Coleção pessoal de Poliana16
Paulo nos mostra que o pecado começou quando os homens, "tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças" (Rm 1.21). Ele mesmo nos oferece a mais precisa análise do espírito do pecado contida na Bíblia, ao dizer que "o pendor da carne (a mente e o coração do pecador não-regenerado) é inimizade contra Deus" (Rm 8.7) - descontentamento para com o seu governo, ressentimento contra suas reivindicações e hostilidade para com sua Palavra; tudo expresso por meio da determinação fixa e inalterável de seguir a sua própria independência, em desafio ao Criador. O substantivo abstrato "inimizade" intensifica a idéia, como se Paulo houvesse dito "essência da inimizade", ou então "inimizade pura".
A Bíblia nos ordena mortificar o pecado. "Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena; prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é a idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência]" (Cl 3.5,6). Não podemos obedecer parcialmente ou ser indiferentes quando procuramos eliminar o pecado da nossa vida.
Não é possível parar enquanto a tarefa estiver incompleta. Os pecados, do mesmo modo que os amalequitas, encontram sempre um jeito de escapar da matança, gerando, revivendo, reagrupando-se e lançando novos e inesperados ataques em nossas áreas mais vulneráveis.
Desde que Deus faz tudo por vocês, então deveria ser seu objetivo principal agradá-lO em todas as circunstâncias. Nenhum problema pode abalar o cristão, cujo desejo é agradar a Deus. Como uma faísca de fogo se apaga facilmente ao cair no mar, assim a bênção de Deus fará com que problemas não surtam efeitos maus. Posto que Deus faz todas as coisas e Se regozija em nos fazer só o bem, estamos seguros até mesmo nos maiores problemas e perigos. Que, então, sejamos guiados pela sabedoria divina da Bíblia. Temamos somente o mal. Decidamos que a nossa principal ocupação seja agradar a Deus e crer nEle em tudo que fizermos. Esses são conselhos seguros para a nossa segurança e sucesso em todas as incertezas desta vida.
Visto que Deus faz tudo por vocês, então orem a Ele sobre todas as coisas. Vocês nunca terão aquilo que desejam ou se esforçam para conseguir, a menos que Deus opere a seu favor. Embora Ele já tenha o propósito de fazer o que desejam, ainda espera que peçam a Ele o que querem. Então, tendo orado, seja qual for o pedido, já o receberam.
Se Deus busca o nosso bem, busquemos a Sua glória. Se Ele faz todas as coisas servirem à nossa edificação, façamos todas as coisas servirem à Sua exaltação.
O apóstolo Paulo disse: “Trabalhei muito mais do que todos eles” (1Co 15.10). Alguém poderia considerar esse discurso recheado de orgulho; mas o apóstolo arranca a coroa de sua própria cabeça, e a põe sobre a cabeça da livre graça: “Todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo”. Constantino costumava escrever o nome de Cristo sobre a porta, e nós deveríamos fazer o mesmo sobre os nossos deveres. Sendo assim, esforcemo-nos para fazer o nome de Deus glorioso e renomado. Se Deus busca o nosso bem, busquemos a Sua glória. Se Ele faz todas as coisas servirem à nossa edificação, façamos todas as coisas servirem à Sua exaltação.
Quando nós tivermos feito o nosso melhor, devemos desaparecer de nossos próprios pensamentos, e transferir toda a glória a Deus.
Pergunta. Como pode ser dito adequadamente que nós devemos glorificar a Deus, se Ele é infinito em Suas perfeições, e não pode obter qualquer incremento de nossa parte?
Resposta. É verdade que, em um sentido estrito, nós não podemos dar glória a Deus, mas, em um sentido evangélico, nós podemos. Quando nós tomamos aquilo que há em nós para erguer o nome de Deus no mundo, e para levar outros a nutrirem pensamentos altos e reverentes acerca de Deus, isso é interpretado pelo Senhor como Sua glorificação; do mesmo modo como se diz que um homem desonra a Deus, quando ele faz com que o nome de Deus seja mal-falado.
Consideremos que, se Deus torna todas as coisas para o nosso bem, quão justo é que nós deveríamos fazer todas as coisas servirem à Sua glória! “Fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31). Os anjos glorificam a Deus, eles cantam hinos divinos de louvor. Assim também devem glorificá-Lo os homens, aqueles por quem Deus tem feito mais do que em favor dos anjos! Ele nos dignificou acima dos anjos, ao unir a nossa natureza com o Cabeça. Cristo morreu por nós, não pelos anjos. O Senhor nos deu não apenas do tesouro comum de sua generosidade, mas Ele nos enriqueceu com as bênçãos da aliança, Ele nos concedeu o Seu Espírito. Ele atenta para o nosso bem-estar; Ele faz todas as coisas cooperarem para o nosso bem; a sua livre graça elaborou um plano para a nossa salvação. Se Deus busca o nosso bem, não deveríamos nós buscar a Sua glória?
Pensemos: se as piores coisas cooperam para o bem do crente, o que dizer das melhores coisas – Cristo e o céu! Quanto mais devem essas coisas cooperar para o bem! Se a cruz tem em si tanto bem, o que dizer da coroa? Se tão preciosos cachos crescem no Gólgota, quão delicioso é aquele fruto que cresce em Canaã? Se há alguma doçura nas águas de Mara, o que dizer do vinho do Paraíso? Se a vara de Deus possui mel em sua ponta, o que há em Seu cetro de ouro? Se o pão da aflição é tão saboroso, o que dizer do maná? O que dizer do alimento celestial? Se os golpes e ataques de Deus cooperam para o bem, que efeito terão os sorrisos de Sua face? Se tentações e sofrimentos têm em si uma substância de alegria, que substância a glória terá? Se tanto bem procede do mal, em que então consistirá aquele bem no qual não há mal nenhum? Se as misericórdias que procedem da disciplina de Deus são tão grandes, como serão as misericórdias que procedem da coroação? Que possamos confortar uns aos outros com essas palavras.
Um bom cristão bendirá a Deus não apenas no amanhecer, mas também no pôr do sol. Que nós possamos seguramente, na pior circunstância que nos sobrevier, ter um salmo de gratidão, porque todas as coisas cooperam para o bem. Oh, que sejamos frequentes em bendizer a Deus: nós daremos graças a Ele que nos trata com favor.
