Coleção pessoal de ricardo_ferraz_1
Caminhe devagar, não tenha tanta pressa de chegar, observe mais a paisagem. Aproveite cada parada que a vida dá, cada minuto de descanso, cada piada sem graça que te faz rir da falta de graça, cada motivo para sorrir. Aproveite seus pais, seus filhos, seus amigos, aproveite o tempo em que estão juntos. Tenha ilusões, objetivos, sonhos à realizar. Conheça melhor seu entorno, ouça mais as pessoas, tem sempre alguém pra poder ensinar. Reflita melhor sobre suas atitudes, refaça mais a sua vida, sua luta, aprenda mais com seus erros, mas não se arrependa de tanta coisa assim, no fundo, tudo vêm pra nos melhorar. Discuta situações adversas, mas respeite as opiniões contrárias. Reconheça a dor do outro, tenha mais empatia, e se não puder ajudar, apenas respeite a sua luta, a gente nunca sabe o tamanho das cargas. Seja verdadeiro no meio de tantas inverdades. Visite seus avós, ouça os mais velhos, eles sempre são mais solitários, porque muitos de seus amigos já se foram, e a solidão consome toda vivência que ainda lhes resta. Cuide mais do jardim, regue mais plantas, limpe as folhas velhas, é observando que se cuida, e isso, vale para sua vida também. Não engula seu choro, mas também não esconda seu sorriso, deixa ele vir, vença todo e qualquer medo do futuro, porque ele é o agora. Reconheça seus valores, se ame mais no espelho, você é importante para muitos, e se muitos não lhe dão importância, você é a pessoa mais importante pra você mesmo, pense nisso! Cuide dos pequenos, os ensine a amar, a aceitar as diferenças, a ignorar toda maldade que discrimina tanta gente, o mundo já está difícil demais pra entregar para eles tanta intolerância e insensatez. Ame mais a sua vida, pare, respire de vez em quando. Pense mais em você, não seja tão inseguro nem imaturo consigo mesmo. Viva o amor sem medo de amar, se lembre que nós estamos aqui apenas para isso. Seja como o carvão que quando aceso acende o outro, e o outro, aquecido, o acende de volta, e chama os mantêm. A vida é muita curta, mas longa demais em detalhes para sermos felizes.
Ricardo F.
A gente não escolhe amar ninguém, amor não é conveniência, não é aquilo que a gente se levanta pela manhã e diz: ah vou passar a amar essa pessoa à partir de hoje. Se fosse assim; como seria fácil né?, amar por inteligência. Simples demais olhar pro lado, sabendo que aquela pessoa te ama, e simplesmente parar de sofrer por outra e escolher ela, seria bem mais tranquilo. Fico pensando, se as coisas fossem deste jeito, quantos poetas não estariam desiludidos por falta do que dizer, com tanto sofrimento desperdiçado, jogado fora? O que cantaria Tiê se não sofresse tanto, sozinha, com um telefone na mão, se perdendo no que era real e no que inventou? Nem Jorge e Mateus teria tanto sucesso, e hoje, com certeza estariam os dois, por ai, numa empresinha qualquer juntando os trocados do ônibus, porque o salário não daria até o fim do mês. O que diria os donos dos bares com tanta bebida estocada, por falta dos boêmios, daqueles que choram madrugada afora, numa mesa de bar? Quem iria pagar essa conta de tanta desilusão que não iria acontecer? O que seria de nós se não houvesse toda essa batalha diária pra nos manter vivos no coração de outra pessoa? Talvez seria muito mais interessante se houvesse escolha né, mas também, nada teria gosto. O bom da vida é essa correria que a gente faz, sempre. Essa luta para reconquistar o que perdemos hoje. O buquê tão bem decorado e perfumado entregue na casa dela pela manhã, esperando o dia todo um simples telefonema dizendo no seu ouvido: Obrigada, eu amei as flores! Sabe, nós humanos nascemos para amar, mas somente o amor é quem nos escolhe, e independentemente se é recíproco ou não, amar ainda assim vai ser sempre a nossa melhor opção. O Amor é uma vontade involuntária que, por mais que você se esforce pra fugir, não adianta, ele sempre te pega numa dessas curvas da vida.
Ricardo F.
[...] As coisas, às vezes, não são do jeito que a gente quer, para entendermos que existem outras formas de sermos felizes. São estradas diferentes que estranhamos no começo, mas depois, descobrimos que aquele era o lugar certo, a hora certa, e o caminho certo por onde deveríamos passar.
Ricardo F.
Talvez eu nunca seja o que sempre sonhei ser, pra você. Mas eu sei qual parte em seu coração eu ocupo. Conheço as linhas que à mim pertencem. Sou parte de um todo que ninguém o têm. Lembranças de um hoje que ainda não foi definido, mas com certeza muito bem vivido e lúcido para se dizer que existe, que não é de mentira, que há sinceridade no sentimento e em toda força que ele tem. O futuro é só amanhã, e o amanhã é todo pedaço de historia que escrevemos juntos todos os dias. No mais, viver dessa incerteza e insegurança que existe no hoje, mas com a clareza e a consciência do quão real isto é, é o que me mantém forte, acreditando no impossível, e no quão o que é possível já me faz bem viver. Não te lembro mais do meu amor, não me esqueço mais de todo amor que vem de você. A vida é isso, ter a serenidade para aceitar, tantos as mudanças quanto o que nos é dado.
Ricardo F.
[...] A prova mais viva de que as pessoas que nos fazem bem, moram tão dentro da gente, é o sorriso que damos de orelha a orelha, ou a alegria que fica cravada na ternura, quando os olhos se encaixam. Tem sim, tem gente no nosso sorriso.
Ricardo F.
E hoje, olhando para trás e vendo todo este tempo que você apareceu na minha vida, eu entendo que, no fundo, seu amor já existia em mim, eu apenas te esperava chegar.
Ricardo F.
(...) É tão bonito quando alguém conhece nossos defeitos e mesmo assim insiste em ficar. Tem horas que pessoas me assustam de uma forma tão boa, que não sei se me causam espanto ou encanto. Bonito ter gente assim do lado da gente, gente que faz por merecer ser quem é, pra gente. Gente que não incomoda, que se satisfaz com apenas um pouco nós, e que faz este pouco ser tão grande que nos põe a pensar no quanto precisamos ser apenas quem somos, para que nos amem de verdade. Gente que chega e nos ensina a amar na forma mais exata que se deve amar alguém, apenas amando, sem medo, sem pressa, sem exageros, sem flores na janela, sem jóias de presente, sem rótulos do que se deve ser o amor, pois o amor é apenas amor. Pode até existir coisa melhor no mundo, mas desconheço algo mais nobre do que amar, e é tão bonito quando se aprende isso. É muito bonito gente assim.
Ricardo F.
O grande barato não é ter ninguém nas mãos, é se fazer presente todos os dias, de um jeito que a pessoa não sinta vontade nunca de ir embora. Ser presença de uma forma que não incomode, e que, quando não puder estar por perto, ela também sinta sua falta, porque você não é dono dela, mas faz parte da necessidade de seu dia. Entre ficar ou ir, que você queira ficar. Entre ficar ou ir, que não exista nunca nenhuma deixa para essa escolha. Entre ficar ou ir, que prefira chegar, porque mesmo contrariando o que a sua razão insiste em dizer, o seu coração sabe realmente quem ele quer amar.
Ricardo F
(...) Ela o esperava sentada numa cadeira branca, entalhada em ferro batido, com desenhos vitorianos assimétricos nos pés. Em cima da mesa, uma xícara branca de café soltava fumaça em caracol. Aos seus pés, vários pombos de diferentes cores brigavam por migalhas de torradas caídas no chão. Se ouvia ao fundo "Charles Azsnavour" cantando uma versão doce de "La Bohème", enquanto ela observava o Arco do Triunfo e os inúmeros carros que cruzavam a Champs-Élysées. Ela olhava o relógio e nele marcava 18 horas. Ela começou a sentir um frio que vinha de dentro e que lhe atravessava a espinha. Faltava pouco, ela pensou. Abriu sua bolsa, retirou um batom, um pequeno espelho, e enquanto olhava seus lábios através dele, seus olhos, de relance, viram um moço usando uma calça jeans e uma camisa bege vindo de longe, olhando firmemente na sua direção. Seu corpo se arrepiou, seu coração bateu forte, um suor nas mãos pelo excesso de nervosismo. Ele carregava em suas mãos um buquê de margaridas coloridas, e nos olhos toda altivez de um encontro aguardado há anos. Seus passos eram apressados e podia ser ouvido de longe o barulho de seus tênis azuis tocando o chão da calçada. Era ele, tinha de ser ele, ela pensou. De repente, ele parou na sua frente e disse:
_Tá me esperando há muito tempo?
E ela, com olhos parados no tempo, um nó na garganta e com um doce sorriso nos lábios, disse:
_ A minha vida toda.
Ricardo F.
Não precisa desentortar caminhos. Ajeite apenas a alma, levante a cabeça, e siga sem medo. O importante na vida é não temer o futuro. Não se preocupe com o tempo, pois, quem anda devagar também chega.
Ricardo F.
A gente precisa viver o agora, o hoje, botar nossa melhor roupa, o nosso melhor sapato, e com a cara lavada, fazer do presente o nosso melhor presente. É preciso sorrir no meio das rugas, é preciso contemplar a nossa beleza de poder ver. Esquecer as coisas que nos feriram, o passado que maltratou, que não deixou tantas lembranças boas, ou aquelas que deixaram apenas saudade. Tudo aquilo que passou, passou, foi bom, foi ruim, foi feliz, foi triste, mas foi, é passado, não está mais no nosso presente. É preciso guardar as lembranças, as nossas histórias, o nosso chegar até aqui, com carinho, e só. É preciso virar a página, guardar o livro, esconder no fundo do guarda roupa, onde só ficam as lembranças amareladas. O que passou não volta, não pode voltar, não deve voltar, não dá pra querer cortar os pés voltando sobre cacos passados. A vida é feita de renovação, de vontade de querer seguir em frente com determinação pra escolher coisas novas, gente nova, novos olhares, pensamentos diferentes de tudo que já conhecemos, só assim a gente se transforma e se eleva como ser humano. Não temos mais a mesma idade que antes, muito menos as mesmas capacidades físicas, mas o tempo nos ensinou a ser sagazes, a ter conhecimento necessário para entender que nem tudo acaba aqui, nem tudo é pra morrer de amor, nem tudo é pra viver sofrendo, chorando ou se entregando por coisas banais, coisas que nos impedem de AMADURECER. A gente não pode se entregar, não pode revidar, não se pode ouvir coisas que nos ferem e achar que a nossa vida vai acabar por causa daquilo, porque com certeza, a gente tem muita coisa ainda pra dar, muita coisa pra aprender como também para ensinar, e há muita gente no mundo que nos quer bem, que nos quer felizes, nos quer abraçar, e o que nos impede ver isso, é a nossa própria falta de amor próprio. É preciso começar a crescer, a entender que nem tudo é pra ser levado a sério, um pouco de deixa pra lá também caí bem, que o passado é só o passado, e que se não houve futuro, então é lá que ele têm de ficar. Viver, ser feliz com o que há hoje, com a possibilidade de poder sentir que o que se têm nas mãos agora, de repente, foi graças à toda essa trajetória de ciclos fechados, de páginas viradas que nos trouxeram até aqui. As fases, as fases servem para aprimorar a nossa essência para podermos desenvolver o conhecimento necessário de que nós podemos sim superar o mundo e a nós mesmos. Superar tudo aquilo que nos incomodou ou que ainda incomoda. Viver é botar nossos planos adiante, e quem coloca sua vida adiante, não volta um passo sequer atrás.
Ricardo F.
É amor escondido em tanta coisa, né? Pena que muitas vezes a gente não consegue ver. Tem horas que ficamos meio míopes, sendo que, amor vem até no cheiro. Tem gente que tem o dom de falar, já outros o de ouvir. Alguns nem sequer se ligam, mas sem perceber, existe amor ali também, e talvez elas, é quem amem de verdade. Tem pessoas que já nascem declamando, já outras se espremem pra soletrar uma palavrinha sequer. Isso me lembra meus tempos de escola, enquanto todo mundo corria de falar o versinho na frente da sala inteira, adivinhe quem ia? Pois é, eu mesmo. E lá vai aquele menino magricela e desajeitado de novo. Era engraçado, sempre seguia o labirinto das carteiras de cabeça baixa, doidinho pra recitar o texto, mas sempre com medo de errar. Era uma tal de risadinha daqui, conversinha dali, e lá vem a tia, que aqui a gente chamava de Dona: "Silêncio!". Naquela época, que também não é tão distante assim, elas eram respeitadas. Qualquer movimento brusco era uma gizada na testa, brincasse pra ver. Só quando o silêncio pairava é que começava, meio gaguejando no início, claro! E lá ia Cecília Meireles "Quem me compra um jardim com flores? Borboletas de muitas cores, lavadeiras e passarinhos, ovos verdes e azuis nos ninhos?" Estranho isso né, dá uma impressão que estou desviando o assunto. Na verdade, não é desvio, está tudo embutido numa coisa só, se lembra do que leu lá em cima?:“é amor escondido em tanta coisa, né?”. É que cada uma daquelas crianças que me ouviram naquele dia, que hoje me recordo, jamais se esqueceram do “jardim de Cecília”. Quando encontro um quarentão ou quarentona amiga minha na rua, sempre me perguntam: Ainda cuida do jardim? Sabe, acho que cuido sim, a gente planta amor nas pessoas através do que diz, e as pessoas nos plantam amor, quando nos ouvem.
Ricardo F.
Há tempos que não te esqueço, há tempos tentei fazer manobras pra não mais pensar em você, mas eu penso. Há tempos que sou avesso, e entendi que apenas avesso hoje posso ser. Não sei em qual ponto a gente se tocou, ou em qual casa cósmica existia o que era pra ser. Mas se isso não for amor, ah, duvido muito qualquer outra coisa ser.
Ricardo F.
[...] Ah, o coração e essa mania louca de entrar onde não pode, onde não se deve. Acho que todo mundo tem um coração meio kamikaze, moça.
Ricardo F.
[...] Não sei qual nome se dá a tudo isso, se é amor ou outra coisa qualquer já nem sei dizer, só sei que faz bem, só sei que me faz sorrir, sempre.
Ricardo F
A única forma de manter tudo isso vivo é não esquecer os valores que nos fizeram estar juntos aqui. É aproveitar cada segundinho de voz ao telefone, cada palavra dita na hora certa, precisa, por mera vontade de querer fazer com que o outro se sinta bem. Não esquecer jamais das vezes em que o mundo esteve um caos só do lado de fora, mas aqui, dentro do que sentimos, estava tudo seguro, esperando a tempestade passar. O jeito é reler as mensagens, olhar as fotos novas, imaginar o calor das mãos, o brilho nos olhos quando olhamos pras nossas coisas antigas, a limpeza da casa onde a gente mora, e esperar. Se a distância separa corpos, o amor unifica, e é ele, o amor, que encurta os espaços, que diminui a ausência, e que te da a serenidade de continuar sorrindo, porque um coração sabe que está carregado de outro.
Ricardo F.
