Coleção pessoal de TiagoScheimann

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Quando o corpo desaba, a alma ruge no silêncio da exaustão, arde o fogo indomável que nada pode extinguir.

Transformar dor em combustível é alquimia selvagem, a chama que nasce do abismo, a vida que renasce incendiada pelo próprio sofrimento.

Vencer é resistir na repetição dos dias, batalha sem aplausos, conquista feita de amanheceres sangrados em silêncio.

O medo ronda, mas não governa, é sombra frágil diante do peito em chamas, um invasor que nunca tomará morada.

Superar é encarar o espelho estilhaçado, ver além das cicatrizes, arrancar força do reflexo despedaçado.

A inspiração vem da dor, sempre da dor.

Entre troncos deformados, galhos estéreis e raízes corroídas, penso em outonos distantes, onde o vazio ainda não tinha tomado tudo. Hoje, nem mesmo as lembranças florescem, apodrecem comigo, como se cada estação me roubasse um pedaço da alma. O que antes era silêncio fértil, agora é deserto e já não sei se há algo em mim que ainda resiste ao inverno que nunca termina.

Quando as lembranças da infância se entranham no meu peito, rasgam-me as entranhas e arrancam minha carne ao ritmo de memórias que não perdoam, tudo o que superei , daquele passado terrível com tanto esforço vira pó, e eu fico a arrastar o cadáver de quem fui.

O mais difícil é erguer-me ao nascer da manhã, depois disso, deixo que a vida siga seu curso, e, quase como um milagre silencioso, o dia floresce diante de mim.

Toda felicidade do mundo seria inútil diante da ruína que você mesmo ergueu. Suas escolhas te esculpiram, não há retorno, e nada jamais apagará o que você se tornou.

Ser cristão é viver disposto a morrer por aquilo que se sente e se crê, mesmo sabendo que jamais será totalmente compreendido.

O paradoxo do vazio que me habita é como um quarto com janelas abertas para o nada, ali encontro solidão e liberdade, medo e um estranho alívio que me sussurra para ficar.

Eu escrevo na esperança de que um dia alguém leia e compreenda esses cacos de mim, sem esse entendimento, as noites de insônia, as crises da minha depressão correm o risco de não ter deixado rastros que valham a pena.

Não posso ensinar nada, porque ainda vivo em construção, minhas certezas são andaimes e meu eu, uma casa inacabada.

Elegantemente, vou ignorando tudo e todos, um gesto contido que guarda meu silêncio como quem preserva um relicário.

Meus professores não tinham nomes gentis, foram a tristeza, o sofrimento e a incerteza. Nunca fui um bom aluno, por isso ainda tento decifrar suas lições.

Existem pessoas que são carniças pulsantes, infestadas de vermes, esquecidas na escuridão do próprio ser. Ao menor sinal de luz em alguém, avançam como pragas vorazes, dilacerando sem piedade até o último resquício de brilho, apenas para ocultar a imundície que as devora por dentro.

Tive uma segunda chance, já atravessei portais invisíveis e experimentei, em minha própria vida, o esplêndido sabor da glória de Deus. Vi rostos iluminados de todas as idades, ouvi louvores que transbordavam amor sincero ao Senhor. Desde então, carrego em minha alma uma saudade profunda do céu, pois sei, com convicção, que para a linda cidade um dia voltarei.

Nunca me coube a sorte de vivências extraordinárias ou feitos que impressionem; se meu diário fosse medido por tais episódios, grande parte de suas páginas repousaria em branco, silenciosa testemunha do ordinário.

Antes, as frases eram fortes, às vezes tristes, mas carregadas de verdade e profundidade, hoje, tornaram-se raridade. Vejo uma enxurrada de palavras feitas apenas para agradar, para ecoar no vazio de mentes que pouco pensam, palavras que satisfazem apenas meia dúzia de analfabetos funcionais. A escrita que outrora feriu, que fez refletir e transformar, hoje se curva à mediocridade, à busca fácil pelo aplauso imediato. Parece que a profundidade se tornou inconveniente, e a verdade, um luxo que poucos se permitem escrever ou ler.