Coleção pessoal de RosangelaCalza

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Delírio

Madrugada fria, vazia...
Deliro.
Conto as estrelas do céu.
Elas bruxuleiam de leve, levemente.
Insistentemente.

Qual delas consegue sequestrar tua atenção? Qual delas atrai fortemente o teu doce olhar?

Que me troques por ela eu deixarei...
Sim, consentirei que ela te envolva...
Que te leve... levemente.

Doce fantasia... doce ilusão...
Se não for meu teu coração
Que ele vagueie pelo infinito
Que seja o teu o caminho mais bonito...
eu deixarei...
e
jamais te deixarei...
deliro... é madrugada que nunca acaba.

Sobre dor

Em alguns dias dói.
Noutros dói mais do que doía.
A dor do presente é mais profunda do que a dor antiga.
Ó vento, cala-te um pouco.
Me deixas louco.
Preciso ficar aqui solitário.
O mar está se tornando cada vez mais cinza.
A felicidade é um bem retardatário.
E eu não sei mais o que fazer.
Pra daquele amor esquecer.
Ó mar salgado... minhas lágrimas te salgam mais...
Meu choro talvez fizesse minha amada voltar atrás.
É só daquele abraço que preciso.
A razão de meu amor...
Por que tardas em voltar?

Não voltarás.
Essa é a verdade.
Eu... eu que fique pura saudades.
Dor ingrata dor...
Segues comigo aonde eu for.
Escancaras tua crueza, tua dureza...
Tua indelével sutileza.
Não me deixas nem ao menos me enganar.
Minha amada não vai voltar.
Ó vento, acabe com esse tormento... pare de ventar.
Ó mar... pare de marear.
Dor, ó dor... pare!
Eu só desejo me enganar.

Travessia

Hoje acordei com a estranha sensação de leveza.
Da vida vi toda a beleza.
Do futuro tive certeza.

“Mereço zelo, carinho, cuidado.’
Sei que no meu seguir nada vai dar errado.
Há flores.
Há cores.
Livre pra todos os sabores.

Eu achava que era preciso ter o caos.
Achava...
Não, não nasci assim...
A desordem não é pra mim.
Talvez, quem sabe, pode ser...
Com isso viver deixo pra ti.

Abri a porta.
Abri a mente.
Sem nada em mãos, nem em mente.
Parti.
E não vou olhar pra trás

Anoitou-se

Anoitou-se...
lentamente....
Anoitou-se quase sem se perceber...
vagarosamente...
O sol debruçou-se no horizonte...
languidamente...
Apagou-se...
silenciosamente...
O dia recolheu-se nos braços da noite...
languidamente...
O vento assobiava feito um açoite...
estridentemente...
Tudo se fez noite...
calmamente...
A estrela crepuscular do ocidente não crepusculou... sua esplêndida luz cintilante não cintilou...
Escondida atrás de uma nuvem negra... não acordou.

Tarde demais

E... mais uma vez você vem com suas desculpas (e eu desculpo)
E mais uma vez você diz que sente muito.
Me segura por um fio...
E depois me derruba... mais uma vez.
Sempre tem mais uma vez.

Como água do rio... corredeiras.
Mais de uma vez dor e mortes certeiras.
Mil vezes me afoguei e
... em seguida voltei.
E me desafoguei.
Na margem do rio sentei.
Respirei... fundo respirei
E mais de mil poemas poetei.
Cansei.
Você não precisa de mim.
Você não gosta de mim.
Entendi... na hora certa... só
agora é tarde demais (pra você).
Tão tarde... que agora é fim.
Vou continuar sem você e você vai conseguir seguir sem mim.

GUERRA E PAZ

Da guerra... o que se espera?

São filhos meus... são filhos seus.
São olhos que se fecharam.
Para sempre num permanente breu.

São céus enegrecidos
por fumaça escura.
Dias como noites anoitecidos...
Cadê o Sol?
Envergonhado... ficou, entre nuvens espessas, dos homens escondido.

É tanta morte.
É tanta noite.
É tanto sangue.
Açoite, atrás de açoite.
O rio segue seu curso.
O mar – maré vermelha – a vergonha da Lua espelha.

Cadáveres armados
lado a lado...
Heróis... anti-heróis...
A paz... na guerra... era só o que haviam buscado.

... desesperados... desesperançados!

E daí se tenho problemas na cabeça?
Daí eles não saem não.
Tomam conta de todo canto,
mas jamais descem ao coração.

Tomo uma... tomo outra decisão.
Desenvolvo força e coragem.
Um enorme sorriso no rosto.
Tenho sempre a consciência tranquila
e paz.. muita paz no coração.


Deixo meu pensamento me levar,
de cá pra lá... de lá pra cá... minha vida bagunçar...
E daí se ele me leva pro lado errado?
Sempre há meu coração a dizer: tenha calma tudo vai passar... tudo na vida pode ser consertado.

E se...

um tsunami invadir minha vida... me deixar toda ferida... cicatrizes demorarem pra sarar...

E se...

eu me sentir como se estivesse dentro de um liquidificador gigante... rodando, rodando sem parar... batendo em tudo o que pelos lados... pela frente... por cima... por baixo encontrar...

E se...

nuvens escuras for só o que eu conseguir enxergar... se todos os tons pesados de cinza em meus olhos vierem morar...

E se... eu só conseguir me arrastar...

E um passarinhozinho 🦜 ou uma borboletazinha🦋 se oferecerem pra me ajudar... eu vou aceitar...

E agradecer 🙏... porque é isso que se faz quando alguém se oferece pra e decide ajudar... nunca, never, jamais se fazem MANCHETES pra criticar.

Dom Quixote, viveu e lutou pelo o que acreditou...

Foi em 29 de setembro de 1547, em Alcalá de Henares, que Cervantes nasceu...
Na cidade de Valladolid – Espanha – ele cresceu.
Em Madri e Sevilha ele estudou... em curso nenhum se formou.
Foi a vida que grande escritor o tornou.
Nômade como seu pai... um dia no Exército ingressou...Contra o Império turco ele lutou... Nesse episódio, alguns dizem que o braço esquerdo ele perdeu...
Outros, que apenas ferimentos graves foi o que sofreu...Pouco depois se restabeleceu.
Na África também combateu...
Foi capturado, levado para Argel... mas não se abateu.
Cinco anos de detenção... para Madri retornou...
Em vários locais trabalhou... e na literatura paralelamente incursionou.
Não obteve sucesso imediato o nosso Miguel...
Mas não desistiu... persistiu... e com 58 anos de idade consagração conseguiu.
Dom Quixote... Sancho Pança... um fidalgo e seu escudeiro saem para lutar contra o mundo inteiro.
Dom Quixote perdeu a razão em razão de muito ler... sem juízo, acredita que em um herói pode se converter...
Sancho Pança, bem realista, tem outro ponto de vista, acompanha seu senhor... tentando a todo custo a real realidade lhe fazer ver...
Moinhos de vento... gigantes... Exército de ovelhas...
Dom Quixote no mundo do irreal entrou e nele se aprofundou...
O cavaleiro em sua insana imaginação o próprio cenário criou... e nele lutou!
Lutou contra uma irreal realidade... na mais pura insanidade.
Viveu o que acreditou... viveu e lutou.
No fim... à real realidade retornou...
“Até a morte, tudo é vida”, disse Cervantes...
Seu Dom Quixote viveu... e viveu tudo no que acreditou.

Plantou, colheu...
Mais um dia amanhecendo...
o caminho está se fazendo
cada um o que plantou segue colhendo...

Plantando, colhendo...
o tempo correndo, a vida passando
cada um a cada dia um pouco mais segue morrendo...

A maldade escondida,
disfarçada em sorrisos,
em palavras bonitas, em gestos indecisos...
de revelar se encarrega a vida.

Não se engane,
aqui se faz valer a lei maior
action... reaction...action... reaction..
plantou... colheu... plantou mal
não vai levar a melhor...

O que tenho por perto?
O pensamento cheio de você... e só.

Não há suas mãos pras minhas segurar.
Não há seus braços pra me abraçar.
Não há seu riso lindo pra me alegrar.

Seus olhos a me olhar...
Como eu os queria aqui
pra neles ver todo o meu amor refletir.

Mas eu em mim mesma me aninho.
Fecho meus olhos devagarinho.
Espero o sono chegar...

Nele não estarei mais só
... eu sei...
... você nele sempre estar
... vai sorrir ao me ver chegar
.... vai me dar o abraço que estou a esperar
... vai segurar minhas mãos e...
... vai me dizer: jamais só vou te deixar.

Ah! A minha maior alegria, a minha melhor hora todo dia é sempre a hora do sono chegar ♡

De dia... a cada dia que surgia
ele a si mesmo se transvestia.
E, assim transvestido, o dia ele seguia...
Perfeito, era assim mesmo que no espelho ele se via...
Lentes azuis invisíveis escondiam a tristeza que sentia.
O sorriso no rosto costurado
já não doía
... estava ele ao implantado tão acostumado.

A voz suave e doce
disfarçava muito bem da vida o agridoce.

Quando a noite chegava
e os traços do dia apagava...
Ele não se assustava
Todo ele ele mesmo fantasiava...
Colocava em sua vida todas as cores que a própria vida lhe tirava...

Mal sabia ele: a verdade, que lhe era tāo cara, em vez de cara a cara... tudo salpicava... rastros deixava por todos os caminhos por onde ele passava.

Ele nunca chorava.

Já não me importo

Já não me importo...
Toda aflição suporto.
Tristeza, decepção...
Com toda dor está tão acostumado meu coração.

Já não me importo...
Passos tortos.
Jornadas, com dores, marcadas...
Não há alegrias em mais nada.

Já não me importo..
Indiferente ao que vem pela frente.
Nada me resta...
Acabou pra mim a festa...
É só deserta estrada... que em nada acaba.

Já não me importo...
Passei por todos os portos...
Como um aborto.
Navio sem porto.

Já não me importo...
suporto.

VOLTAR ATRÁS

Sinais de que foi feliz:
no porta-retratos
a imagem dela...

No sofá da sala:
numa almofadinha...
“Fui eu que fiz.”
Os dizeres dela.

Na gaveta do criado mudo:
O livro nunca começado...
Por ela presenteado...
Na página da dedicatória...
O amor dela pra sempre marcado.


No solar da porta:
Um tapetinho surrado
Mil vezes lavado
Por ela... pra trás deixado...

Tantos sinais...
Que de desfazer o tempo é incapaz.

E o que ele mais queria?

Era poder voltar, voltar no tempo... voltar bem, bem lá pra trás.

Tudo passa...


Tudo passa... que desgraça!
e o tudo passar deixa este mundo tão sem graça.

Passa o amor... passa a desgraça.

Que graça há na misteriosa estrada da vida...
amor como guarida,
e, logo à frente, dolorosa despedida?
Amor vira fumaça...
Sem amor... quanta desgraça...

Passa a desgraça – ô mundo mais sem graça!

... que graça tem já saber de antemão que a desgraça a afligir seu coração tem seu fim determinado por antecipação? Porque tudo passa!

Passa o amor.
Passa a desgraça.
Passa a vida...
Neste mundo frágil... tudo é frágil...
Tudo passa... tudo vira fumaça.

Da ilusão

A ilusão dos costumes que perduram...
A ilusão de que a distância e o tempo todas as dores curam...
A ilusão...

A ilusão das certezas da existência...
A ilusão de que pra tudo há saída...
A ilusão de que há remédio pra toda dor...
A ilusão de que cada abraço teu era puro amor.
A ilusão...

A ilusão...
A ilusão fez de mim mais que exclusivamente sobrevivente...
A ilusão acalmou minha alma e minha mente...
A ilusão me fez acreditar que tudo seria permanente.

Iludida... sim, assim caminho pelas estradas da vida...
Pacientemente.

Vida e esperança

Sigo...
Em cada passo, meu próprio eu persigo...
Juntando pedaço por pedaço, meu caminho faço...
Pego carona nos meus sentimentos – não importa se alegrias ou tormentos...
Refugio-me nos cantos da vida... nos becos sem saída.
Aninho-me em meus próprios braços... me abraço.
Me amoldo a cada espaço.

Adormeço e sonho:

Abalizo um enredo.
Sigo-o sem medo...
certezas ou incertezas – não importa.
Vida leve ou de uma imensa aspereza,
brandura ou austeridade – não importa.
Sorrio...
Na vida há de ser ter eterna paciência... discernir quando parar... quando continuar.
Abro a janela... sorvo lentamente o ar que faz tão doce e leve meu levantar e respirar...
Na vida há de se ter doçura...
Na vida, como criança, um passo, outro passo... com pitadas de candura
... sigo
sigo sem nunca desesperançar.

Em nuvens... densas nuvens
mais escuras a cada passo
E eu que achei que havia chegado.
Isso é coisa do passado
que me fazia acreditar
que no futuro eu ia te encontrar.
O passado passou... o presente passou
o futuro passando
e as densas nuvens cada vez mais densas ficando
acho que é assim que se vai perdendo a esperança
espera-se...espera-se...espera-se
e não se alcança.
daí você cansa... e perde a esperança.

Nenhuma pessoa do mundo me conheceu tão bem como você.
Pra você revelei meus medos, medo de amar demais...
minhas inseguranças, insegurança de ser amada de menos...
medos bobos, inseguranças bobas
dizia você...

Só você conheceu minha alma de verdade
pra você revelei com quem eu queria passar a eternidade.
Pra você fui totalmente transparente
revelei meu medo de não ser bonita e inteligente.

Só você conheceu minha parte feia, chata,
meu choro baixinho,
mas nada disso foi suficiente...
você foi se afastando devagarinho...

É, eu tinha razão de ter medo.

Pó... poeira no ar

Por que segregas?
Por que classificas?
Achas que assim o fazendo
melhor tu ficas?

Não, não és o melhor...
Tampouco o pior.
És tu igual...
a todos os teus iguais...
És simples (?) molécula.
És parte do todo...
e como tu... assim são todos.

O oxigênio que estás a respirar...
é o mesmo que há bilhões de anos
a Terra está a rodear.

És tu só mais um respirante.
Um mero passante...
Solitário caminhante...
Desse velho oxigênio...
só mais um sugante.

E segues altivo...
Num eterno separar, apartar... segregar... isolar...
A inspirar... expirar... inspirar... expirar...
Inutilmente... se pensares bem.

Nem todo o esforço do mundo
Vai evitar... que, como todos os outros,
Tu vires poeira no ar.
Unido a todos os outros a eternidade tu vais passar.