Coleção pessoal de testeteste123
O mundo anda tão estranho... ter um coração bom parece desvantagem.
Mas talvez um passo para trás seja, na verdade, um impulso assertivo.
A chave da felicidade pode estar em aceitar os erros e celebrar cada feito — cada conquista, por menor que pareça.
“Num se apaixone por mim, visse”
Num se apaixone por mim, visse,
me trate que nem ventania,
daquelas que passam ligeiro,
derrubam flor e poesia.
Sou tropeço de estrada seca,
sou poeira, sou catinga,
sou promessa que o tempo leva,
sou tristeza que nem se finda.
Sou canto de galo cansado,
sou vaqueiro sem curral,
sou alma de chão rachado,
sou sombra de um bem e um mal.
Num me olhe com doçura,
que eu só trago amargura,
sou ferida aberta no sereno,
sou abraço que vira veneno.
Tu tem amor só pra tu,
guarda ele, num joga no breu,
meu peito é cacimba vazia,
meu riso é só canga e aridez.
Se for pra me ver, veja de longe,
feito quem vê o sertão à tarde,
sou cachorro sem dono na rua,
sou saudade que nunca arde.
E se eu sumir na poeira,
num chore, nem venha atrás,
deixa eu ir feito boi na invernada,
sem rumo, mas em paz.
Me trate como fim de feira,
como resto de forró,
como alguém que já foi embora,
e só deixou o pó.
O hipócrita se diz um grande defensor da família, mas passa anos sem visitar a própria mãe.
Benê Morais
Geração do eco vazio, ruído sem essência. Clama por validação, mas esquece o valor. Preenche-se de aparências e esvazia-se de propósito. Perdida entre telas e promessas, não sabe quem é, nem o porquê de existir. Busca as riquezas do mundo, mas ignora a maior delas: o sentido.
Ás vezes Deus não muda o caminho Ele muda você no caminho. Tem coisa que só o tempo ensina, e tem lição que só a dor explica. Nem tudo que parece demora é atraso, ás vezes é só Deus te deixando mais inteiro pra caber naquilo que você pediu.
Somos a primavera que nunca se cansa,
O livro que se abre, sem ter mais final.
No tempo, pairamos, em terna dança,
Um amor que a vida não pôs no portal.
Somos jovens demais para a dor que nos toca,
Para o adeus que o futuro insiste em soprar.
A alma, ingénua e forte, ainda se choca
Com o cinza que a aurora há de nos mostrar.
Éramos a promessa, o brilho sem fim,
Agora, a saudade que o hoje não sente.
Eternos amantes, neste jardim,
Jovens demais para sermos... ausentes.
Deus me enviou pessoas
Eu pedi a Deus, anjos.
E Ele me enviou pessoas.
Eu não sabia pedir ajuda.
Ainda não sei.
Não diretamente, não com palavras.
Mas eu já gritei, de todas as formas possíveis.
Gritei aos céus.
Gritei no meu quarto, trancada, abafada pelos travesseiros.
Gritei com a mão na garganta.
E gritei em silêncio, com o olhar perdido no vazio.
Mas Deus ouviu.
E me enviou pessoas.
Pessoas que eu nem imaginava,
mas que estendem as mãos e apoiam outras vidas,
inclusive a minha.
São poucas, mas conseguem me alcançar.
Cuidam de mim, mesmo sem entender tudo.
E eu… eu não tenho palavras pra agradecer.
Eu queria sorrir, gritar, voar, abraçar.
Dizer o quanto isso me faz bem, o quanto me faz feliz.
Mas ainda não consigo.
Quimicamente, meu corpo não permite.
Estou tão exausta que, às vezes, não consigo nem falar.
Quando elas estão por perto, eu me sinto perdida,
tentando apenas dar conta,
retribuir um pouco do que recebo.
Queria poder devolver o sorriso,
não deixá-las tão preocupadas.
Mas, por dentro, às vezes,
eu ainda estou gritando.
Enquanto olho pra elas,
tentando achar em mim alguma coisa
um sinal de vida,
um recomeço,
um pouco de mi
Eternamente jovem, disse o espelho mudo,
Enquanto a alma contava invernos e adeus.
Sou a flor que não murcha, mas que vê tudo
O que amou ser poeira sob céus.
O tempo me esqueceu, cruel e distraído;
Guardo um coração febril, sem ter ruga;
Mas cada beijo antigo, já partido,
É uma lágrima seca que me inunda.
Dramático fardo amar a ti, mortal,
Com este peito insone que não finda;
Sou o verso que fica após o final,
A dor que persiste, bela e infinda.
O gelo das geadas, das águas congeladas, o gelo da geleira e o da geladeira, o gelo da tempestade, mas o gelo insano que na humanidade mais causa dano, é o gelo do coração humano.
Ainda Não
Há dias em que o corpo pesa mais do que a alma.
E, mesmo sem feridas visíveis, tudo dói.
O respirar dói.
O levantar dói.
O existir... exaure.
Há algo dentro de mim que grita em silêncio,
pedindo socorro, mas sem força para pedir.
Como se eu esperasse que alguém qualquer um
ouvisse o som do que não digo.
Eu me sinto como quem tenta juntar os cacos
de um vidro que insiste em se cortar nas próprias mãos.
Tento reconstruir o que já não sei se pode ser reconstruído.
Mas, mesmo fraca, ainda espero —
porque uma parte de mim ainda acredita
que não é tarde demais.
Talvez eu não precise de promessas,
nem de frases bonitas,
só de alguém que diga: fica.
Fica mais um dia.
Mais um respiro.
Mais um pedaço de esperança.
Porque, por mais que tudo em mim peça fim,
ainda não estou pronta para morrer.
Ainda não.
Só quero que alguém me tire daqui —
desse lugar onde tudo é dor e silêncio,
onde a alma sangra e ninguém vê.
E se um dia eu não conseguir mais pedir ajuda,
que este texto grite por mim:
eu só queria viver,
mas de um jeito que não doesse tanto
Aliviar a dor nem sempre faz curar a ferida.
O mal tem que ser cortado pela raiz e não só alguns pedaços.
Seja luz na vida das pessoas porque de escuridão o mundo já está cheio. É hora de mudar, o amor tem que vencer no final do túnel.
Um olhar triste vem do fundo da alma, mas ele se desfaz quando você decide que a escolha depende só de você!
Os pingos d'água que caem sobre meu rosto são promessas flutuantes, e a própria estrada, uma linha infinita de possibilidades.
Ro Matos
