Coleção pessoal de stuckinmybrainn
**Apague as velas**
No estranho silêncio da noite,
No escuro noturno
Sem estrelas,
Sem lua.
Uma vela segue a brilhar fracamente
Sua chama é comprida,
Maior que a vela em si
E ao redor da vela, só escuridão
Não, olhe novamente
Olhe direito
A noite está com estrelas
"Elas são tão pequenas, com a luz não dá pra ver" dizia eu quando criança
A ofuscante luz urbana apagou para exibir a beleza das luzes do espaço.
A vida precisou parar pra conseguir apreciar as estrelas
O tempo congelou, as estrelas continuam brilhando
Uma, duas, três horas
A madrugada me parece insuficiente pra olhar o vasto céu
De soslaio, a escuridão me cerca, mas meu foco está apenas na luz pura das estrelas
A paz se senta do meu lado enquanto olho as pequenas luzes
Pouco a pouco, vejo a lua ser costurada no céu
Porém, num piscar de olhos, o tempo volta a correr
Não há mais intervalo para olhar o céu
O céu, mesmo sempre estando lá, não está mais, não do jeito quando escuro
Agora os momentos que vejo as estrelas são raros
Essas lembranças são nostálgicas, longínquas
Desejo que as estrelas brilhem para mim novamente
**Cosmos Sulphureus**
Já feneces linda flor?
Finalmente já murchou?
Seu amarelo vivo me incomodava
Suas alaranjadas pétalas me davam inveja
Sua arrogante imponência me embrulhava o estômago
Seu nome irradiando beleza
Não é nada mais que doces mentiras.
Agora és um parasita,
Vista por todos como invasora.
Seus filhos são pisados
Seus netos, ostracizados.
Tu que antes eras acostumada com o caloroso sol
Agora só terás escuras e frias sombras
Que suas lindas pétalas sejam finalmente tingidas com seu sangue.
Sigo inconformado
Algo lateja no fundo do meu ser
"Não há sentido
Por quê?"
Sigo ignorando, um ser ignorante
Os cosmos me falaram
A injustiça que sofreram
O que haviam feito pra serem destratados?
Nasceram.
Cresceram.
Viveram como qualquer outro.
"Eras pra ser amada
Só que nasceste no lugar errado
Seu erro foi crescer junto às outras flores"
Que lei infringiu?
Que pecado cometeu?
Apenas por viverem?
Só por crescerem?
Eu aprendi que eras vilã
Ensinaram-me que tu fizeste mal
Será que sou o errado?
Porém, largada no mato
Escorraçada na lama
Como essa é a vil vilã?
Sem fazer mal,
Apenas vive.
E graças a isso, és invasor.
*Viperino*
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Igual à víbora,
mordes-me e espalhas teu melífluo veneno
Igual à cascavel,
Fazes-me temer os sinos, o som da vida
Igual à naja,
Fazes-me estagnar perante as línguas de áspide
Funus
Libitina levou as flores
O cheiro delas se misturou
A branca margarida,
Tingida com um vermelho vinho
O cheiro de decomposição,
Ergueu-se uma Amorphophallus titanum
Ânsia pela vida
Escolhida pela morte
Triste margarida, pobre criança
A escura penumbra
Formou-se em seu coração
Não há mais em quem confiar
Segurando a mão da mortífera Libitina
Indo em direção ao iníquo Orcus
Que crime havia cometido?
Que pecado havia transgredido?
Pelo preço de perder sua margarida:
Mors.
