Coleção pessoal de PriSpinardi

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'Dizem as más línguas, as boas preferem o silêncio.

Muitas vezes o charme diminui quando chega perto demais da realidade.

Não digitarei que sinto vergonha de ser brasileira, mas de ter nascido como ser humano. Triste sina essa, a nossa, de precisar de líderes pra nos mostrar como orientar nossa alma, anseios e percas. Hoje eu preferiria ser um beija-flor, um caramujo ou qualquer outro animal que aceita seu destino e cumpre seu caminho de forma natural.

Apenas constatamos a primavera, sempre depois que ela chega e, pretensiosos, supomos ter sido feita somente para a nossa fluição. E ninguém, dias antes, meses antes, sei lá, encosta o ouvido na árvore, no caule ou na planta, para escutar a melodia da fauna criadora que lhes vai por dentro, o ruido dos ritos da preparação.
Sempre estou a imaginar a agitação da seiva, a mobilização das energias renascidas na intimidade vegetal. Quando chega a véspera da primavera, chego a sentir o corre- corre interno das plantas, sua preparação célere, aquele detalhe sempre esquecido ou deixado para a última hora.
(...)
Ninguém nunca saberá o esforço, o trabalho, o sofrimento e a consequente alegria vegetal, operados secretamente na intimidade imóvel de cada caule, tronco ou galho.

( ... ) Todas as palavras pareciam inadequadas, gastas, tolas, sem vida, e eu as queria ardentes.

Apesar de a mulher ter se emancipado em vários aspectos, a maior expectativa que ainda hoje se tem em relação a ela é que seja mãe.

''O que os educadores não sabem é que muitos dos alunos continuam querendo uma ultrapassagem cultural de seu mundo e não apenas uma pequena melhoria econômica. Fui um desses pardais que sonhavam com alturas e não com migalhas caídas no chão. E o lugar onde pude exercer esse projeto foi na biblioteca pública. Nela, não havia conteúdos predefinidos, nem o desejo de me moldar.

( ... ) Podia eleger o tipo de leitura, e fiz isso sem nenhum método, porque a biblioteca me permitia ser sujeito de minhas escolhas, mesmo que elas recaíssem sobre livros de autores errados. Nunca me senti tão independente como dentro de uma biblioteca pública, percorrendo ao acaso prateleiras e descobrindo livros sobre os quais não tinha nenhuma informação. Se o saber escolar chegava formatado (refletindo preconceitos didáticos), a biblioteca era o espaço livre e não solicitante. Muitas vezes, eu apenas caminhava entre os livros, vendo capas e deixando passar o tempo.''

O que sai da boca é bobagem, são os olhos que dizem a verdade.

'A alma é uma coleção de belos quadros adormecidos. Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, os sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez ou outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz? ou uma maneira de olhar? ) que, sem razões, faz a bela cena acordar.

(...)
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos!
(...)
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre em frente...
e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Ainda não se produziu nenhuma substância química com propriedades afrodisíacas comparável ao estar apaixonado (da).

E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper:
Tudo que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser.

O sorriso, é esta exalação da alma, que nos momentos de calma e tranqüilidade vem desabrochar nos lábios, e abrir-se como uma dessas flores silvestres que ao menor sopro desfolha.

A poesia pode ser demasiadamente verdadeira. Pura como água destilada. Quando a verdade não é nada senão a verdade, ela é antinatural; uma abstração que com nada se parece do mundo real. Na natureza há sempre tantas coisas estranhas misturadas à verdade essencial! Eis porque a arte nos comove: precisamente porque está depurada de todas as impurezas da vida real. As orgias verdadeiras nunca são tão excitantes como os livros pornográficos. Num volume de Pierre Louys todas as raparigas são jovens e tem formas perfeitas; não há soluços de bebedeiras, nem mau hálito, nem fadiga, nem tédio, nem lembranças súbitas de contas a pagar ou de cartas comerciais a responder; nada disso para interromper os arrebatamentos. A arte nos dá a sensação, o pensamento, o sentimento absolutamente puros; isto é: quimicamente puros.

Apenas quando não houver mais peixes no mar, animais na fauna e árvores nas florestas é que o homem aprenderá que não se come dinheiro.

Dorme o tormento
O eterno dorme suspenso
Sobre as idéias e inventos
Só eu não durmo...

Semelhante a uma flor que parece linda, mas não tem nenhum perfume, assim são as palavras infrutíferas do homem que as fala e não coloca em prática.

O amor romântico é regido pela impossibilidade. Quanto mais difícil, mais apaixonada a pessoa fica pelo outro.

A ausência temporária faz bem, porque a presença constante torna as coisas parecidas para que possam ser distinguidas. A proximidade diminui até as torres, enquanto as ninharias e os lugares comuns, ao perto, se tornam grandes. Os pequenos hábitos, que podem irritar fisicamente e assumir uma forma emocional, desaparecem quando o objeto imediato é removido do campo de visão. As grandes paixões, que pela proximidade assumem a forma da rotina mesquinha, voltam à sua natural dimensão através da magia da distância.

Os tempos são líquidos porque, assim como a água, tudo muda muito rapidamente. Na sociedade contemporânea, nada é feito para durar.