Coleção pessoal de RosangelaCalza
Deixe-me
Deixe-me, como a noite deixa o dia...
Nas trevas, na escuridão total... quando nada mais reluz.
O Sol mergulha na fenda do horizonte.
Engole, a noite, todos os raios da mais ínfima luz.
Cobre-se com a escuridão o céu.
A noite... o dia seduz.
Deixe-me...
Prefiro a escuridão da solidão.
Prefiro a dor da verdade escancarada
das tristes, frias e vazias madrugadas.
Deixe-me...
Apenas... deixe-me.
Eu sei me virar sozinha.
Eu sei lidar com a perda.
Eu sei trancar a porta...
Apagar as luzes... artificiais...
Entrar no quarto e ficar quietinha...
Chorar baixinho...
Já me convenci a viver bem... sem o seu carinho.
Aprendi a viver na falta
de luz
de calor
do seu amor...
...só não aprendi, como a noite, a acreditar na mentirosa luz das estrelas.
Toda vez que tu me olhas
O teu olhar...
O teu doce e terno olhar
a me falar...
“És na vida a minha prometida... a mais querida... a minha vida.”
O teu olhar
A se afastar tão devagar
No meu olhar a se perder
Cada vez um pouco mais...
Eu e essa minha mania de não acreditar ser possível alguém me amar.
Toda vez que tu me olhas...
Eu...
Eu só quero que não pares nunca de me olhar.
Também fui machucada... mas o teu olhar... teu doce e terno olhar é um eterno bálsamo a eternamente me curar.
Sua falta dói
Um caminhar solitário
é o que sobrou pra mim.
Dias sem calor
são apenas dias sem seu amor.
Um triste abandono.
Cão sem dono.
Coração tosco e pobre.
Sente saudades... se fecha e de dor se cobre.
Machucado.
Demora tanto pra ser curado.
Quantos versos escrevi
sobre a saudades que de ti senti?
Perdi a conta...
infinito de ponta a ponta.
Hoje passou...
o amor que era acabou
Virou poeira no vento...
não há em mim de ti um único pensamento.
Hoje minha única saudades é do que contigo não vivi.
Quando o tempo é nada
Há instantes sem exatidão.
Há momentos em que o tempo é nada.
Há momentos em que o presente é uma profunda ausência.
Há instantes sem nenhuma essência.
No invisível da luz...
Uma luz morta ilumina o presente.
Tudo é tão completa e fielmente ausente.
Segura minha mão...
Aponta-me uma direção...
Não importa o sentido...
Nem o não sentido.
No complexo das entrelinhas
Sigo... ao seu lado...
Tão sozinha.
Tenho-te em mim
Tenho-te no olhar.
Sem qualquer outra intenção que te amar,
visto-me de ti.
Tenho-te no coração.
Por mais que eu estenda minha mão não consigo te tocar.
Estás tatuado em mim.
Em mim é teu lugar.
Por que vives a te mudar?
Ele chegou...
Um dia ele chegou
Devagarinho foi tomando todo o espaço com seu carinho.
Foi colocando tudo no lugar... perfeito.
Dominou-me com suas fortes torrentes emocionais... e me ensinou como amar.
E se foi... como se nunca tivesse chegado.
...
A Lua no céu eternamente iluminada.
A noite estrelada.
As ondas num ir e vir que não se acaba.
Era só pra eu não pensar em nada...
Admirar, e admirar, e admirar...
As ondas, no seu vaivém.
As estrelas, eternamente a piscar.
A Lua, tudo a luar...
Meu pensamento voa longe.
Eleva-me pra outro lugar.
Eu finjo que ainda me ama...
o homem que nunca soube o que é amar.
E você chegou
E você chegou...
O Sol nasceu
As nuvens se dissiparam
As lágrimas de meus olhos secaram.
As incertezas para trás ficaram.
E você chegou...
Em meus olhos olhou
Minha boca beijou
Meu corpo abraçou
Sem fôlego me deixou
Me amou, e me amou, e me amou...
Seu corpo e o meu num só corpo você tornou.
E você chegou...
... o tempo de espera, então, acabou.
Vênus – deusa do amor e da beleza
O ideal da beleza feminina
em Vênus... os romanos representaram.
Afrodite... para os gregos,
eis a beleza de toda menina.
Vênus, jovem, bonita e nua...
Corpo escultural...
cujas medidas mulher nenhuma tem igual.
Filha de Júpiter - deus do céu - e
Dione - deusa das ninfas - ou...
nascida das espumas do mar... tanto faz!
Com Marte - deus da guerra -
gerou Cupido - conhecido como o Amor... ou deus sedutor.
Vênus
À procura de ti,
Vênus, planeta errante
distante...
Vício de ti,
Vênus, estrela Dalva...
Estrela d’alva
Seu brilho intenso...
objeto mais brilhante desse imenso céu
que me cobre com seu véu.
Joia do céu...
Planeta irmão da Terra
brilhas tu por eras e eras...
(Des)amor
Erros do passado
Amores que deram errado
Um vento sereno recita meu nome
Amor eterno era pra ser meu sobrenome.
Desilusão
Dói meu coração.
Uma gélida atmosfera ao meu redor
Sobre o desamor sei recitar de cor.
Aquieta-se a dor.
Silencio-me.
Um silêncio glacial de espera eterna
Sou pura resiliência ao desamor.
Amor veraneio
Ah! Esse amor veraneio
de cara não disse a que veio...
Esse amor passageiro...
Amor que pra ficar não veio. .. amor ligeiro.
De esse tipo de amor estou cheio.
Amor solúvel.
Amor volúvel.
Amor veraneio.
Como o sol forte ofusca minha visão.
Descompassa, esse amor, meu coração.
Parte no instante seguinte...
Um amor usado completamente em vão.
O limite de um dia
Mesmo forças não mais havendo.
Mesmo todos os planos se despedaçando.
Mesmo as escolhas do passado a oposta direção apontando.
Mesmo as águas do presente tudo embora levando.
Mesmo que o canto seja triste
Mesmo que nas mãos só um dia só seja o meu limite...
Só por hoje terei esperança.
Viverei como uma eterna criança.
Chuva que passa e não para
Em meio à correria
O tempo não se detém não
Passa depressa
Chuva que cai e passa, não para não.
Plante a flor, mulher.
Regue-a com amor.
Quando a primeira nascer
Pro meu amor vou oferecer.
As gotas de chuva
Escorrem pela janela.
Sabe mais ela de mim
Do que eu dela.
A chuva escorre e passa por mim…
Me faz de sua tela
Pinta um jasmim.
Me envolve
Me dissolve
E me leva embora.
Suplico, oh! Chuva!
Devolve a minha paz, minha vontade de viver…
agora.
Foi
Foi
Só um vento…
Só uma chuva
Só um verão
Só um tempo
Só um raio
Só uma flor
Só um momento
Só uma tempestade
Só um pássaro
Só um tormento
Foi
uma história
que ninguém viveu e que ninguém contou…
foi…
e passou.
Vida louca
Vida.
Vida louca.
Loucura que não é pouca.
Areia movediça.
Sombra mortiça.
Picadeiro, vejo a lágrima caída.
Não, não me ensinaram a saída.
Como um palhaço, pinto a cara
faço um traço… me equilibro…
estou morto… estou vivo.
Não há escolhas.
Passado arrastado
no presente sempre presente.
Malabarista. Hábil equilibrista.
Pago pela boa vida… e pago a vista.
Uma prece
Que pensamento me convém?
São mil os que à minha mente vêm.
Tão distante… muito além.
Chora de saudades alguém.
Voa nas asas do vento.
Um instante de contentamento.
Encontrar de novo esse amor
Vida, dê-lhe isso, por favor.
Eu aqui sozinha.
Por esse amor faço minha prece.
Ó Deus, seja misericordioso, seja bondoso: de tão grande amor não esquece.
Esta prece me convém?
Implorar pra ficar com meu alguém…
? ? ?
Abstinência
Há um vazio de mim mesmo
Rondando por aqui…
Algo que eu não costumava sentir.
Acabaram-se as prioridades.
Tanto faz igualdade ou desigualdade.
Um buraco no meio peito.
De esponja sou feito.
Não sei se falta em mim
O que sobra em você.
Dói em mim algo que não tenho…
Como é possível?
O coração dispara se penso em você.
Falta-me o ar se penso em você.
O que falta em mim…
Você pode devolver pra mim?
A tranquilidade do meu coração.
E mais… ele completo, por favor,
e… ainda, deixe-me sempre com ar por perto.
Essa abstinência de você está me matando.
Essa abstinência de mim, me dilacerando.
Essa dor fantasma está me consumindo.
Sinto-me sumindo… o coração… a mão… o braço…
De pouco em pouco… vou-me despedaçando em mil pedaços.
É frio.
Na noite as trevas são pura escuridão.
Triste bate meu coração.
Meu corpo treme.
Meu canto é triste.
A solidão insiste.
O vento geme.
É frio.
A noite brilha com o brilho das estrelas e do luar.
Meu corpo se aconchega no teu.
Tuas mãos a me acariciar.
Uma sinfonia nossa sintonia… o melhor som no ar a espalhar.
Tua companhia tudo encanta.
O vento canta.
É noite... noite fria.
Não há estrela guia.
Não se distingue nada.
Os ruídos da noite tomam uma sonoridade rouca.
Não há forças.
Coração tenta ser perseverante.
Mas suas tentativas não são o bastante.
Escolhas do passado
Seguiram o rumo errado.
Desejo que não me apontem direções censuráveis.
Que me deem escolhas certas.
Que me cerquem de caminhos planos... de estradas trafegáveis.
Que eu atinja – nem que seja uma pequena parte – de todos os meus planos.
Mesmo que eu cante triste.
Mesmo que às minhas mãos imponham limites de só um dia...
Sempre é mais um dia.
Mais uma chance.
Mais uma porta.
Mais uma via... mesmo que torta... que eu possa endireitar.
Vivo a esperançar.
