o caminho pudesse ser outro?
E então descobre que a História, a Cultura e o pensamento
Não são pesos nem sombras gastas,
Mas chaves.
E quem segura uma chave,
Mesmo sem saber,
Já começou a abrir a porta.
Os tiranos não temem armas,temem ideias.
Os déspotas não receiam a miséria, receiam que se perceba por que ela existe.
Você é seu lar mais importante—cultive sua mente, respeite seu corpo e preserve sua paz.
Moabe Teles
Para os que Virão: Parte X
A desigualdade não é um acidente da história, mas uma escolha repetida. Herdam um mundo onde riqueza, oportunidades e dignidade foram distribuídas como privilégios, não como direitos. Saibam: a justiça não brota por conveniência. Exige ruptura.
Não se enganem com discursos que culpam os pobres por sua pobreza ou glorificam o mérito em um tabuleiro desigual. A luta contra a desigualdade começa quando reconhecemos que ninguém é livre enquanto há pessoas reduzidas a números, corpos descartáveis, vozes abafadas pelo ruído do poder.
Seus antepassados combateram sistemas, mas muitos preferiram negociar migalhas em vez de redistribuir o pão. Não repitam o erro. Sejam radicais: eduquem, redistribuam, desmontem hierarquias. Não basta amenizar sintomas; curem a doença. A terra, o trabalho, o conhecimento tudo deve ser comum.
Desconfiem de quem diz "é assim mesmo". O futuro não é um destino, mas um projeto. Escolham: perpetuar pirâmides ou construir círculos. Lembrem-se: enquanto um existir de joelhos, a humanidade não estará de pé.
A luta é longa, mas a semente da igualdade só germina quando plantada com as mãos sujas de ação.
