Coleção pessoal de TiagoScheimann
Sob a garra de um fim de tarde gélido, o vento do sul chicoteia a minha linda Ilha de Florianópolis, transformando o oceano em uma fúria de açoite. A ressaca violenta, incontrolável, arremessa a areia salgada, grão por grão, contra o rosto, enquanto a maresia incessante incrusta o sabor amargo da ausência na garganta e na alma. É nesse caos costeiro, visceral e implacável, que o meu peito aperta e a sua imagem e só ela, se torna o único e inegociável porto seguro em meio à tempestade.
A solidão foi um deserto que precisei atravessar, na areia deixei expectativas mortas, no vento encontrei o som da minha própria respiração, e no fim descobri que nunca estive realmente só, eu estava comigo e isso era suficiente.
A dor não me define, mas me educa, ela me mostra caminhos que a alegria disfarça, aprendi a respeitar o que me feriu, porque foi através disso que ganhei força, e agora carrego orgulho das cicatrizes que tenho.
O silêncio me ensinou mais do que mil conselhos, Nele eu ouvi o eco das minhas verdades escondidas, os ruídos da alma só se calam quando são encarados, e hoje não temo mais minhas sombras, eu converso com elas até que se tornem luz.
A maturidade espiritual é a arte de sorrir para as perdas, de acenar para o que se foi sem rancor, e de entender que cada encerramento é, na verdade, uma limpeza de terreno para o que está por vir, e que a mão que se solta é a mesma que fica livre para segurar algo muito mais importante e duradouro. Apegue-se apenas à sua capacidade de amar e de se reerguer, pois são os únicos bens inalienáveis, e deixe que o universo leve o que precisa ir, o vazio deixado não é uma ausência, mas o espaço sagrado que a providência reservou para preencher com a sua próxima, e maior, bênção.
