Consciência
A existência não transcorre diante da consciência como uma sucessão de acontecimentos: ela se constitui pela acumulação irreversível de tudo aquilo que a consciência experimentou.
A consciência criadora não encontra necessariamente respostas para todas as perguntas; frequentemente modifica a própria estrutura das perguntas que consegue formular.
Orgulho do que tem, mas vergonha de como conseguiu. O feed é lindo, mas a consciência sabe o roteiro.
Sem pedir licença para entrar,
é capaz de nos colocar no túnel
da consciência humana
mais impossível de enxergar,
fazendo zombar com a cultura,
o pertencer e a origem,
mudando até a paisagem
da onde é o nosso lugar,
quebrando-nos inteiro por dentro,
fazendo guerra cognitiva diária,
sem parar de avança contra
os elementos básicos de vida,
para romper a memória coletiva,
apagando o que traz estímulo,
descanso, os nossos sorrisos,
obnubilando todos os juízos,
cortando laços, criando destroços
e conspirando contra os sonhos.
O que estou querendo transmitir
com tudo isso é bem simples:
nasceste com cabeça para pensar,
dois olhos para observar
e o livre arbítrio para não deixar
o Colonialismo Moderno se criar.
A atitude e o silêncio bem
empregados são instrumentos
para ninguém passar por cima
para ocupar o nosso lugar,
e uma nova História inventar.
Não preciso de permissão
para tomar conta da sua
consciência íntima toda.
Por ter a senha e a chave,
entro a qualquer hora,
com calma, porque moro
no coração e no pensamento,
certa de que já me esperava.
E não me desculparei nunca
por te desejar inteiro:
tornei-me o adorável tormento.
O mundo lá fora implora
por sua atenção.
Com tato de senhora
do que a sua mente quer,
mostro lado a lado
tudo o que você sempre
sonhou e nunca vivenciou;
porque, sem volta,
nos sagramos atlânticos.
No abandono luxurioso
a dois, em banho dourado
pelo preguiçoso sol de junho
cortando o guanandi,
sem perder o embalo
alucinatório com os rubis
íntimos totalmente pulsantes,
trocamos os lábios coralíneos
bailantes, vivos e famintos,
por plânctons místicos.
Somos a continuidade
do romantismo proibido.
Saudade que arde,
consciência amargada,
troca de alma
mal interpretada,
mas no peito derrete,
doce e late,
feito dor misturada
com calda de chocolate.
Eu desejo.
Eu sinto.
Mas não toco.
Não é falta de coragem.
É consciência.
Nem tudo que acende em mim
eu preciso alcançar.
Tem coisas que eu quero
mas não quero o preço.
Tem presenças que me atravessam
mas eu escolho não atravessar de volta.
Eu aprendi que sentir
não me obriga a agir.
E às vezes o controle
é mais intenso que o toque.
A consciência deve ser livre. Ninguém pode ser obrigado a ser de esquerda ou de direita. Eu mesma não suporto nenhuma das duas correntes ideológicas semeadas aqui no Brasil, mas me dou bem com as pessoas das duas matizes.
O ESPÍRITA DIANTE DAS IDEOLOGIAS: CONSCIÊNCIA, LIVRE-ARBÍTRIO E COERÊNCIA MORAL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O espírita que compreende o caráter progressivo da Doutrina não pode limitar sua visão de mundo aos conteúdos doutrinários isoladamente. Precisa estudar a humanidade, investigar suas transformações históricas, conhecer as correntes filosóficas, compreender os fenômenos psicológicos e sociais e examinar criticamente as ideologias que influenciam o pensamento e o comportamento coletivo.
O Espiritismo, em sua perspectiva progressiva, não propõe a submissão intelectual a siglas, lideranças ou movimentos. Propõe o desenvolvimento da razão, da consciência moral e da responsabilidade individual. Por isso, o espírita precisa aprender a pensar sem idolatria, posicionar-se sem extremismo e respeitar sem abdicar da própria capacidade de discernimento.
PONTOS FUNDAMENTAIS PARA A REFLEXÃO.
1. Conhecer os prós e os contras: estudar antes de se posicionar.
Nenhuma corrente de pensamento deve ser aceita ou rejeitada simplesmente por identificação emocional. É necessário investigar seus fundamentos, suas contradições, seus efeitos históricos e suas consequências humanas.
O conhecimento não deve servir para confirmar aquilo em que já acreditamos, mas também para nos permitir reconhecer quando estamos equivocados.
2. Filosofia, psicologia e antropologia: compreender o ser humano.
O estudo filosófico desenvolve a capacidade de questionar; a psicologia permite compreender os mecanismos emocionais, os preconceitos, as projeções e os comportamentos de grupo; a antropologia amplia nossa percepção sobre a diversidade humana e suas construções culturais.
A historicidade, por sua vez, ensina que nenhuma sociedade está imune aos erros do passado.
O espírita que busca lucidez precisa compreender essas dimensões, pois não basta conhecer princípios morais: é necessário reconhecer como eles são vividos, distorcidos ou abandonados nas relações humanas.
3. Livre-arbítrio não significa submissão a uma sigla.
Uma pessoa não pode ser reduzida à sua identificação política, religiosa ou ideológica. Sua dignidade não desaparece porque pertence a determinado grupo ou sustenta uma opinião da qual discordamos.
Respeitar o ser humano não significa concordar com todas as suas ideias. Significa reconhecer sua condição humana, preservar o diálogo e examinar suas posições sem recorrer à desqualificação pessoal.
O espírita deve ter liberdade para escolher, mas também responsabilidade para responder moralmente pelas escolhas que realiza.
4. A coerência moral exige correspondência entre discurso e comportamento.
Não é suficiente declarar amor às causas sociais, defender a fraternidade ou apresentar-se como alguém comprometido com os valores cristãos. É indispensável verificar se essas convicções aparecem nas atitudes cotidianas.
Quem defende o respeito, mas humilha; quem proclama a fraternidade, mas discrimina; quem fala em liberdade, mas tenta silenciar o pensamento alheio, precisa confrontar a distância entre aquilo que anuncia e aquilo que efetivamente pratica.
A contradição entre discurso e comportamento é um convite à revisão da própria consciência.
5. A memória histórica como instrumento de vigilância moral.
A experiência do fascismo europeu e a ascensão do nazismo na Alemanha, especialmente durante o período que antecedeu e acompanhou a Segunda Guerra Mundial, demonstram como movimentos autoritários puderam conquistar adesões, explorar ressentimentos, manipular informações e enfraquecer instituições democráticas.
A história não deve ser estudada para alimentar ódios indiscriminados, mas para desenvolver discernimento diante de práticas como a intolerância, a perseguição, a desumanização de adversários e a concentração autoritária do poder.
Esquecer os mecanismos que favoreceram essas experiências significa perder instrumentos importantes para compreender os riscos do presente.
6. O compromisso espírita com a verdade exige independência intelectual.
O espírita não deve entregar sua consciência a partidos, dirigentes, celebridades, grupos ou tendências ideológicas. Nenhuma identificação coletiva pode substituir o exame racional dos fatos.
É preciso ter coragem para reconhecer méritos onde eles existam, apontar erros onde forem demonstrados e rever posições quando novas evidências exigirem uma mudança de entendimento.
A fidelidade aos princípios morais não pode depender da conveniência de uma sigla.
7. A maturidade espiritual manifesta-se na maneira de tratar as pessoas.
O desenvolvimento moral não se mede pela quantidade de discursos religiosos, pela aparência de superioridade intelectual ou pela adesão pública a determinadas causas.
Manifesta-se na capacidade de respeitar, ouvir, reconhecer os próprios erros, combater preconceitos e preservar a dignidade humana mesmo diante das divergências.
A consciência amadurecida não precisa diminuir o outro para sustentar suas convicções.
CONSIDERAÇÃO FINAL.
O Espiritismo progressivo exige mais do que adesão doutrinária: exige consciência investigativa, honestidade intelectual e responsabilidade moral.
Não se espera do espírita que abandone sua liberdade de pensamento, mas que a exerça com lucidez; que não se torne prisioneiro de extremismos, nem permita que simpatias ideológicas se sobreponham aos fatos.
A questão fundamental não é saber qual sigla alguém abraça, mas se suas escolhas, suas palavras e suas atitudes guardam coerência com os princípios de liberdade, justiça, fraternidade e respeito humano que afirma defender.
A Doutrina não nos convida a idolatrar ideias ou pessoas. Convida-nos a desenvolver a consciência. E uma consciência que não admite questionamentos corre o risco de transformar convicções em dogmas e liberdade em submissão.
Ter consciência do divino,
não significa dobrar joelhos a qualquer
personagem ou doutrina...
Mas continuamente revestir-se
de consistentes saberes - dos graciosos
hálitos da prudência - que
nos mantenham de pé
e caminhando!
... ter consciência
do Divino, não significa
dobrarjoelhos a quaisquer
personagemou liturgia - porém,
seguidamenterevestir-se de plausíveis
saberes -dos virtuosos hálitos da prudência;
propensos a nos manterem de pé
e caminhando!
Com tanta consciência esvaziada no meio polarizado, para alugar cabeças de parte considerável de um povo, basta comprar algumas.
E talvez seja justamente esse o retrato mais inquietante do nosso tempo: a opinião deixou de ser construída para ser terceirizada.
Poucos pensam, muitos repetem.
Poucos lucram, multidões defendem.
E, no meio desse comércio invisível de narrativas, convicções passaram a ser tratadas como produtos de campanha — embaladas com medo, raiva, pertencimento e inimigos convenientes.
As lideranças populistas entenderam algo perigoso: não é necessário convencer uma sociedade inteira; basta capturar emocionalmente grupos barulhentos, disciplinados e permanentemente indignados.
A polarização faz o restante do trabalho.
Quando tudo vira disputa entre “nós” e “eles”, a verdade deixa de ser importante.
O que importa é vencer, humilhar, viralizar e manter o próprio lado em estado contínuo de alerta.
Nesse ambiente, a coerência se torna descartável.
Pessoas que antes condenavam autoritarismos passam a relativizá-los quando praticados por quem defendem.
Quem exigia ética aceita corrupção “do bem”.
Os que gritavam por liberdade apoiam censura seletiva.
Não porque mudaram seus valores, mas porque trocaram princípios por torcida.
E talvez o maior triunfo dessas lideranças não seja eleitoral, mas psicológico: transformar cidadãos em soldados emocionais incapazes de admitir a manipulação.
Porque a manipulação mais eficiente não é aquela percebida como imposição, mas a que é confundida com identidade.
Quando alguém acredita que questionar um líder é trair sua própria existência, o pensamento crítico já foi derrotado.
A polarização também produz um fenômeno cruel: o esvaziamento moral coletivo.
O adversário deixa de ser humano e passa a ser tratado como ameaça absoluta.
Com isso, desaparecem o diálogo, a nuance e até a honestidade intelectual.
Restam apenas caricaturas.
E caricaturas são mais fáceis de odiar do que pessoas reais.
Enquanto isso, os verdadeiros problemas sobrevivem confortavelmente no caos.
Desigualdade, violência, corrupção estrutural, precarização, desinformação e abandono institucional seguem existindo — muitas vezes alimentados pelos mesmos grupos que dizem combatê-los.
Afinal, uma população permanentemente dividida dificilmente se une para cobrar mudanças concretas.
O mais alarmante é perceber que muitos já não querem compreender; querem apenas confirmar.
Não buscam informação, mas validação emocional.
E, quando uma sociedade passa a consumir narrativas como quem escolhe times, a democracia começa a perder sua essência e ganha contornos de espetáculo.
Talvez a resistência mais revolucionária hoje não seja gritar mais alto, mas pensar com mais honestidade.
Ter coragem de criticar o próprio lado.
Recusar idolatrias políticas.
Desconfiar de quem lucra com o ódio permanente.
E lembrar que nenhuma liderança deveria valer mais do que a consciência individual de um povo.
Porque, quando cabeças são alugadas por conveniência ideológica, cedo ou tarde o preço é pago pela sociedade inteira.
Penso muito na humanidade e suas evoluções, pois, dependem muito da Mídiea por consciência e decisões, e o pior de tudo pode vir de crianças ou pior ainda, de inisperientes.
A consciência ainda é o software misterioso que compete a humanidade, não somos mais animais 100%, mas mesmo assim defendemos esse direito até com certificados.
A consciência quando não sabe vira escravo do ambiente, quando implica está há um fio da loucura. Espero que haja respeito.
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