Coleção pessoal de swamipaatrashankara
Dependendo do momento, há pessoas que sofrem de amnésia seletiva. Só lembram daquilo que é conveniente que se lhes traga alguma vantagem.
Em discussão acalorada, a verborragia irá num crescendo até atingir o limite da exaustão quando os envolvidos tiverem a certeza para si mesmo que "disseram toda a sua verdade". Os sentimentos são mútuos e todos sairão exatamente como entraram antes dela. Verdades pessoais são intransferíveis, pois batem no escudo das verdades do outro.
Vejo isso muito em casos policiais, onde ocorrem até assassinatos por isso, quando alguma mulher descobre que o marido está tendo um caso com alguma dona qualquer. Ela vai lá com a outra tirar satisfações e entre algumas escaramuças verbais, parte-se para a agressão física, ás vezes até com morte. Isso acontece com homens também, mas peraí, não entendi muito bem: pra alguém ter um caso fora com alguém é preciso dois. Se o sujeito não quer, não acontece nada e se a mulher não quer também não acontece nada. A quem deveria se passar o rodo é o traidor (a) dentro de casa e não quem está lá fora. Isso é defesa de território, como os animais fazem? Agride-se o outro ou outra, mas em casa, tudo bem? Claro que alguns casos acabam em separação, mas vejo que muita gente, que já conheci, perdoam a "falta" de quem está do lado, mas arrebenta quem estava do outro. Eu vivo, vejo o que posso, mas não consigo entender certas coisas básicas e elementares. Pra entender o ser humano, só sendo psicanalista. E louco, idem.
Ah, tá, me engana que eu gosto: você diz ser quem é por causa dos outros. Sei, claro, etc. Não. Você é o que é pela mínima compreensão de si mesmo e também dos outros. No final, cada ato cometido, cada palavra expressada sairá de quem você é e não dos outros, que já estão ocupados em ser também.
Para alguns, as costas dos outros sempre são mais largas que as próprias. Fica assim mais fácil colocar o peso das nossas culpas e convenientemente se esquecendo que outros podem imaginar que suas costas são boas depositárias. É um ciclo que não termina nunca, pois ninguém quer carregar o peso pessoal sem ser dividido ou jogado completo no outro, pois peso, embora seja seu fardo, poucos querem carregar.
Em uma discussão alguém me disse: "Você acha que tudo tem a ver com você?" Acho. È simples, tudo tem a ver com a vida de qualquer pessoa. Essa expressão é pura filosofia de boteco, coisa de gente que não tem argumentação alguma quando confrontada pelo mal que faz a alguém, no caso, eu. Ou com qualquer pessoa. Tem a ver com os meus sonhos perdidos, tem a ver com a minha dignidade ferida, tem a ver com meus conceitos, tem a ver com fazer tudo para que exista felicidade e harmonia, mas a outra pessoa não quer, pois o que ela é, tem a ver com ela. Mas o limite sempre é ultrapassado, pois cada um acha que "é" alguma coisa, se esquecendo miseravelmente que os outros também "são" alguma coisa. Qualquer pessoa formada em botecos vão falar em ego, que o meu ego é maior, etc, entre outras coisas infelizes, pois ninguém nunca está dentro de ninguém para experienciar como cada coisa repercute em cada ser humano. Pode ser ego, que seja, para confortar os experts em ego, mas e o ego da outra pessoa, não conta? Minha intenção nunca foi moldar ninguém, a forma já vem pronta e se alguém não está disposto a ceder em nada, mesmo que meus apelos sejam simplesmente querer ser feliz junto a ela, então sim, tudo tem a ver comigo, com o meu sofrimento diante disso e a outra pessoa conservando intactos o seu caráter e personalidade, mesmo que afunde emocionalmente a outra pessoa, certamente voltamos ao início: tudo tem a ver com cada pessoa. O que vale mesmo é a interação que fazemos e como fazemos. Podemos oferecer felicidade ou apenas baseados no que "somos", oferecer infelicidade. O resto, bem, é o resto: pura conversa fiada.
Nos preocupamos demais com algumas pessoas e claro, acabamos por nos preocupar de menos com nós mesmos. A pergunta que fica é: a recíproca é uma verdade?
Tem gente que nos amam, outras, nos odeiam. Não faça distinção. Pelo menos algumas tomam parte do seu tempo se preocupando com nós. Por precaução, tomemos um banho de sal grosso de vez em quando...
Não somos todos escritores? Basta escrever o que pensamos. Se vão gostar ou não é outra história. Ninguém tem nada a ver com nosso legado, eles que escrevam o que pensam também e não se limitem a seguir a carruagem e sem vontade de fazer a mesma coisa, se arvorem a nossos críticos, que aliás, é até bom, pois algo despertou atenção neles. Os críticos não escrevem nada, não se aventuram a nada, apenas seguem a carruagem, latindo atrás.
Dizem que mulher não trai, se vinga. Pelo menos algumas preferem que acreditem que seja assim. Legal. O ato é o mesmo, a baixaria é a mesma, faz exatamente igual ao que condenou, mas a explicação é outra? A vida real não é tão simples quanto as explicações a respeito dela.
Amizades e elásticos são coisas parecidas. Não force além do limite suportável senão pode arrebentar.
Tudo o que lemos, sejam coisas boas ou ruins não é para ficar somente na leitura, mas no pensamento, na alma. São mais para pensarmos sobre o que somos e que ainda podemos tentar ser. Somos eternos aprendizes de nós mesmos.
A maioria das pessoas sempre estão procurando atalhos, sempre o caminho mais fácil para tudo. Em algumas coisas para poupar tempo, isso é até válido. Na evolução espiritual não há atalhos, passa-se pelo que tem que passar, vive-se o que se tem para viver e evolui-se ou não com as alegrias e vicissitudes. A evolução nunca dá saltos.
Claro que eu minto de vez em quando, mas eu minto de verdade. Se eu não acreditasse na minha própria mentira como poderia parecer verdade? Algumas até por usar demais e por desistência delas mesmo, já passam a ser uma meia-verdade. Logo passam a ser verdade inteira. Todo mundo mente. Pesquisas internacionais, dependendo do país investigado dão conta desde 6 mentiras até 200 por dia. O problema disso é se lembrar de cada mentira contada na vida quando for perguntado algum tempo depois. Pois é.
Não se prenda em demasia aos sonhos de que recorde ou às narrativas dos sonhos de outrem para não descer ao terreno lodoso da extravagância imaginativa. A lógica e o bom senso devem ser partícipes ao raciocínio.
"Teoria pode ser, mas na prática..." Já tentou alguma vez pra ver se a teoria se aplica na prática? Ou apenas é uma ideia defensiva que soma aos muitos que não fazem nada por sua vida?
