Coleção pessoal de RosangelaCalza

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A vida tem sentido?
Não sei...
A chuva,
O gato,
As ondas na praia a quebrar,
Um quero-quero a querear?
Talvez.

Um sussurro.
Um murmúrio.
Um zunido.
Uma fala ao pé do ouvido?
Talvez.

Um ir e vir.
Um passear.
Um medo de amar.
Uma lágrima a rolar?
Talvez.

Talvez seja a vida só uma encenação
de uma mente maluca, excêntrica... vazia...
desesperadamente querendo preencher seus infinitos dias.
Talvez.

Perdi as chaves, a hora, o tempo.
E agora me resta apenas um momento.
Reviro a casa atrás da chave?
Abro gaveta por gaveta pra ver se as encontro?
Quem sabe a geladeira?
Ou com a hora perdida perder o momento que me resta é besteira?
Atraso o relógio?
Me engano?
Volto os ponteiros por anos e anos?
Perdi o tempo.
Pensando.
Refletindo.
Matutando?
Divagando?
Por ruas desertas vagando?
Vagamundo... vagabundando.
Ah! se eu tivesse mais tempo...
Saberia melhor aproveitar os momentos?
Triste sina.
A vida ensina...
Quando não temos mais tempo.

Juntei os pedaços.
Colei-os
Refiz minha vida.
À antiga, dei um adeus de despedida.
Ainda sou pedaços...
Um quebra-cabeças
Montado
Que a qualquer brisa suave
Em mil pedaços se esparrama por todo lado.

Sigo bambaleando.
Na corda bamba da vida
Vivendo... existindo
Me refazendo...
Ao sopro forte do vento...
Às tempestades da vida...
Ao gosto amargo de certos dias...
Sigo... resistindo.

ESPERANÇA

Um barquinho de esperança...
...
num mar de incertezas...
a vida ao sabor das ondas...
pra lá... pra cá...
pra cá... pra lá...

Dia e noite, noite e dia...
tenta preencher sua vida de alegrias vazia...

pra lá... pra cá...
pra cá... pra lá...

monotonia, monotonia, monotonia...
a única certeza: a morte.
Encontrar Jesus seria sua maior sorte...
pra lá... pra cá... pra lá... pra cá... pra lá...
se não encontrar... vai lhe tragar a morte!
E fim.

Esperança


Sim, eu sigo
com toda a esperança do mundo.
Não me desespero nem por um segundo
Sim, eu espero o dia seguinte.
Sim, eu espero o alinhamento dos luminares, dos astros.
Sim, eu espero que encontres no meio de tantos outros os meus rastros...

Tenho feito trilhas de migalhas.
Tenho marcado território.
Tenho conectado nossos caminhos, nossas trilhas.
Tenho sintonizado nossos horários.

Loucura, insanidade?
Alienação, demência?
Paranoia, doidice?
Paciência?
Quem sabe?


Sim, eu intuo o instante.
Sim, eu te incluo nos meus sonhos.

Mas eu vivo...
não apenas a tudo sobrevivo.

Acalma-te, minh’alma

Por que te inquietas tanto assim, alma minha?
Por que busca a verdade onde ela não está?
Por que busca a paz e o descanso onde não pode encontrar sozinha?

Sai desse vendava...
Sobe aqui e vem ver tudo daqui de cima pra você entender
Nada vale essa confusão no vale de lágrimas em que te encontras.
Não há o que pague tua falta de paz

Descansa, confia e entrega
Toca a terra e perceba tudo conectado
Olha e vê tudo voltando pra ela

Te acalma!
Volta a entender a conexão que há em tudo
Volta a compreender que és livre
Não estás presa
Não estás enclausurada em emoções que te tiram o sossego.
Perde o medo.

Lembra da rota, do caminho original?
De todas as flores que já plantaste pela estrada?
Lembra?
Precisas lembra... rememorar aqueles dias de pura paz.

Precisas deixar ir..
Precisas deixar partir de ti
É melhor pra ti que seja assim.

Te reencontre na serenidade do amor
Essa vida de borbulhar paixão não é pra ti
Mereces zelo, carinho e cuidado...

Pegue a tua bagagem
Aproveite tudo que já viveste e sabes
e aplique
E vai-te embora, não olha pra trás...
O futuro que te espera está logo aí...
No próximo passo.
Na próxima virada de esquina.
Vá, alma minha, vá... vá se embebedar com a tua linda sina...
... e já.

Do tanto amor que por ti senti... sinto?

Chorei escondida.
Sorri com os olhos cheios de dor.

Silenciei-me.
Retirei-me de certos espaços.
Sumi.
Procurei espaço.

Com olhos cansados amanheci.
Levantei-me.
Lentamente.
Mudei a estação do rádio.
Outra música ouço tocar.
Mudei os móveis de lugar.

Não, não deixei de te amar.

Nosso tempo

O tempo pode me instruir.
Com tempo, posso evoluir.

Agora penso em ti.
Em nosso primeiro olhar.
Nosso primeiro beijo... um eterno ganhar.
Nos olhávamos tão igual.
Estarmos juntos era tão natural.
Respeitamos o nosso tempo.
Agora já não nos observamos mais...
Tanto tempo... tudo ficou pra trás.
¡Qué le vamos a hacer!?

Eu, eu vou me deixar levar.
Assim diz a Física!
Porque me custa deixar o tempo embora esse amor levar.
“O que não tem remédio remediado está”, assim diz um ditado popular.
...

Eu nunca vou amar assim outro alguém como estou eternamente a te amar.

Amor verdadeiro

Hei, garota, não existe um amor pela metade.
Amor chega inteiro
quando é amor verdadeiro.
Amor é coisa de eternidade a eternidade

Hei, garota, não existe amor que não luta.
Amor não aceita talvez.
Amor não deixa pra próxima vez.
Amor não espera o destino fazer acontecer... ou não.
Amor põe em primeiro lugar as coisas do coração.

Hei, garota, não existe amor que não sabe o que fazer.
Não existe amor na indecisão.
Não existe indecisão no amor, não.
Amor non trova scuse...
Amor não vem com meias palavras
Nem vem pela sombra.
Não é coisa de momento.
E quando parece durar, não causa tormento.
Amor acalma o vendaval... as tormentas, as ventanias...
Amor lembra a rota, o caminho.
Aponta o Norte.
Não desnorteia.
Não enreda na teia.
Amor é conexão.
... não é dúvida nem confusão.
Amor, não segue sozinho.
Amor aponta o caminho.
Pega na mão.
Torna tudo mais leve.
Acaba com a solidão.

Como não te amar?

Como não amar esse teu sorriso lindo e franco?
Ah essa conversa boa...
... esse tempo juntos que voa!
Como não amar esse teu abraço?
Amplexo.
Côncavo... convexo.

Tu e eu...


Como não amar?
Essa tua força de vontade
De viver de verdade.

Como não amar?
Esse homem que há nesse menino.
Que chegou e mudou todo o meu destino.

Como não te amar?

Talvez


Às vezes esqueço.
Me esqueço de nós.
Num momento do tempo parece que nunca houve nós.
Daí me lembro.
E nesse me lembrar a sensação é de que parece ter acabado de acontecer...
E olha que faz tempo que não há mais nós.

Parece que tudo foi ontem.
Que não mudaram estações sem nós.
Que não passaram Natais sem nós.
Quem não iniciaram Novos anos sem nós.
Daí me lembro.
Houve sim...
Houve tanto no mundo você sem mim.

Estranha sensação de andar pela metade nesta vida.
Procurando uma saída.
Uma saída pra nós dois... sermos nós outra vez.

Talvez... essa é a palavra que me tem dado força de andar pela metade.
Talvez haja nós... aí na frente... mais uma vez.

Delírio

Madrugada fria, vazia...
Deliro.
Conto as estrelas do céu.
Elas bruxuleiam de leve, levemente.
Insistentemente.

Qual delas consegue sequestrar tua atenção? Qual delas atrai fortemente o teu doce olhar?

Que me troques por ela eu deixarei...
Sim, consentirei que ela te envolva...
Que te leve... levemente.

Doce fantasia... doce ilusão...
Se não for meu teu coração
Que ele vagueie pelo infinito
Que seja o teu o caminho mais bonito...
eu deixarei...
e
jamais te deixarei...
deliro... é madrugada que nunca acaba.

Sobre dor

Em alguns dias dói.
Noutros dói mais do que doía.
A dor do presente é mais profunda do que a dor antiga.
Ó vento, cala-te um pouco.
Me deixas louco.
Preciso ficar aqui solitário.
O mar está se tornando cada vez mais cinza.
A felicidade é um bem retardatário.
E eu não sei mais o que fazer.
Pra daquele amor esquecer.
Ó mar salgado... minhas lágrimas te salgam mais...
Meu choro talvez fizesse minha amada voltar atrás.
É só daquele abraço que preciso.
A razão de meu amor...
Por que tardas em voltar?

Não voltarás.
Essa é a verdade.
Eu... eu que fique pura saudades.
Dor ingrata dor...
Segues comigo aonde eu for.
Escancaras tua crueza, tua dureza...
Tua indelével sutileza.
Não me deixas nem ao menos me enganar.
Minha amada não vai voltar.
Ó vento, acabe com esse tormento... pare de ventar.
Ó mar... pare de marear.
Dor, ó dor... pare!
Eu só desejo me enganar.

Travessia

Hoje acordei com a estranha sensação de leveza.
Da vida vi toda a beleza.
Do futuro tive certeza.

“Mereço zelo, carinho, cuidado.’
Sei que no meu seguir nada vai dar errado.
Há flores.
Há cores.
Livre pra todos os sabores.

Eu achava que era preciso ter o caos.
Achava...
Não, não nasci assim...
A desordem não é pra mim.
Talvez, quem sabe, pode ser...
Com isso viver deixo pra ti.

Abri a porta.
Abri a mente.
Sem nada em mãos, nem em mente.
Parti.
E não vou olhar pra trás

Anoitou-se

Anoitou-se...
lentamente....
Anoitou-se quase sem se perceber...
vagarosamente...
O sol debruçou-se no horizonte...
languidamente...
Apagou-se...
silenciosamente...
O dia recolheu-se nos braços da noite...
languidamente...
O vento assobiava feito um açoite...
estridentemente...
Tudo se fez noite...
calmamente...
A estrela crepuscular do ocidente não crepusculou... sua esplêndida luz cintilante não cintilou...
Escondida atrás de uma nuvem negra... não acordou.

Tarde demais

E... mais uma vez você vem com suas desculpas (e eu desculpo)
E mais uma vez você diz que sente muito.
Me segura por um fio...
E depois me derruba... mais uma vez.
Sempre tem mais uma vez.

Como água do rio... corredeiras.
Mais de uma vez dor e mortes certeiras.
Mil vezes me afoguei e
... em seguida voltei.
E me desafoguei.
Na margem do rio sentei.
Respirei... fundo respirei
E mais de mil poemas poetei.
Cansei.
Você não precisa de mim.
Você não gosta de mim.
Entendi... na hora certa... só
agora é tarde demais (pra você).
Tão tarde... que agora é fim.
Vou continuar sem você e você vai conseguir seguir sem mim.

GUERRA E PAZ

Da guerra... o que se espera?

São filhos meus... são filhos seus.
São olhos que se fecharam.
Para sempre num permanente breu.

São céus enegrecidos
por fumaça escura.
Dias como noites anoitecidos...
Cadê o Sol?
Envergonhado... ficou, entre nuvens espessas, dos homens escondido.

É tanta morte.
É tanta noite.
É tanto sangue.
Açoite, atrás de açoite.
O rio segue seu curso.
O mar – maré vermelha – a vergonha da Lua espelha.

Cadáveres armados
lado a lado...
Heróis... anti-heróis...
A paz... na guerra... era só o que haviam buscado.

... desesperados... desesperançados!

E daí se tenho problemas na cabeça?
Daí eles não saem não.
Tomam conta de todo canto,
mas jamais descem ao coração.

Tomo uma... tomo outra decisão.
Desenvolvo força e coragem.
Um enorme sorriso no rosto.
Tenho sempre a consciência tranquila
e paz.. muita paz no coração.


Deixo meu pensamento me levar,
de cá pra lá... de lá pra cá... minha vida bagunçar...
E daí se ele me leva pro lado errado?
Sempre há meu coração a dizer: tenha calma tudo vai passar... tudo na vida pode ser consertado.

E se...

um tsunami invadir minha vida... me deixar toda ferida... cicatrizes demorarem pra sarar...

E se...

eu me sentir como se estivesse dentro de um liquidificador gigante... rodando, rodando sem parar... batendo em tudo o que pelos lados... pela frente... por cima... por baixo encontrar...

E se...

nuvens escuras for só o que eu conseguir enxergar... se todos os tons pesados de cinza em meus olhos vierem morar...

E se... eu só conseguir me arrastar...

E um passarinhozinho 🦜 ou uma borboletazinha🦋 se oferecerem pra me ajudar... eu vou aceitar...

E agradecer 🙏... porque é isso que se faz quando alguém se oferece pra e decide ajudar... nunca, never, jamais se fazem MANCHETES pra criticar.

Dom Quixote, viveu e lutou pelo o que acreditou...

Foi em 29 de setembro de 1547, em Alcalá de Henares, que Cervantes nasceu...
Na cidade de Valladolid – Espanha – ele cresceu.
Em Madri e Sevilha ele estudou... em curso nenhum se formou.
Foi a vida que grande escritor o tornou.
Nômade como seu pai... um dia no Exército ingressou...Contra o Império turco ele lutou... Nesse episódio, alguns dizem que o braço esquerdo ele perdeu...
Outros, que apenas ferimentos graves foi o que sofreu...Pouco depois se restabeleceu.
Na África também combateu...
Foi capturado, levado para Argel... mas não se abateu.
Cinco anos de detenção... para Madri retornou...
Em vários locais trabalhou... e na literatura paralelamente incursionou.
Não obteve sucesso imediato o nosso Miguel...
Mas não desistiu... persistiu... e com 58 anos de idade consagração conseguiu.
Dom Quixote... Sancho Pança... um fidalgo e seu escudeiro saem para lutar contra o mundo inteiro.
Dom Quixote perdeu a razão em razão de muito ler... sem juízo, acredita que em um herói pode se converter...
Sancho Pança, bem realista, tem outro ponto de vista, acompanha seu senhor... tentando a todo custo a real realidade lhe fazer ver...
Moinhos de vento... gigantes... Exército de ovelhas...
Dom Quixote no mundo do irreal entrou e nele se aprofundou...
O cavaleiro em sua insana imaginação o próprio cenário criou... e nele lutou!
Lutou contra uma irreal realidade... na mais pura insanidade.
Viveu o que acreditou... viveu e lutou.
No fim... à real realidade retornou...
“Até a morte, tudo é vida”, disse Cervantes...
Seu Dom Quixote viveu... e viveu tudo no que acreditou.