Coleção pessoal de testeteste123
Seja meu louco.
Vamos montar um show de esquisitices e nos apresentar como atração principal
Vem ser louco comigo.
Vamos correr na chuva, e se arrepender depois de pegar um resfriado
Junte-se a minha loucura.
Vamos à uma festa duvidosa e fazer uma tatuagem bêbados
Divida sua loucura comigo.
Vamos contar nossos segredos mais constrangedores e acabar percebendo que não somos tão diferentes
Mostre que sua loucura parece nem que seja um pouco com a minha
Tal qual Clarice Falcão ao escolher seu louco
Eu te escolho
Seja louco comigo
Não me deixe ser louco sozinho
Nossas realidades se cruzaram,
Naquele dia em que nos conhecemos.
Penso o quão improvável foi tudo acontecer
Somos tão diferentes,
Você alta classe e nos padrões
Eu rebelde e contra o sistema
O destino às vezes brinca um pouco
Imagino ele como um ser que controla a realidade
Vejo ele brincando de colocar nossos caminhos para se cruzarem...
Por que mais isso aconteceria?
Se não uma grande piada do destino
Algo tão improvável que bagunça a realidade,
O destino gargalha de tudo isso
Como se fôssemos o stand-up favorito dele
O improvável acontece quando o destino brinca conosco...
"BLINDO-ME meus 5.4.O brilho de uma pessoa em PAZ, PRODUTIVA e CHEIA DE SONHOS incomoda mais do que qualquer bem material."
━By Coelhinha
Querida solitude, até então querida...
Você vem me mostrando seu lado mais sombrio
Te batizo com o codinome solidão.
Minha vida nesses últimos anos tem sido em profunda solitude,
Tão profunda que acabei me perdendo em seu meio e deixando-a se transformar em solidão,
Agora já tão emaranhado
Tão gélido que não consigo escapar...
Saudades de minhas amizades que por vez se
perderam em outros caminhos enquanto eu procurava um retorno ao meu.
Saudades dos meus familiares que por motivos banais e fúteis desataram os laços de nossa família.
Saudades também de tudo que deixei para trás quando decidi buscar uma vida melhor em outra cidade longe de todos
Em busca da felicidade sem me tocar que ela sempre se fez presente em momentos, detalhes e prazeres carnais.
Sentir-se sozinho é não ter motivos para se levantar e aproveitar a vida.
Sentir-se sozinho é viver por materiais e desistir dos carnais.
Sentir-se sozinho é entrar em um mar de si mesmo e perceber que não sabes nadar...
Me pego pensando se conseguirei escapar desse sentimento que me faz fantoche do sistema, zumbi da sociedade.
Espero conseguir me livrar de ti solidão.
Espero tornar-me parceiro da solitude e deixar de ser apenas um hospedeiro da mesma.
Espero reencontrar o caminho de minhas amizades ou até mesmo, criar novos caminhos. Só espero ser feliz novamente...
De: eu
Para: solitude
Sentir-se sozinho é não ter motivos para se levantar e aproveitar a vida.
Sentir-se sozinho é viver por materiais e desistir dos carnais.
Sentir-se sozinho é entrar em um mar de si mesmo e perceber que não sabes nadar...
Te queria
Te queria, mas nem querendo eu consigo querer,
Quis tanto, mas você não me quer,
Sem querer querendo que me queira
Queria que me quisesse
Quis tanto que já nem quero mais
Mas ah! se me quiseres...
Voltaria a te querer
Mas enquanto não me quer,
Deixo de te querer sem querer
Eu tenho medo de amar
Eu tenho medo de amar,
Sempre que amo, me dói
Não sei viver um amor leve e feliz
Quando amo, amo intensamente,
Tão intenso que dói
Mas eu gosto
Gosto da sensação de ser pequeno
Pequeno perante o amor que desenvolvi
Amor que sempre corrompe
Me deixa um vazio enorme
Só a quem dediquei o amor preenche esse vazio
O problema de amar intensamente
E se entregar de corpo e alma
É quando não nos corresponde
A única coisa que resta é o vazio e a dor
O vazio que corroe o coração
A dor que dói a alma.
Eu tenho medo de amar
Amar e não ser correspondido
O vazio já se fez presente tantas vezes
Que sinto não ter mais nada para partilhar
A dor já me solou tantas vezes
Que já nem dói tanto
Ainda assim me apavora pensar em amor
Em viver tudo novamente.
Vulnerável
Quão vulnerável nos sentimos às vezes,
Tem dias que me sinto um filhote na natureza
Quando a mãe sai para caçar e ele fica sozinho
Somos todos meio filhotes
A vida e o convívio com as pessoas seria a natureza
Incerta, desconhecida e meio assustadora,
Eu até gosto um pouco de tudo isso
Saber que por mais que eu tente
Nunca vou saber o que vem amanhã
Ou o que vão pensar de mim
Gosto um pouco, mas na maioria me traz medo
Um sentimento de incapacidade
Não conseguir sair do lugar.
Medo de tudo que espreita nas sombras
Sinto-me vulnerável à vida.
Pense em mim
Me pergunto se você pensa em mim
Nem que seja por um momento
Como um flash, venho em sua memória
Besteira... nunca perderia seu tempo assim,
Mas algo em mim tenta argumentar
E se ele estiver pensando em mim nesse momento?
Dizem que quando alguém vem em sua mente repentinamente,
Significa que essa pessoa está pensando em você
Se for verdade...
Me declaro o tema de sua vida,
Pois não me sai da mente
E quem sabe também estou presente em sua
O que estou pensando?
Você nunca perderia seu tempo assim, perderia?
Nossa cena
Te vejo entrar no vagão com seu estilo inconfundível.
Me pego pensando em nós dois em uma festa,
Uma dessas bem clichês de filmes teen
Dançamos no meio da pista
O holofote iluminando nossos passos
Nada mais importaria e tudo pareceria mágico
Te olho como se só os tivesse para ti ver.
Teu sorriso iluminando mais que os holofotes.
Seu cabelo levemente bagunçado da dança
Nós nos aproximamos e como no maior dos maiores clichês,
Finalizamos a cena com um beijo demorado,
Esse seria nosso momento
Seria meu sonho cafona de infância se tornando real.
Mas meu romance teen acaba,
Ao abrir os olhos e ver que nem se encontrava presente
Havia descido na estação passada
Nunca trocamos uma palavra
E provavelmente será só mais uma das minhas fanfics
Aperto
Sinto aquele aperto no peito sempre que penso em você. A angústia da incerteza banha meus pensamentos e me tira a paz, transbordando em meus olhos, que regam meu rosto sempre que semeio as ideias do meu querer, em meio a dúvida de teu "sim" e o medo de teu "não"
Sufoco
Têm dias que acordo com um ardor em meus olhos
Um aperto no peito
Um bloqueio na garganta.
Me sinto sufocado
Como se me faltasse o ar
Como se a qualquer momento fosse me desmontar em lágrimas
O corpo amolece como se minha pressão tivesse caído
Apesar de saber os motivos
Prefiro ignorar e fingir que meu corpo está me pregando uma peça
"Lá vem ele com mais uma das suas"
Trato como uma reação primitiva,
Que veio dos ancestrais.
Ignoro e sigo a vida.
Talvez a reação primitiva seja a minha
Ao ignorar os problemas
Os sinais do corpo, besteira...
Me assumo então Neandertal e sigo a ignorar...
Acho que te perdi
Me pergunto: quando te vi
Em meio à minha confusão
Me confundi e nem te percebi
Qual seria sua reação?
Ao descobrir que não o reconheci.
Não foi que não correspondi.
Com toda minha emoção,
Quando te vi, sorri
Mas por ironia ou não,
Não reparei
Que justo quando me abstraí
Você passou e com pretensão,
Me viu em meu piti
Se tivesse parado e dado atenção,
Quem sabe não estaria aqui?
Mas não mais te vi, acho que te perdi.
Insuficiente
Hoje me sinto insuficiente, talvez, quem sabe, se não fosse assim, a gente não daria certo?
Você merece mais.
Eu não consigo me ver somando à vida de ninguém.
Quem sabe em outra vida?
Quem sabe eu não tenha dado certo em outra realidade?
Realidade. Talvez devesse aceitar a minha...
Dentre tantas pessoas no mundo, você me escolheu
Não sou o mais bonito, nem o mais inteligente, menos ainda o mais bem-sucedido
Então por que eu?
Talvez devesse valorizar, agarrar para não soltar mais
Vai que por ventura você não percebe
E continuamos juntos até as chamas transformarem tudo em cinzas
Até lá, vou torcendo para não ter um lapso repentino de lucidez e perceber que não sou nem metade do que vê em mim
Afinal, o amor nos engana...
Quando notar que sou como o apêndice...
Hum... não me atrevo a imaginar esse dia
Mas até lá, vou sustentando sua fanfic.
Te vi com meus olhos
Te li em meus pensamentos
Te criei a meu querer
Te moldei para mim
Te quis essa imagem
Me perdi na minha ilusão
Me fiz crer que eras meu
Me vendi a Ideia de ter-te
Me doí a incorrespondência
Me senti vazio sem ti
Nos imaginei como quis
Nos refleti no espelho do desejo
Nos flori sem fluir
Nos supri nas falácias mentais
Nos esvaí em gritos de debilidade
O futuro é uma ilusão para tolos, eu sei… mas ainda assim me agarro a ele, enquanto as cicatrizes do passado me lembram, com crueldade, quem sou e quem nunca deixarei de ser.
As pessoas não são contra a opressão, mas sim ao fato da opressão ser praticada por outra pessoa, não por ela mesma.
Frantz Fanon e Os Condenados da Terra: A Voz dos Oprimidos
A leitura de Os Condenados da Terra, publicado em 1961, é um convite à reflexão profunda sobre as marcas deixadas pela colonização nos povos submetidos ao jugo imperialista. Frantz Fanon, psiquiatra e pensador martinicano, não escreve como um observador distante, mas como alguém que sentiu na pele e testemunhou nos corpos e mentes colonizados a violência da dominação. Sua obra é um grito, uma convocação e, sobretudo, uma denúncia que visa resgatar a dignidade dos povos silenciados.
Logo na abertura do livro, Fanon lembra que “a colonização não se contenta em impor sua lei ao presente e ao futuro do país dominado. Ela procura desfigurar, distorcer, aniquilar o passado do povo oprimido” (FANON, 1961, p. 170). Essa afirmação mostra que o colonialismo não é apenas um regime político ou econômico, mas um processo sistemático de destruição cultural e psicológica. O colonizado não perde apenas terras e recursos: perde referências, autoestima e a confiança na própria humanidade.
Fanon descreve a realidade colonial como um espaço marcado pela violência estrutural, na qual “o mundo colonizado é um mundo compartimentado” (FANON, 1961, p. 29). Há, de um lado, o colono, com seus privilégios, e, de outro, o colonizado, relegado à invisibilidade e à precariedade. Essa divisão não é apenas espacial ou econômica, mas simbólica: o colonizado é construído como inferior, incapaz, quase desprovido de humanidade. Ler essa análise é confrontar-se com o absurdo de uma ordem social sustentada pelo racismo e pela exclusão.
A empatia pelo colonizado nasce justamente da coragem de Fanon em dar-lhe voz. Ele afirma que “na situação colonial, o colonizado é sempre presumido culpado” (FANON, 1961, p. 52). Tal frase revela a crueldade da estrutura: aquele que sofre a opressão ainda é tratado como criminoso por ousar resistir. Ao apresentar essa inversão moral, Fanon obriga o leitor a enxergar o colonizado não como submisso ou bárbaro, mas como vítima de um sistema perverso que lhe nega o direito básico de existir plenamente.
Mais adiante, Fanon adverte que a libertação não pode ser concebida como uma concessão graciosa do colonizador, mas como uma conquista dolorosa e coletiva: “a descolonização é sempre um fenômeno violento” (FANON, 1961, p. 27). Essa afirmação, muitas vezes mal compreendida, não é uma exaltação da violência, mas a constatação de que a colonização, sendo ela mesma violência, não pode ser revertida sem ruptura. O que Fanon provoca no leitor é a empatia ativa: compreender que, diante de séculos de opressão, a luta pela liberdade não é um capricho, mas uma necessidade vital.
Ao longo da obra, o autor também revela os danos psicológicos do colonialismo, tanto para o colonizado quanto para o colonizador. O primeiro, porque internaliza o desprezo e sente-se desumanizado; o segundo, porque se acostuma a uma posição de superioridade desprovida de ética. Essa dialética de opressor e oprimido ecoa como um chamado à reflexão: até que ponto ainda carregamos resquícios dessa lógica colonial em nossas sociedades contemporâneas?
O maior mérito de Fanon é humanizar aqueles que o colonialismo quis desumanizar. Seu texto não é apenas denúncia, mas também esperança: esperança de que a história não se resuma à submissão, mas que a luta pela libertação seja capaz de restituir dignidade. Nas suas palavras: “Cada geração deve, na relativa opacidade de sua época, descobrir sua missão, cumpri-la ou traí-la” (FANON, 1961, p. 173).
Os Condenados da Terra não é apenas um livro de teoria política. É um testemunho visceral que nos obriga a nos colocar no lugar do colonizado, a sentir sua dor e a compartilhar de sua luta. Ao provocar a empatia do leitor, Fanon rompe com a indiferença e nos convida a assumir responsabilidade histórica diante da injustiça. Ler Fanon é aprender que a liberdade de um povo nunca pode ser vista como favor, mas sempre como direito inalienável.
Referência
FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968 [1961].
