Coleção pessoal de RaymeSoares

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Lua em si
(Rayme Soares)

Luz nos olhos meus
Aguda luz do amor
Tua face clara, a tez da lua
Agonia: meu canto é, apenas, o que posso agora
Mais que lua em si, tu és toda a imensidão
Apossa-se dos meus dedos, do meu pensamento
Das letras que escrevo.
Dos favos do mel que desejo
Da minha canção
E eu me rendo ao violão
Pra ver se disfarço a tensão

Caminho
(Rayme Soares)

Na passagem por esse jardim e por esse deserto, só desejo mão na mão
Na visita à sua casa, só desejo um gesto brando
Na passagem, apenas o respeito, a compreensão
Estamos passando, aprendendo e ensinando
No passar, dissipemos nossas agruras
No passar, desnudemos nossas "faces"
Ao passar, deixemos algo que denote nossa grandeza
Ao passar, se for pra ser feliz, venha!

O Cansaço e a Insônia
(Rayme Soares)

Jogo as malas no chão
Deixo os livros sobre a mesa
Por um triz um palavrão
Livrai-me Deus de aspereza

Esqueço dos cones, dos fones, das sandálias...
Até mesmo do que eu fiz e faço
De tudo que demanda mais de mim
Na cegueira do meu cansaço

Não posso testar os meus limites
Não deveria, ao menos
Mesmo exausto procuro a fresta da janela

Preciso quietar meus olhos pequenos
Quem mais não dorme? Penso!
O cansaço e a insônia: tons da tela!

CINQUENTA
(Rayme Soares)

Cinquenta passos até o início
Cinquenta braças até saber
Do que é passado, do que é vício
Do que passou, do que há de ser

Cinquenta tempos, suor e sangue
Cinquenta ondas, até o chão
Dentre essas, minhas filhas
Não cessarão no coração

Cinquenta: amores dentro e fora
Olores, dores, cantares, flores
Pelos quatro cantos, no mundo afora
Em mim, no centro, no vão das cores

Cinquenta: o novo e o velho
O bom que sorvo dessas andanças
Redescobrindo o evangelho
Vou acolhendo minhas mudanças

Renasce vida, a cada ano
A cada engano, renovo a vida
Aprendizado nesse plano
A nova entrada é a saída

Por esta porta, nem sei se estou saindo ou entrando.
Estou feliz!

Menino de Rua - Escrito há mais de 30 anos.
(Rayme Soares)

De amor eu sou carente
Ando descalço e sem camisa
O meu futuro dizem ser delinquente
O meu dever amar a vida

O meu sorriso é momentâneo
O meu desprezo já lhe avisa
Que não sou nenhum simples estranho
Mas um moleque da avenida

Meu sonho mesmo é ser alguém
Que seja visto como gente
Não tenho nada e tenho o mundo
Pra aprender a me virar

Minha escola é a rua
Os "professores", quem não quer me ver
Pois sou um menino de rua
Mas posso até vir a crescer

INVENTO O CAIS
(Rayme Soares)

Eu venho de um lugar, de uma barriga, de um quintal, de um abrigo...
Eu venho de um lugar, de um colo pai, de doces mães...
Eu venho de um mundo indescritivelmente maravilhoso, venho de uma “boa vista”...
Venho de um “ninho”, sou passarinho...
Venho de irmãos passarinhos...
Eu venho de uma casa, sob um par de asas mães, sob tantos mantos bons...
Onde sonhávamos, nós passarinhos...
Eu venho de um cheiro de pitanga, de uma riqueza e uma carência sem medidas...
Eu venho de tantas parcerias, venho por tantas estações...
Eu venho de uma banda da lua, de uma onda, de tantas...
Eu venho de um sonho realizado, materializado...
Venho dos meus rebentos...
Filhas, tudo...
Eu venho das minhas paixões...
Venho do rio e do mar, de muito amar...
Venho de tudo que me impele a buscar saber mais...
Eu venho e sou esse que vos fala e se apresenta...
Quero ir além dos cinquenta...
E vou...

Aprendizado

O aprendizado pressupõe a aquiescência com relação à percepção do outro. Agir com empatia não é fácil, mas possibilita ver a vida e o mundo sob infinitas óticas. A sabedoria é decorrente da mais absoluta compreensão/consciência da própria ignorância! Rayme Soares

TEMPO
(Rayme Soares)

Permito, mas não abro mão de agir no momento propício.
Calo-me, quando meu objetivo é tão nítido que abafa minha impulsividade.
Aguardo, até que o tempo possibilite uma atitude eficaz.
Recolho-me, para que minha exposição não ocorra em vão.
Submerso na água da reflexão, para pegar fôlego.
O grito é mais intenso e extenso, quando as cordas vocais estão descansadas!

NATUREZA
(Rayme Soares)

Não me espanta
Sabiá que canta
Natureza sabiá
Camaleão que engana
Em meio à cor de onde está
Cascavel chocalhando
Pra picar e envenenar
Borboleta sobre flores
Pousa: vida, néctar...
Não me engano, não me espanto
Natureza livre, sem justificar...
Não perdoa, fere, crava, voa...
Tem que voar...

AOS MEUS AMIGOS
(Rayme Soares)

Tenho grandes amigos
Amigos que tornam o caminhar leve
Entornam suas alegrias, suas verdades
Amigos que fazem, eternos, momentos breves

Tenho vívidos amigos
Que me desancoram com gestos sãos
Ensinam e alertam, mas não subjugam
E momentos outros são apenas vãos

Tenho nítidos amigos
Por mais efêmera que pareça a vida
Infinitos laços que abraçam

Tenho humanos amigos
Para os quais não me recolho
Mas apresento-me inteiro pra lida, na lida

NA ESTRADA (Para Mana)

Daqui de dentro, busco sobre a cidade
Teu olhar que era tão amigo e tão presente
Daqui de dentro, nem percebo a velocidade
O tempo passa e eu me sinto mais carente

Nada encontro, além das lembranças
Sei do infinito desse amor
Das nossas risadas, das nossas alianças
Daqui de dentro, eu ouço o que calou

Impossível, não sentir as lágrimas no rosto
Inevitável, lembrar da tua amizade
Inaceitável, dor que deságua em mim
Irremediável, travo da saudade

Daqui de dentro, olho Mariana
Aqui por dentro, tremo e choro
Daqui de dentro, vejo Mariana
Mas eu não vejo, peço a Deus, imploro!

Filhas

Três estrelas, três estradas
Minha vida se espalha
Três fragrâncias, minha essência
Minha trilha não me cala

Três cantigas, três amigas
Sempre, sempre em minha fala
As meninas dos meus olhos
Minha vida não me cala.

SANDRA

Grandeza de Sandra
Firmeza de Sandra
Sensibilidade à tona
Tua presença não me cala!

Rio Sandra corre ávido por mar
Segue e não esmorece
Já chegaste a muitos mares
Mas por outros mares não perece.

Pessoa

Pessoa que sabe cativar
Pessoa que chama pessoa
Pessoa que arrebata
Pessoa confusão e profusão
De cores entre o céu e o mar
Pessoa linda, pessoa...

Acredito que os limites são inícios de possibilidades e as possibilidades, mesmo tendo limites, são, desse modo, oportunidades...

Gente Gera

Gente fala, gente escreve;
Gente olha, se mexe gente.
Escute gente, leia gente
Veja dentro, toque, atente!

Gente brilha gente estrada
Na hermenêutica da escrita;
Gente trilha, gente escava,
Gente erra, gente lava.

Gente gere, gera gente
Apercebe-se diferente
Senão gente não entende.
Gente, canto reluzente.

Dança gente, canta gente,
Somos todos tão iguais!
Compete gente, viva gente,
Somos muito diferentes:

Diferentes no falar,
Na escrita e no olhar,
Na expressão: diferentes
Na beleza de se amar;

Viva a diversidade!

Foi no espinho do teu beijo doce
Que eu me feri
Perdi o passo e senti
Que fui além num voo quase sem fim

Como um pássaro eu me entreguei
Ao voo como se fosse a última vez
Bebia o néctar da ilusão

Serpente na escuridão
Tocaia no destino de quem quis
Sentir da rosa o tocar
Da pétala no claro da manhã

A queda ergueu as minhas asas
A queda ergueu as minhas asas

Hoje eu sei voar...

Mar Grande (um dia...)

Mar de mágico vibrar
Tens a voz da terra tens no ondular
E eu aqui pra te pescar

No vazio da boca, ter o mar
Encher vazio, nascer o mar
Sentir vazio, correr pra lá

Encher vazio nascer no lá
Lado de dentro do olhar

Mar vem me chamar
...e eu vejo em ti a minha mãe
Ao ser somente ouvidos pra me ouvir
Vem me derramar
Vem captar ondas no ar
Desfolhando o silêncio até a luz

Grande Mar Grande Mar

Imagine se as pessoas não perdessem tempo falando da vida alheia de modo depreciativo. Certamente, teríamos mentes sãs em abundância. Reflita!

Quarta feira

Essa é a quarta do branco quartzo, do rosa quartzo e de todas as cores em harmonia! Vibração positiva!!!