Como a Vida Imita o Xadrez de Gary Kasparov

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Saiba pois que sou muito senhora da minha vontade, mas pouco amiga de a exprimir; quero que me adivinhem e obedeçam; sou também um pouco altiva, às vezes caprichosa, e por cima de tudo isto tenho um coração exigente. Veja se é possível encontrar tanto defeito junto.

Machado de Assis
A Mão e a Luva (1874).

Tu és o Santo
Senhor e Deus único
Que operas maravilhas!
Tu és o forte!
Tu és o grande!
Tu és o Altíssimo!
Tu és o Rei onipotente
Santo Pai, Rei do céu e da terra!
Tu és o Trino e Uno
Senhor e Deus, Bem universal!
Tu és o Bem, o Bem universal
o sumo bem, Senhor e Deus
vivo e verdadeiro!
Tu és a delícia do amor!

Que miserável homem que eu sou; quem me livrará do corpo desta morte.
As coisas que quero fazer eu não faço, as que eu não quero, isso sim eu faço.

Paulo de Tarso

Nota: A primeira frase é de Romanos 7:24 (tradução de João Ferreira de Almeida Atualizada). A autoria da segunda frase não foi confirmada.

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O melhor modo de viver em paz é nutrir o amor-próprio dos outros com pedaços do nosso.

Machado de Assis
Helena (1876).

Não se irrite o leitor com esta confissão. Eu bem sei que, para titilar-lhe os nervos da fantasia, devia padecer um grande desespero, derramar algumas lágrimas, e não almoçar. Seria romanesco; mas não seria biográfico. A realidade pura é que eu almocei, como nos demais dias...

Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Typografia. Nacional, 1881.

Extremos são de amor os que padeço,
Ó humano tesouro, ó doce glória;
E se cuido que acabo então começo.

Assim te trago sempre na memória;
Nem sei se vivo, ou morro, mas conheço,
Que ao fim da batalha é a vitória

Convém que os homens afirmem o que não sabem, e, por ofício, o contrário do que sabem; assim se forma esta outra incurável, a Esperança.

Machado de Assis
Esaú e Jacó (1904).

A voz de uma passarinho me recita.

Manoel de Barros
BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito.

Machado de Assis
Esaú e Jacó (1904).

Ninguém faz mal a um homem no mesmo instante em que vai pedir-lhe um favor.

Machado de Assis
Ressurreição (1872).

Aqui de cima do telhado a lua prateava.

Manoel de Barros
BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

A fuga nunca levou ninguém a nenhum lugar

Devo confessar preliminarmente, que eu não sei o que é belo e nem sei o que é arte.

Mário de Andrade
ANDRADE, M., O Baile das Quatro Artes, 1943

PÁLIDA INOCÊNCIA

Por que, pálida inocência,
Os olhos teus em dormência
A medo lanças em mim?
No aperto de minha mão
Que sonho do coração
Tremeu-te os seios assim?

E tuas falas divinas
Em que amor lânguida afinas
Em que lânguido sonhar?
E dormindo sem receio
Por que geme no teu seio
Ansioso suspirar?

Inocência! quem dissera
De tua azul primavera
As tuas brisas de amor!
Oh! quem teus lábios sentira
E que trêmulo te abrira
Dos sonhos a tua flor!

Quem te dera a esperança
De tua alma de criança,
Que perfuma teu dormir!
Quem dos sonhos te acordasse,
Que num beijo t’embalasse
Desmaiada no sentir!

Quem te amasse! e um momento
Respirando o teu alento
Recendesse os lábios seus!
Quem lera, divina e bela,
Teu romance de donzela
Cheio de amor e de Deus!

Amores perfeitos só existem nas projeções. Ou nos jardins.

Soneto da perdida esperança

Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa

com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.

"O maior é o espaço porque dentro dele cabe tudo.O mais veloz é o intelecto porque passa através de tudo.A mais forte é a necessidade porque tudo domina.O mais sábio é o tempo porque tudo revela."

Tenho fé no amor, com ele vencerei o impossível.

A sombra do branco é igual a do preto.

Escrever nem uma coisa
Nem outra -
A fim de dizer todas -
Ou, pelo menos, nenhumas.

Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.

Manoel de Barros
BARROS, M. O Guardador de Águas. São Paulo: Art Editora, 1989.